O Homem Municipal Texto de Juarez Leitão

Minha pátria é onde está meu chão.

O chão onde enterraram o meu umbigo

O chão que tornou pó os ossos dos meus avós

Meu velho chão amigo.

Minha pátria é a gleba

Onde plantei o meu primeiro pé de milho

Onde sou filho

Onde sou pai, sujeito e criatura onde pratico a minha agricultura.

Nada sei do tamanho do mundo.

O mundo que conheço e’ a minha terra

Palco de minha dor, triunfo ou sofrimento

Território de meu sentimento.

A vida é sua campina

Sua serra

Sua penedia.

Este rio que corre do começo de mim

E certamente vai molhar meu fim.

Escorrer como grande lágrima sobre minha noite fria

E banhar de amor o meu último dia.

O mundo é muito vasto – dizem os livros.

Eu não acho:

Meu mundo cabe inteiro, como se mínimo fosse

No meu prato de feijão de corda.

No meu tacho de doce

Nos olhos de meu gato

No sono de meu cão

Nas rudes cercas de minha solidão.

Minha pátria são as ruas de minha cidade

Suas praças simples cheias de saudade

Seus moleques pregoeiros

E todos os meninos

As torres da matriz, o velho sino

Nos dizendo de todos os momentos

Da sorte

Das rezas

Da manhã feliz dos casamentos.

Não me importa a grandeza do mundo.

Meu universo é o lugar que eu fiz

Continuando os que o fizeram antes.

A terra que eu amo e que me quer

Minha casa, meu ofício, minha mulher.

O sol e os dias se passam lá fora

Sem o nosso brilho e a nossa ternura.

Mas o futuro que eu construí agora

Está aqui nesta noite pura

Aqui na devoção

Perto de mim e de meu coração.

Porque

Todo o princípio

Do que entendo de fundamental

Acontece no meu município.

Por isso é que eu me orgulho

De ser um homem de meu chão natal.

Um cidadão municipal.

JUAREZ LEITÃO – Poeta, Escritor, Professor
Betanista, de Nova Russas – Ceará.

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