A FESTA DE CRISTO REI

Amanhã é o último Domingo do ano litúrgico, em que se celebra a Festa de Cristo Rei. Temos só mais a semana que vem, como a última do tempo comum e, no Domingo próximo,  29 de Novembro, já é o 1º dia do novo ano litúrgico: o 1º Dom. do Advento, início de um novo ciclo ou calendário eclesial.

Mons. ASSIS ROCHA, Mestre e Doutor em Comunicação Social, de Bela Cruz – Ceará

Todos os anos isso se repete e é muito bom que todos os católicos saibamos disso para o nosso próprio conhecimento e para informar a outras pessoas que não saibam da sequência vivida pela Igreja a cada ano.

            E o que vem a ser uma Festa a Cristo Rei? O que significa Jesus é Rei?

            Normalmente se pensa num rei terreno, poderoso e o próprio povo judeu o quis aclamar Rei, nesse sentido, em algumas ocasiões, tanto que Pilatos O interroga: tu és Rei? Jesus responde: tu o dizes. Eu sou Rei. Mas o meu reino não é deste mundo.  

            Essa é que é a grande diferença entre os reinos terrenos e o Reino de Jesus. Reino terreno era o de Pilatos, o de Herodes, o de César e os “reinos” que conhecemos: todos passageiros; na sua maioria, injustos; quase todos, à custa de mentiras, de “fake news”, de falcatruas, de compra de votos, de falsa democracia, de farsa, enganação e vãs promessas por toda parte. Esse tipo de reino, nós conhecemos muito bem. Como ser Jesus, de um reino assim? Fez muito bem ao dizer: o meu Reino não é daqui.

            Daqui são os reinos fundamentados na força e na violência, na mentira e na prepotência e nada têm a ver com o Reino de Cristo. Como tática, o que muitos fazem, é usar o nome de Deus em vão.

             A insuspeitíssima Maria, mãe de Jesus, havia dito, com Ele no ventre, ao visitar Isabel: os poderosos vão cair de seus tronos; os ricos vão ficar de mãos vazias. São palavras, realmente, proféticas, ditas sob inspiração divina.

            Foram-se os Herodes, os Césares, os Francos, os Salasares, os nazistas alemães, os fascistas italianos, os imperadores romanos, os invasores e piratas portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, ingleses, as ditaduras e seus filhotes – tanto a de Getúlio, como a militar – enfim, como disse Maria, “os poderosos vão cair de seus tronos”. Todos caíram e vão continuar caindo, inclusive o nazi-fascismo que se apoderou do Brasil. Há um certo número de apaixonados que nem está vendo, nem quer entender quando nós falamos a respeito disso. Preferem ficar do lado de seus “mitos” do que abrir os olhos para alcançar toda a verdade, mesmo que a realidade seja tão visível.

            Quantos – no poder – enriqueceram à custa da seca, da SUDENE, da SUDAM, da miséria dos pobres, do seu analfabetismo, de suas doenças e de sua fome? São as tais riquezas injustas de que fala Chico Buarque em um de seus livros e em muitas de suas músicas.

            E Maria disse mais: “os ricos vão ficar sem nada”. Quem de nós não conhece tantos políticos exploradores, falidos, quebrados, lisos, que, unidos a outros que tinham muitos bens, terras, gado, grandes pontos comerciais e industriais, no entanto, ficaram sem nada?  Quem não sabe que eles promoveram guerras e violência, sobretudo no campo, nas famílias, piores do que os mais ferozes animais, pois estes, pelo próprio instinto, sabem respeitar seus filhotes, dar-lhes um carinho e até serem solidários em muitos momentos?

            O Rei que nós estamos homenageando amanhã não temia a nenhum desses poderosos. Chamou a Herodes de raposa. Disse ao prepotente Pilatos, não ter nenhum poder sobre Ele, que não lhe adviesse do Pai. Chamou de hipócritas, de sepulcros caiados aos fariseus, aos saduceus, aos herodianos e a seus partidos, bem como aos doutores da lei e aos sumos sacerdotes judeus.

         O Reino de Jesus, que estamos celebrando amanhã, está construído sobre o amor e a verdade, sobre a justiça e a partilha, sobre a solidariedade e a paz. Como diz o Livro de Daniel: “foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”. E o evangelho que já se pode ler hoje à tardinha e durante todo o dia de amanhã, acrescenta: “quando o filho do homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, se assentará em seu trono glorioso… Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita… e aos que estiverem à sua esquerda, que se dirijam ao destino de cada grupo: ao castigo eterno… ou à vida eterna”. Temos que entender antes de irmos para essa eternidade que o que nos faz sentar ao lado do Rei não é a religiosidade proclamada, o dizer que “ele está acima de tudo”, mas a caridade praticada, a solidariedade em favor do necessitado, como nos mostram as obras de misericórdia a serem proclamadas amanhã, no evangelho da festa de nosso Rei.    Na Cruz, Jesus crucificado é apresentado como o “Rei dos Judeus”. Na verdade, ele ultrapassou o mundo dos judeus e se tornou sobre a humanidade, o “Rei do Universo”. Na Cruz, aparentemente, era um homem comum, tanto quanto os outros dois que foram crucificados com ele. De fato, por trás e acima das aparências, o condenado comum é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”. Tudo o que existe “foi criado por meio d’Ele e para Ele”. São Paulo ainda acrescenta: “em tudo Ele tem a primazia”. O letreiro da cruz, expressando zombaria, acabou sendo verdadeiro, não apenas em relação aos judeus, mas em relação ao mundo inteiro. Ele, Jesus, é o Senhor do Universo, o Senhor da História. Ele é Cristo Rei