SOBRE OS PROFESSORES PREGUIÇOSOSProf. Doutor Israel Brandão, da UVA/Sobral – Ce.

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Já se tornou lugar comum atacar os professores no Brasil.

Especialmente no meio político, esta é uma realidade que vem se tornando cada vez mais clara e implacável!

Professor Doutor ISTAREL BRANDÃO, da UVA/Sobral-Ce.

Não faz muito tempo que uma jovem deputada procurou incitar alunos a utilizarem seus celulares em sala de aula (o que é, em geral, proibido em todas as escolas privadas e públicas do país), para filmar os posicionamentos dos professores com a relação à situação sócio-política atual.

De acordo com um importante canal de notícias (cf. G1-SC em 29/10/2018), ela chegou, inclusive, a oferecer um número telefônico exclusivo, para o qual os filmadores ilegais deveriam enviar seus vídeos, que, depois, poderiam ser usados judicialmente para processar os “criminosos” da educação, e/ou divulgados indiscriminadamente nas redes sociais, a fim de alimentar e alardear o ódio contra este incontrolável segmento social.

O governador da mais importante unidade da federação recentemente afirmou que os professores da rede estadual paulista são muito bem pagos, mas que São Paulo “não remunera professores para ficarem em casa tomando suco de laranja e sendo preguiçosos” (cf. Revista Fórum, 21/02/2020).

O mais interessante é que, de acordo com o site oficial da Secretaria de Educação do referido estado (em publicação de 21/02/2020), os professores da categoria chamada PEB I (aqueles que lecionam para os alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental), que trabalham 40 horas semanais, recebem uma remuneração mensal de R$ 2.577,74.

Se o governador pensa que o salário dos mestres é estratosférico, talvez fosse bom tomar conhecimento que a Coreia do Sul, país com PIB inferior ao do Brasil, mas que valoriza a educação, paga em média um salário de US$ 4.015 (o equivalente a 12.563,74 reais) por mês aos seus professores.

Na mesma linha de raciocínio o atual presidente, em uma de suas últimas lives: “emendou em um ataque aos professores, que estão tendo que se desdobrar pra lidar com o ensino remoto durante a pandemia. Segundo Bolsonaro, os sindicatos de educadores são de ‘esquerda radical’ e defendem o ‘Fica em Casa’ para trabalhar menos e não pelo risco de contágio que a aglomeração nas escolas representa” (Pensar Piauí, em 18/09/2020).

É muito conveniente que certas lideranças oportunistas e com nenhum histórico de luta em favor da educação resolvam, em momentos de crise econômico-social, capitalizar apoio político para si e para seus projetos neoliberais, tomando a classe docente como o bode expiatório da vez.

A verdade é que os problemas educacionais brasileiros estão relacionados a outros fatores, que não a incompetência ou a “preguiça” dos educadores, que, ao contrário, são em geral pessoas muito abnegadas e que desenvolvem suas missões em condições tremendamente inadequadas.

Entre as causas do “fracasso” educacional brasileiro podemos destacar: os baixos salários dos educadores, as infraestruturas precárias das escolas, os diversos tipos de violências, evasão e reprovação, desvios de repasses de verbas, amplo analfabetismo informal e resultados cada vez mais catastróficos nas avaliações internas e externas (AVELINO e MENDES, 2020).

Em suma os problemas do processo civilizatório brasileiro não são causados pela educação e muito menos pelos professores. Repousam nas péssimas gestões que se sucederam neste país desde o início do período republicano, marcado pela ascensão de governos autoritários, incompetentes e fortemente descompromissados com a educação, o verdadeiro alicerce da riqueza das nações.

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