VIVÊNCIA – autoria: Aninha Martins

Aninha Martins

Amanhece…

Nem percebemos o sol

Em sua magnitude

É dado início a corrida

Olhamos o relógio

Para contar os minutos

E começamos correr

Até nos perdermos

Na cronometragem do tempo

Observamos as horas frias

O pulsar técnico

Do ponteiro veloz

Avançando em segundos

Sobrevoando os números

E o tic tac não pára

Obedecendo padrões

Cobrados, impostos

Por todos e por nós.

Não reparamos o essencial,

As metáforas da vida

Para seguirmos planos

Metas frígidas.

Sem parar pra sentir

Viver profundamente,

Olhar a singularidade,

Ver o sentido das coisas

A beleza do simples.

Preferimos existir

Superficialmente,

Viver as versões da vida

Que nos são apresentadas

Por outrem.

Deixando de mergulhar

No nosso interior

Atentar para as batidas,

A sonoridade do coração

Optamos  ficar

Na superfície da existência

Sem dor e sem cor.

ANINHA MARTINS, de Ipu – Escritora, Poetisa, Professora

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