A IMPORTÂNCIA DA LIBRAS PARA INCLUSÃO ESCOLAR DO ALUNO SURDO NA ESCOLA E.E.M. MONSENHOR CATÃO PORFÍRIO SAMPAIO, EM ITAPAJÉ-CE

RESUMO

Autoras: CLAUDÊNIA DE SENA OLIVEIRA, DANUSA RAMOS BASTOS  e MARIA ROSILEIDE CAMELO DE MATOS

Este artigo tem por objetivo tratar da relevância da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, e das adaptações para que seja feita a inclusão adequada do surdo no Ensino Regular, sendo esta de fundamental importância para o desenvolvimento e aprendizagem dele no âmbito educacional. Com ênfase nos trabalhos desenvolvidos em uma escola da rede estadual de ensino, será exposto nesse artigo que o processo de inclusão só ocorre através do conhecimento da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS por todos os envolvidos, e também por meio de adaptações de pequeno porte procurando formas de tornar a aprendizagem mais proveitosa para o aluno surdo. Através de estudos teóricos e práticos para coleta de dados, esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa de caráter bibliográfico e uma entrevista baseada nos meios de atuação existentes para que o processo de inclusão do aluno surdo aconteça. A inclusão não deve ser entendida como uma obrigação, mas sim como uma base, através da qual o indivíduo surdo vem a ser inserido nos contextos sociais com os quais convive, não havendo desigualdade no atendimento a um surdo em sala de aula, que seja corriqueiro no espaço escolar a convivência de surdos e ouvintes no mesmo ambiente. Mas para que isso ocorra, precisamos começar pelo preparo dos professores, capacitando-os para que tenham domínio da língua de sinais e que a LIBRAS seja não somente parte da formação inicial e continuada dos educadores, mas uma ferramenta habitual nas instituições de ensino.

 INTRODUÇÃO

O presente estudo explana a importância da LIBRAS no ambiente escolar para inclusão do surdo, uma vez que, é difícil realizar a inclusão do surdo sem que haja o conhecimento em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) por parte de todos os participantes desse processo. Um dos grandes desafios referente à inclusão escolar é assegurar o acesso e a continuidade do aluno surdo em sala de aula, tendo em vista que esse ambiente precisa estar estruturado para atender as singularidades de cada um, focando no seu desenvolvimento global, não somente pensando no sentido físico, mas sim no social e educacional.

Um dos intuitos desta pesquisa é difundir entre os profissionais o conhecimento em LIBRAS, para promover a comunicação dos alunos inclusos junto aos demais. Nessa perspectiva, partimos do pensamento de que não há inclusão do surdo se todos os envolvidos na escola não souberem LIBRAS, pois são indispensáveis tais ações que propiciem o desenvolvimento e a integração do surdo no ambiente escolar e na sociedade como um todo, provando assim que eles são capazes de se comunicar e agregar assim como os demais. Sendo assim, o papel da escola não é somente o de propagar o aprendizado, resumindo ou recortando conteúdos, e sim de oferecer um ambiente propício para o aluno se desenvolver espontaneamente com autonomia e liberdade no âmbito escolar e social. Assim como, assimilar também os conhecimentos teóricos.

Com base legal na constituição federal de 1988, a presença dos alunos com algum tipo de deficiência cresceu no ensino regular, e consequentemente o impasse de escolas e professores sem preparo para atendê-los. Particularmente com o aluno surdo, que necessita da Língua Brasileira de Sinais para que aconteça o processo de ensino e aprendizagem. Além do intérprete de LIBRAS que é o principal elo de comunicação entre o surdo e o ouvinte, (e muitas das vezes esse profissional não faz parte do quadro de funcionários da escola) oferecendo suporte na comunicação entre professor e aluno surdo. Grande parte das instituições de ensino não possuem as condições mínimas de comunicação entre o aluno surdo e a comunidade escolar, haja vista que é de fundamental importância levar em conta a língua materna do surdo que é LIBRAS, língua essa que ele precisa aprender por completo, para em seguida ser trabalhado na língua portuguesa voltada para o surdo, uma segunda língua.

Para uma melhor compreensão da linguagem no desenvolvimento da comunicação do deficiente auditivo, se faz necessária uma reflexão sobre a importância da utilização da LIBRAS na vida do sujeito surdo e na construção da identidade da comunidade surda.

2 METODOLOGIA

O estudo realizado trata-se de uma pesquisa qualitativa, onde serão descritos os resultados obtidos. Esta abordagem, segundo Minayo (2001), justifica-se por ser capaz de integrar significados, motivos e atitudes, retratando melhor o espaço profundo das relações, dos processos e dos fenômenos os quais não podem ser quantificados.

A experiência hora descrita realizou-se na escola de ensino médio Monsenhor Catão Porfírio Sampaio. Escola esta que tem como destaque o apoio a comunidade a qual está inserida, principalmente no que se refere a projetos voltados para o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), assunto central do presente trabalho.

Na pesquisa foi incluída uma educadora em exercício da função na escola supracitada. As informações foram coletadas através de uma entrevista por meio de questionário onde as respostas foram transcritas. Conforme considera Minayo (2001), este tipo de entrevista permitirá aos entrevistados falar sobre o tema em questão sem respostas ou condições determinadas pelo pesquisador.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

A sigla LIBRAS representa a Língua Brasileira de Sinais, destinada para a comunicação com o indivíduo surdo, sendo a mesma considerada a língua materna do deficiente auditivo. Fernandes (2011, p.82) destaca a importância de cada país ter a sua própria linguagem de sinais, pois por meio dela é que se traduz os aspectos culturais da comunidade de surdos daquele determinado local.

A Libras, língua brasileira de sinais, possibilita o desenvolvimento linguístico, social e intelectual daquele que a utiliza enquanto instrumento comunicativo, favorecendo seu acesso ao conhecimento cultural e científico, bem como a integração no grupo social ao qual pertence. (DAMÁSIO, 2005, p.61)

A LIBRAS é utilizada pela comunidade surda do Brasil, sobretudo nas grandes cidades, pois infelizmente muitos dos surdos que vivem em cidades pequenas e em zonas rurais normalmente acabam por não conhece-la e, por esse motivo, acabam por criarem o seu próprio modo de se comunicar, um sistema gestual peculiar, limitado aos acontecimentos e as experiências vivenciadas em seu cotidiano. Existe, ainda, alguns deficientes auditivos que vivem nos centros urbanos, mas mesmo assim desconhecem a língua de sinais devido aos mais variados motivos, tais como a não aceitação por parte da família, o pouco ou nenhum convívio com outros surdos que façam uso da opção tecnológica da instituição em que foi educado, entre outros pontos.

É do conhecimento de todos que a LIBRAS, para ser acolhida e aceita como a língua materna do surdo, percorreu um extenso caminho desde a discriminação até objeções de métodos impiedosos para com o deficiente auditivo, períodos em que eles foram excluídos e desprezados pela sociedade.

O direito a diferença ao pluralismo e a tolerância, e com suas alterações garante as pessoas surdas, em todas as etapas e modalidades da educação básica nas redes públicas e privadas de ensino o uso da Língua Brasileira de Sinais na condição de língua nativa das pessoas surdas. (GOLDFEALD, 2003, p.94).

A trajetória do ensino para o surdo inicialmente começou pelo oralismo, quando o deficiente auditivo era praticamente forçado a trabalhar a oralidade, não sendo lhes permitido utilizar movimentos e sinais para se comunicarem. Em seguida, mediante decreto que concedeu bases legais para o uso da Língua Brasileira de Sinais é que o surdo passou a ter seus direitos reconhecidos. A LIBRAS foi oficializada no Brasil pela Lei Federal nº 10.436 de 24 de abril de 2002 e regulamentada pelo decreto Federal nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005. Essa lei proporcionou grandes avanços para a cidadania bilíngue dos deficientes auditivos, pois por meio dela ampliou-se o conhecimento da língua de sinais para os mais variados segmentos da sociedade.

A Libras aparece como esse elemento facilitador na relação pedagógica que oferece a mediação pelo outro e pela linguagem. Além de representar uma conquista para os surdos, a Libras é um estimulo par novas conquistas e ampliação dos horizontes para surdos e ouvintes. O respeito a esta língua é a forma mais próxima da natureza do indivíduo surdo. preservá-la como meio da expressão da comunidade surda é possibilitar que diversas pessoas se apropriem e internalizem conhecimentos, mo- 8 dos de ação, papeis e funções sociais que sem a existência desta língua eles jamais poderiam acessar. (SACKS, 2002 P.82).

A língua de sinais é materna do surdo, mas ela não é universal, passa por alterações de acordo com a cultura de cada local. A linguagem de sinais tem estruturas gramaticais peculiares, sendo ela construída por alguns níveis linguísticos, são eles: o fonológico, morfológico, semântico e sintático. O fator que mais distingue a língua de sinais das outras linguagens é a concepção do aspecto visual, pois, para que ela seja compreendida, é necessário habilidade no gestual das mãos e uma clareza viso espacial para executar os movimentos com exatidão, já que é por meio deles que será construída a comunicação entre surdos e ouvintes.

A língua de sinais é uma língua natural, com organização em todos os níveis gramaticais, prestando-se às mesmas funções das línguas orais. Sua produção é realizada através de recursos gestuais e espaciais e sua percepção é realizada por meio da visão, por isso é denominada uma língua de modalidade gestual-visual-espacial. Dessa forma, pode-se afirmar que a língua de sinais é completa, com uma estrutura independente da língua portuguesa, que possibilita o desenvolvimento cognitivo da pessoa surda para que este tenha acesso a conceitos e conhecimentos já existentes. As línguas de sinais são complexas porque permitem a expressão de qualquer significado decorrente da necessidade comunicativa e expressiva do ser humano. (BRITO,1998, p.19)

Segundo Fernandes (2011, p.82), a LIBRAS é uma língua de categoria visual, que de forma diferente das linguagens orais utiliza-se essencialmente da visão para sua execução, contando também com um conjunto de expressões corporais e faciais, coordenados em movimentos no espaço para estabelecer elementos que dão significado as palavras, ou melhor, aos sinais, como se atribuem os surdos.

Por meio dos sinais é possível expressar qualquer informação necessária em sociedade, eles não se resumem a um simples sistema de gestos e movimentos, ou mímicas como infelizmente ainda pensam grande parte das pessoas. Além do mais, esse é o maior mito relacionado a língua de sinais, porque devido a utilização das mãos e do corpo para se comunicar, é comum que a comparem com a linguagem gestual, ensaiada e limitada a correlacionados concretos, efetivos, transparentes que possuem significado compreendido com facilidade por que os observa.

Para que a inclusão se torne uma realidade é essencial o conhecimento em LIBRAS por parte de todos os indivíduos que participam desse processo para contribuir com a comunicação entre ambos, contudo, é valido ressaltar que o professor 9 não tem obrigação de ter o domínio da língua de sinais, essa função cabe ao intérprete, é ele que faz a ligação entre os mesmos. Porém, como podemos falar em inclusão do deficiente auditivo sem conhecer LIBRAS? Ter conhecimento em libras de certa melhora a comunicação, contudo não é essencial para o aprendizado em sala. Existe até um lado bom quando o professor de uma criança surda não domina libras, porque isso aumenta o nível de capacidade para entender a língua escrita. Um aluno surdo aprende com um profissional em libras e leitura labial.

Foi comprovada a incapacidade da escola para educar o surdo nos moldes convencionais, devido a sua vocação pra a permanência dos processos pedagógicos, sendo constatado que a Libras é o recurso inicial necessário pra a verdadeira emancipação dos surdos e sua inclusão tanto escolar quanto social (CARVALHO 2007, p.33)

Segundo Lacerda (2006) para que o processo de inclusão aconteça é necessário que modificações ocorram no sistema de ensino, vindo a beneficiar a todos, com espaços escolares adaptados, profissionais capacitados para trabalhar, material disponível para o aluno, aperfeiçoar e pôr em prática as leis que já existem, proporcionando ensino de qualidade e acessível a todos.

As mudanças são essenciais para que a inclusão aconteça, mas requer esforço de todos os envolvidos, garantindo que a escola possa ser reconhecida como um espaço de desenvolvimento constante de aprendizado.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para análise e discussão dos resultados foi feita uma entrevista com a professora V.L.S., da escola Monsenhor Catão Porfírio Sampaio, no município de Itapagé, estado do Ceará.

Na questão de número 1, foi perguntado a educadora: quais as principais dificuldades de integrar alunos ouvintes surdos. Só a aprendizagem da LIBRAS é suficiente? Ao que respondeu:

Uma das principais dificuldades de integração entre surdos e ouvintes é a questão de as pessoas ouvintes não terem o conhecimento, não terem a propriedade da língua brasileira de sinais. Isso dificulta bastante esse primeiro contato, porque onde não há comunicação não tem como as pessoas se entenderem. Com certeza só a libras não resolveria, precisa realmente de profissionais adequados para intermediar entre o mundo surdo e o mudo ouvinte. Precisa que se conheça o mundo surdo, a sua cultura. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Percebe-se claramente que o mais importante não é só saber libras, precisa ter um conhecimento sobre a surdez, suas características, para que se possa realmente estabelecer uma relação entre esses dois públicos: o público dos alunos de pessoas surdas e pessoas ouvintes.

No segundo questionamento à educadora, indagou-se a seguinte questão: quais os principais problemas de aprendizagem dos alunos surdos?

Um dos principais problemas de aprendizagem do surdo vai de encontro a essa questão da língua. A língua materna de pessoas surdas é a língua brasileira de sinais, o português torna-se uma segunda língua para ele. Então é como pra gente um inglês é uma segunda língua então é muito difícil você se adequar desenvolver sua aprendizagem com a questão de ser outra língua é como se a gente fosse para a escola falando português se tivesse que ver todos os conteúdos em inglês. Então essa questão de ser outra língua já dificulta e eu considero um dos problemas. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Uma criança ouvinte aprende a falar a partir de 1 ano e 6 meses a sua língua materna, o surdo, que na maioria das vezes nasce em uma família ouvinte, muitas vezes vai se apropriar da língua brasileira de sinais, na melhor das hipóteses, com a questão de inclusão do conhecimento da libras, com 3 a 5 anos de idade. Então uma das realidades que dificultam a aprendizagem dos alunos surdos é o atraso que eles têm em questão da aquisição da linguagem materna para depois se apropriar do português que é onde o surdo apresenta mais problemas. Na questão da escrita e da leitura em outra língua que ele vai aprender a escrever e ler. Então isso torna a aprendizagem bastante difícil e é um dos principais problemas que dificulta a o desenvolvimento das pessoas surdas.

Ao terceiro questionamento, que foi: a partir de que idade deve ser iniciado o ensino de LIBRAS? A educadora deu a seguinte resposta:

Seria perfeito que a criança, a partir do nascimento, fizesse o teste da orelhinha que já detecta se ela é surda ou não, e que essa criança por volta de 1 ano já começasse a ser estimulada a aprender o alfabeto na Língua Brasileira de Sinais, como a gente começa a estimular uma criança ouvinte, pedindo para repetir mamãe, papai, do jeito que a gente estimula o ouvinte. Se fosse possível, seria o ideal, perfeito, mas a gente sabe que não é o real, que essa criança será estimulada desde os 2 anos de idade. Mas surge uma dificuldade, porque esse pai ouvinte muitas vezes não vai saber LIBRAS. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Quando a criança ouvinte nasce em uma família de pais surdos, o que é interessante é que a situação é inversa. Tudo é questão de estímulo, então, o ideal seria que a criança surda fosse ensinada desde 2 anos de idade, assim como o ouvinte também é ensinado a falar. Mas depende de os pais saberem LIBRAS, que é o que conta e o que atrasa esse ensino, essa aprendizagem da língua de sinais para as crianças surdas e que causa todo o atraso cognitivo na aquisição da aprendizagem ao longo das séries iniciais.

O quarto questionamento foi em relação ao que é necessário para uma boa inclusão de alunos com surdez nas escolas regulares. Segundo a educadora:

Nós precisamos do ensino da Língua Brasileira de Sinais na escola, na sala de aula. De que projetos sejam desenvolvidos para ensinar a LIBRAS para alunos e professores ouvintes, para que tenham um conhecimento básico, de forma que a criança surda não fique na sala isolada. Parte dessa comunicação precisa da presença de um tradutor intérprete de LIBRAS. Precisa também de metodologias e práticas pedagógicas realmente inclusivas, usando o canal de aprendizagem dos surdos que é o visual. Então, aulas objetivas, usando imagens, o contato, tudo isso favorece a inclusão no ensino de LIBRAS. É necessário, se possível, que a escola disponha de Atendimento Educacional Especializado e sala de recursos, que são fundamentais para trabalhar a Língua Brasileira de Sinais com esses surdos e a língua brasileira na modalidade escrita. A criança precisa aprender também o português, porque, no Brasil, todos os avisos são escritos em língua portuguesa, então, querendo ou não, ela precisa aprender a escrever a língua portuguesa. (Entrevista concedida por V.L.S.)

O quinto questionamento foi em relação aos professores, se estão preparados para desenvolver o ambiente de aprendizagem para os alunos com surdez em escolas regulares, e o que é necessário para isso? V.L.S. declara que:

Nós não estamos preparados para trabalhar com surdos, nem ouvintes, nem com qualquer outro tipo de deficiência. Mas deveríamos, pois no século atual não tem mais como a gente estar com esse discurso. A questão é realmente se preparar. É estudar, pesquisar, buscar conhecer, se apropriar. Estamos longe de conseguir fazer uma inclusão verdadeiramente efetiva, como deve ser. Mas estamos caminhando bem. Muitos profissionais estão se capacitando, e o caminho com certeza é esse: é fazer cursos, é estudar, é ler a respeito, é preparar atividades que sejam adequadas, saber quais recursos utilizar. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Vale ressaltar que atualmente se tem uma grande aliada que é a internet, com exemplos de atividade e metodologias. Não se pode mais usar o discurso de que 12 não se está preparada. A inclusão está em alta e não tem mais como retroceder. Só cabe aos professores estudarem e se capacitarem para atender aos alunos da melhor maneira possível.

No sexto questionamento a educadora foi indagada acerca de qual é a importância do ensino da Língua Brasileira de Sinais na escola. Como resposta ela teceu as seguintes considerações:

É de extrema importância o ensino da Língua Brasileira de Sinais nas escolas. Porque, se não for dessa forma, ensinando para o maior número de alunos, professores e pais ouvintes pelo menos o básico da LIBRAS, a gente não fará inclusão de verdade. Sem haver comunicação não há inclusão, não há aprendizagem. Então, precisa que haja essa comunicação, e para haver comunicação, precisa que as pessoas aprendam Língua Brasileira de Sinais, porque o surdo não vai conseguir sozinho. (Entrevista concedida por V.L.S.)

Na questão de número sete foi indagado: em sua opinião, o ensino de LIBRAS deve ser uma atividade voltada apenas para alunos surdos, ou deve incluir todos os alunos? Na segunda hipótese, de que forma seria essa inclusão?

Com certeza é de fundamental importância incluir alunos surdos e ouvintes. Não faz sentido o ensino de LIBRAS ser voltado só para os surdos. O aluno ouvinte precisa aprender. O professor precisa aprender também. É necessário que a escola desenvolva uma sugestão de como fazer isso. Já que não existe uma obrigatoriedade do ensino de LIBRAS como uma disciplina. Então, é através de como a escola desenvolve projetos e ministra esse estudo que escola alcança um envolvimento da comunidade. No ano de 2019 a escola Monsenhor Catão desenvolveu um curso semanal com duração de três meses e certificação de vinte horas, aberto a comunidade, pais e alunos, proporcionando uma inclusão, ainda que limitada. (Entrevista concedida por V.L.S.)

O aluno surdo que está em sala tem o intérprete como único canal de comunicação com o mundo ouvinte. Quando esse intérprete falta o aluno não vem. Essas situações não deveriam acontecer, e isso não é inclusão. Poderia ser diferente se o ensino de LIBRAS fosse institucionalizado. A entrevistada ainda destaca de que formas a instituição de ensino trabalha o desenvolvimento de libras em seu ambiente:

No projeto de LIBRAS da escola Monsenhor Catão o aluno e o professor que participam têm a oportunidade de fazer um estudo básico, aprendendo a se comunicar com o aluno surdo. Assim, o professor, ao chegar na sala, sabe dar um bom dia em LIBRAS, sabe entender o que o aluno quer, como por exemplo ir ao banheiro, mesmo que o intérprete não esteja na sala. Isso é de extrema importância para a comunidade surda, em vistas da inclusão. Foi uma turma de mais de setenta pessoas que participaram de formação 13 por meio do projeto, e no ano de 2020 vai acontecer novamente. É uma maneira de ensinar LIBRAS e incluir realmente essa língua dentro da escola, já que não tem uma disciplina específica. Ações como essa podem trazer muitos benefícios, como a gente vêm colhendo na escola Monsenhor Catão. (Entrevista concedida por V.L.S.)

No oitavo questionamento, foi perguntado a educadora se toda escola deve ter um intérprete de LIBRAS? ao que ela respondeu:

Toda escola sim. Se tem aluno surdo incluído, tem direito a contratação do intérprete de LIBRAS. É lei e obrigatório. Cabe só a escola e os pais acionar e buscar. As vezes algumas escolas ficam sem interprete quando não há mesmo no município ninguém com a formação mínima para trabalhar como intérprete de LIBRAS, mas no geral tem que ter. (Entrevista concedida por V.L.S.)

É importante e imprescindível a presença de um interprete, pois mesmo que o aluno não saiba língua de sinais, o intérprete vai ajudá-lo a ter a oportunidade de conhecer e se apropriar da LIBRAS. O aluno tem esse direito garantido por lei. No questionamento de número nove a pergunta foi em relação ao significado da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

O significado de Língua Brasileira de Sinais é título dado a abreviação LIBRAS. É uma língua oficial das pessoas surdas aqui no Brasil, assim como a língua oficial dos ouvintes é a língua portuguesa. A língua de sinais tem suas variações em todo mundo. Na Espanha, tem a língua espanhola de sinais. Nos Estados Unidos, a língua americana de sinais. Assim, em cada país a comunidade surda tem sua língua. (Entrevista concedida por V.L.S.)

O décimo e último questionamento indaga: por que é importante o ensino da LIBRAS para todos que se encontram nos espaços educacionais? A Educadora respondeu o seguinte:

É importante que todos adquiram o conhecimento básico porque, por exemplo, o porteiro está lá, o aluno surdo chega. Da mesma forma que ele dá bom dia para o aluno ouvinte, ele também tem que dar para o aluno surdo. O pessoal da cantina, do mesmo jeito. Como vão servir a esse aluno surdo? O professor em sala, da mesma forma. Pois o interprete de LIBRAS é humano, tem problemas, tem família, ele pode por algum motivo faltar e não conseguir mandar alguém para substituir. Caso o aluno surdo esteja na sala e precise ir ao banheiro ou beber água, ninguém vai saber ter uma comunicação básica. Na coordenação, o aluno pode ser um aluno indisciplinado, ele fugiu da quinta aula, ele insultou alguém na sala. Ele vai para um núcleo gestor, leva um carão. Então, é interessante que o núcleo gestor saiba, pelo menos, se posicionar diante desse aluno, mostrar uma expressão de que 14 está chateado com o comportamento dele é fundamental. (Entrevista concedida por V.L.S.)

A inclusão só é efetivada de fato quando toda a comunidade surda tem pelo menos um conhecimento básico da Língua Brasileira de Sinais. Tem que existir o básico da comunicação, de outro modo, não vai se efetivar de fato essa inclusão do surdo. Em todos os ambientes, não só na escola, a escol é o primeiro ambiente, porém em todos os outros setores e espaços públicos. Tomemos como exemplo: um deficiente auditivo que vai ao banco, como ele será atendido? Chegando em uma prefeitura, uma secretaria, até mesmo em um hospital, como ele será recebida? Como serão sanadas as suas dúvidas e resolvidas as suas questões? Então, é algo que ainda precisa ser muito trabalhado, porque a comunidade surda é um público que está crescendo, é uma comunidade que vem aumentando, essa comunidade composta por pessoas com surdez que necessitam serem inclusas, aceitas, pois fazem parte da sociedade e precisam ser inseridas como tal.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mediante estudo, pesquisa e reflexão referente ao papel da LIBRAS para a inclusão escolar do deficiente auditivo, ficou claro que para o mesmo se sentir acolhido em meio a coletividade, tendo participação ativa nas atividades sugeridas, é essencial que haja o conhecimento em Língua de Sinais por parte de todos que participam desse convívio escolar. Senão, a comunicação do surdo vai se restringir apenas ao intérprete, que vez ou outra pode não estar presente para realizar a intermediação entre o ouvinte e o surdo.

Fica evidente que, a língua de sinais é o instrumento primordial para que a inclusão efetivamente ocorra. Com embasamento em comprometimento e responsabilidade, contando com um intérprete juntamente com outras medidas educacionais essenciais para as ações inclusivas, não se limitando somente ao no âmbito escolar, mas em todos os meios onde existem surdos presentes. Desde o instante em que o aluno com deficiência auditiva aprende a se comunicar com entendimento, precisa desenvolver o conhecimento em LIBRAS da forma adequada, pois a língua é essencial para aperfeiçoar e melhorar seu aprendizado.

No intuito de fazer com que a inclusão se torne uma realidade na vida dos surdos, se faz necessário a criação de espaços educacionais onde a diferença seja uma constante, ambientes onde seja possível aprender com o outro, sem que as características fundamentais do desenvolvimento de quaisquer dos indivíduos venham a ser prejudicadas. As instituições de ensino, além dos conteúdos teóricos e acadêmicos, precisam concentrar-se em atividades, por meio das quais crianças com diferentes necessidades possam interagir entre si, ações que fossem pensadas e voltadas para a integração de todos, sendo significativas para surdos e ouvintes.

Ao refletir sobre a linguagem de sinais, podemos constatar que ela somente vem a colaborar com a inclusão social do indivíduo surdo, afastando quaisquer formas de discriminação destes sujeitos que por muito tempo sofreram com o preconceito e a ignorância de ouvintes que consideram a surdez como uma doença, algo que deve ser tratado apenas clinicamente. Conclui-se que o conhecimento em LIBRAS precisa ser cada vez mais explorado e difundido, não só nas escolas, mas na sociedade como um todo, afim de que o surdo possa interagir com as pessoas de modo geral, bem como ter os seus direitos de cidadão assegurados, construindo assim uma sociedade inclusiva e que respeita as diferenças.

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