Verbos de Ação – Texto de Cícero Matos de Castro

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CÍCERO MATOS DE CASTROProfessor, Advogado e Trovador

As estradas desoladas proliferam pelo mundo. Nelas há samaritanos e salteadores. A narração simples e linear abraça o dinamismo da luta interior e da identidade da criatura humana ao encontro da fraternidade e da sua dignidade.

Começa com os salteadores, consumindo um assalto. Hoje um fato banalizado. Exibe as sombras tensas do abandono e da violência. Os olhares se voltam para aqueles que passam ao largo. Distantes. Indiferentes. Um sacerdote e um levita. Não fora novidade. Eram pessoas religiosas. Os ¨salteadores do caminho¨ os contabilizaram como cúmplices.

Neste fato aparece o bom samaritano, o caminhante da Samaria. Ele cuida do outro, do ferido. No ato, não agiu sozinho. Estende o seu olhar lateral e encontra um estalajadeiro. Assume dívida a despesa. Continua a sua lida. Não espera reconhecimento nem, tampouco, agradecimentos.

Finalmente, olhemos os feridos de hoje. Quantos! As Marias do Rosário continuam existindo e os delinquentes impunes. A Maria da Penha banalizada por magistrados que não honram a toga que vestem. Delegatários de poderes e investidos de múnus público. Incluam-se os deputados machistas que maculam o mandato que receberam do povo.

Minhas expectativas para 2021: que respeitem o sagrado, restabelecendo a dignidade da pessoa humana, imagem e semelhança de Deus.

No vácuo das madrugadas,

chegam os verbos de ação.

Passam Penhas e boiadas,

no plenário? Passa a mão.

(*) Cícero Matos de Castro, de Nova Russas – Ce.                                                                                             Betanista, Professor, Advogado e Trovador

São Gonçalo/RJ, 20 de dezembro de 2020.

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