Mês: setembro 2020

SEMINÁRIO DE SOBRAL: O “Primeiro Ano” de 1958

                                                                                                              

Para ingressar no Seminário São José de Sobral (Seminário da Betânia), o candidato era submetido ao Exame de Admissão, adotado nas escolas da época para quem concluía o Curso Primário e desejava frequentar o Ginasial. Na Betânia, os que apresentassem resultados satisfatórios nesse exame eram admitidos no Primeiro Ano (Primeira Série Ginasial).

Francisco José Liberato, de Sobral – Ceará (*)

Outros eram admitidos numa série preparatória, chamada Preliminar, e, após cursá-la com aproveitamento, eram promovidos para o Primeiro Ano.         

            Relembro com muita emoção os colegas que tive no Primeiro Ano de 1958, os que ingressaram comigo no dia oito de fevereiro daquele ano e os egressos do Preliminar de 1957.

Ody Mourão, exímio nos dribles do futebol de salão e futuro professor de Português, que alcançou sucesso nos cursinhos preparatórios para o vestibular, em Fortaleza.

Wellington Ximenes, meu colega a partir do curso primário, no Colégio Rosa Gattorno, das freiras Filhas de Sant’Ana, em Sobral.

Juvenal Farias, calado, excelente aluno, bem colocado nas “leituras de notas” mensais.

José Carlos Saboia, que depois se tornou professor universitário e foi deputado federal constituinte, pelo Maranhão.

Eriberto Caetano, muito estudioso, sempre obtinha o primeiro lugar nas “leituras de notas”.

Luciano Lobo, formou-se em Agronomia e foi prefeito de sua cidade natal, Santa Quitéria.

Francisco Cunha Cavalcante, de Coreaú. Por ser muito distraído, protagonizou histórias incríveis, que são lembradas pelos seus contemporâneos.

Eduardo Aragão Júnior, de Crateús. Autodidata, estudava inglês e acordeom por conta própria. Formou-se em Agronomia e Economia e colabora com a imprensa de Fortaleza e de sua terra.

Hudson Brandão, espirituoso, movimentava as aulas com suas observações engraçadas. Foi prefeito de sua cidade natal, São Benedito.

Francisco Sampaio Sales (Meruoca) e Francisco Torres Martins, o François (Independência). Estudamos juntos até o Curso de Filosofia, no Seminário da Prainha, em Fortaleza.

Rogério Martiniano, bom jogador de futebol de salão, na posição de beque. Eu sentia muita tranquilidade ao jogar ao seu lado no time da Betânia.

José Inácio Cavalcante. Por sua habilidade, fazia a manutenção da parte elétrica do Seminário. Dizia-se que tinha o sono leve. Por isso, era solicitado a nos acordar nas madrugadas da época das prova. O que acabava ocorrendo nessas ocasiões é que o Zé Inácio não dormia direito, para poder atender ao nosso pedido e, quando nos chamava, sua vigília se revelava em vão. Estávamos embalados no preguiçoso sono juvenil, sem disposição para levantar-se.

Também estavam matriculados no Primeiro Ano de 1958: Flamarion Rodrigues, de Ubajara; Raimundo Fortuna, de Camocim; Lauriano Neto Mourão, de Crateús, que se transferiu posteriormente para o seminário dos jesuítas, em Baturité; Francisco Sena, de Ubajara; Antônio da Silva Machado, de Crateús; Jocele Ponte, de Sobral; Pedro Neudo, de Graça; Bartolomeu Albuquerque, de Coreaú e Benjamim Soares, de Crateús.

Em que contribuíram para a minha vida a formação recebida na Betânia e o convívio privilegiado com esses colegas? Responsabilidade, sentimento do dever, disciplina e fraternidade. Sólidos valores cristãos e humanos. 

(*) Nasceu em Sobral. Estudou no Seminário da Betânia entre 1958 e 1963. Formou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará. Trabalhou no Ministério das Minas e Energia e no Banco Central do Brasil. Mora em Brasília, com a esposa Marta e os filhos Elaine, Danilo e Érica. 

Texto extraído do livro “SEMINÁRIO DA BETÂNIA – AD VITAM – 65 DECLARAÇÕES DE AMOR”, de Leunam Gomes e Aguiar Moura – Edições UVA – 2015

CONVERSANDO SOBRE O LIVRO “PROFESSOR COM PRAZER -Vivência e Convivência em Sala de Aula”

Coincidindo com o aniversário de Paulo Freire que faria 99 anos, fui convidado a participar de um bate-papo, no dia 19 de setembro, com Professores e Professoras de minha Guaraciaba do Norte, via internet. Foi uma hora e meia de muitas emoções para mim.

A iniciativa foi do Professor Evando Mesquita, da Professora Coordenadora Leila Freitas, tendo como Mestre de Cerimonia o Professor e Ator Marcos Castro.

A Coordenadora Pedagógica e o Diretor do Anexo

Além dos meus conterrâneos que participaram de diversas localidades do município, estavam também o Professor Fernando Lima, de Poranga, a Professora Aninha Salvino, de Acaraú e Professores de Ipueira e Fortaleza.

O tema principal da conversa foi sobre o nosso livro PROFESSOR COM PRAZER. A intenção de nosso livro é colocar em prática, da maneira mais simples possível e mais prática, as ideias de Paulo Freire. Quem já teve acesso ao livro sabem bem de que estou falando. Quem tem adotado as ideias, ali sugeridas, tem se saído bem na sala de aula. O nosso livro orienta, na prática, como envolver o aluno no processo de aprendizagem, valorizando e incluindo, no processo, os conhecimentos que cada um já possui e já os traz para a sala de aula.

Claro que como ex-Secretário de Educação do município, abordei aspectos de nossa gestão em 1993/1994, quando era Prefeito o amigo Antônio Marques. Daquele período surgiram muitas ideias para o livro. A minha Dissertação de Mestrado foi escrita com base na experiência da gestão da Secretaria de Educação de Guaraciaba do Norte. O título já diz do formato de trabalho ali adotado: “Em Educação, sem participação não há mudança

Muitos dos participantes do encontro virtual, ainda eram estudantes, à época, e desconheciam muitos daqueles fatos. Não imaginavam, por exemplo, que em 1993, de cada cem crianças que entravam nas classes de Alfabetização, apenas 16 chegavam à quarta série. E que foi, justamente, aquela realidade que nos fez começar a gestão da Educação com a realização de Seminários, na sede e nos distritos, para debater com a comunidade ali representada, as causas de tamanha evasão. Apenas uma Professora da rede municipal tinha curso superior. Hoje, 33 possuem Mestrado e, muitos outros cursam Mestrados.

Fizemos uma rápida retrospectiva da situação encontrada em 1993 e de algumas providências que geraram as mudanças, cujos resultados promoveram grandes mudanças na vida do município.

Depois do curto período em Guaraciaba do Norte, fui convidado para a Secretaria de Educação do Estado, como Coordenador de Alfabetização. Simultaneamente, recebemos a nomeação para participar do Conselho de Educação do Ceará. Foram mudanças providenciais que me abriram portas para contribuir com o desenvolvimento da Educação do município. O convite que recebi do Professor Teodoro Soares, ex colega de Seminário, para ir trabalhar na UVA, abriu-me oportunidades para defender e contribuir com a expansão dos cursos de Formação de Professores para a região Norte. E começamos, exatamente, em Guaraciaba do Norte e São Benedito. Só em Guaraciaba do Norte, tivemos 130 Professores concludentes na Primeira Colação de Grau ali realizada.

Professor e Ator MARCOS CASTRO

Muitos professores se manifestaram durante a nossa conversa. O Professor Marcos Castro fez-me a gentileza de enviar os registros das participações, com mensagens de Abdonias Moreno, Lyandra Neves, Adriana Oliveira, Maria Rufino Mesquita, Zioneide Alves Saraiva, Beatriz Maria Fernandes Rodrigues, Rafaela Pinheiro, Maria Gorete de Sousa, Luceni Sousa, Lilene Ferreira Lima Francineuda Eufrázio da Silva e Grazy Lopes. Aninha Salvino, de Acaraú e Leila Freitas Ferreira, Coordenadora do Anexo do Colégio Dom Pedro I, fizeram depoimentos emocionados e emocionantes. Pelo entusiasmo da Professora Leila, a convivência no Anexo do Dom Pedro tem acontecido sob a inspiração da Educação Biocêntrica.

Ficou acertado que, logo após o isolamento social, teremos um encontro com os Professores para um lançamento da 2ª Edição de nosso “PROFESSOR COM PRAZER – Vivência e Convivência na Sala de Aula”, em contato mais direto com cada um.

SOBRE OS PROFESSORES PREGUIÇOSOSProf. Doutor Israel Brandão, da UVA/Sobral – Ce.

Já se tornou lugar comum atacar os professores no Brasil.

Especialmente no meio político, esta é uma realidade que vem se tornando cada vez mais clara e implacável!

Professor Doutor ISTAREL BRANDÃO, da UVA/Sobral-Ce.

Não faz muito tempo que uma jovem deputada procurou incitar alunos a utilizarem seus celulares em sala de aula (o que é, em geral, proibido em todas as escolas privadas e públicas do país), para filmar os posicionamentos dos professores com a relação à situação sócio-política atual.

De acordo com um importante canal de notícias (cf. G1-SC em 29/10/2018), ela chegou, inclusive, a oferecer um número telefônico exclusivo, para o qual os filmadores ilegais deveriam enviar seus vídeos, que, depois, poderiam ser usados judicialmente para processar os “criminosos” da educação, e/ou divulgados indiscriminadamente nas redes sociais, a fim de alimentar e alardear o ódio contra este incontrolável segmento social.

O governador da mais importante unidade da federação recentemente afirmou que os professores da rede estadual paulista são muito bem pagos, mas que São Paulo “não remunera professores para ficarem em casa tomando suco de laranja e sendo preguiçosos” (cf. Revista Fórum, 21/02/2020).

O mais interessante é que, de acordo com o site oficial da Secretaria de Educação do referido estado (em publicação de 21/02/2020), os professores da categoria chamada PEB I (aqueles que lecionam para os alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental), que trabalham 40 horas semanais, recebem uma remuneração mensal de R$ 2.577,74.

Se o governador pensa que o salário dos mestres é estratosférico, talvez fosse bom tomar conhecimento que a Coreia do Sul, país com PIB inferior ao do Brasil, mas que valoriza a educação, paga em média um salário de US$ 4.015 (o equivalente a 12.563,74 reais) por mês aos seus professores.

Na mesma linha de raciocínio o atual presidente, em uma de suas últimas lives: “emendou em um ataque aos professores, que estão tendo que se desdobrar pra lidar com o ensino remoto durante a pandemia. Segundo Bolsonaro, os sindicatos de educadores são de ‘esquerda radical’ e defendem o ‘Fica em Casa’ para trabalhar menos e não pelo risco de contágio que a aglomeração nas escolas representa” (Pensar Piauí, em 18/09/2020).

É muito conveniente que certas lideranças oportunistas e com nenhum histórico de luta em favor da educação resolvam, em momentos de crise econômico-social, capitalizar apoio político para si e para seus projetos neoliberais, tomando a classe docente como o bode expiatório da vez.

A verdade é que os problemas educacionais brasileiros estão relacionados a outros fatores, que não a incompetência ou a “preguiça” dos educadores, que, ao contrário, são em geral pessoas muito abnegadas e que desenvolvem suas missões em condições tremendamente inadequadas.

Entre as causas do “fracasso” educacional brasileiro podemos destacar: os baixos salários dos educadores, as infraestruturas precárias das escolas, os diversos tipos de violências, evasão e reprovação, desvios de repasses de verbas, amplo analfabetismo informal e resultados cada vez mais catastróficos nas avaliações internas e externas (AVELINO e MENDES, 2020).

Em suma os problemas do processo civilizatório brasileiro não são causados pela educação e muito menos pelos professores. Repousam nas péssimas gestões que se sucederam neste país desde o início do período republicano, marcado pela ascensão de governos autoritários, incompetentes e fortemente descompromissados com a educação, o verdadeiro alicerce da riqueza das nações.

GALILEU, de Jonas Marinho Araújo

Era conhecido como O GALILEU. Acho que o apelido veio da teimosia que lhe era peculiar. Professor universitário, ia dar aula numa bicicleta velha, chegava suado, ensinava matemática. Perdeu dois dentes da frente, mas recusou em colocar prótese.  Dava muito trabalho. Mesmo banguela, seus alunos o adoravam. Era brilhante.

Jonas Marinho Araújo

Galileu o grande físico italiano, quase morre na fogueira, todos nós sabemos de sua história. Também era teimoso, o apelido cabia bem ao nosso esculápio. A pergunta era simples: A terra gira ou não gira em redor do sol? Se diz não, escapa e se diz o contrário gira em torno do sol, a fogueira já estava acesa. Era contra as Escrituras. Disse Não, escapou, mas num gesto escondido disse, SIM. A terra é quem gira em redor do sol e não sol em redor da terra. Era a vitória da ciência.

Histórias que vão se repetir através dos séculos. As dificuldades humanas e seus erros vão fazer frequentes estas cenas dolorosas, ainda por muito tempo. Os enganos, enganos graves, fazem parte do aprendizado humano. Nossa luta é diminuir o tempo da compreensão.

Nosso Mestre era um grande amigo meu. Gostava de seu papo e humor fino, de tudo tirava uma piada.

Uma ocasião fizemos uma viagem em meu carro até a Pedra Branca. Tudo bem, fui guiando até a metade do caminho e ele só na folga. A outra metade foi minha vez. Dias bons, leite farto, galinha gorda, tudo gostoso. Fomos ao açude do Povo, passeamos pela cidade.

Na volta para Fortaleza chegou para mim e disse: Deixe que começo a guiar. Fiquei apreciando a paisagem. As casinhas simples, uma porta e uma janela, me dava uma tristeza como alguém morava ali em tão pequeno canto? Fazia a mim, esta pergunta. Terra seca, caatinga, ninguém por perto, tudo quase deserto. Vez outra um pico de serra sem mata. Lugarejos de poucas casas, velhos sentados em tamborete na calçada. Tristes. Olhando para o tempo… Lembrei-me de O TEMPO E O VENTO, de Érico Veríssimo. A tristeza é contagiosa assim como a alegria. Estava também ficando triste, reagi. Passamos por uns dois destes povoados. Nosso homem do interior sabe ficar só, em pura meditação. Tempos de “COVID” para eles é café pequeno.

Viagem continuou e eu gostando, viajando na maionese, filosofando, apreciando o mundo e analisando. Quando cuidei, estava entrando em Fortaleza, tinha que dizer alguma coisa a meu motorista, pois tinha esquecido de guiar o meu pedaço, a metade do caminho como na ida. Rapaz: viagem com dois motoristas é outra coisa em? Foi minha saída. Olhou para mim e disse: realmente é uma BELEZA.

Fez somente um sorriso crítico e sem uma palavra, acho que disse: DE OUTRA VEZ LHE PEGO.

Um grande cunhado, éramos irmãos. Uma ocasião, não dá para esquecer. Ficamos eu e Gilberto, o NOSSO GALILEU na sala do meu apartamento conversando sobre FÍSICA QUÂNTICA.

Há algum tempo, formamos eu e mais dois amigos GUTO E OSVALDO um grupinho interessado neste assunto. Cresceu e todos os meses no nosso apartamento nos reunia para discutir FÌSICA QUÂNTICA. A primeira vez que tocamos neste assunto aconteceu numa mesa do CAIS BAR na praia de Iracema. Nós três conversamos até de manhã, o sono faltou. A “causa” Aquelas tão estranhas e novas ideias. Outros amigos fizeram parte destes estudos e se prolongou por vários anos.

Carl Sagan esteve em Fortaleza, um dos pilares e divulgador no mundo inteiro da nova ciência. Estivemos com ele. Estávamos aficionados. O Mundo Quântico dos átomos, do mistério, do quase místico. Voltamos à primeira infância tudo cor de rosa, o assunto predileto, despertando a curiosidade cada dia com mais novidades e surpresas.

O conceito do OBSERVADOR foi nossa maior dor de cabeça. Sempre nos encontrávamos e uma vez, entusiasmado, cheguei para o Gilberto e disse: Esta cadeira aqui, e apontei para uma cadeira que estava na sala: Se torna uma cadeira só porque estou observando. Para que disse tamanha doidice! O mundo desabou! Gilberto corou, ficou vermelho, não admitia tamanha heresia. Estávamos, à época, bem no início de nossos estudos. Cada qual queria ser o mais sabido coisa de principiante, o mais danado, o mais inteligente.  Não teve conversa: Correu, saiu da sala onde estávamos, entrou na cozinha, móvel vizinho, fechou a porta e gritou: Jonas:  diga a cadeira existe? ela ainda está aí ou já sumiu? Entrou na sala onde estava a cadeira quase pronto para a briga.  AGORA EXISTE PARA MIM E PARA VC, disse sem saber direito, PORQUE ESTAMOS OBSERVANDO.

Foi a resposta compreendida muito tempo depois. O conceito do OBSERVADOR ficou mais palatável.

JONAS MARINHO ARAÚJO, de Monsenhor Tabosa – Ceará, é Médico/Otorrino, em Fortaleza

Literatura Cearense – TUDO COMEÇOU ASSIM (2ª parte)

Afonso Rodrigues Fernandes, na Betânia de 1954/1959

Para quem não conhece, pensa que no Seminário a preocupação era só orações. Não, havia é também os estudos e lazer.  O time de futebol formado pelos alunos era considerado muito bom, um dos melhores da região, de tal forma que a seleção da CIDAO e a do Guarany de Sobral, equipes de primeira divisão estadual, perdiam com frequência da seleção do Seminário que, em geral, era assim formada:  Mentor, como era chamado na época: Antônio dos Santos; Goleiros: Frecheirinha e Cícero (reserva); Beques: José Feliciano de Carvalho e José Hélder Mesquita; Meios-campistas: Antônio Vieira, Pedro Alcântara, Vanderlei, Catunda, José Teodoro; Laterais ou Halfes: (esquerdo) Afonso e (direito) Francisco Machado; Atacante: José Vitorino.

AFONSO R. FERNANDES

Nossa turma ao término do 6°ano era pequena e se esfacelou, poucos foram para o Seminário Maior da Prainha em Fortaleza, outros para o Seminário Regional em Recife – PE, outros deixaram o Seminário para seguir carreiras diversas no mundo leigo.

No Seminário da Prainha, cursei três anos: 1960, 61 e 62. No dia 3 de março de 1963 saí do Seminário para ocupar a função de Professor Disciplinário (deixada pelo professor Marcelino, que havia passado no concurso do Banco do Brasil ) no Colégio Cristo Rei, localizado na rua Gonçalves Ledo, 888, em Fortaleza.

Ao chegar ao colégio, fui recebido pelo padre Valdemar Marques, coordenador do Coral Pacceli do qual participei como tenor. O diretor do colégio era padre Mesquita, hoje falecido. Neste colégio fiquei de 3 de março de 1963 até 28 de fevereiro de 1970, Depois de um ano e meio no colégio, fiz uma análise da minha situação financeira e cheguei à conclusão de que o colégio não me proporcionaria as condições financeiras capazes de atender a vida que eu esperava ter no futuro.

Então decidi fazer vestibular para Engenharia Agronômica, em junho de 1965.  Padre Mesquita, que não acreditava que eu tivesse condições de passar no vestibular de Agronomia, ficou surpreso quando viu meu nome entre os aprovados.

 Na época, a Faculdade de Agronomia funcionava em regime semestral. Por isso pude concluir meu Curso de Agronomia trabalhando no mesmo colégio. Estudava um semestre de manhã e trabalhava à tarde; o outro semestre trabalhava pela manhã e estudava à tarde.

No ano de 1964, numa festa da Paróquia de Cristo Rei, tive a grata satisfação de conhecer minha verdadeira esposa Teresinha de Jesus Vidal. Namoramos sete anos e nos casamos na casa de meus pais no Sitio Norte na Serra da Meruoca, em 17 de maio de 1973. Teresinha formou-se em Economia na UNIFOR. É uma excelente mulher, ótima companheira, uma mãe sem defeitos, carinhosa e responsável. Melhor do que Teresinha pode até existir, mas é difícil. Temos uma convivência de 41 anos sem maiores problemas. Terezinha é uma mulher exemplar.  É filha de João Paulo Vidal e Maria Lanoir Carneiro Vidal.  Da união nasceram Maria Lenir, Francisca Zenir, José Maria e Terezinha.  Eu e Terezinha temos uma só filha, Michele, formada em Fisioterapia, especialista em Dermato e casada com Bruno Said, formado em Analista de Sistemas e especialista em Design.

Graduei-me no dia 31 de dezembro de 1969 em Agronomia, coincidência ou não, também 69 engenheiros-agrônomos formandos. Fui escolhido para representar a Turma. Um período difícil porque não tinha emprego, e eu não podia ficar morando na residência estudantil, conseguida por meio dos amigos João Bosco Campos Ferreira e Osvaldo Gomes.

Neste período revalidei o curso de Filosofia Pura feito no Seminário. Estagiei na Associação Nordestina de Crédito e Extensão Rural do Ceará – ANCAR-CE, no escritório local de Brejo Santo, na região do Cariri, coordenado pelo Engenheiro-Agrônomo José Arimatéia Campos. Nosso Supervisor na época era Vicente Teixeira.

 No mês de outubro de 1970, consegui com Dr. José Valdir Pessoa de Araújo, então presidente da ANCAR-CE, autorização para estagiar no Centro de Treinamento em Extensão Rural – CETREX em Caucaia, para ensinar aos agricultores, dando cursos em técnicas agronômicas.

Em junho de 1971, fui chamado para trabalhar na Extensão do Ceará.

  Depois de cinco meses de serviços prestados no escritório local de Brejo Santo, fui chamado pela direção da ANCAR Ceará para abrir e coordenar o escritório local na cidade de Iracema, Ceará, distante 300 quilômetros de Fortaleza. Ocupei o cargo de Extensionista Agrícola I. Seis meses depois, fui promovido ao cargo de Extensionista Agrícola II.   Em Iracema, ocupei o cargo de Assistente Técnico da Cooperativa Agropecuária de Iracema e assisti a todos os associados da Cooperativa. Coordenei o Projeto de Algodão Arbóreo, considerado o ícone da agropecuária do Nordeste e do Brasil. Reformulei o projeto de construção de dois armazéns e acompanhei a construção deles.  Em Iracema passei um ano e seis meses, e fui transferido para Fortaleza em agosto de 1973. A transferência acarretou a minha promoção ao cargo de Coordenador Regional de Projetos Agropecuários. Aqui chegando, assumi o Assessoramento do Sistema de Cooperativismo do Ceará, formado por 22 maiores cooperativas de beneficiamento de algodão e extração de óleo do caroço de algodão in natura e fabricação do resíduo de algodão, um suplemento muito eficaz na alimentação dos animais bovinos, ovinos e caprinos.

Fui Gerente do Núcleo de Recursos Humanos em toda sua plenitude, seleção de pessoal em todos os níveis, avaliação de desempenho, capacitação e transferência de funcionários. Fui Supervisor Estadual da região de Brejo Santo no Cariri por 10 anos. A Região compreendia 10 municípios. Em 1992 fui convidado para ocupar um cargo de confiança na Secretaria de Agricultura e Abastecimento, hoje Secretaria de Desenvolvimento Agrário – SDA. Fui nomeado Gerente de Produção, coordenando o Programa Estadual de Sementes do Estado por 12 anos, continuo prestando serviços nesta secretaria com a função de Assessor Técnico do Núcleo de Culturas Agroindustriais – NUCA, ligado à Coordenadoria do Desenvolvimento da Agricultura Familiar- CODAF da Secretaria.

 Quando fui nomeado para o núcleo de Recursos Humanos, fiz o curso de Administração Pública, na Faculdade Estadual do Ceará e, no tempo que Dr. José Sarney foi Presidente da República, recebi com alguns colegas da EMATERCE o Diploma de Economia Doméstica.

Concluo, agradecendo primeiro a Deus pelas oportunidades que me apresentou, em seguida aos meus pais pelo esforço que fizeram para me manter financeiramente no Seminário. Aos meus irmãos, especialmente Valdemar e minha cunhada Chiquinha Fausto pelo apoio que deram ajudando aos meus pais, depois as irmãs Conceição, Maria Júlia, Duca, Júlia e Nova que, de uma maneira ou outra, colaboraram para que eu continuasse meus estudos no Seminário. Agradeço aos padres José Furtado, Osvaldo, Edson Frota, D. Edmilson Cruz. Agradeço também à minha mulher, Terezinha, que sempre me apoiou, muitas vezes, com sacrifício de ter que ficar sozinha, e ter que manter a casa com responsabilidade e amor até hoje. Não fosse Terezinha e o apoio de minha família e da família dela, não teria chegado até onde cheguei. Considero-me um vitorioso.