O Seminário de Sobral me proporcionou uma vida feliz.

O nascimento foi em Santana do Acaraú, tradicional berço dos Vasconcelos, em 5 de maio de 1946. Meus pais Francisco Ademar Vasconcelos, industriário, e Maria Jandira Costa Vasconcelos, funcionária pública. Meus pais logo foram atraídos por Sobral que, já naquela época era o principal centro de desenvolvimento da região norte do Ceará. E foi esta cidade que testemunhou os meus primeiros passos e me ofereceu o cenário para as primeiras brincadeiras infantis.

Nelinho Vasconcelos

Foi em Sobral que tive as primeiras oportunidades de estudar. Foi no Ginásio São José onde fui privilegiado por ter entre os primeiros professores a poetisa Dinorah Tomaz Ramos, sobrinha do famoso príncipe dos poetas cearense, Padre Antônio Tomaz e esposa do renomado farmacêutico Dr. Ribeiro Ramos. Mais tarde, minha professora tornou-se a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Sobral.

Daqueles memoráveis tempos guardo a lembrança de alguns amigos: José Maria Linhares (betanista), Geraldo Magela Vasconcelos Arruda e Dorenildo Menezes Azevedo, Francisco Menezes de Carvalho (betanista).

A religiosidade de Sobral, àquela época, sob a influência de Dom José Tupinambá da Frota, seu primeiro vigário e também primeiro bispo, era impressionante. Praticamente tudo girava em torno da Igreja Católica. As celebrações religiosas eram de chamar atenção. As famílias cuidavam de encaminhar seus filhos, desde cedo, para os atos religiosos. E, naturalmente, como crianças, ficávamos todos encantados com aquele ritual solene que acontecia com muita frequência.

Tornei-me acólito da Paróquia do Patrocínio, que tinha como vigário o renomado Monsenhor José Osmar Carneiro que, por algum tempo, exercera a função de Reitor do Seminário Menor de Sobral. Aquela proximidade com a Igreja era um momento importante para todos os meninos que tinham o privilégio de ser acólitos. Vestíamos uma batina vermelha e um roquete branco para participar das solenidades litúrgicas. As celebrações da Semana Santa, as procissões, as missas solenes eram oportunidades especiais para os acólitos. Enquanto o povo ficava espalhado pela igreja, nos sentíamos privilegiados perto do altar e ao lado do celebrante.

Dali para o Seminário foi fácil. Tive o incentivo de minha mãe que era Presidente da Obra das Vocações Sacerdotais, uma instituição que tinha como objetivo disseminar entre os meninos o desejo de se transformarem em sacerdotes. Na família já tinha dois tios seminaristas: Edmilson e Edvanir Costa.

E no ano de 1958 entrei no Seminário Menor de Sobral que me proporcionou uma experiência inesquecível. Era tudo diferente, mas tudo muito organizado. A disciplina era algo marcante. Éramos mais de cem alunos que cumpríamos todos os horários com a máxima pontualidade. Respeitávamos rigorosamente todas as ordens. Se era momento de silêncio, ninguém ousava falar. Não por repressão, mas por convicção de sua importância. A convivência era algo extremamente saudável e foi tão marcante que ainda hoje nos sentimos irmãos de todos os contemporâneos do Seminário de Sobral.

Na recepção a D. João José da Mota e Albuquerque, em Sobral.

Havia um equilíbrio em tudo. Estudávamos em tempo integral que era a nossa principal obrigação. Mas tínhamos tempo para a oração e para o lazer. Sempre coletivamente. Dom José cuidou até de construir um Seminário em Meruoca onde passávamos a Semana da Pátria, cujo objetivo principal era o lazer. Escalávamos os morros que circundam a cidade, tínhamos engenho fazendo rapadura para nós, jogávamos e desenvolvíamos outras atividades de arte e cultura. Vez por outra, em datas muito especiais, éramos surpreendidos com duas badaladas rápidas na sineta: era um feriado extra. Alegria total.

Mas em 1962 percebi que me faltava o principal para prosseguir no Seminário. Descobri que me faltava a vocação para prosseguir. Começaram a surgir outros sonhos e deixei o Seminário. Não foi fácil deixar tantos amigos e um ambiente que até hoje mexe com minhas emoções.

Dei continuidade aos estudos no Colégio Sobralense, outra criação de Dom José e, depois na Escola Técnica Dom José. Iniciei a vida profissional no Banco da Lavoura de Minas Gerais. Naquela época, trabalhar em um banco era a grande aspiração dos jovens. Era sinal de estabilidade e de boas perspectivas. E lá fique de 64 a 66. Passei para outra atraente empresa que era a Companhia de Eletrificação do Ceará – CENORTE, onde fique até 1969. Passei depois dezesseis anos na MESBLA como Gerente Administrativo Financeiro

De 1987-1993 estive nas tradicionais Casas Pernambucanas como Chefe da Sessão Tesouraria. De1993-1996 passei para Eberle S/A, na condição de Chefe do Escritório Regional de Fortaleza. E, finalmente, de 1997 até este ano, na Centerquip Comercial de Equipamentos Ltda. como empresário na área de representação comercial. Agora, aposentado, estou tendo mais tempo para estar perto de minha querida família.

Casei-me com Maria do Socorro Magalhães Vasconcelos, funcionária pública estadual, e tivemos três filhos: Sandra, comerciante; Nelinho Filho, Economiário e Carlina, contadora. Temos sete netos maravilhosos: João Pedro, Ana Clara, Wilson Neto, Bruno, Tiago Lídia e Carlos Artur.

Residimos em Fortaleza desde 1969. Mesmo aposentado, continuo com atividades na área de representação comercial, mas não abro mão dos momentos de lazer em viagens de turismo, praias, passeios, com a família. Tudo isto sem esquecer o meu querido Ceará Sporting Club, paixão que me acompanha desde os tempos de criança. O Seminário de Sobral me proporcionou uma vida feliz. Graças a Deus!

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