FAROL DE ALEXANDRIA, de Juarez Leitão

Por trás daquela carteira

Eu via o Mestre falar:

Era um menino abismado

E um senhor de espantar.

A gulosa simpatia

E um mestre seguro e aceso

A mente verde da criança

E uma calva luzidia:

Uma calva que apontava

Os rumos de Alexandria.

Dançavam ternas silepses

Com afoitas catacreses,

As antíteses se intrigavam

Por mexericos verbais;

Machado cortava atalhos

Pelos caminhos urbanos;

Era Rebelo pegando

Seus touros em Salvaterra;

Bernardes, qual bandeirante,

Por uma NOVA FLORESTA;

Camões caolho, mas firme,

Atravessando oceanos…

Todos procuravam a

DAMA PÉ DE CABRA

de Herculano.

E o Mestre multiplicado

Por voz forte e gestos largos…

Eram braços que voavam,

Eram rimas que saltavam.

Eram auroras de Taunay

E ocasos de Alencar.

Era uma lanterna acesa

E um punhado de sementes.

Era um profeta exaltado

Severo e de voz valente;

Um operário aplicado

E uma calva que luzia:

Uma calva que apontava

Os rumos de Alexandria…

Salgado rio da vida

Venho à tona novamente.

O barco em que eu navegava

Não resistiu tempestades:

Manchei de azeite empestado

A carta de marear

E o meu bote salva-vidas

Só salvou minhas fraquezas.

Mas inda vejo uma calva

Fulgurante a iluminar

E os rumos de Alexandria

Seguramente a mostrar.

Por detrás dessa carteira

Que não consumiram os anos

Ainda verde de enleio

Eu ouço o Mestre falar:

É um menino espantado

E um senhor de abismar.

1978

Betanista, Poeta, Professor, Escritor
JUAREZ LEITÃO

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