Muito do meu comportamento foi herança do que aprendi no Seminário

Nasci no município de Ibiapina, na majestosa Serra da Ibiapaba que une o Ceará ao Piauí. Uma encantadora região, especialmente abençoada por Deus para produzir tudo. Minha cidade fica exatamente no meio, entre os nove municípios da região.

Filho de Pedro Aragão Ximenes e Maria Eulália Lima Aragão. Meu pai era comerciante, proprietário de uma loja de tecidos e minha mãe era responsável pelos afazeres domésticos, que não eram poucos, pois tinham 13 filhos.

Antônio Renato Lima Aragão –Na Betânia 1947/1948

Meus primeiros professores foram os dos Grupos Escolares Municipais que, infelizmente, não me recordo os nomes.

Minha mãe e meu pai eram católicos fervorosos. Todos os dias, antes de dormir, a família se reunia para rezar o terço. Daí porque todos os filhos foram seguidores dos preceitos religiosos cristãos. A maioria estudou em colégios católicos, em Fortaleza, Tianguá e Sobral, e três filhas se tornaram freiras.

A minha mãe tinha um grande desejo de ter um filho padre, daí porque colocou quatro deles em seminários. Mas, apesar dos esforços, nenhum seguiu a vocação sacerdotal a ponto de torna-se padre.

Entrei no Seminário Diocesano de Sobral, em 1947, permanecendo até 1948 e, como todos os que tiveram a felicidade de lá estudar, guardo as melhores lembranças. O que mais me marcou no seminário foram, na verdade, os ensinamentos religiosos, morais e humanos recebidos. Inclusive, guardo-os até hoje. Muito do meu comportamento foi herança do que aprendi no Seminário. Tenho boas recordações de professores como, Pe. Arnóbio e, principalmente, do Reitor, que era o Pe. José Osmar Carneiro.

Por sinal, ainda guardo comigo um Boletim onde estão registradas as minhas primeiras notas no Seminário, de fevereiro de 1947, com a assinatura do Reitor Mons. José Osmar Carneiro. Como se pode observar, nas quatro primeiras, Procedimento, Aplicação, Civilidade e Asseio, eu era muito bom. Nota dez em tudo. Em Doutrina Cristã, tirei um 8; Em Português 4 e ¾. Não cheguei a um 5. Em compensação quase chego a um 10 em Latim. Foi 9,1/4; Matemática: 7,5; Ciências Físicas e Naturais: 6,5; Na Geografia parece que já se anunciava uma tendência, com a nota 8; História da Civilização: 6.  Na Música, já se via que não era meu forte, embora ainda hoje guarde a música da D. Carminha: 4,5. Felizmente nenhuma reprovação.

Também me lembro bastante, das visitas que fazíamos em Sobral, aos sábados, às igrejas da cidade. Era aquele desfile de seminaristas, todos de batina preta, em fila, pelas ruas de Sobral. Aquilo também despertava a atenção de outros meninos e de suas famílias. E depois voltávamos para Betânia, onde ficava o nosso Seminário.

Uma lembrança que ainda guardo comigo era o passeio anual que fazíamos à Serra da Meruoca, em companhia de Dom José. Lembro-me, também, que Dom José pedia a uma senhora, já de idade avançada, chamada Dona Carminha, que cantava, penso que em francês, com alguns que lembram o alemão. Não se sabe a origem da música e, muito menos, como D. Carminha aprendeu lá na Meruoca. Mas de tanto ser repetida, na minha cabeça ficaram os sons que, ainda hoje, estão gravados.  Como D. José era poliglota, certamente sabia de que se tratava. A seguinte canção ainda hoje me vem a cabeça:

 “Bin von sec, le vin e bon, ge gru gru de le le fon fon, bin von bin von ge tic tic le vin e bon”.

Como nem no Google consegui descobrir, fica aí o desafio para os contemporâneos que talvez tenham melhores informações sobre a origem da canção.

Saí do Seminário, na verdade, porque não tinha vocação para o sacerdócio. Em seguida, fui para o Colégio Sobralense, como interno.  Era dirigido pelo Monsenhor Aloísio Pinto.

Posteriormente vim para Fortaleza, onde estudei no Liceu do Ceará e formei-me em Geografia, pela Universidade Estadual, onde fui professor. Fiz concurso para o órgão da SUDEC – Superintendência de Desenvolvimento do Estado do Ceará, e posteriormente, fundei a Superintendência Estadual do meio Ambiente- SEMACE, onde fui Superintendente por 12 anos. Atualmente, sou Gerente do Núcleo de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará – FIEC.

Sou casado, há quase 50 anos, com Betty Costa Aragão, maravilhosa esposa e mãe. Natural do estado de Roraima, me deu dois abençoados filhos: Maria Eulália Costa Aragão, técnica concursada da SEMACE e Raphael Costa Aragão, engenheiro da CAGECE, os quais me deram dois netos, Eduardo e Gabriel.

Como lazer tenho uma casa em Guaramiranga onde me reúno com a família e amigos e tenho feito viagens. Já fiz várias, a última foi visitando todos os Santuários Marianos da Europa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *