O DESAFIO DA INCLUSÃO ESCOLAR NA ATUALIDADE

INSTITUTO DE ESTUDOS E PESQUISAS DO VALE DO ACARAÚ

LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

MARIA EDILENE MOREIRA DO NASCIMENTO

O DESAFIO DA INCLUSÃO ESCOLAR NA ATUALIDADE

GUARACIABA DO NORTE – CE 2019

Maria Edilene Moreira do Nascimento

1. INTRODUÇÃO

            As pessoas com deficiência incomodam? Diante de uma pessoa com deficiência física ou motora, sensorial ou mental as pessoas vivem sentimentos contraditórios, desde a repulsa até a compaixão. Tem sido assim ao longo da história, perante os “diferentes”.

            Acabar com os preconceitos e aceitar integralmente, as pessoas com deficiência é tarefa de todos. E não basta ficar só nas boas intenções é preciso agir de forma solidária e responsável, para separar os não deficientes daqueles que tem alguma deficiência. Pessoas com deficiência possuem direitos garantidos por leis. Esses direitos devem ser reconhecidos e divulgados, um deles é o acesso à educação em qualquer nível, é um direito humano inquestionável. A Constituição Federal garante o direito a igualdade (art 5º) e trata nos artigos 205 e seguintes do direito de todos à educação. Esse direito deve visar o “pleno desenvolvimento da pessoa seu preparo para exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. (art. 205).

            Portanto, a Constituição garante à todos o direito à educação e ao acesso à escola. Toda escola assim reconhecida pelos órgãos oficiais como tal, deve atender aos princípios constitucionais, não podendo excluir nenhuma pessoa em razão de sua origem; raça, sexo, cor, idade, deficiência ou ausência dela.

A inclusão escolar não significa automaticamente aprendizado e alfabetização. A qualidade do ensino e o currículo normalmente não são adaptados às necessidades das crianças com deficiência. Muitas escolas prestam mais atenção aos impedimento do que aos potenciais de tais pessoas. A inclusão é um desafio que, ao ser devidamente enfrentado pela escola comum, provoca a melhoria da qualidade da educação básica e superior, pois para que os alunos com e sem deficiência possam exercer o direito à educação em sua plenitude é indispensável que a escola aprimore suas práticas a fim de atender às diferenças, a presença de alunos com necessidades educacionais especiais na sala de aula é um fenômeno educativo que produz conhecimento e transformação, todas as crianças devem aprender juntas sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferença que possam ter.

Uma das nações mais difundidas na realidade brasileira é a de que a rede pública não está capacitada para receber crianças com necessidades educacionais especiais, seja por deficiência física, sensorial ou mental. Por isto a educação especial têm-se mostrado como uma espécie de limbo, para onde são encaminhados os educandos considerados ineptos ou incapazes de aprender espelhando as mazelas do sistema educacional. Ora tais educandos mostram-se ineptos do ponto de vista de que e de quem? Parecem incapazes de prender o que? Porque? Para que? Estas e outras questões suscitam uma reflexão sobre a ação pedagógica, a problemática da função social da escola e os mecanismos de inclusão e exclusão social.

O presente trabalho pretendeu abordar e apresentar uma reflexão sobre o desafio da inclusão escolar na atualidade..

A deficiência tem sido concebida como condição incapacitante e impeditiva, inspirando atos de caridade e proteção. O enfoque assistencial e o terapêutico, predominantes nas tentativas de escolarização de alunos com necessidades educacionais especiais, têm envolvido da negação ao reconhecimento do direito de que alunos devem aprender em ambientes os menos restritos possíveis, mediante adaptações física, funcional e curricular. Para isto devem ser viabilizados modalidades educacionais como suporte pedagógico, indispensáveis as exigências do desempenho escolar esperado. O aluno deve frequentar a escola regular, se houver um aparato de condições disponíveis, como recursos materiais e humanos, atendimento terapêutico e reabilitatório. Em decorrência, poucos conseguem permanecer na escola.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 A educação especial e a legislação

A implementação de políticas públicas no âmbito educacional para que a escola se torne inclusiva tem sido trabalhada intensamente com o propósito de tornar uma sociedade mais justa e igualitária, sem qualquer tipo de rejeição e preconceito. A Constituição é um conjunto de leis que regem um país, um governo, um estado. É um conjunto de prescrições em que se discriminam os órgãos do poder, definindo a competência desses, estabelecendo a forma de governo, proclamando os direitos individuais e sociais, e assegurando esses direitos num sistema definido, determinado, com clareza e precisão.

Nesse sentido já se tem um ponto de partida para que a inclusão escolar aconteça, mas antes disso já existia um breve histórico na legislação sobre a inclusão escolar. Em 1961 – Lei Nº 4.024 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) fundamenta o atendimento educacional às pessoas com deficiência, chamadas no texto de “excepcionais”. “A Educação de excepcionais, deve, no que for possível, enquadrar-se no sistema geral de Educação, a fim de integrá-los na comunidade.”

Em 1971 – Lei Nº 5.692. A segunda lei de diretrizes e bases educacionais do Brasil substituindo a anterior onde o texto afirma que os alunos com “deficiências físicas ou mentais, os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deverão receber tratamento especial”.

Essas normas deveriam estar de acordo com as regras fixadas pelos Conselhos de Educação. Ou seja, a lei não promovia a inclusão na rede regular, determinando a escola especial como destino certo para essas crianças.

Tendo esse conceito sobre as leis, a Constituição de 1988 é a que rege o país até os dias de hoje. É conhecida como a “Constituição Cidadã”. Promove o estado democrático. Em seu artigo 208 onde diz que a educação será efetivada a todos, precisamente no seu parágrafo III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

A lei 7.583 do ano de 1989, que dispõe sobre o apoio e sua integração social das pessoas com portadora de deficiência, dispondo a matricula em cursos regulares em estabelecimento público, seu texto prevê a “oferta obrigatória e gratuita de educação especial na rede pública de ensino, o oferecimento obrigatório de programas de educação especial a nível pré-escolar, em unidades hospitalares e congêneres nas quais estejam internados, por prazo igual ou superior a um ano algum educando portador de deficiência” (BRASIL, 1996, p. 9)

Dessa forma é permitido que as próprias unidades de ensino definam os padrões que determinam que os deficientes são capazes de interagir no ambiente escolar e no meio social.

Houve uma declaração que diz que a educação é um direito fundamental e de todos, mulheres e homens de todas as idades do mundo inteiro, como também que a educação é de fundamental importância para o desenvolvimento das pessoas e das sociedades, contribuindo para conquistar um mundo mais seguro, mais sadio, mais prospero e ambientalmente mais puro, favorecendo o progresso social, econômico e cultural, a tolerância e a cooperação internacional. É a chamada Declaração de Jomtier em 1990, essa declaração determina o fim do preconceito de qualquer natureza na educação.

Observa-se que é de grande importância criar instrumentos norteadores para a ação educacional que apoie e construção de sistemas educacionais inclusivos nas diferentes esferas públicas, municipal, estadual e federal.

Em 1990. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), através da Lei nº. 8.069/90 no artigo 55 reforça os dispositivos legais supracitados ao determinar que “os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. O Estatuto da Criança e do Adolescente vem reafirmar que o educação além de ser uma obrigação do estado é também uma obrigação dos pais ou responsáveis da criança, que se busque uma escola onde seja ofertada um aprendizado.

Em 1994, a Declaração de Salamanca, que tem como objetivo principal os princípios políticos e práticas na área das Necessidades Educativas Especiais. A questão central da Declaração de Salamanca é fazer a inclusão de crianças, jovens e adultos portadores de necessidades especiais dentro da escola regular. Propondo uma política de pratica de educação Especial, tornando escolas regulares inclusivas como um meio mais eficaz de combater a descriminação, determinado que as escolas acolham todas as crianças independentes de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou linguísticas.

De acordo com Lucy (2010);

A escola pode ser um apoio para fortalecer as crianças numa profunda relação pessoal com outras pessoas, dentro de uma atmosfera emocional, social, psicológica, possibilitando um aprimoramento cognitivo e fornecendo a oportunidade de uma solida aprendizagem de valores (LUCY, 2010, p. 14)

A partir desse entendimento, as escolas passaram a ter mais credibilidade em projetos de inclusão de crianças com deficiência dentro de seu ensino regular.

Em 1996, cria-se um novo capítulo da LDB sobre a educação especial. Onde afirma que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no 9.394/96 (Brasil, 1996), no Capítulo III, art. 4º, inciso III, diz que é dever do Estado garantir o “atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino”. Atualmente já se tornou uma realidade dentro das escolas brasileiras, de certa forma é um avanço com relação ao passado.

Em 1999 o Decreto nº 3.298 que regulamenta a Lei nº 7.853/89
que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, “define a educação especial como uma modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino, enfatizando a atuação complementar da educação especial ao ensino regular”.

A determinação dos sistemas de ensino para matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais contemplando, portanto, o atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização, foi decretado na Resolução do CNE/CEB no ano de 2001, das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.

Ainda no ano de 2001, o Plano Nacional de Educação – PNE, Lei nº 10.172/2001 destaca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”.

Estabelecendo metas e projetos para que o sistema de ensino favoreça o atendimento as necessidades educacionais dos alunos.

Em 2002, pela lei 10.845/2002 foi reconhecido LIBRAS (língua brasileiras de sinais) como uma língua oficial no País, juntamente com o Português. Assim também como o BRAILE, inserido em todas as modalidades de ensino compreendendo o projeto da grafia Braile para a língua portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo território nacional – Portaria MEC 2.678/2002.

Ainda em 2002 através da resolução CNE/CP 01/2002, através da Diretrizes e Curriculares Nacionais para a formação de professores da educação básica, definindo que as instituições de ensino superior devem prever em sua organização curricular, formação docente voltada para a tenção a diversidade e contemple conhecimento sobre as necessidades dos alunos especiais.

O Programa de Contemplação ao Atendimento Educacional Especializado ás pessoas portadoras de deficiência (PAED) instituído pela lei 10.845/2004, com o principal objetivo de garantir a universalização do atendimento especializado de educandos portadores de deficiência, cuja a situação não permita a integração em classes comuns de ensino regular e garantir, progressivamente a inserção dos educandos portadores de deficiência nas classes comuns de ensino regular.

Em 2007 pelo decreto 6.094/2007, foi lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), reafirmado pela agencia social, tendo como eixo a formação de professores para a educação especial, com a implantação de salas multifuncionais, acessibilidade arquitetônica dos prédios escolares. Reafirmando mais uma vez que a igualdade e condições de educação tem quer para todos.

Em 2011 – Decreto nº 7.612, de 17 de novembro de 2011 Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Plano Viver sem Limite.

Segue em 2012 – Lei nº 12.764.  A lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Mais adiante em 2014 – Plano Nacional de Educação (PNE) com a meta que trata do tema no atual PNE é a de número 4. Sua redação é: “Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotado, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados”. O entrave para a inclusão é a palavra “preferencialmente”, que, segundo especialistas, abre espaço para que as crianças com deficiência permaneçam matriculadas apenas em escolas especiais.

Nesse sentido a educação especial ganha mais força perante os documentos que tratam das leis que protegem e assegura este processo de inclusão.

2.2 A escola e o professor: desafios e possibilidades do trabalho em sala de aula

            É importante reconhecer a importância de se formar professores especializados para atender pessoas com necessidades especiais, sob quaisquer modalidades de ensino como diz a LDB (1996), em seu artigo 59. “Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns”.

            O Plano Nacional de Educação (MEC, 2000), aponta a integração entre professores da Educação Especial e da educação regular como uma das ações necessárias para efetivação da educação inclusiva. E acrescenta:

Art. 8. As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes:

I – professores das classes comuns e da educação especial capacitados e especializados, respectivamente, para o atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos;

II – condições para reflexão e elaboração teórica da educação inclusiva, com protagonismo dos professores, articulando experiências conhecimento com as necessidades/possibilidades surgidas na relação pedagógica inclusive por meio de colaboração com instituições de ensino superior e de pesquisa. (MEC, 2000)

            De acordo com o MEC (MEC/SEESP, 1995), consiste num suporte oferecido por um professor especializado ao professor regular que tem em sua classe alunos especiais. Além disso, o professor itinerante deve também dar apoio ao educando incluído, o qual pode ser individual ou em grupo, de acordo com as necessidades específicas de cada caso e, se necessário for, o professor itinerante pode ainda trabalhar com o aluno incluído em horário distinto do tempo de aula.

            Para que ocorram mudanças efetivas no quadro das escolas em relação à inclusão de alunos com necessidades especiais, é preciso lembrar a necessidade de combater os problemas educacionais gerais, como, por exemplo, o fracasso e evasão escolares e a qualidade do ensino público. Incluir alunos com necessidades nos tempos atuais dentro do ensino regular, deve apenas um conceito de inclusão, mas acima de tudo um momento de melhoria na educação brasileira.

            A escola é um dos agentes responsáveis pela integração do aluno portador de deficiência na sociedade, além da família. É um componente capaz de contribuir para o bom desenvolvimento e uma socialização adequada para o aluno, através de atividades em grupo, de forma que capacite o relacionamento e participação ativa das mesmas, caracterizando em cada aluno o sentimento de sentir-se um ser social.

            Se o aluno portador de necessidades especiais não se envolve com o grupo ou este não a envolve, começa haver um baixo nível de participação e envolvimento nas atividades e, consequentemente, o isolamento que afetará no desempenho escolar e social. A escola tem uma tarefa relevante no resgate da autoimagem distorcida destes alunos, por ter uma concepção socialmente transmissora de educação e de cultura, que transcende as habilidades educacionais familiares, além da responsabilidade e competência em desvendar para o aluno o significado e o sentido do aprender.

            As escolas devem buscar formas de prevenção nas propostas de trabalho, preparar os professores para entenderem melhor os seus alunos, diferenciando e respeitando o ritmo de cada um.

            A metodologia da escola deve ser adequada e que envolva a todos. E no momento em que surgir problema com algum aluno é importante que haja uma mobilização por parte da escola, a fim de que solucionem a possível dificuldade, sempre se esforçando para a aprendizagem ser significativa para o aluno. Com isso todos têm a ganhar, a escola, a família e principalmente o aluno deficiente.

            A aprendizagem escolar deve estar diretamente ligada ao currículo que a escola apresenta, permitindo ajustar o fazer pedagógico de acordo com a necessidade dos alunos. Contudo o professor deve ser formado nesta área, ou pelo menos ter a atitude favorável de diversificar e flexibilizar o processo de ensino aprendizagem de modo que atenda as diferenças individuais dos alunos.

            Essa concepção coloca em destaque o processo que a escola enfrenta e consequentemente o que o professor precisa fazer. De acordo com Zaniolo, (2012);

O professor para atuar com esse aluno com deficiência deveria ser formado para atuar nas escolas e classes especiais. Sua formação deveria garantir o conhecimento pleno de uma deficiência, formação categorial e das estratégias necessárias para minimizar suas manifestações de forma a tornar o aluno mais próximo possível de aluno considerado normal. (ZANIOLO, 2012, p. 12)

                Esse modelo de integração do aluno com deficiência no ensino regular mostrou-se um pouco complicado quando posto em pratica, encontrando uma enorme dificuldade, onde não existe uma gestão escolar capaz de criar uma sala especializada, com professores capacitados a atender as necessidades básicas dos alunos, mesmo assim, não será o professor capacitado o maior responsável pelo bom desenvolvimento do aluno, acabou atuando como papel de terapeuta na habilitação e reabilitação, perdendo assim o foco de sua função pedagógica no desenvolvimento do aluno.

            O movimento de inclusão social traz para a escola necessidade de mudanças no seu paradigma com relação ao conteúdo programático, respeitando as diferenças e respeitando seus valores, como peças fundamentais para o desenvolvimento social.

            O professor especializado em educação especial segundo as Diretrizes nacionais para Educação especial na Educação Básica (Brasil 2001) é aquele que desenvolve competências para identificar as necessidades educacionais especiais, define e implementa respostas educativas a essas necessidades, apoia o professor da classe comum e atua nos processos de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, desenvolvendo estratégias de flexibilização, adaptação curricular e práticas pedagógicas alternativas dentre outras.

            Diante de tantas funções importantes e diferentes é notório que este profissional necessita de formação inicial voltada para essa realidade e formação em serviço constante para que possa responder positivamente a esses desafios.

            Promover a inclusão na escola regular dos alunos com deficiência física, intelectual, visual, auditiva e múltipla, requer certas habilidades e esforços dos educadores, pois eles precisam olhar para as competências que os alunos trazem e não apenas para suas limitações. Freire (2007, p. 23) afirma que “ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado”. Quando se recebe alunos com deficiência dentro da sala de aula é preciso que haja um acolhimento, ter um olhar especial, bem sabemos que por trás desse aluno existe um ser em desenvolvimento, que precisa ser desenvolvido, compreendido e amado, através de um processo de formação.

            Para Freire (2007) o processo formador tem estreita relação com o processo ensino-aprendizagem: quem ensina também aprende e quem aprende também ensina.

A preparação do professor só se dar efetivamente mediante a uma formação em serviço que contemple a sua realidade. Cursos de formação teórica que abrangem as deficiências, diagnósticos e prognósticos pouco ajudam uma vez que o professor continua sem saber reorganizar sua pratica. (ZANIOLO, 2012, p. 10)

               Há de se conhecer que o educador venceu barreiras significativas no processo de educação, no atendimento ás necessidades dos alunos especiais. A escola vivencia um processo de transformação, onde a educação inclusiva já é uma realidade presente no ensino regular graças aos esforços dos educadores. Que o sistema de ensino possa guiar o professor e apoiá-lo e acima de tudo acompanhá-lo na construção do saber para que possa efetivar de maneira clara a inclusão destes alunos, valorizando assim sua atuação profissional.

3. METODOLOGIA

Tartuce (2006) aponta que a metodologia científica trata de ciência e ciência. Método (do grego methodos; significa, literalmente, “caminho para chegar a um fim”) é, portanto, caminho em direção a um objetivo.

Metodologia é o estudo do método, ou seja, é o corpo de regras e procedimentos estabelecidos para realizar uma pesquisa científica, a qual compreende o conjunto de conhecimentos precisos e metodicamente ordenados em relação a determinado domínio do saber.

Metodologia científica é o estudo sistêmico e lógico dos métodos empregados nas ciências, seus fundamentos, sua validade e sua relação com as teorias científicas.

Em geral, o método científico compreende basicamente um conjunto de dados iniciais e um sistema de operações ordenadas adequado para formulação de conclusões, de acordo com certos objetivos predeterminados.

A atividade preponderante da metodologia é a pesquisa. O conhecimento humano caracteriza-se pela relação estabelecida e sujeito e o objetivo, podendo-se dizer que esta é uma relação de apropriação.

A complexidade do objeto a ser conhecido determina o nível de abrangência de apropriação. Assim, a apreensão simples da realidade cotidiana é um conhecimento popular ou empírico, enquanto o estudo aprofundado e metódico da realidade enquadra-se no conhecimento científico. O questionamento do mundo e do homem quando á origem, liberdade ou destino, remete ao conhecimento filosófico (TARTUCE, 2006).

                Segundo Gil (2007, p. 17), pesquisa é definida como o (…)procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas  que são propostas.

            A pesquisa desenvolve-se por processo constituído de várias fases, desde a formulação do problema até a apresentação e discussão dos resultados. Só se inicia uma pesquisa se existir uma pergunta, uma dúvida para qual se quer buscar a resposta.

            Pesquisar, portanto, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa. As razões que levam à realização de uma pesquisa científica podem ser agrupados em razões intelectuais (desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer) e razões intelectuais (desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficaz).

            Para se fazer uma pesquisa científica, não basta o desejo do pesquisador em realizá-la; é fundamental ter o conhecimento do assunto a ser pesquisado, além de recursos humanos, materiais e financeiros.

            É irreal a visão romântica de que o pesquisador é aquele que inventa e promove descobertas por ser genial. Claro que se há de considerar as qualidades pessoais do pesquisador, pois ele não se atreveria a iniciar uma pesquisa se seus dados teóricos estivessem escritos numa língua que ele desconhece.

Mas, por outro lado ninguém duvida que a probabilidade de ser bem-sucedida uma pesquisa quando existem amplos recursos materiais e financeiros (para pagar um tradutor, por exemplo) é muito maior do que outra com recursos deficientes.

É importante salientar a diferença entre metodologia e métodos. A metodologia se interessa pela validade do caminho escolhido para chegar ao fim proposto pela pesquisa; portanto, não deve ser confundida com o conteúdo (teoria) nem com os procedimentos (métodos e técnicas).

Dessa forma, a metodologia vai além da descrição dos procedimentos (métodos e técnicas a serem utilizadas na pesquisa), indicando a escolha teórica realizada pelo pesquisador para abordar o objetivo de estudo.

   No entanto, embora não sejam a mesma coisa, teoria e método são dois termos inseparáveis, “devendo ser tratados de maneira integrada e apropriada quando se escolhe um tema, um objeto, ou um problema de investigação” (MINAYO, 2007, p. 44).

Minayo (2007, p. 44) define metodologia de forma abrangente e concomitante:

(…) a) com a discussão epistemologia sobre o conhecimento o “caminho do pensamento” que o tema ou objeto de investigação requer; b)como a apresentação adequada e justificada dos métodos, técnicas e dos instrumentos operativos que devem ser utilizados para as buscas relativas ás indagações da investigação; c) e como a criatividade do pesquisador, ou seja, a sua marca pessoal e específica na forma de articular teoria, métodos, achados experimentais, observacionais ou qualquer outro tipo específico de resposta às indagações específicas. (MINAYO, 2007)

De acordo com Fonseca (2002, p.10), (…) o homem é, por natureza um animal curioso. Desde que nasce interage com a natureza e os objetivos à sua volta, interpretando o universo a partir das referências sociais e culturais do meio em que vive.

Continua o autor ressaltando que se adquire o conhecimento através das sensações, que os seres e os fenômenos lhe transmitem.  A partir dessas sensações elabora representações. Contudo essas representações, não constituem o objetivo real.

O objeto real existe independentemente de o homem o conhecer ou não. O conhecimento humano é na sua essência um esforço para resolver contradições, entre as representações do objeto e a realidade do mesmo.

Assim, o conhecimento, dependendo da forma pela qual se chega a essa representação, pode ser classificado de popular (senso comum), teológico, mítico, filosófico e científico.

Explicita ainda Fonseca (2002, p. 11) que o conhecimento científico é produzido pela investigação científica, através de seus métodos.

Assim, seria resultante do aprimoramento do senso comum, o conhecimento científico tem sua origem nos seus procedimentos de verificação baseados na metodologia científica.

É um conhecimento objetivo, metódico, passível de demonstração e comprovação. O método científico permite a elaboração conceitual da realidade que se deseja verdadeira e impessoal, passível de ser submetida a testes de falseabilidade.

Alerta então o autor para o fato de que o conhecimento científico apresenta um caráter provisório, uma vez que pode ser continuamente testado, enriquecido e reformulado. Para que tal possa acontecer, deve ser de domínio público.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

             Diante do exposto o presente estudo mostra que há um longo caminho a percorrer. Se desejarmos uma sociedade verdadeiramente democrática na qual todos possam ter possibilidades de vida digna, temos que fazer da inclusão social uma realidade.

A construção de uma sociedade inclusiva passa pelo aprimoramento das relações sociais, pela compreensão de que o verdadeiro pensamento inclusivo é aquele que não categoriza as pessoas por ordem de valor, valor esse atribuindo através de estereótipos, estigmas, conhecimento instituídos; pensar exclusivamente e aprender olhar cada pessoa e buscar nela seu valor real, construindo nas relações cotidianas, nos seus sonhos e expectativas e nas suas ações concretas no mundo.

A inclusão de pessoas com necessidades especiais é possível, a construção de uma sociedade mais digna para todos, com ou sem deficiência. Mas isso só será possível quando cada cidadão entender que o movimento pela inclusão social não é algo que está lá, distante, nas instituições, nas famílias de pessoas com deficiência, na escola; o movimento pela inclusão é algo que deve fazer parte do cotidiano de todos.

A inclusão escolar não significa aprendizado, mas é possível individualizar o ensino para quem quer que seja, na medida em que não podem controlar de fora o processo de compreensão de outra pessoa. O que é individual e intransferível é a aprendizagem, que é própria do aprendiz, não é ditada nem controlada, definida ou adaptada por ninguém de fora a não ser pelo sujeito do conhecimento no caso o aluno. Ao professor cabe ensinar, ou seja disponibilizar o conhecimento de forma aberta, ampla e flexível, de modo que o aluno o assimila livremente de maneira original, regulado por seus interesses e possibilidades de adaptação.

Concluindo as pessoas com necessidades especiais não precisam de  nossa pena ou de nossa caridade, mas  precisam de oportunidades e, principalmente, de respeito.

5. REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS

BRASIL. Diretrizes Operacionais para a educação especial na educação básica. Secretaria de Educação especial- MEC; SEESP, 2001.

CNBB, Campanha da fraternidade 2006, Fraternidade e pessoas com Deficiências. Manual conferencia nacional dos Bispos do Brasil, São Paulo, Editora Salesiana, 2005.

FONSECA, Edi. Interações: com olhos de ler. 2.ed꞉ São Paulo, 2002 .

FREIRE, Paulo. A importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2007.

GIL. Antônio Carlos.  Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

LUCY, Silva. O olho do coração, uma questão de inclusão social. São Paulo. Paulus,  2010.

ZANIOLO, Leandro Osni, Dal Acqua, Maria Julia C. Inclusão escolar: Pesquisas Publicas formação de professores e práticas pedagógicas. Jundiaí. Paco Editorial 2012.

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