Política governamental desastrosa – Texto de Mons. Assis Rocha

A Constituição federal – em seu Capítulo IV, Art. 29, sobre a Organização dos Municípios – estabelece, em seu § 1º, “eleição do Prefeito, do Vice e dos Vereadores, para mandato de 04 anos, mediante pleito direto e simultâneo, realizado em todo o país”, bem como “suas posses no dia 1º de Janeiro do ano subsequente ao da eleição” como reza o § 3º. Hoje, dia 02 de Janeiro, os poderes legislativo e executivo, de todos os Municípios Brasileiros, já estão empossados, inclusive as mesas diretoras de cada Câmara Municipal, para darem legitimidade às suas posses.

Mons. ASSIS ROCHA, Mestre e Doutor em Comunicação Social

Em ocasiões como esta – em tempos normais – quase todos os novos gestores reclamavam das dificuldades de caixa ou da falta de recursos deixados pela gestão anterior. Agora estamos num “novo normal”. As reclamações devem ser maiores, devido a Pandemia da Covid 19 e a falta de meios para enfrentá-la. Para os governantes que deveriam ser mais responsáveis, não passa de uma “gripezinha” ou um “resfriadinho” que já está no “finzinho”. É uma “minimizaçãozinha” para com os quase 08 milhões de infectados e os cerca de 200 mil mortos. É uma tristeza! Além dos vergonhosos diminutivos desrespeitosos, ainda há maus exemplos públicos de palavrões, gestos, ausência da máscara, cumprimentos e abraços sem higiene alguma, além de apoios explícitos ao fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, como também a volta às cédulas de votação, em vez da urna eletrônica, “porque aquela é mais segura”. Caso contrário, as Eleições serão suspensas. É ditadura ou não é?

            E o pior: enquanto uns 40 países (inclusive latino-americanos) já estão iniciando sua campanha de vacinação, nós não temos nada programado, as autoridades sanitárias não têm nem previsão de data certa para iniciar, o próprio Ministério da Saúde está cheio de militares, desconhecedores da sua responsabilidade, sem entender de nenhum medicamento, mesmo que fosse para tratar da tal ‘gripezinha’, a começar do Ministro, deixando-nos a todos, atônitos e sem saber pra quem apelar. A verdade é que não temos nenhuma projeção acerca de quando e como o processo de imunização será iniciado no Brasil. As autoridades estão “politicando” com a saúde do povo, as redes sociais dizem que estão é “politizando a vacina” e, no meio desse tiroteio, estamos todos sofrendo e esperando que tenham mais respeito para com todos e que salvem nossas vidas enquanto é tempo. Basta de tanta morte e de tanto descaso para com nossa saúde. As poucas informações que ainda nos aparecem são provenientes de pressão judicial, ou popular, ou mesmo da classe científica, de tal modo que geram em nós: incertezas, falta de clareza ou de responsabilidade dos profissionais do Ministério da Saúde, que nada entendem daquilo que lhes estamos cobrando. Temos o direito de cobrar, mas eles do Ministério da Saúde não têm clareza quanto à Pandemia.

            Podemos dizer, sem medo de errar, que a política governamental em relação à Covid 19, pode ser considerada, no mínimo, desastrosa, inclusive em relação aos processos e operações que envolvem o sistema de vacinação. Se não bastasse ter qualificado a pandemia como “gripezinha”, agora que o país enfrenta uma 2ª onda com cerca de 200 mil brasileiros mortos, o chefe do executivo nacional alardeia que “a pandemia está no finalzinho”.

            É uma brincadeira de muito mau gosto, com a saúde e a vida do povo. Há países, bem menores que o Brasil, já imunizando sua gente. Nós estamos agindo, muito tardiamente, sem a suficiência de tempo necessário e sem a competência capaz de ter o nosso problema resolvido. “Diante de nossas dimensões geográficas e do nosso Nº de habitantes, tão dispersos por toda parte, se iniciássemos a vacinação, no máximo, em fevereiro, certamente, até o final de 2021 teríamos, ao menos, 60% de pessoas vacinadas, o suficiente para diminuir o risco de transmissão e, consequentemente, o aparecimento de novos casos”. É a previsão da Dra. Maria Inês Padula Anderson, que entende e conhece o nosso Programa Nacional de Imunização, desde 1973, nas vacinações feitas em nossas endemias nacionais. Porque uma profissional da saúde, como esta, com a longa experiência que já tem, não é convidada para o Ministério da Saúde/ para realizar um trabalho sério e de quem conhece e tem experiência, em vez de deixar nas mãos de um militar, que nem sabe por que ocupa tal função?

            Senhores Prefeitos e Vereadores, eleitos em 15 de Novembro de 2020 e empossados ontem, 1º de Janeiro de 2021! Tanto no “normal” de antigamente, como no atual “novo normal” a responsabilidade é a mesma. Os recursos sempre são escassos. Exercer uma função pública não é ter conquistado um emprego, com carteira assinada, que lhe dê aposentadoria ou pensão vitalícia. Exercer uma função pública é prestar um serviço à sua comunidade política sem visar vantagens. É uma prestação de serviço e nada mais. Até o ano de 1960, o vereador prestava, realmente, um serviço à sua Comunidade, pois não havia nenhuma remuneração. Passado o pleito e o mandato, havia nova escolha de outro candidato. O cargo de vereador era provisório. Depois que ele se tornou “um emprego”, produziu salário e teve prestígio, nunca mais ele quis perder a função. Ficam nela até morrer.             Já que mudou tanto, seria bom que o serviço remunerado, fosse mais bem exercido. Pandemia nenhuma deve impedir às autoridades executivas e legislativas de exercerem, mais seriamente, suas funções. Sempre batalhei para que o povo fosse, socialmente, bem tratado. É uma pena, vê-lo tão enganado. Há eleições, a gente defende a Democracia como a melhor forma de governar, escolhe aquele que nos parece melhor e ele nos engana tanto, faz o contrário do que nos prometeu. Que tristeza! Até quando vamos ser enganados? Sei que morrerei e não verei meus sonhos realizados. Paciência!

MONS ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará é Mestre e Doutor em Comunicação Social, Ex Pró-
Reitor de Comunicação da Universidade Estadual Vale do Acaraú, Escritor. Sacerdote Aposentado
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