SEMINÁRIO DE SOBRAL: O “Primeiro Ano” de 1958

                                                                                                              

Para ingressar no Seminário São José de Sobral (Seminário da Betânia), o candidato era submetido ao Exame de Admissão, adotado nas escolas da época para quem concluía o Curso Primário e desejava frequentar o Ginasial. Na Betânia, os que apresentassem resultados satisfatórios nesse exame eram admitidos no Primeiro Ano (Primeira Série Ginasial).

Francisco José Liberato, de Sobral – Ceará (*)

Outros eram admitidos numa série preparatória, chamada Preliminar, e, após cursá-la com aproveitamento, eram promovidos para o Primeiro Ano.         

            Relembro com muita emoção os colegas que tive no Primeiro Ano de 1958, os que ingressaram comigo no dia oito de fevereiro daquele ano e os egressos do Preliminar de 1957.

Ody Mourão, exímio nos dribles do futebol de salão e futuro professor de Português, que alcançou sucesso nos cursinhos preparatórios para o vestibular, em Fortaleza.

Wellington Ximenes, meu colega a partir do curso primário, no Colégio Rosa Gattorno, das freiras Filhas de Sant’Ana, em Sobral.

Juvenal Farias, calado, excelente aluno, bem colocado nas “leituras de notas” mensais.

José Carlos Saboia, que depois se tornou professor universitário e foi deputado federal constituinte, pelo Maranhão.

Eriberto Caetano, muito estudioso, sempre obtinha o primeiro lugar nas “leituras de notas”.

Luciano Lobo, formou-se em Agronomia e foi prefeito de sua cidade natal, Santa Quitéria.

Francisco Cunha Cavalcante, de Coreaú. Por ser muito distraído, protagonizou histórias incríveis, que são lembradas pelos seus contemporâneos.

Eduardo Aragão Júnior, de Crateús. Autodidata, estudava inglês e acordeom por conta própria. Formou-se em Agronomia e Economia e colabora com a imprensa de Fortaleza e de sua terra.

Hudson Brandão, espirituoso, movimentava as aulas com suas observações engraçadas. Foi prefeito de sua cidade natal, São Benedito.

Francisco Sampaio Sales (Meruoca) e Francisco Torres Martins, o François (Independência). Estudamos juntos até o Curso de Filosofia, no Seminário da Prainha, em Fortaleza.

Rogério Martiniano, bom jogador de futebol de salão, na posição de beque. Eu sentia muita tranquilidade ao jogar ao seu lado no time da Betânia.

José Inácio Cavalcante. Por sua habilidade, fazia a manutenção da parte elétrica do Seminário. Dizia-se que tinha o sono leve. Por isso, era solicitado a nos acordar nas madrugadas da época das prova. O que acabava ocorrendo nessas ocasiões é que o Zé Inácio não dormia direito, para poder atender ao nosso pedido e, quando nos chamava, sua vigília se revelava em vão. Estávamos embalados no preguiçoso sono juvenil, sem disposição para levantar-se.

Também estavam matriculados no Primeiro Ano de 1958: Flamarion Rodrigues, de Ubajara; Raimundo Fortuna, de Camocim; Lauriano Neto Mourão, de Crateús, que se transferiu posteriormente para o seminário dos jesuítas, em Baturité; Francisco Sena, de Ubajara; Antônio da Silva Machado, de Crateús; Jocele Ponte, de Sobral; Pedro Neudo, de Graça; Bartolomeu Albuquerque, de Coreaú e Benjamim Soares, de Crateús.

Em que contribuíram para a minha vida a formação recebida na Betânia e o convívio privilegiado com esses colegas? Responsabilidade, sentimento do dever, disciplina e fraternidade. Sólidos valores cristãos e humanos. 

(*) Nasceu em Sobral. Estudou no Seminário da Betânia entre 1958 e 1963. Formou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará. Trabalhou no Ministério das Minas e Energia e no Banco Central do Brasil. Mora em Brasília, com a esposa Marta e os filhos Elaine, Danilo e Érica. 

Texto extraído do livro “SEMINÁRIO DA BETÂNIA – AD VITAM – 65 DECLARAÇÕES DE AMOR”, de Leunam Gomes e Aguiar Moura – Edições UVA – 2015

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *