Mês: novembro 2020

PRIMEIRO PLANO – 27/11/20 Lecy Brandão: NA SALA DE AULA É QUE SE FORMA O CIDADÃO

Na próxima quarta-feira, dia 2 de dezembro, acontecerá a primeira reunião da Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou, com sua nova composição.

Na pauta, apreciação de processos de pessoas que se sentem prejudicadas por perseguições durante a ditadura de 64.

A nova Lei, promulgada pelo Governador Camilo Santana, em seu parágrafo único, diz que o pedido de indenização  poderá ser apresentado a qualquer tempo, devidamente fundamentado.

O que justifica alguém esmurrar, até a morte, uma pessoa a quem não conhece. Será apenas para exibir-se para patrões ou seus representantes?

Uma parceira, com ares de diretora do espetáculo, acompanha os algozes, parecendo estar filmando tudo e ainda nega ter participado.

Uma moça, sem motivo algum, assumindo ares de autoridade, dizendo-se advogada, agride um rapaz que lhe parecia homossexual, numa padaria. Um absurdo.

Fatos como estes estão se repetindo com frequência, em formatos diferentes. Por que tais pessoas se sentem autorizadas a agredir?  Ou é ódio gratuito.

Insisto nisto por experiência própria. Como diz Lecy Brandão: “Na sala de aula é que se forma um cidadão. Na sala de aula é que se muda uma nação”.

Nas minhas aulas, pessoas que nunca se viram, depois de quinze a vinte minutos, já começam a parecer velhos amigos. Os trabalhos em grupo fazem descobrir afinidades.

Já testei isto inúmeras vezes e sempre tem dado certo. E dali surgem grandes amizades. Descobrem-se muitos valores. A sala de aula é para compartilhar conhecimentos.

Em Poranga, os Professores Maria José Oliveira e Fernando Lima, que fizeram o Curso de Metodologia do Ensino, com base na Educação Biocêntrica, comprovam.

Seria muito bom que os prefeitos recém eleitos  valorizassem a Educação de Jovens e Adultos. É uma questão de justiça para quem não teve oportunidade no tempo certo.

Com metodologia adequada, motivação, capacitação e bom acompanhamento, é facílimo acabar com o analfabetismo de adultos, em dois anos. Recursos financeiros federais existem.

O analfabetismo de jovens e adultos é a mais visível manifestação da desigualdade social em cada município. No passado, havia que achasse vantagem ter analfabetos.

Sugiro: Procurem o Centro de Desenvolvimento Humano – CDH, em Fortaleza. É uma instituição com vasta e histórica experiência no assunto.

Como disse Leonel Brizola: “A Educação não custa caro. Caro mesmo é a ignorância”. Isto é muito fácil de constatar.

Gosto muito de acompanhar os sucessos de meus ex alunos. A Professora Vânia Pontes, de Ipueiras, hoje Doutoranda em Direito, tem ganho vários concursos com seus textos literários.

Praticamente todos ficaram entusiasmados com um jeito diferente de conduzir a sala de aula e estão exercitando, com sucesso, em suas cidades.

Por falar em cidade, vi que a rua que tem o nome de meu pai – José Raimundo Gomes – está recebendo cuidados especiais do prefeito Adail Machado. Moradores felizes. E a família também.

Alegria geral na família com a chegada do Pedrinho, filho de Pedro e Laíza. Ela, filha de Aparecida e Leildo Gomes. Portanto, sobrinha e afilhada.

O TESTEMUNHO DOS ALUNOS – por Leunam Gomes

Das minhas experiências em sala de aula, a oportunidade de ministrar a disciplina Literatura Cearense, no Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, foi das mais gratificantes. Era minha intenção fazer diferente para mostrar que uma sala de aula pode ser um momento de prazer para o Professor e para os alunos.

Observava que aqueles alunos vinham de diversas cidades da região e tinham que passar quatro horas apenas ouvindo exposições dos professores. Depois dali, viajavam mais de uma hora para retornar aos seus municípios de origem. Um ou outro Professor fazia uso do Datashow como recursos didático. E já parecia grande avanço. Pouquíssimos eram os que envolviam os alunos no processo de aprendizagem.

E a experiência foi um sucesso. Aí estão depoimentos de uma aluna e de um aluno, de cidades diferentes. Bruna, do Ipu e Neto Muniz, de Cruz.

MARIA BRUNA PINTO, de Ipu – Ceará

Maria Bruna de Sousa Pinto, de Ipu, destaca a oportunidade de descobrir nossos autores e o exercício da comunicação durante as aulas: “Tenho lembranças muito boas!!! Foi uma disciplina a meu ver muito interessante, pois quando começamos a estudar Literatura Cearense temos uma tendência meio que involuntária e errada, de achar que nossa terra nada produziu depois de José de Alencar. Então, uma disciplina como esta, voltada para o nosso berço é muito importante para acabar com o nosso preconceito, que acontece por falta de informação, por não conhecermos realmente a nossa cultura! Outro ponto positivo desta aula foi que, mesmo muitos não se saindo bem na apresentação, o professor Leunam sempre enfatizou a importância de praticar a comunicação, o exercício da fala em público, o que deveria ser trabalhado desde os primeiros anos estudantis para hoje não ser um trauma ou obstáculo grande para a maioria das pessoas!!!! Adorei ter sido sua aluna, tê-lo conhecido! Um beijo, professor!!!

NETO MUNIZ, de Cruz – Ceará

Semelhantes observações são feitas pelo jovem Neto Muniz, de Cruz, que tanto se entusiasmou com o que descobriu, a partir da disciplina Literatura Cearense, que não só enveredou pelos caminhos da produção literária como tomou a iniciativa de criar a Academia Cearense de Letras Virtual. Sua ideia foi rapidamente aceita e inúmeras pessoas se engajaram.

 “As aulas de Literatura Cearense no Curso de Letras da UVA foram, para mim, uma experiência singular. No sentido mais amplo do termo pedagógico, as aulas eram dialogais, sem a presunção do professor-palestrante, mas com a efetiva participação do público matriculado na Disciplina. Escamoteado o método bancário de conhecimento, fazíamos reflexões e discussões em torno da literatura produzida em nosso Estado, levando em conta o saber que cada aluno já detinha.

Às quintas-feiras à noite (semestre 2009.2) eram momentos de regozijo. Sem que o nível da discussão caísse, debatíamos sobre os autores cearenses que conhecíamos e o professor Leunam Gomes, com magistral categoria, conduzia-nos a um pensamento crítico e reflexivo acerca da literatura Alencarina. Cada qual estava responsabilizado por levar um autor ou uma “lenda urbana“ de sua cidade, de modo que, além de nos prepararmos para a fala em público, ficávamos a par das histórias e historietas produzidas – e, apesar de não publicadas, não menos importantes para nossa literatura – nos mais diversos rincões da região norte cearense. “Ao Senhor professor Leunam Gomes, minhas máximas vênias”.

Neto Muniz psicólogo e mestre em Psicologia pela UFC.   Atualmente professor substituto do curso de Psicologia da UFC – Campus Sobral), responsável pelo setor de estudos Psicologia Social.

BOM DIA, HUMANOS!

Às vezes a mão é estendida, o ouvido é oferecido, mas nem sempre o orgulho nos permite aceitar.  E aí nos enchemos de sorrisos que escondem as lágrimas de um penar.

O fato é que julgamos e condenamos pelas ações superficiais das pessoas. Exigimos comportamentos que elas não podem ter. Desconhecemos a história, na íntegra, e formamos nossa visão com base em um fato.

Quando não encontramos saída para os percalços da vida, da nossa vida, atribuímos a terceiros, como forma de aliviar o sentimento de impotência mediante a realidade.

Não suportamos o bem-estar do outro, a alegria do outro e ver as conquistas do outro. E aí, de forma irracional, nos pegamos na contramão de nossas teorias, tentando apagar ou dar insignificância ao outro.

O nosso ego faz com que desprezemos as pessoas e, posteriormente, nos queixemos de indiferença. Parece ser mais fácil do que dizermos: me escuta.

A vida não está fácil. E assim seguimos, quase sempre, como ÁGUA VIVA e, audaciosamente, insultando os ANIMAIS, digo os burros, os jumentos e as cobras. BOM DIA, HUMANOS!

Texto da Professora MARIA JOSÉ OLIVEIRA, de Poranga – Ceará

Já são 7 poemas aprovados! Aguardando os livros das editoras

1. Livro: Antologia de Halloween _ 🧝‍♂️🎃Poema: “Anjo Bruxo“, da Menina da Luz Encantada🙋‍♀️;

2. Livro: Histórias Para Ler e Morrer de Medo  _ 🧛‍♀️🦇 Poema: “Sobrevivente“, da Menina da Luz Encantada🙋‍♀️;

3. Livro: Tributo do Poeta Odair Ribeiro _ ❤🤸‍♂️ Poema: “Coração Menino“, da Menina da Luz Encantada🙋‍♀️.

4. Livro: Tempo de Amar _ 🔥❤🔥Poema: “Filha do Fogo“, da Menina da Luz Encantada🙋‍♀️.

5. Livro: Nas Entrelinhas do Amor _ 💔💥Poema: “Meia Palavra“, da Menina da Luz Encantada🙋‍♀️.

6. Livro: 100 Anos de Clarice  _ 🧜‍♂️🧜‍♀️ Poema🎣: “Um Peixe“, da Menina da Luz Encantada🙋‍♀️.

7. Livro: Cotidiano Introspectivo – Centenário de Clarice Lispector  _ 🔃Poema: “Mesmice”, da Menina da Luz Encantada🙋‍♀️

VANIA PONTES, de Ipueiras, é graduada em Letras e Psicologia. Mestra em Doutoranda na área de Direito. Gestora Pedagógica do Curso de Direito da FAL/UNINTA, de Sobral – Ceará. PARABÉNS PELAS SUCESSIVAS VITÓRIAS como escritora, contista e poetisa.

A FESTA DE CRISTO REI

Amanhã é o último Domingo do ano litúrgico, em que se celebra a Festa de Cristo Rei. Temos só mais a semana que vem, como a última do tempo comum e, no Domingo próximo,  29 de Novembro, já é o 1º dia do novo ano litúrgico: o 1º Dom. do Advento, início de um novo ciclo ou calendário eclesial.

Mons. ASSIS ROCHA, Mestre e Doutor em Comunicação Social, de Bela Cruz – Ceará

Todos os anos isso se repete e é muito bom que todos os católicos saibamos disso para o nosso próprio conhecimento e para informar a outras pessoas que não saibam da sequência vivida pela Igreja a cada ano.

            E o que vem a ser uma Festa a Cristo Rei? O que significa Jesus é Rei?

            Normalmente se pensa num rei terreno, poderoso e o próprio povo judeu o quis aclamar Rei, nesse sentido, em algumas ocasiões, tanto que Pilatos O interroga: tu és Rei? Jesus responde: tu o dizes. Eu sou Rei. Mas o meu reino não é deste mundo.  

            Essa é que é a grande diferença entre os reinos terrenos e o Reino de Jesus. Reino terreno era o de Pilatos, o de Herodes, o de César e os “reinos” que conhecemos: todos passageiros; na sua maioria, injustos; quase todos, à custa de mentiras, de “fake news”, de falcatruas, de compra de votos, de falsa democracia, de farsa, enganação e vãs promessas por toda parte. Esse tipo de reino, nós conhecemos muito bem. Como ser Jesus, de um reino assim? Fez muito bem ao dizer: o meu Reino não é daqui.

            Daqui são os reinos fundamentados na força e na violência, na mentira e na prepotência e nada têm a ver com o Reino de Cristo. Como tática, o que muitos fazem, é usar o nome de Deus em vão.

             A insuspeitíssima Maria, mãe de Jesus, havia dito, com Ele no ventre, ao visitar Isabel: os poderosos vão cair de seus tronos; os ricos vão ficar de mãos vazias. São palavras, realmente, proféticas, ditas sob inspiração divina.

            Foram-se os Herodes, os Césares, os Francos, os Salasares, os nazistas alemães, os fascistas italianos, os imperadores romanos, os invasores e piratas portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, ingleses, as ditaduras e seus filhotes – tanto a de Getúlio, como a militar – enfim, como disse Maria, “os poderosos vão cair de seus tronos”. Todos caíram e vão continuar caindo, inclusive o nazi-fascismo que se apoderou do Brasil. Há um certo número de apaixonados que nem está vendo, nem quer entender quando nós falamos a respeito disso. Preferem ficar do lado de seus “mitos” do que abrir os olhos para alcançar toda a verdade, mesmo que a realidade seja tão visível.

            Quantos – no poder – enriqueceram à custa da seca, da SUDENE, da SUDAM, da miséria dos pobres, do seu analfabetismo, de suas doenças e de sua fome? São as tais riquezas injustas de que fala Chico Buarque em um de seus livros e em muitas de suas músicas.

            E Maria disse mais: “os ricos vão ficar sem nada”. Quem de nós não conhece tantos políticos exploradores, falidos, quebrados, lisos, que, unidos a outros que tinham muitos bens, terras, gado, grandes pontos comerciais e industriais, no entanto, ficaram sem nada?  Quem não sabe que eles promoveram guerras e violência, sobretudo no campo, nas famílias, piores do que os mais ferozes animais, pois estes, pelo próprio instinto, sabem respeitar seus filhotes, dar-lhes um carinho e até serem solidários em muitos momentos?

            O Rei que nós estamos homenageando amanhã não temia a nenhum desses poderosos. Chamou a Herodes de raposa. Disse ao prepotente Pilatos, não ter nenhum poder sobre Ele, que não lhe adviesse do Pai. Chamou de hipócritas, de sepulcros caiados aos fariseus, aos saduceus, aos herodianos e a seus partidos, bem como aos doutores da lei e aos sumos sacerdotes judeus.

         O Reino de Jesus, que estamos celebrando amanhã, está construído sobre o amor e a verdade, sobre a justiça e a partilha, sobre a solidariedade e a paz. Como diz o Livro de Daniel: “foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”. E o evangelho que já se pode ler hoje à tardinha e durante todo o dia de amanhã, acrescenta: “quando o filho do homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, se assentará em seu trono glorioso… Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita… e aos que estiverem à sua esquerda, que se dirijam ao destino de cada grupo: ao castigo eterno… ou à vida eterna”. Temos que entender antes de irmos para essa eternidade que o que nos faz sentar ao lado do Rei não é a religiosidade proclamada, o dizer que “ele está acima de tudo”, mas a caridade praticada, a solidariedade em favor do necessitado, como nos mostram as obras de misericórdia a serem proclamadas amanhã, no evangelho da festa de nosso Rei.    Na Cruz, Jesus crucificado é apresentado como o “Rei dos Judeus”. Na verdade, ele ultrapassou o mundo dos judeus e se tornou sobre a humanidade, o “Rei do Universo”. Na Cruz, aparentemente, era um homem comum, tanto quanto os outros dois que foram crucificados com ele. De fato, por trás e acima das aparências, o condenado comum é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”. Tudo o que existe “foi criado por meio d’Ele e para Ele”. São Paulo ainda acrescenta: “em tudo Ele tem a primazia”. O letreiro da cruz, expressando zombaria, acabou sendo verdadeiro, não apenas em relação aos judeus, mas em relação ao mundo inteiro. Ele, Jesus, é o Senhor do Universo, o Senhor da História. Ele é Cristo Rei

PRONUNCIAMENTO NA POSSE NA COMISSÃO DE ANISTIA

Aconteceu, nesta sexta feira, a posse da Comissão de Anistia WANDA SIDOU, que contou com as presenças da Dra. Socorro França,  Secretária Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos, Dra. Lia Ferreira Gomes – Secretária Executiva de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da SPS, do titular da Coordenação de Cidadania: Dr. Tadeu Lustosa a quem a Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou está vinculada e de Mário Miranda Albuquerque, ex Presidente da Comissão. Coube ao Professor Leunam Gomes, novo Presidente, fazer o pronunciamento inicial.

Professor LEUNAM GOMES, novo Presidente da Comissão de Anistia WANDA SIDOU

Senhoras e Senhores que, mesmo à distância, participam deste momento.

A maioria, certamente, não me conhece. Sou Professor Leunam Gomes, nascido em Guaraciaba do Norte. Enquanto muitos dos senhores estavam iniciando na Escola, eu estava nos Seminários de Sobral e Olinda, estudando para ser padre. Foram 14 anos. Concluídos os cursos de Filosofia e Teologia, decidi sair. E o meu primeiro trabalho, em 1967, foi com Educação de Adultos pelo Rádio, no Movimento de Educação de Base – MEB. Em Sobral, pela Rádio Educadora do Nordeste e, depois, em Fortaleza. Era Educação pelo Rádio, pela Rádio Assunção Cearense. Em 1971, no auge da ditadura, fui perseguido e demitido por causa do trabalho que estava tendo um grande alcance no interior cearense.  Mas, ali a ditadura enxergava subversão.

Tive que sair do Ceará e passei 20 anos no Maranhão. Voltei apenas em 1989. De lá para cá,  Secretário de Educação de quatro municípios, depois na Secretaria de Educação do Ceará, como Coordenador de Alfabetização, Membro Conselheiro de Educação, Pró – Reitor de Extensão da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Sempre procurei trilhar os caminhos da inclusão, objetivando contribuir com a redução das desigualdades sociais.  Foi esta caminhada que me motivou a escrever o livro PROFESSOR COM PRAZER – Vivência e Convivência na Sala de Aula

Agradeço a confiança que foi depositada em cada um de nós para realização deste trabalho de grande importância para os cidadãos e cidadãs que foram perseguidos porque lutavam por um Brasil sem desigualdade social.

Esta Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou será mais uma oportunidade de servir a muitos que, na luta por liberdade, pagaram alto preço, como eu mesmo tive de pagar.

A nossa motivação maior é o desejo de contribuir para ajudar corrigir as injustiças de que muito foram vítimas.  Contamos com o apoio de todos.

Finalmente, é com pesar que registramos o falecimento de ALTAMIR RENATO FERNANDES, vítima de COVID. Foi o primeiro Secretário da Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou

Muito Obrigado.

Leunam Gomes – Presidente da Comissão de Anistia Wanda Sidou

UMA NOVA METODOLOGIA DE PESQUISA

Margarida Pontes ficou tão encantada com as descobertas que fez na Literatura Cearense, no curso de Letras, da UVA/Sobral que, logo após a sua graduação, procurou fazer Mestrado nesta área. E fez tanto sucesso em sua caminhada, concluída com brilhantismo, que logo a seguir fez o Doutorado.

Margarida Pontes, de Ipueiras, Professor Doutora em Literatura Comparada

As aulas da disciplina Literatura Cearense, ministradas pelo professor Leunam Gomes, no Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, suscitaram experiências bastante significativas no âmbito do conhecimento literário, produzido em território cearense.

Durante o semestre letivo pude compreender melhor a sistemática do ensino organizado pelo referido Professor, que privilegiou aos alunos momentos de pesquisa acerca dos escritores oriundos dos mais variados espaços situados no Estado do Ceará.

Durante as atividades executadas nas aulas, aconteceram inúmeros relatos dos estudantes sobre a produção escrita de autores cearenses, renomados ou em ascensão, naquele período. “Diante disso, posso asseverar que a disciplina foi proveitosa, afinal possibilitou uma nova metodologia de pesquisa diversificada sobre a literatura produzida na terra de José Alencar.”

 “O trabalho realizado pelo Professor Leunam Gomes proporcionou a seus alunos a realização de estudos sobre a historiografia literária cearense, que foram ampliados nos relatos sobre os autores de suas respectivas localidades. Mais do que uma estratégia didática, a metodologia de ensino pluralizou o currículo da disciplina, mostrando-me novas abordagens de estudos que dialogaram com a tradição e modernidade na literatura cearense.

Portanto, posso dizer que essa experiência sintomática me motivou a buscar possibilidades de discutir, com meus futuros alunos, os mais variados assuntos na literatura, sem esquecer a relação entre historiografia, produção escrita atualizada e textos literários.”

PROFESSOR COM PRAZER: LER PARA FORMAR LEITORES

Realizamos ontem à noite, uma conversa, on line, com alunos e alunas de Pedagogia do IVA, de Tianguá, a convite de Professora Suely Cazuza. O tema da conversa era PROFESSOR COM PRAZER: LER PARA FORMAR LEITORES.

Dentre outros alunos, participaram: Cristina, Ana Helena, Marlene, Bia, Cézar Augusto, Paloma, Clara, Gerlane, Juliene, Micaela e Thais que são dos municípios de Tianguá, Ubajara e Viçosa do Ceará.  

Ao final da conversa, os alunos, por sugestão da professora, registraram, como uma ou duas palavras, o que aquele encontro significou para cada um.  Foram estas as observações do grupo: Criatividade – Momento riquíssimo – Conhecimentos – Momento maravilhoso -Exemplo de Professor – Sabedoria – Comunicar – Conhecimento – Profissional Excelente – Bom Professor – Você é uma inspiração – Rico em Conhecimento – Amor pela Profissão – Excepcional – Gratidão – Compromisso – Maravilhoso – Excelência!

Professora Suely Cazuza, da Pedagogia

No magistério superior com alto índice de aceitação – Texto de Jacinta Bezerra

Minha primeira experiência como professora na graduação foi um grande desafio. Mas um desafio maravilhoso. Ficava imaginando como seria a turma? Se eles iriam aprender com minha didática? Em razão disso, procurei orientações do professor Leunam Gomes e suas sugestões foram de fundamental importância para o meu êxito em sala de aula.

Professora JACINTA BEZERRA

No primeiro dia de aula, pedi para que os alunos organizassem a sala em formato de círculo para que pudessem ver todos os colegas. Aquela já foi uma grande inovação para eles. Depois de uma pequena introdução, propus que, organizados em pequenos grupos, refletissem sobre algumas questões relacionadas ao ensino e à aprendizagem de História. Foi surpreendente. Eles falavam o que sabiam e aprendiam com os colegas. Depois, cada grupo expos suas conclusões que foram comentadas e complementadas pelos participantes dos demais grupos. Aquilo era inédito para eles.

Lançamos algumas atividades práticas para cada grupo. Exemplo: pesquisar e trazer para a sala de aula charges, músicas sobre Ditadura Militar, quadros históricos, tais como, da Primeira Missa no Brasil, Tiradentes e outros. O grupo deveria apresentar e analisar cada documento histórico e seu contexto. O resultado foi vaslioso.

Também por sugestão do professor Leunam, procuramos sempre associar o conteúdo à realidade dos alunos e promovemos uma exposição de objetos antigos na sala de aula. Cada aluno trouxe de sua casa um objeto para explicar sua importância histórica para a turma.

Outra experiência de grande valia, foi a realização de um Seminário sobre a história local. Os alunos se organizaram de acordo com os seus municípios de origem: Croatá, Guaraciaba do Norte, Carnaubal, Reriutaba e São Benedito. No dia da apresentação do seminário os alunos me surpreenderam e se surpreenderam. Realizaram exposições de fotos antigas, mostraram vídeos de como era a cidade antes e como está atualmente, realizaram uma exposição sobre o que se destacava mais em sua cidade: Houve exposição de artesanatos, culinária, flores, livros sobre a história local, entre outros.

Para finalizar a disciplina, fomos para uma aula em campo, na cidade de Viçosa do Ceará; o objetivo maior explorar o Centro Histórico da cidade. No final, os alunos avaliaram as aulas como excelentes, pois não foram monótonas, mas dinâmicas, participativas, diferenciadas.

Portanto, todas as orientações do professor Leunam contribuíram, de modo significativo, para o desenvolvimento de cada aula; o objetivo maior em todas as aulas era a participação dos alunos. Para mim, foi muito gratificante estrear no ensino superior com alto grau de aceitação.  

JACINTA BEZERRA é graduada em História com Especialização em Metodologias do Ensino de História e Geografia, Professora em Lagoa da Cruz, Croatá e                                                                                               na Escola Deputado Manoel Rodrigues, de Amanaiara, distrito de Reriutaba -Ceará

A IMPORTÂNCIA DA LIBRAS PARA INCLUSÃO ESCOLAR DO ALUNO SURDO NA ESCOLA E.E.M. MONSENHOR CATÃO PORFÍRIO SAMPAIO, EM ITAPAJÉ-CE

RESUMO

Autoras: CLAUDÊNIA DE SENA OLIVEIRA, DANUSA RAMOS BASTOS  e MARIA ROSILEIDE CAMELO DE MATOS

Este artigo tem por objetivo tratar da relevância da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, e das adaptações para que seja feita a inclusão adequada do surdo no Ensino Regular, sendo esta de fundamental importância para o desenvolvimento e aprendizagem dele no âmbito educacional. Com ênfase nos trabalhos desenvolvidos em uma escola da rede estadual de ensino, será exposto nesse artigo que o processo de inclusão só ocorre através do conhecimento da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS por todos os envolvidos, e também por meio de adaptações de pequeno porte procurando formas de tornar a aprendizagem mais proveitosa para o aluno surdo. Através de estudos teóricos e práticos para coleta de dados, esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa de caráter bibliográfico e uma entrevista baseada nos meios de atuação existentes para que o processo de inclusão do aluno surdo aconteça. A inclusão não deve ser entendida como uma obrigação, mas sim como uma base, através da qual o indivíduo surdo vem a ser inserido nos contextos sociais com os quais convive, não havendo desigualdade no atendimento a um surdo em sala de aula, que seja corriqueiro no espaço escolar a convivência de surdos e ouvintes no mesmo ambiente. Mas para que isso ocorra, precisamos começar pelo preparo dos professores, capacitando-os para que tenham domínio da língua de sinais e que a LIBRAS seja não somente parte da formação inicial e continuada dos educadores, mas uma ferramenta habitual nas instituições de ensino.

 INTRODUÇÃO

O presente estudo explana a importância da LIBRAS no ambiente escolar para inclusão do surdo, uma vez que, é difícil realizar a inclusão do surdo sem que haja o conhecimento em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) por parte de todos os participantes desse processo. Um dos grandes desafios referente à inclusão escolar é assegurar o acesso e a continuidade do aluno surdo em sala de aula, tendo em vista que esse ambiente precisa estar estruturado para atender as singularidades de cada um, focando no seu desenvolvimento global, não somente pensando no sentido físico, mas sim no social e educacional.

Um dos intuitos desta pesquisa é difundir entre os profissionais o conhecimento em LIBRAS, para promover a comunicação dos alunos inclusos junto aos demais. Nessa perspectiva, partimos do pensamento de que não há inclusão do surdo se todos os envolvidos na escola não souberem LIBRAS, pois são indispensáveis tais ações que propiciem o desenvolvimento e a integração do surdo no ambiente escolar e na sociedade como um todo, provando assim que eles são capazes de se comunicar e agregar assim como os demais. Sendo assim, o papel da escola não é somente o de propagar o aprendizado, resumindo ou recortando conteúdos, e sim de oferecer um ambiente propício para o aluno se desenvolver espontaneamente com autonomia e liberdade no âmbito escolar e social. Assim como, assimilar também os conhecimentos teóricos.

Com base legal na constituição federal de 1988, a presença dos alunos com algum tipo de deficiência cresceu no ensino regular, e consequentemente o impasse de escolas e professores sem preparo para atendê-los. Particularmente com o aluno surdo, que necessita da Língua Brasileira de Sinais para que aconteça o processo de ensino e aprendizagem. Além do intérprete de LIBRAS que é o principal elo de comunicação entre o surdo e o ouvinte, (e muitas das vezes esse profissional não faz parte do quadro de funcionários da escola) oferecendo suporte na comunicação entre professor e aluno surdo. Grande parte das instituições de ensino não possuem as condições mínimas de comunicação entre o aluno surdo e a comunidade escolar, haja vista que é de fundamental importância levar em conta a língua materna do surdo que é LIBRAS, língua essa que ele precisa aprender por completo, para em seguida ser trabalhado na língua portuguesa voltada para o surdo, uma segunda língua.

Para uma melhor compreensão da linguagem no desenvolvimento da comunicação do deficiente auditivo, se faz necessária uma reflexão sobre a importância da utilização da LIBRAS na vida do sujeito surdo e na construção da identidade da comunidade surda.

2 METODOLOGIA

O estudo realizado trata-se de uma pesquisa qualitativa, onde serão descritos os resultados obtidos. Esta abordagem, segundo Minayo (2001), justifica-se por ser capaz de integrar significados, motivos e atitudes, retratando melhor o espaço profundo das relações, dos processos e dos fenômenos os quais não podem ser quantificados.

A experiência hora descrita realizou-se na escola de ensino médio Monsenhor Catão Porfírio Sampaio. Escola esta que tem como destaque o apoio a comunidade a qual está inserida, principalmente no que se refere a projetos voltados para o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), assunto central do presente trabalho.

Na pesquisa foi incluída uma educadora em exercício da função na escola supracitada. As informações foram coletadas através de uma entrevista por meio de questionário onde as respostas foram transcritas. Conforme considera Minayo (2001), este tipo de entrevista permitirá aos entrevistados falar sobre o tema em questão sem respostas ou condições determinadas pelo pesquisador.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

A sigla LIBRAS representa a Língua Brasileira de Sinais, destinada para a comunicação com o indivíduo surdo, sendo a mesma considerada a língua materna do deficiente auditivo. Fernandes (2011, p.82) destaca a importância de cada país ter a sua própria linguagem de sinais, pois por meio dela é que se traduz os aspectos culturais da comunidade de surdos daquele determinado local.

A Libras, língua brasileira de sinais, possibilita o desenvolvimento linguístico, social e intelectual daquele que a utiliza enquanto instrumento comunicativo, favorecendo seu acesso ao conhecimento cultural e científico, bem como a integração no grupo social ao qual pertence. (DAMÁSIO, 2005, p.61)

A LIBRAS é utilizada pela comunidade surda do Brasil, sobretudo nas grandes cidades, pois infelizmente muitos dos surdos que vivem em cidades pequenas e em zonas rurais normalmente acabam por não conhece-la e, por esse motivo, acabam por criarem o seu próprio modo de se comunicar, um sistema gestual peculiar, limitado aos acontecimentos e as experiências vivenciadas em seu cotidiano. Existe, ainda, alguns deficientes auditivos que vivem nos centros urbanos, mas mesmo assim desconhecem a língua de sinais devido aos mais variados motivos, tais como a não aceitação por parte da família, o pouco ou nenhum convívio com outros surdos que façam uso da opção tecnológica da instituição em que foi educado, entre outros pontos.

É do conhecimento de todos que a LIBRAS, para ser acolhida e aceita como a língua materna do surdo, percorreu um extenso caminho desde a discriminação até objeções de métodos impiedosos para com o deficiente auditivo, períodos em que eles foram excluídos e desprezados pela sociedade.

O direito a diferença ao pluralismo e a tolerância, e com suas alterações garante as pessoas surdas, em todas as etapas e modalidades da educação básica nas redes públicas e privadas de ensino o uso da Língua Brasileira de Sinais na condição de língua nativa das pessoas surdas. (GOLDFEALD, 2003, p.94).

A trajetória do ensino para o surdo inicialmente começou pelo oralismo, quando o deficiente auditivo era praticamente forçado a trabalhar a oralidade, não sendo lhes permitido utilizar movimentos e sinais para se comunicarem. Em seguida, mediante decreto que concedeu bases legais para o uso da Língua Brasileira de Sinais é que o surdo passou a ter seus direitos reconhecidos. A LIBRAS foi oficializada no Brasil pela Lei Federal nº 10.436 de 24 de abril de 2002 e regulamentada pelo decreto Federal nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005. Essa lei proporcionou grandes avanços para a cidadania bilíngue dos deficientes auditivos, pois por meio dela ampliou-se o conhecimento da língua de sinais para os mais variados segmentos da sociedade.

A Libras aparece como esse elemento facilitador na relação pedagógica que oferece a mediação pelo outro e pela linguagem. Além de representar uma conquista para os surdos, a Libras é um estimulo par novas conquistas e ampliação dos horizontes para surdos e ouvintes. O respeito a esta língua é a forma mais próxima da natureza do indivíduo surdo. preservá-la como meio da expressão da comunidade surda é possibilitar que diversas pessoas se apropriem e internalizem conhecimentos, mo- 8 dos de ação, papeis e funções sociais que sem a existência desta língua eles jamais poderiam acessar. (SACKS, 2002 P.82).

A língua de sinais é materna do surdo, mas ela não é universal, passa por alterações de acordo com a cultura de cada local. A linguagem de sinais tem estruturas gramaticais peculiares, sendo ela construída por alguns níveis linguísticos, são eles: o fonológico, morfológico, semântico e sintático. O fator que mais distingue a língua de sinais das outras linguagens é a concepção do aspecto visual, pois, para que ela seja compreendida, é necessário habilidade no gestual das mãos e uma clareza viso espacial para executar os movimentos com exatidão, já que é por meio deles que será construída a comunicação entre surdos e ouvintes.

A língua de sinais é uma língua natural, com organização em todos os níveis gramaticais, prestando-se às mesmas funções das línguas orais. Sua produção é realizada através de recursos gestuais e espaciais e sua percepção é realizada por meio da visão, por isso é denominada uma língua de modalidade gestual-visual-espacial. Dessa forma, pode-se afirmar que a língua de sinais é completa, com uma estrutura independente da língua portuguesa, que possibilita o desenvolvimento cognitivo da pessoa surda para que este tenha acesso a conceitos e conhecimentos já existentes. As línguas de sinais são complexas porque permitem a expressão de qualquer significado decorrente da necessidade comunicativa e expressiva do ser humano. (BRITO,1998, p.19)

Segundo Fernandes (2011, p.82), a LIBRAS é uma língua de categoria visual, que de forma diferente das linguagens orais utiliza-se essencialmente da visão para sua execução, contando também com um conjunto de expressões corporais e faciais, coordenados em movimentos no espaço para estabelecer elementos que dão significado as palavras, ou melhor, aos sinais, como se atribuem os surdos.

Por meio dos sinais é possível expressar qualquer informação necessária em sociedade, eles não se resumem a um simples sistema de gestos e movimentos, ou mímicas como infelizmente ainda pensam grande parte das pessoas. Além do mais, esse é o maior mito relacionado a língua de sinais, porque devido a utilização das mãos e do corpo para se comunicar, é comum que a comparem com a linguagem gestual, ensaiada e limitada a correlacionados concretos, efetivos, transparentes que possuem significado compreendido com facilidade por que os observa.

Para que a inclusão se torne uma realidade é essencial o conhecimento em LIBRAS por parte de todos os indivíduos que participam desse processo para contribuir com a comunicação entre ambos, contudo, é valido ressaltar que o professor 9 não tem obrigação de ter o domínio da língua de sinais, essa função cabe ao intérprete, é ele que faz a ligação entre os mesmos. Porém, como podemos falar em inclusão do deficiente auditivo sem conhecer LIBRAS? Ter conhecimento em libras de certa melhora a comunicação, contudo não é essencial para o aprendizado em sala. Existe até um lado bom quando o professor de uma criança surda não domina libras, porque isso aumenta o nível de capacidade para entender a língua escrita. Um aluno surdo aprende com um profissional em libras e leitura labial.

Foi comprovada a incapacidade da escola para educar o surdo nos moldes convencionais, devido a sua vocação pra a permanência dos processos pedagógicos, sendo constatado que a Libras é o recurso inicial necessário pra a verdadeira emancipação dos surdos e sua inclusão tanto escolar quanto social (CARVALHO 2007, p.33)

Segundo Lacerda (2006) para que o processo de inclusão aconteça é necessário que modificações ocorram no sistema de ensino, vindo a beneficiar a todos, com espaços escolares adaptados, profissionais capacitados para trabalhar, material disponível para o aluno, aperfeiçoar e pôr em prática as leis que já existem, proporcionando ensino de qualidade e acessível a todos.

As mudanças são essenciais para que a inclusão aconteça, mas requer esforço de todos os envolvidos, garantindo que a escola possa ser reconhecida como um espaço de desenvolvimento constante de aprendizado.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para análise e discussão dos resultados foi feita uma entrevista com a professora V.L.S., da escola Monsenhor Catão Porfírio Sampaio, no município de Itapagé, estado do Ceará.

Na questão de número 1, foi perguntado a educadora: quais as principais dificuldades de integrar alunos ouvintes surdos. Só a aprendizagem da LIBRAS é suficiente? Ao que respondeu:

Uma das principais dificuldades de integração entre surdos e ouvintes é a questão de as pessoas ouvintes não terem o conhecimento, não terem a propriedade da língua brasileira de sinais. Isso dificulta bastante esse primeiro contato, porque onde não há comunicação não tem como as pessoas se entenderem. Com certeza só a libras não resolveria, precisa realmente de profissionais adequados para intermediar entre o mundo surdo e o mudo ouvinte. Precisa que se conheça o mundo surdo, a sua cultura. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Percebe-se claramente que o mais importante não é só saber libras, precisa ter um conhecimento sobre a surdez, suas características, para que se possa realmente estabelecer uma relação entre esses dois públicos: o público dos alunos de pessoas surdas e pessoas ouvintes.

No segundo questionamento à educadora, indagou-se a seguinte questão: quais os principais problemas de aprendizagem dos alunos surdos?

Um dos principais problemas de aprendizagem do surdo vai de encontro a essa questão da língua. A língua materna de pessoas surdas é a língua brasileira de sinais, o português torna-se uma segunda língua para ele. Então é como pra gente um inglês é uma segunda língua então é muito difícil você se adequar desenvolver sua aprendizagem com a questão de ser outra língua é como se a gente fosse para a escola falando português se tivesse que ver todos os conteúdos em inglês. Então essa questão de ser outra língua já dificulta e eu considero um dos problemas. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Uma criança ouvinte aprende a falar a partir de 1 ano e 6 meses a sua língua materna, o surdo, que na maioria das vezes nasce em uma família ouvinte, muitas vezes vai se apropriar da língua brasileira de sinais, na melhor das hipóteses, com a questão de inclusão do conhecimento da libras, com 3 a 5 anos de idade. Então uma das realidades que dificultam a aprendizagem dos alunos surdos é o atraso que eles têm em questão da aquisição da linguagem materna para depois se apropriar do português que é onde o surdo apresenta mais problemas. Na questão da escrita e da leitura em outra língua que ele vai aprender a escrever e ler. Então isso torna a aprendizagem bastante difícil e é um dos principais problemas que dificulta a o desenvolvimento das pessoas surdas.

Ao terceiro questionamento, que foi: a partir de que idade deve ser iniciado o ensino de LIBRAS? A educadora deu a seguinte resposta:

Seria perfeito que a criança, a partir do nascimento, fizesse o teste da orelhinha que já detecta se ela é surda ou não, e que essa criança por volta de 1 ano já começasse a ser estimulada a aprender o alfabeto na Língua Brasileira de Sinais, como a gente começa a estimular uma criança ouvinte, pedindo para repetir mamãe, papai, do jeito que a gente estimula o ouvinte. Se fosse possível, seria o ideal, perfeito, mas a gente sabe que não é o real, que essa criança será estimulada desde os 2 anos de idade. Mas surge uma dificuldade, porque esse pai ouvinte muitas vezes não vai saber LIBRAS. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Quando a criança ouvinte nasce em uma família de pais surdos, o que é interessante é que a situação é inversa. Tudo é questão de estímulo, então, o ideal seria que a criança surda fosse ensinada desde 2 anos de idade, assim como o ouvinte também é ensinado a falar. Mas depende de os pais saberem LIBRAS, que é o que conta e o que atrasa esse ensino, essa aprendizagem da língua de sinais para as crianças surdas e que causa todo o atraso cognitivo na aquisição da aprendizagem ao longo das séries iniciais.

O quarto questionamento foi em relação ao que é necessário para uma boa inclusão de alunos com surdez nas escolas regulares. Segundo a educadora:

Nós precisamos do ensino da Língua Brasileira de Sinais na escola, na sala de aula. De que projetos sejam desenvolvidos para ensinar a LIBRAS para alunos e professores ouvintes, para que tenham um conhecimento básico, de forma que a criança surda não fique na sala isolada. Parte dessa comunicação precisa da presença de um tradutor intérprete de LIBRAS. Precisa também de metodologias e práticas pedagógicas realmente inclusivas, usando o canal de aprendizagem dos surdos que é o visual. Então, aulas objetivas, usando imagens, o contato, tudo isso favorece a inclusão no ensino de LIBRAS. É necessário, se possível, que a escola disponha de Atendimento Educacional Especializado e sala de recursos, que são fundamentais para trabalhar a Língua Brasileira de Sinais com esses surdos e a língua brasileira na modalidade escrita. A criança precisa aprender também o português, porque, no Brasil, todos os avisos são escritos em língua portuguesa, então, querendo ou não, ela precisa aprender a escrever a língua portuguesa. (Entrevista concedida por V.L.S.)

O quinto questionamento foi em relação aos professores, se estão preparados para desenvolver o ambiente de aprendizagem para os alunos com surdez em escolas regulares, e o que é necessário para isso? V.L.S. declara que:

Nós não estamos preparados para trabalhar com surdos, nem ouvintes, nem com qualquer outro tipo de deficiência. Mas deveríamos, pois no século atual não tem mais como a gente estar com esse discurso. A questão é realmente se preparar. É estudar, pesquisar, buscar conhecer, se apropriar. Estamos longe de conseguir fazer uma inclusão verdadeiramente efetiva, como deve ser. Mas estamos caminhando bem. Muitos profissionais estão se capacitando, e o caminho com certeza é esse: é fazer cursos, é estudar, é ler a respeito, é preparar atividades que sejam adequadas, saber quais recursos utilizar. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Vale ressaltar que atualmente se tem uma grande aliada que é a internet, com exemplos de atividade e metodologias. Não se pode mais usar o discurso de que 12 não se está preparada. A inclusão está em alta e não tem mais como retroceder. Só cabe aos professores estudarem e se capacitarem para atender aos alunos da melhor maneira possível.

No sexto questionamento a educadora foi indagada acerca de qual é a importância do ensino da Língua Brasileira de Sinais na escola. Como resposta ela teceu as seguintes considerações:

É de extrema importância o ensino da Língua Brasileira de Sinais nas escolas. Porque, se não for dessa forma, ensinando para o maior número de alunos, professores e pais ouvintes pelo menos o básico da LIBRAS, a gente não fará inclusão de verdade. Sem haver comunicação não há inclusão, não há aprendizagem. Então, precisa que haja essa comunicação, e para haver comunicação, precisa que as pessoas aprendam Língua Brasileira de Sinais, porque o surdo não vai conseguir sozinho. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Na questão de número sete foi indagado: em sua opinião, o ensino de LIBRAS deve ser uma atividade voltada apenas para alunos surdos, ou deve incluir todos os alunos? Na segunda hipótese, de que forma seria essa inclusão?

Com certeza é de fundamental importância incluir alunos surdos e ouvintes. Não faz sentido o ensino de LIBRAS ser voltado só para os surdos. O aluno ouvinte precisa aprender. O professor precisa aprender também. É necessário que a escola desenvolva uma sugestão de como fazer isso. Já que não existe uma obrigatoriedade do ensino de LIBRAS como uma disciplina. Então, é através de como a escola desenvolve projetos e ministra esse estudo que escola alcança um envolvimento da comunidade. No ano de 2019 a escola Monsenhor Catão desenvolveu um curso semanal com duração de três meses e certificação de vinte horas, aberto a comunidade, pais e alunos, proporcionando uma inclusão, ainda que limitada. (Entrevista concedida por V.L.S.)

O aluno surdo que está em sala tem o intérprete como único canal de comunicação com o mundo ouvinte. Quando esse intérprete falta o aluno não vem. Essas situações não deveriam acontecer, e isso não é inclusão. Poderia ser diferente se o ensino de LIBRAS fosse institucionalizado. A entrevistada ainda destaca de que formas a instituição de ensino trabalha o desenvolvimento de libras em seu ambiente:

No projeto de LIBRAS da escola Monsenhor Catão o aluno e o professor que participam têm a oportunidade de fazer um estudo básico, aprendendo a se comunicar com o aluno surdo. Assim, o professor, ao chegar na sala, sabe dar um bom dia em LIBRAS, sabe entender o que o aluno quer, como por exemplo ir ao banheiro, mesmo que o intérprete não esteja na sala. Isso é de extrema importância para a comunidade surda, em vistas da inclusão. Foi uma turma de mais de setenta pessoas que participaram de formação 13 por meio do projeto, e no ano de 2020 vai acontecer novamente. É uma maneira de ensinar LIBRAS e incluir realmente essa língua dentro da escola, já que não tem uma disciplina específica. Ações como essa podem trazer muitos benefícios, como a gente vêm colhendo na escola Monsenhor Catão. (Entrevista concedida por V.L.S.)

No oitavo questionamento, foi perguntado a educadora se toda escola deve ter um intérprete de LIBRAS? ao que ela respondeu:

Toda escola sim. Se tem aluno surdo incluído, tem direito a contratação do intérprete de LIBRAS. É lei e obrigatório. Cabe só a escola e os pais acionar e buscar. As vezes algumas escolas ficam sem interprete quando não há mesmo no município ninguém com a formação mínima para trabalhar como intérprete de LIBRAS, mas no geral tem que ter. (Entrevista concedida por V.L.S.)

É importante e imprescindível a presença de um interprete, pois mesmo que o aluno não saiba língua de sinais, o intérprete vai ajudá-lo a ter a oportunidade de conhecer e se apropriar da LIBRAS. O aluno tem esse direito garantido por lei. No questionamento de número nove a pergunta foi em relação ao significado da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

O significado de Língua Brasileira de Sinais é título dado a abreviação LIBRAS. É uma língua oficial das pessoas surdas aqui no Brasil, assim como a língua oficial dos ouvintes é a língua portuguesa. A língua de sinais tem suas variações em todo mundo. Na Espanha, tem a língua espanhola de sinais. Nos Estados Unidos, a língua americana de sinais. Assim, em cada país a comunidade surda tem sua língua. (Entrevista concedida por V.L.S.)

O décimo e último questionamento indaga: por que é importante o ensino da LIBRAS para todos que se encontram nos espaços educacionais? A Educadora respondeu o seguinte:

É importante que todos adquiram o conhecimento básico porque, por exemplo, o porteiro está lá, o aluno surdo chega. Da mesma forma que ele dá bom dia para o aluno ouvinte, ele também tem que dar para o aluno surdo. O pessoal da cantina, do mesmo jeito. Como vão servir a esse aluno surdo? O professor em sala, da mesma forma. Pois o interprete de LIBRAS é humano, tem problemas, tem família, ele pode por algum motivo faltar e não conseguir mandar alguém para substituir. Caso o aluno surdo esteja na sala e precise ir ao banheiro ou beber água, ninguém vai saber ter uma comunicação básica. Na coordenação, o aluno pode ser um aluno indisciplinado, ele fugiu da quinta aula, ele insultou alguém na sala. Ele vai para um núcleo gestor, leva um carão. Então, é interessante que o núcleo gestor saiba, pelo menos, se posicionar diante desse aluno, mostrar uma expressão de que 14 está chateado com o comportamento dele é fundamental. (Entrevista concedida por V.L.S.)

A inclusão só é efetivada de fato quando toda a comunidade surda tem pelo menos um conhecimento básico da Língua Brasileira de Sinais. Tem que existir o básico da comunicação, de outro modo, não vai se efetivar de fato essa inclusão do surdo. Em todos os ambientes, não só na escola, a escol é o primeiro ambiente, porém em todos os outros setores e espaços públicos. Tomemos como exemplo: um deficiente auditivo que vai ao banco, como ele será atendido? Chegando em uma prefeitura, uma secretaria, até mesmo em um hospital, como ele será recebida? Como serão sanadas as suas dúvidas e resolvidas as suas questões? Então, é algo que ainda precisa ser muito trabalhado, porque a comunidade surda é um público que está crescendo, é uma comunidade que vem aumentando, essa comunidade composta por pessoas com surdez que necessitam serem inclusas, aceitas, pois fazem parte da sociedade e precisam ser inseridas como tal.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mediante estudo, pesquisa e reflexão referente ao papel da LIBRAS para a inclusão escolar do deficiente auditivo, ficou claro que para o mesmo se sentir acolhido em meio a coletividade, tendo participação ativa nas atividades sugeridas, é essencial que haja o conhecimento em Língua de Sinais por parte de todos que participam desse convívio escolar. Senão, a comunicação do surdo vai se restringir apenas ao intérprete, que vez ou outra pode não estar presente para realizar a intermediação entre o ouvinte e o surdo.

Fica evidente que, a língua de sinais é o instrumento primordial para que a inclusão efetivamente ocorra. Com embasamento em comprometimento e responsabilidade, contando com um intérprete juntamente com outras medidas educacionais essenciais para as ações inclusivas, não se limitando somente ao no âmbito escolar, mas em todos os meios onde existem surdos presentes. Desde o instante em que o aluno com deficiência auditiva aprende a se comunicar com entendimento, precisa desenvolver o conhecimento em LIBRAS da forma adequada, pois a língua é essencial para aperfeiçoar e melhorar seu aprendizado.

No intuito de fazer com que a inclusão se torne uma realidade na vida dos surdos, se faz necessário a criação de espaços educacionais onde a diferença seja uma constante, ambientes onde seja possível aprender com o outro, sem que as características fundamentais do desenvolvimento de quaisquer dos indivíduos venham a ser prejudicadas. As instituições de ensino, além dos conteúdos teóricos e acadêmicos, precisam concentrar-se em atividades, por meio das quais crianças com diferentes necessidades possam interagir entre si, ações que fossem pensadas e voltadas para a integração de todos, sendo significativas para surdos e ouvintes.

Ao refletir sobre a linguagem de sinais, podemos constatar que ela somente vem a colaborar com a inclusão social do indivíduo surdo, afastando quaisquer formas de discriminação destes sujeitos que por muito tempo sofreram com o preconceito e a ignorância de ouvintes que consideram a surdez como uma doença, algo que deve ser tratado apenas clinicamente. Conclui-se que o conhecimento em LIBRAS precisa ser cada vez mais explorado e difundido, não só nas escolas, mas na sociedade como um todo, afim de que o surdo possa interagir com as pessoas de modo geral, bem como ter os seus direitos de cidadão assegurados, construindo assim uma sociedade inclusiva e que respeita as diferenças.