O rico acervo literário do poeta Osvaldo Chaves Por Davi Vasconcelos

A biblioteca pessoal de padre Osvaldo Chaves revela sua personalidade: homem simples e culto. Estantes, mesas, guarda-roupas, cadeiras e até o chão das salas e os corredores de sua casa estão abarrotados de livros. De Camões a escritores “cabeças-chatas”.

No seu birô, estão os livros que o poeta lê no momento. Por ser avesso à modernidade digital, padre Osvaldo traz em sua cabeça a catalogação de seu acervo literário. O grande número de livros não o impede de localizá-los com rapidez. O poeta cuida dos livros como os bons pais cuidam dos filhos. Zeloso e até ciumento, trata-os bem. Não quer vê-los longe de seu alcance.

Embora os livros de cunho literário sejam numericamente predominantes, há livros com uma enorme diversidade de temas, como História, Filosofia, Antropologia, Arte, Religião, Sociologia e outros tantos.

Como todas as bibliotecas pessoais, a do padre Osvaldo foi construída ao longo de sua vida. O livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, constituiu sua pedra fundamental, deixando-lhe uma marca indelével. A partir daí, Osvaldo Chaves erigiu um verdadeiro tesouro literário, com mais de três mil volumes. Quantidade com qualidade é a marca desse precioso patrimônio.

Obras raras como a de Camilo Castelo Branco, em 17 volumes; as de padre Antônio Vieira; várias edições de “Os Lusíadas”; o Alcorão, bíblias em diversas línguas, como latim, francês, hebraico e grego. Aliás, é em grego que ele lê a Bíblia diariamente, especialmente o Antigo Testamento; dicionários de diversas línguas, inclusive de hebreu. Clássicos como Dante, Homero, Balzac, Cervantes, Shakespeare, Guimarães Rosa e Fernando Pessoa não poderiam faltar.

Possui obras completas de seu escritor predileto: Machado de Assis. Poderíamos dizer, sem medo de errar, que sua biblioteca contempla todas as obras de importância literária.

Sua biblioteca não para de crescer. A cada dia, novos livros chegam às suas mãos. São ofertas de amigos, colegas e, principalmente, ex-alunos. Padre Osvaldo, professor aposentado e poeta, é mais leitor que escritor. É um leitor voraz e sedento. Tem fome e sede de saber. Está sempre buscando conhecimento novo.

“Exíguas”, um livro de poesias, é sua única, contudo bastante, obra literária. Tem um valor inestimável e tem sido objeto de estudo por pesquisadores de universidades. Padre Osvaldo é um dos mais cultos cearenses. Fala vários idiomas. É o mestre dos mestres. Querido e cultuado por todos os seus discípulos.

Artigo publicado no jornal O CIRCULAR, de Sobral, edição de março/abril de 2012

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