Literatura Cearense – TUDO COMEÇOU ASSIM (2ª parte)

Afonso Rodrigues Fernandes, na Betânia de 1954/1959

Para quem não conhece, pensa que no Seminário a preocupação era só orações. Não, havia é também os estudos e lazer.  O time de futebol formado pelos alunos era considerado muito bom, um dos melhores da região, de tal forma que a seleção da CIDAO e a do Guarany de Sobral, equipes de primeira divisão estadual, perdiam com frequência da seleção do Seminário que, em geral, era assim formada:  Mentor, como era chamado na época: Antônio dos Santos; Goleiros: Frecheirinha e Cícero (reserva); Beques: José Feliciano de Carvalho e José Hélder Mesquita; Meios-campistas: Antônio Vieira, Pedro Alcântara, Vanderlei, Catunda, José Teodoro; Laterais ou Halfes: (esquerdo) Afonso e (direito) Francisco Machado; Atacante: José Vitorino.

AFONSO R. FERNANDES

Nossa turma ao término do 6°ano era pequena e se esfacelou, poucos foram para o Seminário Maior da Prainha em Fortaleza, outros para o Seminário Regional em Recife – PE, outros deixaram o Seminário para seguir carreiras diversas no mundo leigo.

No Seminário da Prainha, cursei três anos: 1960, 61 e 62. No dia 3 de março de 1963 saí do Seminário para ocupar a função de Professor Disciplinário (deixada pelo professor Marcelino, que havia passado no concurso do Banco do Brasil ) no Colégio Cristo Rei, localizado na rua Gonçalves Ledo, 888, em Fortaleza.

Ao chegar ao colégio, fui recebido pelo padre Valdemar Marques, coordenador do Coral Pacceli do qual participei como tenor. O diretor do colégio era padre Mesquita, hoje falecido. Neste colégio fiquei de 3 de março de 1963 até 28 de fevereiro de 1970, Depois de um ano e meio no colégio, fiz uma análise da minha situação financeira e cheguei à conclusão de que o colégio não me proporcionaria as condições financeiras capazes de atender a vida que eu esperava ter no futuro.

Então decidi fazer vestibular para Engenharia Agronômica, em junho de 1965.  Padre Mesquita, que não acreditava que eu tivesse condições de passar no vestibular de Agronomia, ficou surpreso quando viu meu nome entre os aprovados.

 Na época, a Faculdade de Agronomia funcionava em regime semestral. Por isso pude concluir meu Curso de Agronomia trabalhando no mesmo colégio. Estudava um semestre de manhã e trabalhava à tarde; o outro semestre trabalhava pela manhã e estudava à tarde.

No ano de 1964, numa festa da Paróquia de Cristo Rei, tive a grata satisfação de conhecer minha verdadeira esposa Teresinha de Jesus Vidal. Namoramos sete anos e nos casamos na casa de meus pais no Sitio Norte na Serra da Meruoca, em 17 de maio de 1973. Teresinha formou-se em Economia na UNIFOR. É uma excelente mulher, ótima companheira, uma mãe sem defeitos, carinhosa e responsável. Melhor do que Teresinha pode até existir, mas é difícil. Temos uma convivência de 41 anos sem maiores problemas. Terezinha é uma mulher exemplar.  É filha de João Paulo Vidal e Maria Lanoir Carneiro Vidal.  Da união nasceram Maria Lenir, Francisca Zenir, José Maria e Terezinha.  Eu e Terezinha temos uma só filha, Michele, formada em Fisioterapia, especialista em Dermato e casada com Bruno Said, formado em Analista de Sistemas e especialista em Design.

Graduei-me no dia 31 de dezembro de 1969 em Agronomia, coincidência ou não, também 69 engenheiros-agrônomos formandos. Fui escolhido para representar a Turma. Um período difícil porque não tinha emprego, e eu não podia ficar morando na residência estudantil, conseguida por meio dos amigos João Bosco Campos Ferreira e Osvaldo Gomes.

Neste período revalidei o curso de Filosofia Pura feito no Seminário. Estagiei na Associação Nordestina de Crédito e Extensão Rural do Ceará – ANCAR-CE, no escritório local de Brejo Santo, na região do Cariri, coordenado pelo Engenheiro-Agrônomo José Arimatéia Campos. Nosso Supervisor na época era Vicente Teixeira.

 No mês de outubro de 1970, consegui com Dr. José Valdir Pessoa de Araújo, então presidente da ANCAR-CE, autorização para estagiar no Centro de Treinamento em Extensão Rural – CETREX em Caucaia, para ensinar aos agricultores, dando cursos em técnicas agronômicas.

Em junho de 1971, fui chamado para trabalhar na Extensão do Ceará.

  Depois de cinco meses de serviços prestados no escritório local de Brejo Santo, fui chamado pela direção da ANCAR Ceará para abrir e coordenar o escritório local na cidade de Iracema, Ceará, distante 300 quilômetros de Fortaleza. Ocupei o cargo de Extensionista Agrícola I. Seis meses depois, fui promovido ao cargo de Extensionista Agrícola II.   Em Iracema, ocupei o cargo de Assistente Técnico da Cooperativa Agropecuária de Iracema e assisti a todos os associados da Cooperativa. Coordenei o Projeto de Algodão Arbóreo, considerado o ícone da agropecuária do Nordeste e do Brasil. Reformulei o projeto de construção de dois armazéns e acompanhei a construção deles.  Em Iracema passei um ano e seis meses, e fui transferido para Fortaleza em agosto de 1973. A transferência acarretou a minha promoção ao cargo de Coordenador Regional de Projetos Agropecuários. Aqui chegando, assumi o Assessoramento do Sistema de Cooperativismo do Ceará, formado por 22 maiores cooperativas de beneficiamento de algodão e extração de óleo do caroço de algodão in natura e fabricação do resíduo de algodão, um suplemento muito eficaz na alimentação dos animais bovinos, ovinos e caprinos.

Fui Gerente do Núcleo de Recursos Humanos em toda sua plenitude, seleção de pessoal em todos os níveis, avaliação de desempenho, capacitação e transferência de funcionários. Fui Supervisor Estadual da região de Brejo Santo no Cariri por 10 anos. A Região compreendia 10 municípios. Em 1992 fui convidado para ocupar um cargo de confiança na Secretaria de Agricultura e Abastecimento, hoje Secretaria de Desenvolvimento Agrário – SDA. Fui nomeado Gerente de Produção, coordenando o Programa Estadual de Sementes do Estado por 12 anos, continuo prestando serviços nesta secretaria com a função de Assessor Técnico do Núcleo de Culturas Agroindustriais – NUCA, ligado à Coordenadoria do Desenvolvimento da Agricultura Familiar- CODAF da Secretaria.

 Quando fui nomeado para o núcleo de Recursos Humanos, fiz o curso de Administração Pública, na Faculdade Estadual do Ceará e, no tempo que Dr. José Sarney foi Presidente da República, recebi com alguns colegas da EMATERCE o Diploma de Economia Doméstica.

Concluo, agradecendo primeiro a Deus pelas oportunidades que me apresentou, em seguida aos meus pais pelo esforço que fizeram para me manter financeiramente no Seminário. Aos meus irmãos, especialmente Valdemar e minha cunhada Chiquinha Fausto pelo apoio que deram ajudando aos meus pais, depois as irmãs Conceição, Maria Júlia, Duca, Júlia e Nova que, de uma maneira ou outra, colaboraram para que eu continuasse meus estudos no Seminário. Agradeço aos padres José Furtado, Osvaldo, Edson Frota, D. Edmilson Cruz. Agradeço também à minha mulher, Terezinha, que sempre me apoiou, muitas vezes, com sacrifício de ter que ficar sozinha, e ter que manter a casa com responsabilidade e amor até hoje. Não fosse Terezinha e o apoio de minha família e da família dela, não teria chegado até onde cheguei. Considero-me um vitorioso. 

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