Educação com qualidade

Em Guaraciaba do Norte-Ceará, a Escola “Marina Soares” encontra saída criativa

Há 25 anos, este município realizou uma experiência pioneira e vitoriosa com o telensino. Era a única forma de atender os estudantes que concluíam a quarta série na zona rural. Não havia Professores habilitados, em quantidade suficiente, para as séries terminais do Ensino Fundamental. A TV, com vídeo cassete, e dois Orientadores em cada sala foram a solução.

E de repente, quarentena!

Dia 16 de março de 2020 – A E.E.M. Maria Marina Soares é surpreendida com o decreto governamental nº 33.510, do senhor governador do Estado, Camilo Santana, suspendendo, por quinze dias, as atividades educacionais presenciais em todas as escolas públicas. Rapidamente, as escolas da rede particular de nosso Município também aderiram. O coronavírus (Covid-19), após ter assolado países como China e Itália, batia à nossa porta. De repente, quarentena. Um quadro inimaginável para nós. Receosos com o futuro de nossas aulas, os membros do núcleo gestor estampavam preocupação em seus lares. Com o passar de poucos dias, vieram orientações mais claras: estudos domiciliares.

De imediato, a ideia nos assombrou. Estaríamos preparados para implantar essa sistemática de ensino? Que recursos iríamos utilizar? Como atingir o maior percentual possível de estudantes? Como sensibilizar os professores a abraçarem a ideia? Após uma videoconferência com a equipe Crede 5, ficou acertado que cada escola da regional teria autonomia para conduzir seus estudos domiciliares, de acordo com as peculiaridades de seu público-alvo. De posse desse encaminhamento, os membros do núcleo gestor reuniram-se, por meio também de videoconferência, a fim de encontrar melhor estratégia para implantação do estudo domiciliar.

Observando nosso contexto, percebemos que mais de 90% de nossos estudantes possuem aparelho celular com acesso à internet e ao aplicativo WhatsApp. Cuidamos, antes mesmo da quarentena, por questões de facilitar a comunicação com nossos estudantes, a criação de grupos de WhatsApp para cada turma. A grande maioria de nossos alunos também já possuía acesso ao aplicativo Aluno Online – app mantido pelo Governo do Estado do Ceará, com acesso às notas, frequência e também a uma plataforma em que os professores podem disponibilizar atividades e trabalhos. Havíamos ainda, no início do mês de fevereiro, realizado eleição de líderes e vice-líderes de todas as dezenove turmas de nossa escola e criado, em seguida, grupo de WhatsApp com a presença do núcleo gestor e das lideranças de sala.

Com os grupos já criados e Aluno Online disponível, já encontrávamos os meios pelos quais as mensagens chegariam aos nossos estudantes. Restava agora a sensibilização dos professores e a montagem de um cronograma de postagem de conteúdos aos estudantes com a utilização dos veículos de comunicação mencionados acima. O período inicial de suspensão foi de quinze dias. Portanto, duas semanas. Elegeu-se que disciplinas com uma ou duas aulas semanais, os professores disponibilizariam uma atividade de dez questões; disciplinas com maior carga horária, duas atividades de dez questões, sendo o material postado semanalmente aos estudantes. Os docentes também, facultativamente, além das atividades supracitadas de cunho obrigatório, poderiam utilizar recursos variados como encaminhamentos de mapas mentais, portfólios, resumos, indicação de sites de estudo, vídeo-aulas e outros. 

Foi redigido um documento orientador aos docentes da escola e vídeo explicativo. Um comunicado foi também lançado nas redes sociais aos estudantes e pais/responsáveis dos procedimentos que seriam adotados. Todos os docentes foram incluídos no Grupo das Lideranças de Sala para postagem dos materiais e, as lideranças, por sua vez, seriam os grandes transmissores e multiplicadores no repasse dessas atividades nos respectivos grupos de suas turmas. A engrenagem estava pronta. Restava que cada agente fizesse a sua parte.

Com os canais estabelecidos, o que se viu foi um verdadeiro desfile de práticas pedagógicas eficazes com o envio das atividades mais variadas possíveis. A criatividade dos docentes também superou expectativas com a produção caseira de videoaulas de parte dos professores e criação de canal no Youtube. O feedback dos alunos foi quase que instantâneo. O recebimento chegou à casa dos estudantes e a produção do material domiciliar foi a consequência positiva.

Na visão do diretor Matheus Mousinho, (foto)

a equipe cresceu na adversidade. Demonstrou a força, a união e a maturidade de excelentes profissionais que comprovaram o seu dinamismo neste momento de crise mundial e mostraram que são bons e abertos ao novo seja qual for a circunstância. Após esse período inicial e de bom êxito, a equipe gestora já procura um aperfeiçoamento dessas técnicas para, em uma eventual prorrogação do período de suspensão das aulas, possa realizar um processo cada vez mais dinâmico com a utilização das ferramentas virtuais, até mesmo na realização de planejamentos pedagógicos domiciliares por meio de videoconferência com os professores. Desse modo, a E.E.M. Maria Marina Soares segue fazendo a sua parte com seus mais variados agentes, cada um no seu fazer pedagógico, permitindo que a grande engrenagem da aprendizagem continue a funcionar, mesmo que seja à distância, em tempos de prevenção e contenção ao novo coronavírus.

Matheus Mousinho de Oliveira Guerreiro,

Diretor da Escola de Ensino Médio Maria Marina Soares

ANEXOS

DEPOIMENTOS

Diante da crise sanitária que estamos vivendo se faz imprescindível manter o isolamento social para impedir a proliferação do coronavírus, mas sem deixar nossos alunos desassistidos durante o período que durar a quarentena e o meio encontrado para amenizar essa situação tem sido o uso de meios virtuais para nos comunicar, orientar estudos, enviar trabalhos, promover debates, enfim continuar dando aula e promovendo a aprendizagem. É inegável, no meu ponto de vista, que nada substitui a interação professor e aluno em sala de aula, mas minha experiência, enquanto professor da Escola Maria Marina Soares tem sido muito proveitosa. Até planejamento via videoconferência nós fazemos.

Fabiano Martins,

Professor de História da Escola de Ensino Médio Maria Marina Soares.

Vejo a educação a distância EAD, como uma ferramenta maravilhosa que pode na auxiliar no tocante ao processo de ensino e aprendizagem. Embora, não estejamos no ambiente físico da sala de aula, mesmo assim podemos ter aprendizado, basta que tenhamos possibilidades como as mais diversas ferramentas como por exemplo, links de vídeo-aulas, entrevistas, artigos científicos e até mesmo nossas próprias aulas.

Joãozinho da Física,

Professor de Física da Escola de Ensino Médio Maria Marina Soares.

Sou estudante da Marina e essa experiência é nova pra mim, achei muito interessante ser acompanhada mesmo sem estar na escola. Na primeira semana os meus professores passaram 10 tarefas domiciliares e roteiros de estudo. Já estamos na segunda semana então já são 20 tarefas e 7 mapas conceituais. Estou achando maravilhoso isso pois mesmo longe da escola consigo ainda ter um conteúdo ótimo pra me distrair do que está acontecendo. Parabenizo a gestão e a todos os professores que estão sempre por perto mesmo longe!

Vanessa Matos,

Estudante do 1º ano da Escola de Ensino Médio Maria Marina Soares.

No presente momento, estamos passando por uma situação muito delicada, a contaminação em massa pelo o chamado COVID-19. Surgiu na China e rapidamente se espalhou por todo o mundo, inclusive o Brasil e o Ceará. Mudou nossas rotinas e nossas vidas, mas como não podemos parar, principalmente no tocante à educação, medidas foram tomadas para contornar a situação. Com o diálogo entre gestão e professores, foi acordado que as atividades seriam repassadas a nós alunos por meio da internet. Na minha opinião, eu gostei muito dessa alternativa, pois a internet é um recurso riquíssimo se bem aproveitado.

Foi estabelecida uma rotina de estudos: as atividades postadas para o aluno online e mandadas para os grupos de salas por meio dos líderes e vices. Os professores realmente se empenharam, gravando vídeo-aulas, aulas em áudio e disponibilizando materiais de ponta. Eu como vice-líder de sala vejo que é uma grande responsabilidade lidar com pessoas, mas a “Maria Marina” faz com que essa conversação entre discentes, docentes e gestão seja tranquila. Mesmo com toda esta facilidade estamos ansiosos para a normalização deste cenário e volta de nossas aulas.

Ademais, o contato entre professor e aluno é insubstituível, porém, agradecemos, imensamente, a essa atitude que fez com que nós, estudantes, não sejamos prejudicados e possamos continuar nossas obrigações com responsabilidade, em casa. Deborah Araújo,

Estudante do 2º ano da Escola de Ensino Médio Maria Marina Soares.

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