DE IPU: PATRONATO SOUSA CARVALHO

Aninha Martins, professora de Literatura do Patronato Sousa Carvalho, de Ipu, destaca texto escrito por alunos do terceiro ano do Ensino Médio. Ao sugerir, em aulas remotas, trabalho envolvendo o momento atual da pandemia, com o assunto literário abordado em sala de aula, colheu ótimos resultados.  Aqui está um. Parabéns ao aluno PAIVA NETO!

ROMANTISMO NO CONTEXTO ATUAL

Autor: PAIVA NETO

2020, ano que abril não teve Páscoa, maio não teve Dia das Mães, junho não se comemorou o Dia dos namorados e nem pulamos o São João, as nossas tradicionais festas juninas.

2020, parece ser só… 2020. Um ano jamais visto antes.

                Atualmente, estamos vivenciando um fenômeno atípico, uma pandemia que têm abalado todo o mundo. E assim como estamos passando por um período estranho para nós, também estamos sentindo coisas que jamais sentimos antes.

                Hoje, podemos sentir o quanto somos frágeis. Podemos sentir que o Homem não é tão superior como pensávamos. A natureza está nos mostrando que todo o mundo é como um cenário de uma peça teatral, onde nós não somos os únicos atores principais como pensávamos. Pois assim como uma obra teatral, os atores, os coadjuvantes, o cenário, a iluminação, por si só não são suficientes para o espetáculo acontecer, pois somente trabalhando em conjunto fazem o show acontecer. É momento de enxergarmos que o Homem têm que viver em harmonia com a natureza – a fauna e a flora – que dividem conosco o palco que atuamos, que é a vida. Onde a improvisação é o único script que temos em mãos.

                Estamos passando por uma quarentena, isolamento social, a qual podemos assimilar algumas características e autores do Romantismo a ela. Tendo em vista que, assim como Gonçalves Dias se sentiu exilado na Europa, também estamos nos sentindo exilados, expatriados, em nossos próprios lares. Com um passar do tempo, assim como Junqueira Freire, nos sentimos melancólicos, tal que percebemos uma certa morbidez no ar, tal que a 2° Geração do Romantismo, ocasionado pela sensação de incerteza do futuro da humanidade.

                E para conseguirmos manter a nossa saúde mental, utilizamos o escapismo da realidade, onde notamos o quanto a arte é importante para nós. Pois, a música, a arte cinematográfica, a literatura, são exemplos de mecanismos artísticos que usamos para espairecer e tentar fugir um pouco da realidade em que estamos vivendo. E assim como Cassimiro de Abreu gostava de viajar nas suas lembranças da infância, nós viajamos na lembrança de quando erámos livres para trabalhar, estudar, abraçar, beijar, sentir a presença um do outro.

                Todavia, não devemos nos inspirar no pessimismo de Álvares de Azevedo, tendo esperança de que um dia tudo vai passar e poderemos voltar a viver e usufruir daquilo que achávamos tão nosso, que é o nosso mundo. Mas, devemos voltar para a normalidade colhendo os frutos que isso nos deixou colher. Mas que frutos são esses? O fruto da EMPATIA, onde nos colocamos no lugar do próximo. O fruto da GRATIDÃO, onde devemos ser gratos pelas coisas simples da vida, como um abraço, um beijo e um aperto de mão. O fruto da COLETIVIDADE, onde devemos ser trabalhar em harmonia com o mundo em que vivemos, cuidando mais do ambiente em que vivemos.

                Que saíamos dessa pandemia melhores, refletindo mais em nossas escolhas, ações e como levamos as nossas vidas.

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