QUEBRANDO A TRADIÇÃO: FESTEJOS JUNINOS SERÃO ADIADOS. Por Luís Pedro, de São Luís/Ma.

“No mês de maio tá todo o povo ensaiando” diz o poeta Chico Saldanha na bela música Boi de Itamirim. Mas, este ano, devido à epidemia de coronavírus não vai ser assim. Em maio, o período de propagação do vírus deve estar no seu auge, no Maranhão, e boa parte dos grupos de bumba-boi suspenderam ensaios e não estão contratando apresentações.

Os festejos juninos são as mais importantes manifestações culturais do Estado. Só de bumba-boi há mais de 200 grupos de cinco “sotaques”. Significa dizer ritmos, indumentárias e instrumentos diferentes em cada um dos “sotaques”. Mas, há muito mais: grupos de tambor de crioula, cacuriás, danças ciganas, do boiadeiro, quadrilhas, além dos bois para-folclóricos como o Barrica e o Pirilampo, que recrutam belas “índias” na classe média de São Luís.

 Somente os brincantes, como se chamam os participantes dessas manifestações, contam -se aos milhares. Apenas um boi, o da Maioba, congrega centenas de brincantes e mobiliza milhares em seus ensaios e apresentações. Muitos seguem a trajetória de apresentações dos bois mais importantes. A irreverência popular chama essas pessoas de mutucas, em alusão ao inseto que seguem os bois de verdade, o mamífero que deu nome à manifestação.

Tanto o secretário de Cultura de São Luís, Marlon Botão, quanto ao do Estado, Anderson Lindoso, preveem um adiamento dos festejos para (quem sabe?) um mês mais à frente, talvez setembro. Lindoso informa que todos os prazos de editais estão suspensos, o que significa dizer que os recursos do Estado não vão irrigar os grupos culturais no mês de junho.

Também há um viés religioso em questão. Muitos grupos têm origem em promessas aos santos da tradição católica e que são festejados em junho, como Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal. Tradição que vai ser quebrada pela pandemia. Quebrada, mas não extinta. Apenas adiada. Pois, como diz Zeca Baleiro em Pedra de Responsa: “Mamãe, eu volto pra Ilha nem que seja montado na onça”

(Fonte: Brasil Popular, edição Nº 93) Redação do jornalista LUÍS PEDRO

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