Ano: 2021

O GOOGLE DEVE SERVIR PARA CONSULTAS, JAMAIS PARA SUBSTITUIR SUAS OBRIGAÇÕES ESCOLARES. Edição de 31 de dezembro de 2021

As famílias Barreto Cavalcante e Marinho de Araújo, de Pedra Branca e Mons. Tabosa, respectivamente, passaram por mais um momento de dor nesta semana.

Faleceu a Maria Tereza Marinho de Araújo, casada com o Médico Otorrinolaringologista Dr. Jonas Marinho Araújo. O sepultamento ocorreu na manhã de hoje, em Fortaleza.

O Monsenhor Assis Rocha, comentarista semanal de nosso site professorcomprazer.com voltou do Recife empolgado com o livro O DOM QUE VIVE EM NÓS, de Pedro Eurico.

Com 492 páginas, recheadas de escritos, fotografias, depoimentos e muito conteúdo profético  sobre Dom Helder Câmara. É o que nos contará no artigo da próxima semana.

Dom Helder Câmara, ex Arcebispo do Recife, que me conferiu a Tonsura, o primeiro passo formal para o Sacerdócio, tem encaminhado o seu processo de canonização.

Estou feliz com a receptividade ao nosso livro NOSSAS RUAS, NOSSA HISTÓRIA. Antes mesmo de seu lançamento, a procura tem sido estimulante.

Dr. Expedito Filho que adquiriu 10 exemplares: “Estou adorando ler seu livro. Não tenho dúvida de que terá grande sucesso. Já estou fazendo uma lista de pessoas a quem vou presentear”

Apesar dos avanços tecnológicos na comunicação, está, cada vez pior, o acesso do cliente às empresas de telefonia. Dão a entender que tornam as comunicações complexas para dificultar.

Fala-se apenas com vozes eletrônicas que encaminham para o número tal ou tal e não se fala com uma pessoa. O cliente perde a paciência e desiste.

Na semana passada recebi uma comunicação, informando que os assinantes dos serviços da OI passariam para a Claro. E já na segunda feira, os técnicos vieram fazer a mudança.

Quinta feira, a informação era que precisavam da minha autorização para fazer a portabilidade e acrescentava que a informação que fora dada não era verdadeira. E eu podia retornar à OI.

Com tudo já instalado e funcionando, preferi ficar com os novos serviços. Aí está um exemplo concreto da falta de comunicação das próprias empresas do ramo.

Dia 17 a Professora Vânia Pontes, da FAL/Sobral teve três alunos orientandos que e que receberam troféus e certificados do Prêmio Universitário.

Silvando Carmo de Oliveira, de Sobral, Fernanda Fernandes Vasconcelos, de Irauçuba, e Arlindo Moreira de Souza, de Fortaleza.  Premiados em Crônica e Poesia.

A Professora Vânia Pontes, hoje Doutoranda, Coordenadora Pedagógica do Curso de Direito da FAL, é de Ipueiras e foi minha aluna no Curso de Letras da UVA

O exemplo da Professora Vânia deve chegar a outros Professores de Português. É pelo exercício constante que se aprende a escrever. Isto evitará algumas agressões ao idioma.

Em nomes próprios as letras iniciais das palavras são escritas sempre com letras maiúsculas. Dá pena observar até pessoas graduadas, escrevendo com letras minúsculas. É uma ofensa.

Nunca usar palavras ou expressões cujos significados sejam desconhecidos. O google está ao seu alcance para uma rápida conferência. Um texto com erros transmite má imagem do autor.

O Google deve servir para consultas, jamais para cópia de textos. Nada há mais deprimente para um aluno do que ser flagrado apresentando, como seu, um texto copiado. É plágio.

O Natal que, tradicionalmente, é a época dos presentes para crianças, este ano está diferente. O próprio Governo Federal está criando obstáculos para que as crianças tenham direito à vacina.

Não basta o exemplo da redução de mortes com a aplicação do imunizante. No ano passado, nesta época, morriam mais de mil por dia. Ontem, foram 117. Os dados não convencem?

Que o próximo ano seja bem melhor para todos nós. Este ano foi um castigo pra a nação, em vários aspectos. Está em nossas mãos a construção de nova história para o país, como já vivemos antes.

Esta coluna e todos os artigos publicados neste site professorcomprazer.com  objetivam contribuir para construção de pensamentos positivos para o bem do país.

Pe. Ibiapina como um dos maiores deste país ao assumir o trabalho de reeducar o povo do Sertão.

Pensadores que sonharam com um Brasil melhor (XV)

Depois de falar sobre os sonhos de Antônio Conselheiro (1830) e do Pe. Cícero (1844), achei por bem falar de outro pensador, também da 1ª metade do mesmo século XIX, o Pe. Ibiapina (1806), que muito influenciou ou inspirou o jovem Cícero Romão em sua escolha pela vocação sacerdotal.

            Igualmente, Antônio Conselheiro conseguiu construir Canudos, cidade autossustentável, onde ninguém passava necessidade, numa época em que muitos morriam de fome e, com a maneira socializada de viver e trabalhar, foram incompreendidos pelos poderes político e religioso, destruídos e mortos.

            O Pe. Ibiapina deu sua grande colaboração não só na religião, mas também na saúde, na educação, na arquitetura do Nordeste. A ele se deve a construção de inumeráveis casas de caridade, igrejas, locais de atendimento para órfãos, hospitais, capelas, cemitérios, reservatórios de água nas casas, o ensinamento de novas técnicas agrícolas, e a defesa dos direitos dos trabalhadores rurais, duramente explorados pelos patrões sem escrúpulos.

            Dentro desta minha sequência de sonhadores com um Brasil melhor vejo o Pe. Ibiapina como um dos maiores deste país ao assumir o trabalho de reeducar o povo do Sertão, completamente abandonado pelos governantes. E o que é pior: mais de 200 anos depois, o abandono continua. Àquela época, ele já unia a fé à vida, a oração à ação, a teoria à prática, bem antes do Concílio Ecumênico e dos estudos da Teologia da Libertação, de quem é “precursor”.

            Nasceu em Sobral, zona norte do Ceará, aos 05 de agosto de 1806, onde viveu até os 10 anos, quando seu pai, Francisco Miguel Pereira, foi transferido para trabalhar no Icó, centro sul do estado. Por lá, na cidade de Jardim, fez seu curso de humanidades, aprofundando-se na língua latina, habilitando-se a ingressar no Seminário de Olinda, em Pernambuco, com 17 anos, em 1823. Dois anos depois, seguidamente lhe chegaram notícias da morte de sua mãe, Dona Tereza Maria de Jesus, do assassinato de seu irmão mais velho e do fuzilamento de seu pai. Ibiapina teve que parar seus estudos no Seminário, voltar pra casa e cuidar de sua família, sobretudo de duas irmãs menores, que não tinham como sobreviver.

            Resolvida a dificuldade e encaminhada a solução, em 1832, com 26 anos, retornou a Pernambuco, não mais para o Seminário, mas para a Faculdade de Direito de Olinda, a mais antiga do Brasil, tornando-se depois, chefe de polícia e, mais tarde, Juiz de Direito em Quixeramobim, cidade do sertão cearense. Apesar da brilhante carreira, do sucesso no magistério e na Justiça, na política e em tudo o que fazia, se sentia muito insatisfeito. Resolveu desligar-se de tudo e fazer como Jesus: ir para um lugar deserto, não por 40 dias, mas, pelo menos, por 03 anos.

            Como já era bastante adulto e cheio de experiência, com 42 anos se escondeu numa pequena casa em Caxangá, na periferia do Recife, dedicando-se aos livros, à meditação, à oração, à frequência aos sacramentos e à vivencia das virtudes da humildade e da pobreza evangélicas até aflorar-lhe a verdadeira vocação: aquele chamado interior que poucos entendem. Aos 47 anos, Ibiapina estava pronto para o Sacerdócio, tornando-se o Padre José Antônio Pereira Ibiapina em Julho de 1853, com a celebração de sua 1ª Missa no dia seguinte: 26 de julho. Por causa da promulgação do Dogma da Imaculada Conceição, por Pio IX, em 1854, ele retirou o seu sobrenome de Pereira e colocou Maria, numa homenagem à Mãe de Deus, passando-se a assinar: Padre José Antônio Maria Ibiapina.

            Antes tarde do que nunca, Padre Mestre! Você tinha enveredado, com muito sucesso, pelos caminhos do Direito, da Justiça, do Magistério, da Política por onde quer que tenha andado. Foi-se bem em tudo, mas estava insatisfeito. Seus ideais eram outros: caminhar pelo Nordeste. Foram-se mais de 600.000 km a pé, só igualados ao que andaram: S, Paulo, Sto. Antônio e S. Francisco Xavier. Seu trabalho missionário se estendeu pelos estados do Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Sempre de batina, a pé ou a cavalo andava e pregava, aconselhava e levava conforto ao povo sertanejo.

            Você organizou missões, construiu capelas, igrejas, açudes, cacimbas, poços, cemitérios, hospitais, muitas casas de caridade para moças órfãs que recebiam educação moral e religiosa, aprendiam a ler, escrever e trabalhos domésticos, além de terem assistência à saúde. Você fez uma ligação enorme entre a Igreja e o povo pobre do nordeste, construiu uma significativa e respeitada obra missionária, partilhando água, alimento e abrigo para doentes, mendigos, retirantes, levando sempre uma palavra de conforto aos precisados.

            Uma de suas grandes máximas espirituais era: “depois do temor a Deus, o meio mais poderoso que têm o pai e a mãe de família para conservar a família em boa moral, na obediência e ordem regular, é o trabalho constante e forte”. O Pe. Ibiapina faleceu no dia 19 de fevereiro de 1883 na Casa de Caridade Santa Fé, na Paraíba, onde foi erigida uma igrejinha, tornada, mais tarde, Santuário.  Todos os meses, no dia 19, há uma grande celebração com a presença de vários fiéis de toda a região que vão agradecer as bênçãos e pedir a intercessão do “Servo de Deus”,  Pe. Ibiapina, em suas vidas.

            Desde 1992, quando foi dada entrada na “Postulação da Causa do Pe. Ibiapina – O Apóstolo do Nordeste” que a Diocese de Guarabira, na Paraíba, começou a juntar documentos, provas, testemunhos populares, milagres ditos pelo povo, publicações da imprensa, enfim, mais de 30 anos de escritos, de gravações de pronunciamentos que deponham favoráveis à santidade do candidato. Em 13 de janeiro deste ano de 2021, em concelebração solene na Paróquia de Solânea, onde o Padre está sepultado, na Diocese de Guarabira – Paraíba, foi apresentado ao público, ali presente, essa 1ª etapa do Processo do Servo de Deus – Padre Ibiapina. Daquele dia em diante se iniciou a 2ª etapa: a da Venerabilidade do Padre Mestre. É o tempo que vai durar de estudos, em Roma, para declará-lo Beato. Tem que haver um milagre, cientificamente, provado. Para isto, a Congregação para a Causa dos Santos, composta de diferentes consultores com formações acadêmicas no campo da Historia, da Teologia e da Medicina reconhecem a venerabilidade do Servo de Deus. Só então vem a 3ª etapa: a da beatificação, com uma comprovação científica de Milagre. Ficaremos apenas a um salto da 4ª etapa: a mais séria.

A partir de então, os estudos serão mais sérios, tendo em vista a Canonização: a declaração da Santidade. O milagre que se exige agora não é provado pela ciência, como para a beatificação. É pela fé. É um desafio à ciência. Se é de fé, não se prova cientificamente. Isto feito, a Igreja o declara, solenemente, Santo.  Ficaremos aguardando, como já o estamos fazendo para outras 52 “Postulações à Canonização” de brasileiros, entre os quais: Dom Helder, Dom Expedito, Pe. Valdir, Pe. Arnóbio, Irmã Lindalva, a Jovem Benigna e tantos outros na “fila”, aguardando a caminhada dos Processos.

Espera-se que a mensagem de caridade do Padre Mestre/Ibiapina atinja o mundo inteiro e que seu modelo missionário inspire mais sacerdotes e leigos.

QUAL O SENTIDO DAS BARREIRAS PARA VACINAÇÃO DE CRIANÇAS CONTRA COVID? Edição de Natal de 2021

Recomendo a leitura do Artigo do Mons. Assis Rocha, sobre seu apoio aos exilados políticos na Europa, durante a ditadura, tendo à frente Dom Helder Câmara.

É uma história emocionante e que, para os brasileiros ali refugiados, tronou-se um ponto de apoio inestimável aquele encontros natalinos. Muitas alegrias e lágrimas.

Propositalmente, o artigo está sendo lançado neste Natal para relembrar a importância que os encontros tiveram para o cearenses que estavam longe de suas famílias.

Servidores da Secretaria de Trabalho, Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos realizaram, dia 22, festa de despedida da Dra. Lia Gomes.

Dra. Lia Gomes e Dr. Tadeu Lustosa

A Secretária Executiva de Direitos Humanos está sendo convocada para uma nova tarefa, disputando uma cadeira de Deputada Estadual.

Tive poucas oportunidades de contato, como Presidente da Comissão Especial Wanda Sidou (Anistia), mas pelo que pude perceber, conquistou muitas amizades e deverá ter muitos votos.

O Coordenador de Cidadania, Tadeu Lustosa Brito Junior foi um dos responsáveis pela homenagem à Secretária Lia Gomes e um dos animadores do encontro.

A Comissão Especial Wanda Sidou (Anistia) julgou, em 2021, 14 processos de pedidos de indenizações de presos e perseguidos políticos. 4 foram indeferidos. 10 foram pagos.

O Ceará é o único Estado que tem uma Comissão com a finalidade de indenizar presos políticos, perseguidos. Naturalmente, mediante rígida avaliação das provas.

Finalmente, ficou pronto o livro NOSSAS RUAS, NOSSA HISTÓRIA, uma espécie de retrato da cidade de Guaraciaba do Norte, até o ano de 1955, quando lá morei.

Na realidade, o livro trata, prioritariamente, das pessoas que ali moravam. O texto começou a ser escrito em 1988 e ficou adormecido até o início da pandemia.

Comecei a escrevê-lo junto om o Ferreirinha. Com a morte dele, a motivação diminuiu. Ele era o historiador. Eu, apenas o redator. Ano passado, retomei a tarefa.  289 páginas.

A comercialização dos livros está com Romulo Cézar. Contatos: (88)-998086463 e (85)-999054342. Os lançamentos serão logo que a pandemia nos permita reuniões.

Profundamente lamentável a atitude de certos “especialistas” em educação que se acharam autorizados a excluir horas de aula do currículo do Ensino Fundamental.

Será que acham que os alunos já estão muito além dos que lhes é exigido em cada disciplina e, por isto, podiam reduzir a carga horária? Fizeram as devidas avaliações?

Educação é coisa séria. É o presente e o futuro. Não dá para fazer de conta. A realidade está ai mostrando. Cada vez as pessoas são mais capazes de escrever corretamente?

Não dá para entender a posição do Governo em dificultar a vacinação de crianças, contra o COVID.  Não há justificativa. A ANVISA já se manifestou favorável.

A mesma coisa aconteceu com o início da vacinação de adultos. Daí a morte de mais de 600 mil. Os dados estão mostrando, todos os dias, a redução das mortes, após a vacina.

Triste é este fato acontecer, justamente, no Natal quando Herodes mandou matar as criancinhas em quem via uma futura ameaça.

Infelizmente, há os negacionistas que se recusam. Quem tomou a primeira dose, corre para à procura da segunda. E a primeira dose anda em marcha lenta.

O nosso caro Padre José Linhares Ponte, em ligação telefonema, manifestou-se entusiasmado com a leitura do livro AD LABOREM -nossa caminhada profissional.

Coube a ele escrever o prefácio do livro em que contamos a influência da formação do Seminário de Sobral em nossa vida profissional. Um texto de muitas emoções.

NOSSAS AÇÕES DE APOIO AOS EXILADOS, NA DITADURA, COM DOM HELDER CÂMARA – Da Série Pensadores que sonharam com um Brasil melhor (XIV)

Este meu contato semanal através do site “professorcomprazer.com” sob a responsabilidade do Professor Leunam, me tem feito conectar com vários amigos e colegas, de há muito afastados: física, geográfica e emocionalmente, que me têm dado um prazer imenso no “reencontro”. Se não são “pensadores históricos” como os que já tenho abordado, são “sonhadores contemporâneos”, vivos como eu, coetâneos a mim, que participamos dos últimos acontecimentos nacionais e mundiais, que transtornaram a nossa história.

            Quando estudante em Roma, no início da década de 1970, recebi ou embarquei Dom Helder Câmara no Aeroporto Fiumicino – de Roma – em suas constantes idas e vindas à Europa para “missões internacionais” em que ele dava tempo para se encontrar com “refugiados políticos brasileiros”, expulsos daqui pela ditadura militar. Além de levar-lhes notícias de suas famílias, trazia correspondências para serem entregues a elas.

DOM HELDER CÂMARA

Dom Helder tinha suas equipes de “minorias abraâmicas” pela Europa que traduziam seus discursos do português para as línguas dos países onde ele iria falar. Toda a equipe falava suas próprias línguas e sabia português. Era através dela – que se conectava com a anistia internacional – que ele agendava esses encontros fraternais. Foi por essas vias, que eu também, com meu colega, Pe. Zémaria mantivemos um bom contato com brasileiros, nossos irmãos, que estavam exilados.  Empreendíamos qualquer esforço possível para irmos à Holanda, Alemanha, França, Inglaterra, Roma e interior da Itália para encontrar-nos com eles e falarmos da saudade, das esperanças que ficaram pra trás, do que faríamos se retornássemos, enfim, eram encontros de muito diálogo, muito incentivo e coragem para não desistirmos da luta. Nós dois não éramos refugiados. Estávamos em Roma por motivos de estudo, com retorno garantido no seu final. Pela nossa opção pastoral, nossos compromissos com a Igreja do Vaticano II e pelo apoio que tínhamos de nossos bispos diocesanos, nossos contatos com todos eram realizados com o maior dos prazeres.

            Sempre o fazíamos no Tempo do Natal: 1973, em Paris, com uns 15 brasileiros, “tronchos” de saudade. Tornei-me amigo de um ateu, que tinha sido preso político e se estava doutorando na Sorbone. Fiz-lhe o casamento, batizei seus dois filhos e somos amigos até hoje, inclusive participando de minhas bodas sacerdotais. Meu colega, Pe. Zémaria estava presente.

            Em 1974 fomos passar o Natal em Grenoble, no sul da França, na casa de uma família “parabucana”, isto é, de Pedra de Fogo-Itambé situada bem no limite entre os dois estados: metade Paraíba, metade Pernambuco, cada lado com o seu nome: Pedra de Fogo/Itambé. Era o casal e duas filhinhas lindas. Os dois padres, mais uma vez, estávamos presentes, junto a um grupo maior de refugiados políticos: uns 25. 

            Em 1975, outro Natal maravilhoso. Dessa vez, na Alemanha. Estávamos lá, com um bom grupo de exilados brasileiros, inclusive com um casal alemão da Anistia Internacional, seguindo o mesmo esquema dos encontros anteriores.

            Porque no Natal? Porque nos países onde os brasileiros eram exilados havia o recesso natalino. Todos podiam participar, viajando para o local, até ajudando àquele ou àquela que não podia pagar o transporte. Sem serem todos cristãos, sabiam repartir: eram “companheiros”. E, para nós padres, era uma excelente oportunidade de marcar o nosso próprio natal, servindo a todos: com desconfiança, no início, mas se acostumando com nosso entrosamento.

            Todos demonstravam uma saudade enorme da família e do Brasil.

            Chegávamos ao local do encontro. Os que já se conheciam faziam aquela algazarra de sempre, abraços e beijos e deixavam de lado suas mochilas, sentindo-se em casa, sem muita procura por agasalho melhor. De olho no tapete, a gente já ia marcando lugar: pra se acomodar e até pra dormir.

            Púnhamos em dia as notícias da terrinha distante, sobretudo da política reinante. Os padres, tínhamos sido convidados pelo anfitrião de quem éramos conhecidos; sempre chegávamos por primeiro, de modo que, quando os desconhecidos chegavam, comentavam: “soube até que vêm uns padres aí, não sei porque. Não irão atrapalhar-nos?”. A essa altura estávamos entrosados e felizes pelo natal que iríamos passar. Víamos logo a partilha de todos. Além do dinheiro que ajudavam com as passagens, traziam um pouco de alimentos não perecíveis que eram colocados na cozinha para o consumo de todos. Era a prática dos antigos cristãos dos Atos dos Apóstolos: ‘punham tudo em comum’.

            Chegados, acomodados e entrosados uns com os outros e com a casa, íamos começando a nossa celebração do Natal: sem tempo para terminar, sem roteiro pré-estabelecido, sem esquemas intelectualizados e sem comando de uns sobre os outros. Entrávamos pela noite adentro. Em qualquer dos países da Europa em que nos encontrávamos, ouvíamos, à meia noite, as alegrias manifestadas ao modo europeu pela passagem do natal. Sabíamos que àquela hora não era a meia noite no Brasil. Faltavam ainda 04 horas. Iríamos aguardar a meia noite brasileira. Faltava bastante tempo para continuarmos nossos bate-papos, ingerindo a “caipirinha” feita de cachaça com limão, com tira-gosto de “paçoca”, tudo procedente do Brasil, de tal modo que, às 04 da manhã na Europa, meia noite no Brasil, todos estávamos mais saudosos do que embriagados. Ficávamos de pé, cantávamos o Hino Nacional Brasileiro, chorando, abraçados, unidos às alegrias de nossos familiares que, aqui, viviam o Natal, morrendo de saudades de nós que lá nos encontrávamos. E, diga-se de passagem, àquela época não tínhamos como nos comunicar nem sequer, por telefone, para ouvir alguém falando a nossa linguagem de amor.

            É isto que me está vindo à mente nesta Noite de Natal. Foi assim que o comemoramos, tantas vezes, no “exílio” por conta da ditadura. A desconfiança que os irmãos refugiados tinham de nós padres, antes de nos conhecerem, era a mesma que tínhamos de qualquer brasileiro que encontrássemos no metrô, num museu, na Praça de São Pedro, nos Champs-Elysées, na Piazza Navona ou no Areópago ou em outro logradouro público de que nos aproximássemos. Podíamos encontrar um brasileiro, espião, a serviço da ditadura.

            Nestes próximos 02-04 anos vão-se completar 50 anos de nossos natais sofridos, saudosos, solidários e, paradoxalmente, cristãos. Muitos já se foram, inclusive o meu irmão Padre Zémaria. Outros estamos à deriva, por mares nunca dantes navegados. Perdemos o contato. Com um casal de mineiros que tinha ido de carro: Paris – Grenoble viajei para a Itália. Dormimos em Bolonha, passamos por Pietrelcina, terra de Frei Pio e fomos pra Roma onde eu morava. Pena que não sei mais, nem os nomes do gentil casal e se vivem ainda.

            Se, por milagre deste Natal, alguém me lê, reencontra-me por este ‘site’ e se interessa num reencontro pessoal, terei imenso prazer que isto aconteça. O meu tempo já está em contagem regressiva: estou com 81 anos. Com um pouco de boa vontade, ainda dá pra gente se ver… E vai ser muito bom!

            Que os nossos natais do modo que celebramos, as nossas lágrimas e emoções de outrora nos tenham treinado para vivermos agora o Verdadeiro Natal.

A RECUPERAÇÃO DA APRENDIZAGEM PRECISA DA EDUCAÇÃO BIOCÊNTRICA – Edição de  18 de dezembro de 21

O Professor e Acadêmico Davi Helder, lançará mais um livro de contos. Desta, para consolo de alguns, vez é este FEIURA NÃO EXISTE.

O evento será na Academia de Letras de Sobral, ASEL, no dia 29 próximo. Coincidentemente, no dia do aniversário do autor.

A seu convite, tive o privilégio de emitir a minha opinião. Disse que que senti saudade da sala de aula. O livro é cheio de temas geradores para debates.

Autor: Davi Helder Vasconcelos

A propósito de livro, encaminhamos ao Padre Zelinhares um exemplar de nosso AD LABOREM – A Nossa caminhada Profissional em que ele fez o Prefácio.

Aliás, o seu texto primoroso. Tem-se a ideia de que ele o escreveu movido por muita emoção. Fez uma volta ao passado quando dedicou grande parte de sua vida ao Seminário da Betânia.

O lançamento do livro deverá acontecer no final de fevereiro ou no dia 19 de março, em Sobral. Logo em seguida, será em Fortaleza. Estamos dependendo da pandemia.

Estivemos com o Deputado e Conselheiro da Comissão Especial Wanda Sidou, Carlos Felipe, que vai conseguir junto à Assembleia Legislativa do Ceará a impressão de dossiês de presos políticos cearenses.

Com o Deputado Carlos Felipe e Célio Miranda, da Comissão Wanda Sidou

Na oportunidade, com o deputado Carlos Felipe, vimos também a possibilidade de lançamento, em Crateús, do livro PECADO MORTAL, de autoria do jornalista crateuense Antônio Martins Vasconcelos.

Martins foi aluno dos Seminários de Sobral e de Olinda. Tornou-se famoso jornalista sendo diretor de redação de grandes jornais do Recife e Brasília. Faleceu em 2018.

Nesta edição, o Mons. Assis Rocha escreve sobre dois famosos cearenses, na série                     “Pensadores que sonharam com um Brasil melhor”: Padre Cícero e Antônio Conselheiro.

Já na edição do dia 24, falará de seus encontros natalinos com brasileiros perseguidos pela ditadura na  Europa. Para eles, levava noticias e mensagens gravadas de familiares.

Colegas Betanistas que aniversariam em dezembro: 18 (hoje): João Osamir Cunha, 22: Edvar Frota,  27: Aísio Aragão  e  29: Davi Helder. Parabéns a todos.

Quem tem filhos e netos ainda crianças está ou não torcendo pela vacina contra o COVID? Mais uma vez, o Presidente está contra a vacina. Por quê? Só Deus sabe.

Em Sobral, o Espaço da Música vai realizar, de forma diferente, o encerramento do ano letivo. Serão três encontros por modalidades, nos dias 20, 21 e 22 de dezembro.

Dia 20: Violão, Violino e Técnica Vocal. Dia 21: Musicalização infantojuvenil com teclado e piano. Dia 22: Juvenil/Adulto com Piano e Teclado.

As Secretaria de Educação dos municípios precisam, com urgência, pensar, planejar e realizar ações pedagógicas de recuperação da aprendizagem, preparando os Professores.

A pandemia desarrumou o sistema de ensino e aprendizagem. Isto poderá ser uma boa oportunidade para rever estratégias e metodologia de ensino. É possível fazer.

Quem experimentar a Educação Biocêntrica não se arrependerá. É uma concepção que valoriza o aluno e sua participação no processo de aprendizagem.

Chega de ler e ouvir tantos discursos de desqualificação da Educação. Muitos se acham no direito de agredir. É preciso mostrar as coisas boas que acontecem nos municípios.

PADRE CICERO E CONSELHEIRO SONHARAM E REALIZARAM

Série: Pensadores que sonharam com um Brasil melhor (XIII) – Texto do Mons. ASSIS ROCHA

Tenho refletido sobre controvertidos “pensadores” que perseguiram, tenazmente, seus “sonhos de tornarem o Brasil melhor”, embora nem todos os meus leitores sejam unânimes em concordar com as minhas colocações.

            Vejo na disparidade ideológica, um enriquecimento mútuo, muito mais do que um distanciamento ou uma ruptura. Tento, sobretudo, um diálogo. Isto não é fácil quando a gente “reage” ou se fecha na abordagem.

            Hoje eu quero falar sobre dois Cearenses ‘contemporâneos e históricos’ que, em situações semelhantes, sonharam com a melhoria do povo: Pe. Cícero e Antônio Conselheiro.

            Pe. Cícero, nascido no Crato, zona sul do Cariri cearense, aos 24 de março de 1844, onde fez seus 1º e 2º graus, até entrar no Seminário da Prainha, em Fortaleza, para cursar filosofia e teologia com os padres lazaristas, ordenando-se em 1870 com 26 anos de idade. Teve sua personalidade formada na intransigência, na combatividade, na persuasão e na disciplina, como era, em geral, a educação dada nos Seminários.

PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

Voltando ao Cariri, fixou-se em Juazeiro do Norte, onde desempenhou suas funções sacerdotais, até 20 de julho de 1934, quando morreu, tendo implantado no meio do povo, as bases de uma fé profunda, vivida até hoje, e de uma ação política, comprometida com as transformações sociais, mesmo que para isso tivesse, ele mesmo, de entrar na política partidária, como o fez.

            Apesar de não ser esta a opção política que defendemos, queremos fazer referencia a ela, para sermos fiéis ao que estamos dizendo sobre o Pe. Cícero, pois entre 1912 e 1934 ele participou, ativamente, da vida política, arriscando a sua própria pele, a sua conduta moral e religiosa, enfrentando movimentos pela emancipação política de Juazeiro, eleições sucessivas para vice-presidente do Ceará, deputado federal e prefeito de Juazeiro e até da rebelião que depôs o presidente do Ceará, Franco Rabelo, fatos que o transformaram na personagem mais forte, mais controvertida e de maior prestígio em toda a região.

            Eu dizia ali acima que apesar de não ser esta a opção política que defendemos, no entanto descubro a sua coragem em combater também ao lado de uma política social, ao lado do bem comum, de quem tem a fé encarnada na realidade, numa luta constante pelo povo. O Pe. Cícero doou uma propriedade sua – o Sítio Caldeirão, no município do Crato, com cerca de 400 hectares de terra – para fazer uma verdadeira reforma agrária. Ali, por volta de 1922, em plena efervescência de sua política partidária, ele reuniu algumas famílias “sem terra” para a realização de um trabalho sócio-comunitário, em que todos se unissem, trabalhassem, pusessem tudo em comum, se alimentassem, participassem dos lucros e vivessem ‘suprindo a necessidade de cada um’ como narram os Atos dos Apóstolos 2,42ss e 4,32ss.

            A Comunidade do Caldeirão conseguiu uma invejável produção de alimento e de algodão, de todos os instrumentos de trabalho, de vestimentas e, sobretudo conseguiu uma excelente participação comunitária na luta pela libertação do povo. Infelizmente, tudo foi reprimido e dissolvido policialmente, sob a alegação de se estar transformando em um aldeamento tipo Canudos que – fazia 25 anos – tinha sido desestabilizado pela Igreja e pelo Governo que tinham medo da organização do povo. A polícia, instituição que deveria manter a ordem, não pensou. Obedeceu. Como em Canudos, destruiu tudo a ferro e fogo, como veremos já, referindo-nos a Antônio Conselheiro.

            Antônio Vicente Mendes Maciel é o seu verdadeiro nome. Originário de uma família de pequenos proprietários de terra do Sertão Cearense, nascido em Quixeramobim aos 13 de março de 1830. Foi vítima do poderio dos Araújo, grandes proprietários na região.

            Tendo fracassado, material e conjugalmente, abandonou tudo, tornando-se “penitente”. Vestia um camisolão, usava bordão e sandálias e começou a andar pelos sertões e caatingas do Nordeste, pregando o Evangelho.

            “É um maluco” diziam alguns. “Coitado, perdeu tudo, inclusive a mulher. Vai fazer o que”? Nem imaginavam do que ele era capaz. Em pouco tempo, era grande a multidão em torno dele. Vinha ouvir-lhe a pregação, pedir milagres e escutar seus “conselhos”. Era o que ele fazia de melhor. Daí, o seu apelido de Antônio Conselheiro. Sua fama de santo e penitente corria os sertões. Muitas famílias, vendendo ou abandonando seus haveres, o acompanhavam. Cada dia aumentava o número de seus adeptos, que caminhavam com ele, por onde quer que fosse, em toda a região do Nordeste.

            No interior da Bahia, chegaram à margem do riacho Vasa Barris, onde acamparam e começaram a construir uma Igreja e, em torno dela, as latadas e cabanas de morada. Era proibida a ingestão de cachaça e ninguém podia viver em concubinato. Canudos era agora uma Cidade Santa. Chegou a ser a maior cidade da Bahia, depois da Capital.

ANTONIO VICENTE MENDES MACIEL – o CONSELHEIRO

A notícia de sua existência se espalhava, rapidamente, por toda parte, não só entre a população miserável, espoliada e faminta dos sertões, mas chegava também aos ouvidos da Igreja e do Governo, que temiam pela desestabilização de seus poderes. Quem já viu “povo organizado”?

            Esse temor era, totalmente sem fundamento, pois Antônio Conselheiro tinha poucas aspirações com relação ao poder. Sua política era a do bem comum, da vivencia comunitária, da participação de todos no trabalho, na confecção de produtos manufaturados e de uma união enorme entre a fé e a vida ou entre a oração e a ação, como lhes ensinava os Atos dos Apóstolos ao se organizarem as primeiras comunidades cristãs: “não havia necessitados entre eles”, como entendera também o Pe. Cícero depois, no Caldeirão.

            Em ambas as ocasiões, a elite, os governantes e setores da Igreja não ficaram contentes com isso e se sentiram ameaçados, mesmo que houvesse fundamentação bíblica para realizarem o trabalho de evangelização. Tinham que dar um paradeiro nessa situação. Até diziam: “Imaginem! Um povo organizado, sem classes sociais, todo mundo igual! Jamais!”.

Enviaram expedições nacionais e estaduais de soldados “para dissolver o grupo de fanáticos”. Na luta foram perdidas cerca de dez mil vidas. Aqui em Canudos, como, mais tarde, no Caldeirão, “a polícia não pensou. Obedeceu”, causando as mais estúpidas consequências: no dia 22 de setembro de 1897, o Conselheiro teve sua cabeça cortada e o arraial foi arrasado, na batalha que durou vários dias, desfazendo-se uma esperança de reforma agrária, como o foi também em Caldeirão.

Nossas duas experiências cearenses – de um correto uso da terra, de um trabalho comunitário que unia oração e ação – desapareceram. A república respirou aliviada. Pra que povo organizado? Pra que pobre ser gente? Quem já viu pobre com terra? Como trabalhar nela? Deixa para os latifundiários, para os exploradores do agronegócio, pra quem pode comprar máquina pesada e produzir muito para exportar. A gente pode morrer de fome, contanto que o mundo se alimente com os frutos do nosso trabalho. Dá pra entender?

Texto do ASSIS ROCHA, Mestre e Doutor em Comunicação Social, de Bela Cruz – Ce.

HABEAS CORPUS, de Vânia Pontes

Impetrei um habeas corpus,

Em defesa da minha liberdade.

Dei adeus ao patriarcado jus,

Que tanto ditou sua verdade.

Sou mulher com ar de menina,

E já não me importo em ir e vir,

Livre com corpo de dona divina,

Que me fascina por saber sentir.

Alforriei a liberdade infringida,

Agora na minha medida jurídica,

Não sei mais viver sendo limitada,

Na íntima  alma de mulher cívica.

Este meu libertário remédio judicial,

Além de constitucional, é observatório,    

Do meu corpus preventivo ao salvo sinal,

De habeas corpus tatuado e liberatório.

A partir desse processo em liberdade,

Consigo perceber em mim mais vida,

O que vale a pena mesmo na verdade,

É ser livre para viver plena, mulherada!

Este poema foi selecionado e está publicado no livro VOZES FEMININAS

VANIA PONTES – Graduada em Letras e Psicologia. Doutoranda em Direito. Gestora Pedagógica do curso de Direito da FAL/UNINTA, de Sobral.

NA DITADURA, DOIS PADRES CEARENSES LEVAVAM E TRAZIAM NOTÍCIAS DOS CONTERRÂNEOS EXILADOS NA EUROPA. Edição de 10 de dezembro

Hoje, Mailson Furtado Viana, Prêmio Jabuti de Literatura em 2018, lançará livro na Livraria Lamarca, na AV. da Universidade, 2475, às 19h.

No distrito de Juá, em Irauçuba, funcionou, como muito êxito, uma turma de Pedagogia. Tudo dentro de uma perspectiva biocêntrica.

Resultado: todos os concludentes, muito felizes com o curso, registram o aprendizado que se deu com muito êxito. Os depoimentos dos alunos são impressionantes.

Trabalho pedagógico e administrativo conduzido por uma pessoa de alta sensibilidade e muita competência: Professora Mestra Muldiane Pedroza, aniversariante de ontem.

Professora Muldiane Pedroza

É gratificante observar ex-alunos fazendo sucesso. Todos os que foram meus alunos no curso de Letras da UVA entusiasmaram-se com seus trabalhos.

Destaco: Guida Pontes e sua prima Vânia Pontes. Ambas com Doutorado. Uma na UVA e a outra na FAL, em Sobral. Foram minhas alunas de Literatura Cearense.  São de Ipueiras.

A sala de aula é o local mais importante da escola. É o que afirmamos, por experiencia própria, em nosso livro PROFESSOR COM PRAZER. 

De nada adiantam as festas para recepção aos alunos na Escola, se o ambiente específico na sala de aula não for acolhedor. Aliás, não são as festas que conquistam.  É a atenção pessoal.

Sem a preparação dos professores, isto não acontecerá. A maioria de nossos professores veio de escolas autoritárias. É necessário preparação para um novo jeito de tratar os alunos.

É uma pena que as escolas estejam voltadas apenas para números, pra notas, para as avaliações externas. Se as atitudes e comportamentos não mudarem, não haverá escola atraente.

Para isto é necessário capacitações com novas metodologias. Repetir o quer se faz há anos, só com palestras, nada muda. Pior ainda: os professores não acreditam mais.

A alternativa é a Educação Biocêntrica. Quem já está aplicando percebe os resultados. As mudanças na escola não acontecem por determinações dos gestores.

Mons. Assis Rocha

O Mons. Assis Rocha, (foto) Mestre e Doutor em Comunicação Social, articulista aqui do site professorcomprazer.com  prestou apoio inestimável aos asilados brasileiros no exterior, na ditadura.

Em parceria com o Padre José Maria Cavalcante, falecido, levava e trazia notícias para as famílias. Gravavam mensagens dos familiares, no interior do Ceará, e levavam  para a Europa.

Os palavrões deixaram de ser cochichados. Agora estão na TV, transmitidos pela mais alta autoridade do país. Quem diria?

Muita gente já apanhou, em casa, por dizer palavrões. Outros tiveram que sair da sala de aula, pelo mau exemplo aos colegas. Todos tinham que se confessar. Até chamar pelo cão era pecado.

Agora, por carência de vocabulário apropriado, o palavrão foi para a sala de visitas. Aliás, está presente na reunião das mais altas autoridades do país, realizada em 22 de abril de 2020.

A gravação da reunião, que pode ser encontrada no Google, mostra o nível da linguagem adotada pelas autoridades. Pelo visto, a presença de mulheres não inibiu os palavrões.

Um péssimo exemplo e realça o tipo de pensamento predominante entre os atuais dirigentes. Precisaria disto ou a Bíblia tem razão: A boca fala do que o coração está cheio?

Quem precisar fazer alguma reclamação pelo mau funcionamento de algum serviço ou pela perturbação de vendas por telefone, precisa antes fazer exercícios de paciência.

Os sistemas parecem ser montados para complicar a vida do consumidor. É para o cliente desanimar. Basta tentar e confirmar. 

Há vários dias tento reclamar de ligações telefônicas em que no painel do celular aparece POSSIVEL FRAUDE ou SPAM SUSPEITO.  Onde denunciar?  São mais de dez ligações diárias.

SETEMBRO DOM JOSÉ, CELEBRADO POR 17 ANOS. POR QUE PAROU?

Série: Pensadores que sonharam com um Brasil melhor (XII)

Texto de Mons. ASSIS ROCHA

No dia 06 de dezembro fez, exatamente 20 anos que eu voltei para o meu Ceará, depois de 40 anos em Pernambuco. Vim na intenção de passar um ano sabático e, dependendo de minha readaptação com minha família, com a Diocese e com meus conterrâneos, voltaria em definitivo para cá. Sem dificuldades me readaptei, inclusive, arranjando logo um trabalho. O Professor Teodoro com outros colegas, contemporâneos nos Seminários de Sobral, Fortaleza, Olinda e Roma me convidaram a trabalhar na UVA, para fazer o que eu mais havia feito na vida: comandar o setor de Comunicação e, mais tarde, também de Articulação da Universidade. Interagi muito bem com os demais professores e tive uma boa e nova experiência. 

Por ter sido seminarista de Dom José e por ter convivido com ele de um modo muito especial, ao assumir as Pró-reitorias de Articulação e Comunicação (Pro-Art.com) logo no início do ano de 2002, tive que integrar, pela própria função, a equipe já existente do Setembro Dom José, cujo encargo aceitei, com prazer, do 3º ano a ser celebrado até o 6º ano, em 2005, quando saí da UVA. Fui convocado por Dom Fernando Saburido para ser Assessor de Comunicação da Diocese de Sobral para coordenar a Rádio Educadora e o Jornal Correio da Semana, cabendo também a mim a parceria com o Setembro Dom José, que se mantinha desde o início com uma coordenação tripartite: a UVA, a Diocese e a Prefeitura de Sobral.     

A brilhante ideia saiu da cabeça do Professor Teodoro, ao tempo em que era Reitor da Universidade Vale do Acaraú. Motivou o Prefeito de Sobral e o seu Bispo Diocesano, respectivamente, Cid Gomes e Dom Aldo Pagoto, para realizarem o intento que, em 17 anos consecutivos, aconteceu, mesmo depois que mudaram Prefeito e Bispo. Dom José havia passado, mas um outro José – o Teodoro Soares – seu fiel e grato discípulo, sustentou a memória até ir-se também ele aos 18 de agosto de 2016.

Já nos estávamos preparando para celebrar o 17º Setembro Dom José, como nos anos anteriores, com o apoio total do Prof. Teodoro. Sua partida não nos impediu de comemorar, pois, certamente, na eternidade, com o próprio Dom José, se alegraram bastante. Nós aqui, naquele ano, rememoramos os dois. Nunca esquecemos, nesses últimos 16 anos, de enumerar o Curriculum de Dom José, os inúmeros títulos universitários conquistados na Universidade Gregoriana, em Roma, inclusive o fato de “ter sido recebido em audiência pelo Papa Pio X, por ter obtido a melhor nota na famosa Universidade Pontifícia”.

            Nossa referência à Audiência Pontifícia é porque do dia 13 de Maio de 1899 ao dia 06 de Junho de 1906 D. José estudava em Roma, fazendo seus Cursos de Filosofia, Teologia, Sagrada Escritura e Direito Canônico, com os respectivos Doutorados em todos. Até 1903, o Papa era Leão XIII. Foi substituído por D. José Sarto, que escolheu o nome de Pio X. Até 1906, com o aluno D. José, ainda em Roma, embora seu pontificado tenha ido até 1914.

            Em junho de 1906 D. José foi laureado em Teologia com o mais alto conceito dado pela Universidade Gregoriana: summa cum laude. Para coroar a magnitude de sua proeza, foi recebido em audiência pelo Papa Pio X que queria parabenizar o “gênio brasileiro” que alcançara tão alto conceito ou avaliação tão excepcional naquela tradicional Universidade Pontifícia. Aquele gesto de Sua Santidade deixou em D. José uma marca especial. Foi, como que, a glória ou o coroamento de seus esforços, até então, empreendidos. D. José nunca esqueceu isso.

            Em 1914 o Papa Pio X morreu. Substituiu-o Bento XV, que logo em 1915 criou a Diocese de Sobral, nomeando D. José, com apenas 33 anos, o seu 1º Bispo. O “amigo” já se tinha ido, com 79 anos de idade, mas o sucessor não lhe desconheceu o valor. Fê-lo, tão jovem ainda, Bispo da nova Diocese.

            Sabemos sua história. Contamo-la e recordamo-la sempre, como já o fizemos inúmeras vezes: seu nascimento no dia 10 de Setembro de 1882 e a sua morte no dia 25 de Setembro de 1959. Daí o motivo do Setembro Dom José: seu nascimento e sua morte aconteceram em SETEMBRO. 

            Quarenta anos após a morte de Pio X, em 1954, o Papa era Pio XII. Ele o elevou à honra dos altares, canonizando-o como um dos santos da Igreja. Eu ia fazer meus 14 anos de idade e me lembro bem: D. José decretou feriado no Seminário São José de Sobral, não só para aquele dia 21 de agosto, mas para todos os anos no dia da celebração litúrgica de São Pio X.

Poucos anos depois, em Junho de 1959, D. José teve uma crise de “edema pulmonar” e eu estava com ele em sua residência episcopal. Era cedo da noite quando ele se sentiu mal. Pediu-me para, apressadamente, chamar seu médico e amigo – o Dr. Guarany Mont’Alverne – que habitava em frente à sua casa. Imediatamente eu o chamei e ao chegar, tomou as providências necessárias para debelar a crise e D. José voltou ao normal. Quando todos saíram – médico, padres, seminaristas e alguns amigos e familiares – D. José me segredou: “eu tinha certeza de que não ia morrer. Quando você saiu para chamar o médico, apareceu-me, ali naquela parede, sorrindo, irradiante de felicidade, o meu querido São Pio Décimo. Eu tive certeza de que não morreria dessa vez”. De fato, permaneceu vivo até 25 de Setembro do mesmo ano.

            Além de recordá-lo a cada ano, ainda guardamos inúmeras lições de vida, mesmo após 139 anos de seu nascimento e 62 anos de sua morte. D. José continuará inesquecível.

            Depois do 17º Setembro Dom José em 2016 – um mês após a morte do Prof. Teodoro – ainda teimamos em promover o 18º Evento em Setembro de 2017, reunindo familiares, amigos, diretores dos Institutos criados por ele, o Museu Dom José, a Escola de Artes Universo da Música e a sociedade Sobralense em Geral para prestarmos uma dupla homenagem aos “02 JOSÉs: o tradicional homenageado, Dom José Tupinambá e o criador e incentivador do Setembro Dom José, o Professor José Teodoro.

            O Teatro São João ficou repleto de gente, aplaudindo, incentivando os artistas, motivando até um pronunciamento público na hora do agradecimento: ‘não podemos trair essa memória; para o ano queremos estar aqui e colaborar’.

            O fato é que, já se vão 04 anos sem que sejam lembrados os Setembros Dom José. Não me vejo mais com coragem de arregimentar os novos integrantes da UVA, do Governo Municipal, da Diocese, da Sociedade Civil, do Museu D. José, do Teatro S. João – coetâneo do ilustre Bispo, filho da terra – e da Escola de Artes: Universo da Música que, dos anos 2007 a 2017, fora parceira do Setembro D. José, promovendo o Festival “Amigos e a Música”, sempre com muito sucesso, abordando um ritmo musical.

Dom José com os Padres e Seminaristas da Betânia, em Sobral – Ce.

No alto dos meus 81 anos, não me vejo mais com garra, tempo, ousadia e disponibilidade para integrar tal equipe, embora reconheça como necessária para manter uma tradição em honra de alguém que tanto fez por Sobral. Não é para humilhar ninguém, mas Sobral nunca teve um administrador tão corajoso e tão desapegado, até dos seus próprios recursos, para investir nesta cidade com a sua mensagem de fé, sua obra material sempre na esperança de fazer de Sobral, uma “Nova Roma”. Não era sonhar demais? E ele conseguiu.

            Dom José – sem ter estudado a Teologia da Libertação, sem falar de CEBs ou de “Comunidade de Comunidades”, sem adesão alguma às ideias liberais ou ao positivismo de sua época, sem propagar a nascente Doutrina Social da Igreja, nem mesmo sem ser um visionário socialista – enveredou pela junção de fé e obra, de esperança e política, de oração e ação como o fizeram e ainda fazem tantos outros homens de Igreja. Colocou até seu patrimônio pessoal a serviço da Paróquia da Conceição, como seu 12º Pároco e, mais tarde, a serviço da Diocese, como seu 1º Bispo a partir de 1915, com aquela pertinaz ideia de fazer de Sobral uma miniatura de Roma. Não mediu esforços.

            Criou muitas Associações Religiosas, Irmandades, Catequese, Ordens Terceiras, para vivenciarem as Festas de Padroeiros, as procissões e demais práticas religiosas. Imprimiu no povo as tradições essenciais da vida cristã, dando ênfase à Santa Missa, aos Sacramentos, à Ação Missionária de tal modo que plantou muitas raízes e boas tradições no coração da família sobralense, que perduram até hoje.

            Fundou o Asilo da Mendicidade, alicerce para a futura Santa Casa de Misericórdia, o Seminário São José para a formação de sacerdotes, hoje sede da UVA (Universidade Vale do Acaraú), o Abrigo Sagrado Coração de Jesus, o Colégio Diocesano Sobralense, o Colégio Santana, o Patronato Imaculada Conceição, o Jornal Correio da Semana e, mais tarde, a consequente Rádio Educadora, o Comitê Municipal contra o analfabetismo, o Palácio Episcopal, onde habitava e já funcionava o seu Museu Diocesano, hoje Museu Dom José, o Cine Teatro Gloria, a Casa de férias para si e para seus seminaristas na Serra da Meruoca, mais tarde Centro de Treinamento Diocesano. Para a Administração de Recursos e de doações para construir tantas obras e até movimentar rendas pessoais e da diocese, ousou erigir o Banco de Crédito Popular, transformado mais tarde no BANCESA, que movimentou por um bom tempo a economia local. Dom José foi, de fato, um dos maiores mentores, incentivadores, construtores e administradores do desenvolvimento de Sobral. Ninguém nega.

            Também, pudera! Um homem culto; falava, fluentemente, várias línguas. Conhecia música erudita e tinha um ouvido afinadíssimo. Ao ouvir uma voz destoante no Coral do Seminário, em pleno Pontifical na Igreja da Sé, corrigia publicamente e mandava cantar de novo, desfazendo o erro.

            Como não homenagear este homem, como deixá-lo no esquecimento ou não lhe ter tanto respeito pelo “monstro sagrado” que ele foi? No início deste ano, fui procurado pelo Padre João Paulo, Pároco da Catedral e Chanceler da Cúria Diocesana de Sobral, demonstrando interesse em conhecer a história da caminhada do Setembro Dom José para retomá-la, quem sabe, nos próximos anos. Dei-lhe estas informações acima descritas. Ele é jovem e capaz de dar um novo destino a tudo. Vá em frente, meu irmão! Se eu ainda estiver vivo e puder colaborar com alguma lembrança dos fatos, conte comigo.

Mons. ASSIS ROCHA Mestre e Doutor em Comunicação Social

O COMENTÁRIO DO PROFESSOR JOÃO RIBEIRO SOBRE ESTE LIVRO, na sua segunda capa.

livro lançado, recentemente, em Sobral

Há tempos a Literatura Brasileira sente falta da poesia prosaica. Depois de João Cabral de Melo Neto pouca coisa se viu por aqui. Nos últimos anos, apenas Loiola Rodrigues, poeta cearense de Forquilha, carrega sozinho este gênero de poesia no Brasil.

Agora chega o poeta Percy Galimbertti, com um livro  de poemas e crônicas, desenhos e fotos. Desvenda poesia nos mais simples acontecimentos da vida cotidiana. Seus poemas  são crônicas, e suas crônicas são cheias de poesia, assim como as fotografias e os desenhos. Em tudo que toca, jorra poesia.

Destaca-se a sua erudição. Domina várias línguas. Fala com muita intimidade de autores e artistas famosos do Brasil e de outros países.  Na intertextualidade, seu texto dialoga com outros de alto nível, o que torna sua poesia universal, sobretudo por sintoniza-la com outras manifestações artísticas, como a música, o desenho e a fotografia.

É admirável o sentimento de compaixão pelos que sofrem, presentes nas linhas e entrelinhas de seu livro. São digitais de um grande poeta.

João Ribeiro Paiva, Betanista de Groaíras Revisor das Edições UVA/Sobral – Ce.