PASSANDO EM BETÂNIA João Batista da Silva, (de 1964/1967)

Mesmo estorricado pela inclemência do demorado estio, há um rio que logo correrá pela minha aldeia.

Meu vilarejo, encravado na cordilheira da Ibiapaba, Quatiguaba, é o encontro das águas vindas do Tianguá com as que descem da Viçosa do Ceará.

Dr. João Batista da Silva, de Quatiguaba, Viçosa do Ceará

Meu vilarejo, encravado na cordilheira da Ibiapaba, Quatiguaba, é o encontro das águas vindas do Tianguá com as que descem da Viçosa do Ceará.


Assim também era o relacionamento da aldeia com os brancos.
Da Viçosa desciam urnas para apanhar votos, que de quatro em quatro anos os nativos alienadamente entregavam.

Do Tianguá vinha o ensinamento e a palavra da fé que a desobriga permitia acontecer bimestralmente.

Éramos do município da Viçosa, porém pertencíamos à paróquia de Tianguá.


Foi dessa terra isolada, que passando por Tianguá e Juazeiro do Norte (colégio dos salesianos), numa espécie de pré seminário, cheguei à Betânia. Pe. Tibúrcio Gonçalves de Paula , homem generoso, humanista e amigo de meu avô, um dos líderes do vilarejo, conduziu-me neste itinerário.


Era o princípio de um aprendizado inesquecível.


Em 1964, quando cheguei ao seminário, ainda avistei o Pe. Edmilson Cruz já de saída para Fortaleza e convivi com o Pe. Zé Linhares, ambos fazendo-me recordar suas passagens pela minha aldeia em datas diferentes, a serviço da OVS, da qual fui beneficiário. Homens sérios, responsáveis e cultos, os padres, faziam-nos ter-lhes reverentemente como referência.


Pe. Zé, o impecável comandante, Pe. Osvaldo, o mestre por excelência, deixaram suas marcas numa geração de vencedores. Julgo-me no rol dos vitoriosos !
Sou grato a Deus pela vida dos magníficos mestres da Betânia que se doaram para nos ensinar para a vida.João Batista da Silva, um nome muito simples entre os mais comuns.

Para o Pe. Tibúrcio Gonçalves de Paula, vigário de Tianguá, nossa paróquia, eu era o João.Para o Pe. José Linhares Ponte, reitor do seminário, Batista.
Para o Pe. Osvaldo Carneiro Chaves, mestre por excelência, eu era o Da Silva.
Para mim, estes homens enriqueceram cada pedaço do meu nome, concedendo-me o privilégio de usá-lo na plenitude.Que o Pai que vê, em secreto,os recompense!

Ao Sr. José Cândido da Silva e à D. Francisca Maria de Olivindo, meus pais, a minha eterna gratidão por terem me dado o melhor.

Batista, de braços cruzados
Minha amada Rosa Lúcia e nossos filhos João Marcos/Lígia (médicos), Daniel/Fernanda(Ministério Público Federal/Nutricionista), Lucas/Priscila(Oficial Marinha Mercante/Direito), até aqui Sara, Sofia e Samuel, nossos netos, loiros de uma jornada vitoriosa.

3 comentários em “PASSANDO EM BETÂNIA João Batista da Silva, (de 1964/1967)”

  1. Muito bom o seu texto prezado colega de turma. Você fala com tanto carinho pelo seu lugar, que aspiro conhecê-lo assim que for possível. Um fraternal abraço.

    1. João Batista da Silva

      Caríssimo Lourenço,
      Nosso vilarejo permanece simples e hospitaleiro.
      Quem sabe possamos ter a honra de em breve recebê-lo.
      Um “betânico” abraço”!

  2. João Batista da Silva

    As passagens do “Carpinteiro de Nazaré” por Betânia, foram marcantes.
    Para nós, ex seminaristas, a singularidade da Betânia de Sobral, é notória.
    Ali fizemos amigos, trazemos boas recordações e ainda vivenciamos maravilhosos sentimentos e realizações.
    Obrigado prof Leunam pela publicação da singela lembrança de uma infância feliz.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *