Professor com Prazer/ Programa Caminho, Verdade e Vida/Genoveva-FM Bela Cruz – CE, 13.06.2020. Monsenhor Assis Rocha

Entre o Domingo passado, 07 de Junho, Dia da Liberdade de Imprensa e o Domingo próximo, 21 de Junho, Dia do Profissional de Mídia, gostaria de, neste final e início de semana, centralizar uma homenagem a um Profissional da Comunicação e Professor, pelo muito que ele fez e continua a fazer pela Educação. Ele já esteve, alguma vez, em Bela Cruz. Em março de 2018, na fase preparatória para celebrar meu Jubileu de Ouro Sacerdotal, o Instituto Imaculada Conceição e Eu, o convidamos, por ser meu amigo e amigo da Diretora, Irmã Adriana, para dialogar com professores e outros convidados, durante uma manhã inteira de um sábado, sobre o Método de Educação de Paulo Freire, intitulado “Círculo de Cultura”.

            Trata-se do Professor Francisco Leunam Gomes que fora meu colega seminarista em Sobral, em Olinda e integrante do Conselho Superior da UVA, onde exercíamos as funções de pró-Reitores com mais 08 colegas. Na ocasião ele lançou seu livro, Professor com Prazer. Vários participantes o adquiriram.

Faz 65 anos que conheço o Leunam Gomes. Ele entrava no Seminário de Sobral, em Fevereiro de 1955, criança ainda. De minha parte, já fazia 03 anos eu havia chegado lá. Cada um em seu tempo, com a mesma idade.

            Com a convivência, fomos descobrindo alguns pontos de união e de entendimento mútuo: nossa caligrafia era semelhante, gostávamos de música, de mexer com equipamento eletrônico, de cantar no coral, de ler em público e aparecíamos com ajudas solidárias em funções dentro da comunidade.

            A semelhança de nossas letras levou-nos a revezar-nos no Economato, ajudando o Padre José Linhares na organização de arquivos e escrita de documentos sempre feitos à mão. Claro, não havia outros recursos.

            Em narração do Leunam no livro “Ad Vitam”, organizado por ele, sua turma, que era anterior à minha, ‘criou um Jornal Mural para tornar públicas as nossas produções literárias e divulgar os nossos eventos’. Como eu disse antes, era a hora que eu ‘aparecia com a minha ajuda solidária’ devido à letra semelhante, pois o Jornal ‘era escrito à mão, numa folha de cartolina’.

No depoimento de nosso contemporâneo Francisco Sampaio ele fala do “Gabinete Musical Pe. Austregésilo de Mesquita” – onde tínhamos audição de boa música – e sua turma, que era a mesma do Leunam, tinha instalado a Rádio Itamaraty, com variada programação, sob a direção técnica do Pe. Luizito, administrativa do Chico Sampaio e artística do Leunam.

Como eu havia entrado por primeiro no Seminário, terminei meu 1º e 2º graus antes deste. Passei o 1º Ano de Filosofia no Seminário da Prainha, em Fortaleza (1960) e, no 2º Ano, fui transferido para o Seminário Regional do Nordeste, em Olinda e Recife (1961). Lá nos reencontramos. Ele iniciava seu 1º Ano filosófico. Ambos éramos novatos em Olinda com mais outros 23 colegas, formando a ‘Colônia Cearense’. O maior número: nós, os sobralenses.

Em Olinda, já fazíamos Cursos Superiores: Filosofia, seguida pela Teologia. Éramos mais maduros e juntávamos às nossas aulas teóricas dadas no Seminário Maior, uma prática em salas de aula para alunos de 1º e 2º graus em Colégios Olindenses. Não éramos as crianças, os adolescentes e jovens do Seminário Menor em Sobral. Também já se ia firmando, a Vocação: para ser Padre mesmo, como era o objetivo dos Seminários, ou para as inúmeras profissões a que cada um se sentisse chamado. Os estágios que fazíamos, os contatos que tínhamos, como Seminaristas, iam nos ajudando na escolha final.

Nossas tendências para o jornalismo – falado ou escrito – iniciadas lá em Sobral, foram-se aprofundando. Fazíamos programas na Rádio Olinda, da Arquidiocese e na Rádio Clube de Pernambuco, dos Diários Associados. De vez em quando visitávamos nosso ex-reitor do Seminário de Sobral, que era Bispo de Afogados da Ingazeira – Dom Francisco Austregésilo – e fazíamos Programas na Rádio Pajeú, da Diocese, colaborando com o MEB.

Eu me tornei Padre e permaneço, já na reta final. O Leunam se tornou “Professor, com prazer” e permanece. Aposentado, mas em plena atividade. Deve ser pelo mesmo “prazer” que eu tenho, por me ter tornado Padre.

Tomamos caminhos diferentes, afastando-nos muito, geograficamente, embora usando os Meios de Comunicação que havíamos treinado desde cedo, cada um, seguindo sua vocação. Ele havia terminado os Cursos de Filosofia e Teologia em Olinda e veio para Sobral. Trabalhou no MEB, com a Rádio Educadora e o Jornal Correio da Semana. Em suas andanças fez curso de Teleducação em Rádio, Cinema e TV, trabalhando na TVE e nas Rádios Educadora, Gurupi e Timbira no Maranhão.

Quarenta anos depois de nosso reencontro em Olinda, um dos nossos contemporâneos de outrora – Professor Teodoro Soares – fazia algum tempo, estava recrutando ex-colegas de Seminários ou de Universidades por onde haviam passado e ele reconhecia-lhes a capacidade, para formarem com ele, uma equipe técnica e de professores competentes, para dividirem com ele, a administração da Universidade Vale do Acaraú de quem ele era Reitor.

Muitos já tinham chegado a Sobral, atendendo à sua intimação. Aonde quer que ele localizasse um amigo, dentro ou fora do país, a abordagem era direta e sem arrodeios: “amigo velho, está na hora de você dar sua contribuição a Sobral; de devolver parte do que recebeu aqui. Larga isso aí e vem trabalhar comigo”. Leunam já havia sido laçado e já tinha como missão, me localizar. De fato, eu já estava de volta ao Ceará no final do ano 2000. No início de fevereiro de 2001, o Leunam me encontra em Bela Cruz e me chama para participar no dia 03, de uma reunião do Conselho Superior da Universidade. Mais do que um chamado, era uma convocação ou uma intimação do Professor Teodoro. Fui e nem voltei mais: assumi, imediatamente, a pró-Reitoria de Comunicação onde integrei a equipe da Rádio Universitária com os Jornais “Expresso do Norte” e “Correio da Semana” em Sobral, e com “O Povo” e “O Estado” na Capital.

O Leunam era pró-Reitor de Extensão e Professor, exercendo com muito prazer esta função. Agora, adultos, experientes, começamos a observar com que prazer vivíamos, mutuamente, nossas vocações. Ele até colocou num livro – “Professor com prazer – vivência e convivência na sala de aula”. Vou arriscar-me a comentar. Antes de tudo, a partir do que ele mesmo afirma: “este trabalho é o resultado da disposição interior de estar aberto a aprender sempre, e de questionar, também sempre, o que foi aprendido”.

Quando um professor “dá aula porque é o jeito”, “porque precisa do salário”, “não se atualiza”, “pensa que já sabe tudo”… é claro que o prazer passa longe. Não é o caso do Professor Leunam. Ele quer dividir com a gente, a sua experiência e quer ver a todos os profissionais da educação, exercendo não uma obrigação, mas um sacerdócio, um ministério como o é, a Missão Sacerdotal. Deve ser por essa visão que tivemos desde a nossa formação, que prestamos nossos serviços, por prazer. Este sim, é o verdadeiro significado de sacerdócio, que Leunam, sem ser Padre, o exerce, plenamente, e com prazer.

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