Mês: junho 2020

Projeto de Língua Portuguesa a importância da poesia num período da pandemia

Uma experiência da Escola MARCELO DA CUNHA, em Reriutaba

Projeto realizado pelos professores e alunos do ensino fundamental II, sob a orientação da Profª Edlaine Rodrigues. Durante o mês de junho foram realizadas várias atividades como: escuta de podcast( áudio de poemas de vários autores) e reflexão sobre os mesmos. Finalizando com um Concurso de Poesia entre os alunos do 6° ano das escolas municipais.

” A poesia está guardada nas palavras”.

Manoel de Barros

ESCOLA MARCELO DA CUNHA

Escola Marcelo da Cunha

6º ANO

ALUNO: ANTÔNIO GUILHERME FARIAS CUNHA

PROFESSOR: GLEISON DE SOUSA GURGEL VEJA O LINK ABAIXO:

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=159658892266413&id=100046669102147

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O RACISMO DENTRO DE NÓS – Texto de Israel Brandão

Você não é racista porque nasceu branco!

Aliás, você nem mesmo nasceu branco, como imagina, uma vez que todos nós, latinos, não somos assim considerados pelo resto do mundo.

Duvida? Faça uma viagem ao hemisfério norte e você verá com seus próprios olhos se será tratado como “branco”.

Primeiro de tudo, talvez fosse bom aprender a se considerar mestiço (pardo), já que a mistura étnica é uma das principais caraterísticas de toda a população deste continente que vai da Terra do Fogo à Península do México.

De todo modo, repito, saiba que o seu racismo não se deve à sua cor, pois ele não é natural. Ninguém nasce racista!

O seu racismo repousa na sua incapacidade de entender que não existe uma democracia racial neste país e que a maioria negra (54%) da população não tem o devido acesso a educação e saúde de qualidade e nem, muito menos, aos bens de capital e consumo produzidos pela sociedade.

Você acredita na famigerada ideia lombrosiana, assumida pelo nazismo, de que é natural que determinadas raças ou etnias sejam mais propensas à marginalidade e ao crime, enquanto outras seriam mais predispostos para a cidadania, para a bondade e o enriquecimento das nações.

O seu racismo está justamente em não compreender que não houve escravos e sim escravizados; que jamais houve libertação e sim abolição. E que este acordo feito não se preocupou em nenhum momento com a devida reparação dos consideráveis danos históricos infringidos criminosamente a um povo durante séculos.

Seu racismo é parte da sua incapacidade de ter compaixão dos que mais sofrem. É resultante da sua postura covarde de se aliar sempre aos ricos e poderosos, a fim de esconder uma realidade perversa tristemente fabricada, sob o manto do ódio, da intolerância e do sofrimento ético-político de seu semelhante.

Professor Doutor ISRAEL BRANDÃO,
da UVA

Seminário de Sobral: REMINISCÊNCIAS PRAZEROSAS

Em outra oportunidade, já escrevi sobre “as coisas” do meu querido Seminário São José de Sobral. Fatos e circunstâncias inusitados, às vezes, curiosos. Relevo o possessivo para salientar o bem-querer que sempre devotei àquela instituição de ensino, formação humana e religiosa.

Betanista JOÃO EDISON ANDRADE

Quando ali convivi – foram seis anos – algo me chamava a atenção e de certo modo me fascinava: a disciplina imposta e vivida naquele seminário. Disciplina rigorosa, no entanto, racional e objetiva. E no tocante a esta disciplina, uma tradição considerada notável: a Nomeação de Cargos e o consequente exercício dessas funções.

No início de cada semestre o Pe. Reitor reunia os seus pupilos para anunciar a nomeação de cargos. Muita expectativa em torno do esperado anúncio. Guardadas as devidas proporções, comparada à curiosidade quanto à indicação de ministros ou de secretários, quando do início de cada governo. Era um momento solene e de suspense.

Diversos e peculiares os cargos indicados. Vejamos:

 Acendedor de luz – isso mesmo: o pequeno da fila nomeado é quem deveria acender as luzes dos corredores quando da passagem para as diversas dependências do enorme casarão da Betânia.

apagador de luz o último da fila.

encarregado do dormitório – abrir, fechar e zelar pela sua manutenção (minha primeira função).

encarregado da roupariatambém abrir, fechar e mantê-la em ordem.

Sineteirotinha como encargo anunciar, com de toques na sineta pendurada no pátio interno, o início e o término dos diversos momentos ou atividades. Uma curiosidade: poucos estavam aptos para exercer o cargo, posto que somente quem possuía relógio poderia ser nomeado e eram poucos os que o tinham. Considerada também uma tarefa de muita responsabilidade.

responsável pelo livro de tombo – uma espécie de diário que deveria registrar os fatos importantes ocorridos a cada dia no âmbito daquela instituição.

 encarregado de “puxar” as orações na capela: se não estou enganado, chamado de hebdomadário. Normalmente, os indicados eram aqueles que tinham um bom timbre de voz e com “cara de santo”, como eu.

Harmonista – dois ou três exerciam esse cargo, pois tinham que saber tocar harmônio, instrumento musical da família do órgão, de palheta com foles e teclados, conforme definição do Mons. Sabino Loyola em seu dicionário de liturgia. A função era acompanhar os cânticos na capela.

Vinham depois os cargos mais importantes:

Bedel – responsável pela disciplina e ordem nas respectivas classes ou salas de aula.

sacristão. Pasmem!– o mais cobiçado. Por dois motivos: tinha ele a liberdade de sair do salão de estudos ou mesmo deixar a capela para arrumar os paramentos, cuidar da lâmpada do Santíssimo, providenciar velas, etc; também, lhe era permitido, ou pelo menos tolerado, tomar o restinho de vinho que sobrasse das galhetas após a missa, ou mesmo “economizar” para que no final da semana sobrasse um pouquinho na garrafa, uma vez que “a freirinha” encarregada estipulava a cota para cada semana. Por vezes, às escondidas, surrupiava e comia algumas hóstias antes de serem consagradas.

Finalmente, o mais esperado e de maior expectativa:

Prefeito – Prefeito dos “menores” e Prefeito dos “maiores”. Havia Prefeito “bonzinho” como fora o Valdery, meu primeiro prefeito, hoje Pe. Valdery, Vigário de Cruz, e prefeito “durão”, às vezes intransigente e chato. Sempre escolhidos entre os das últimas séries. Na verdade, ninguém queria ser Prefeito, principalmente Prefeito dos menores. Eram muitas as suas prerrogativas, inclusive a atribuição de nota mensal de comportamento. Um cargo, portanto, de prestígio e de muita responsabilidade. A autoridade do Prefeito era tida como coisa séria. Desrespeitá-la implicava em falta grave.

Encerro, reafirmando que me foi prazeroso discorrer sobre “as coisas” do meu Seminário da Betânia. Os seis anos vividos naquele educandário de formação para o sacerdócio me marcaram profunda e positivamente. Lá, iniciei minha formação intelectual e humanística, forjei o meu caráter, disciplinei o meu comportamento social, aprimorei a minha convivência com Deus e com meus semelhantes, enfim, aprendi a ser homem, pois assimilei bem o ideário do nosso inesquecível Reitor, Pe. Austregésilo, que rezava a Deus, pedindo paz, juízo e vergonha.

JOÃO EDISON ANDRADE, de Sobral, é Professor Universitário, na UVA. Autor deste texto, extraído do livro SEMINÁRIO DA BETÂNIA – AD VITAM – 65 DECLARAÇÕES DE AMOR, de Leunam Gomes e Aguiar Moura, Edições UVA, 2015.

EM PORANGA, FORMAÇÃO HUMANA EM DEBATE ON LINE

O encontro virtual, intitulado Formação Humana, numa perspectiva sócio-emocional, nasceu da ideia de abordar a temática, tão necessária neste período de isolamento social. Participação dos Professores Fernando Lima, Gerente da Secretaria de Educação e  Maria José, renomada Professora de Geografia.

Professor Fernando Lima

Tendo como tema central para a reflexão “E, de repente, um encontro consigo mesmo”, o Professor Fernando Lima, apontou, ontem, dia 25 de junho, as principais dificuldades vivenciadas pelas pessoas neste período de distanciamento social.

No ato da inscrição foi realizada uma enquete com os aspirantes a participar da web, com as seguintes perguntas:

Quais as principais dificuldades enfrentadas por você no período do isolamento social? Do que você sente saudades? Se hoje fosse o último dia de sua vida, o que você gostaria de fazer?

Ao longo do encontro, várias reflexões foram feitas, a partir das respostas dos inscritos. Contou-se com a presença de aproximadamente cinquenta internautas, dentre os quais, estudantes da EEMTI Prudêncio de Pinho, alguns Professores e amigos que se interessaram pelo evento virtual.

Professora MARIA JOSÉ

O encontro foi marcado pela utilização da técnica ancestral havaiana o   Ho’oponopono que permite a libertação de lembranças e memórias perturbadoras e causadores de problemas. A terapia do Ho’oponopono permite assim libertar a mente na sua busca pela paz de espírito e pelo equilíbrio. Trata-se de uma técnica de limpeza, reconciliação e perdão.

Hooponopono é uma técnica ancestral havaiana que busca, através da gratidão, resolver mágoas e feridas do passado, criando, assim, um estado de paz. Na língua original, “Ho‘o” significa “cura”e “ponopono”, “arrumar, endireitar”. Dessa forma, podemos traduzir a junção de ambas como “corrigir um erro”

Pelos comentários no chat ao longo da web e pelas mensagens enviadas pelo whatsapp, foi possível perceber a satisfação dos que enriqueceram o evento com suas presenças.

O SEMINÁRIO DE SOBRAL

Reminiscências:

JONAS MARINHO ARAÚJO

Quatro horas da manhã. Acorda, filho está na hora. Um frio de rachar. Naquela época o clima era muito diferente dos dias de hoje. A cidadezinha passava de 8 dias sem ver a luz do sol. Era delicioso. Névoa tensa todos os dias até em pleno verão.

A missa era às 5 horas e, principalmente, as senhoras, Filhas de Maria, de véu e mangas longas, curtindo o frio, iam assistir ao sagrado mistério. As bodegas algumas já abertas para aqueles que suavizavam o frio com uma boa pinga chamada de Oião, de fabricação local.

O rapaz, escolhido por meu pai, já estava no ponto com dois cavalos selados. Estava esperando por mim. Era o dia de minha ida. Tinha que partir. Mamãe já havia preparado a galinha torrada com uma farofa com manteiga da terra. Era o nosso almoço, A viagem era longa, enfadonha, necessário se fazia uma galinha bem-feita e temperada. Ia abandonar toda aquela boa vida. O momento havia chegado.

Muito tempo depois fui entender que tudo é volátil, se some se esvai, mas o cosmos conspira e deixou a lembrança ainda bem acesa. É o consolo, é o lenitivo da dor e da saudade. Tinha que fazer 70 quilômetros nos lombos do velho cavalo para alcançar a cidade próxima por onde passava o trem de ferro. No meio dia pedíamos abrigo numa casa da beira da estrada. Povo hospitaleiro mandava nos abancar e, sentados, curtíamos a refeição feita pelas mãos de minha mãe que ficava saudosa com lágrimas nos olhos com saudade do filho que partiu para o Seminário de Sobral para ser padre.

Para ser padre todo sacrifício era válido. Estas lembranças bateram fortes e, 60 anos depois, voltei para rever não só o local, mas também para saber que emoções me viriam.  O mesmo prédio, a mesma casa. Fiquei parado em frente ao local que me abrigou por 4 anos. Um quarteirão de uma construção sólida de muitos anos e de muitas estórias. Por lá passaram gerações de seminaristas que se tornarem padres e bispos espalhados por Brasil afora levando paz e a palavra do Senhor. Tempos de muita fé, dos dogmas, das certezas e do domínio de espírito sobre a matéria.

Curioso, passo pelo largo portão e começo a comtemplar. O mesmo piso, a sala do refeitório, os corredores espaçosos de largas janelas espargindo luz por toda a casa. As salas de aula e o local da capela onde frequentei por muitas horas. O professor de português era um esquisitão que morava solitário atrás do Seminário. Tinha fama do maior conhecedor da língua portuguesa. Professor Mariano. Guardei o nome não sei por quê. Pensei, acho que era aqui a sua sala.

Seminário Menor de São José, de Sobral – Ceará

O grande prédio tinha dois lados ligados por um enorme corredor. Por ali passei muitas vezes para me confessar com um velho padre jesuíta que ficava em sua cela esperando a confissão dos seminaristas. A sua missão era está. Quase todos os dias tinha pecado para confessar e me arrepender. Pecado mortal. Arrependia-me e até chorava às vezes, para melhor ser compreendido por Deus e assim merecer o perdão. O velho confessor já me conhecia e até o senhor Bispo tomou conhecimento deste seminarista tão pecador. Não era pecador era escrupuloso, via pecado em tudo. Chegou ao ponto do próprio senhor Bispo chegar para mim e dizer eu fico responsável por todos os seus pecados. Nem isto me deu jeito.

Hoje, entendo como é difícil para uma consciência fanatizada, ou dominada por um sentimento, se libertar numa autocensura ou num autoconhecimento. Quase não me sai. Boa vontade nunca faltou em mim e procurei tudo que existia de cursos, de psicólogos, de conselho de amigos e também do auxílio de todas outras religiões. Fiquei ateu por um tempo. Vivi uma ditadura o mais difícil dos tempos.   Estava parado, estático, fora do tempo e do espaço num momento mágico e num tempo longínquo do que vivia.

Em certo momento fiquei sentado no salão principal daquele casarão, era o salão do recreio dos seminaristas depois das aulas. O bispo, pessoa sagrada e o representante direto de Deus na terra, estava também ali numa atitude de simplicidade e humildade. Dom José fazia destas coisas. Era a pessoa mais importante de Sobral, o primeiro Bispo venerado por todos não só porque era de família nobre, mas realmente um grande empreendedor, fazia tudo por sua cidade natal. Sobral era D. José, era uma personagem. Quando se zangava, se fechava no Palácio, não queria falar com ninguém. Lembro-me de certa vez quando expulsou um seminarista por uma besteira qualquer que nem me lembro mais e foi uma luta para se dignar a perdoar depois de muitos pedidos de clemência de padres seus amigos.

São lembranças que não sei por que ficaram gravadas na cabeça de um adolescente que não podia entender atitudes tão estranhas para uma pessoa tão sagrada como um bispo. Comecei a pensar na minha vida ali como tinha sido. Cheguei lá com 12 anos; fui convencido, a vontade de meus pais era esta, seria para eles o maior orgulho ter um filho padre.  

JONAS MARINHO ARAÚJO, de Mons. Tabosa, Médico Otorrinolaringologista, em Fortaleza, estudou no Seminário da Betânia na década de 40. Texto escrito em 28 de junho de 2020

        

Literatura na I Semana do Direito na FAL/Sobral – Ceará

A literatura leva o leitor a refletir sobre seu cotidiano e incorporar novas experiências atreladas ao mundo da vida. É durante o processo de leitura que o leitor entra em contato com diferentes culturas, instigando assim a compreensão de seu papel como sujeito histórico, o que implica na compreensão da pluralidade do conceito de Direito.

Neste sentido, o minicurso a ser realizado irá auxiliar o acadêmico e profissional da área jurídica a utilizar a liberação para melhor compreender o mundo à sua volta e, em especial, cumprir bem com seu papel social.