Não foi com o nosso voto que eles foram eleitos?

Todos os anos, sempre usei este dia, chamado “Sábado Gordo” para falar, em qualquer órgão de imprensa que estivesse ao meu alcance, sobre o Carnaval, já que, de hoje até a quarta-feira de cinzas, imperava o Rei Momo.

A partir de hoje, 13 de Fevereiro, até a Quarta-feira, dia 17, o Brasil todo esquecia seus problemas, suas dificuldades, alta do custo de vida, saldo no cartão de crédito, problemas políticos ocasionados pelos 03 poderes da Nação, delação premiada, falhas na educação, na saúde, na segurança ou nos deveres governamentais, para só prestar Homenagem a Rei Momo.

Mons. Dr. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará

Era o grande momento brasileiro da alienação geral, da fuga de nossa realidade, da ingestão do ópio que contaminava a todos: Era CARNAVAL.

            Feriado prolongado, vigilância maior nas estradas, grande afluência de foliões em determinadas cidades e praias, presença, mais ostensiva, de policiamento por toda parte, até o uso das forças armadas, enfim, a vida nacional mudava de forma, de jeito, de atitude e de compromissos.

            O Brasil parava como engrenagem política, como burocracia, para viver a coisa mais desburocrática do mundo, que era o CARNAVAL. Chegara a hora das fantasias: aquela com que se brincava, e aquela que estava na cabeça de muita gente. Como sou ‘folião’ de tempos passados – aqui mesmo em Afogados da Ingazeira – ainda me lembro dos saudosos risos e alegrias de Zé Keti, com sua famosa e sempre lembrada “máscara negra”.

Porque me estou referindo a tudo isso, como coisa do passado? Não há mais carnaval? Por certo, você mesmo, meu ouvinte, já entendeu o porquê deste meu questionamento. A Pandemia nos está proporcionando esta reflexão. Parece que nós temos que voltar aos primórdios do Carnaval. Temos que recordar sua historia. Antigamente, esse tempo anterior à quarta-feira de Cinzas, era aproveitado pela própria Igreja, para estimular os seus fiéis a se alimentarem mais de carne, uma vez que da Quarta-feira de Cinzas em diante, vivia-se o Tempo Litúrgico da Quaresma, durante o qual, era proibido comer carne. O que tem a ver, uma festa tão profana, como o Carnaval, com um tempo litúrgico tão religioso e de tanta prática da fé?

            A Quaresma ou Quadragésima é um tempo de 40 dias de penitência, de jejum, de conversão dos pecados, enfim, de purificação da alma, preparatório para a Festa da Páscoa ou da Ressurreição do Senhor, que se celebra este ano, no dia 04 de Abril.

            Em tempos remotos, a Igreja estimulava o povo a se despedir da alimentação da carne, exatamente agora: 03 dias antes de iniciar a Quaresma, ocasião em que todos comiam bastante carne – para enjoar mesmo – até à ½ noite da quarta feira de cinzas, a fim de suportarem os 40 dias que se seguiam, sem provarem tal alimento, como uma penitência.

            Era um verdadeiro festival de carne, ou um verdadeiro Carnaval, realizado por motivos religiosos e por respeito à Fé e ao momento litúrgico celebrado e vivido pela própria Igreja.

            Claro que se a Igreja adivinhasse que o seu mais bem intencionado Carnaval, ia dar no que deu, jamais teria ela estimulado tal forma de despedida da carne, divulgando tão grande penitência corporal, física, durante a Quaresma.  Aos poucos o povo foi desviando-se da justificativa ou das motivações apresentadas pela Igreja, foi introduzindo a bebida, para ajudar na ingestão da carne, e o Carnaval chegou ao estágio em que estávamos: uma festa pagã, profana, com muita carne, sim, mas carne humana às vistas.

Tornou-se uma festa de muita sensualidade, de muita apelação visual, para corpos nus, ou seminus, de muita permissividade e de um exagero sem limites: na bebida, nas fantasias, nas corridas de automóveis pelas ruas e pelas estradas, nos abusos de ordem sexual, até com o incentivo do Governo, distribuindo camisinhas ou outros preservativos, enfim, havia uma alienação enorme, uma loucura desmedida, um aproveitamento da oportunidade, como se fosse a última na vida. Não havia uma educação especial ou uma orientação para se viver corretamente. Havia uma libertinagem geral e não, uma liberdade, retamente ou conscientemente, assumida.

            E o pior é que, em cada ano que passava, se queria superar a alegria e o exagero do ano anterior. A criatividade das grandes Escolas de Samba, no enredo de suas homenagens, na história que queriam recontar ou na crítica que queriam repassar, havia um segredo, escondido a sete chaves, e, ao realizarem uma apresentação ou um desfile, já tinham na mente, o tema para o ano seguinte.

            Nas classificações finais do CARNAVAL-SHOW, apresentado nas grandes cidades, sobretudo nos eixos Rio/São Paulo, Salvador/Recife, os que perdiam, fariam todo esforço para ganhar no ano seguinte, e os que venciam, esforçar-se-iam mais ainda, para manterem o sucesso obtido.

            E assim, o tempo ia passando. Entrava ano e saía ano, e a ilusão continuava. O povo brasileiro ia vivendo de suas utopias, de seus sonhos e até de suas alienações. Este ano, o Carnaval não seria diferente. Se não tivesse aparecido a Pandemia, certamente o Reinado de Momo seria muito maior e grandioso.

A Covid veio dar um basta e nos fazer pensar. Fez-nos entender que deveríamos voltar às origens. Refazer nossa historia. Pôr-nos limites. Como é possível que um vírus tão pequenino, invisível aos nossos olhos/ nos esteja dando uma rasteira tão grande e nos vencendo a cada dia! É um desafio submetido à humanidade, sem resposta total da Ciência.

.           Gostaria de recordar alguns fatos, partindo do Judaísmo, chegando ao Cristianismo para melhor entender esta Pandemia que agora nos atormenta. Inicio pelo livro do Gênesis ao falar da maldade da raça humana do capítulo 06 em diante “quando as pessoas começaram a se espalhar pela terra e viram que as mulheres eram muito bonitas. Deus então disse: não deixarei que os seres humanos vivam para sempre… Estou muito triste com eles por tê-los criado. Resolvi acabar com todos eles. Eu os destruirei como também toda a terra… Caiu chuva 40 dias e 40 noites e só depois de 150 dias as águas começaram a baixar. Quando tudo voltou ao normal Deus fez uma aliança com todos prometendo: nunca mais os seres vivos seriam destruídos por um dilúvio”.

            Do capítulo 18 em diante, do mesmo livro do Gênesis, Deus, mais uma vez se indispõe. Agora, com Sodoma, a cidade do pecado e Gomorra, com o seu agravamento. Fez chover fogo e enxofre sobre ambas, apesar de consecutivas intercessões de Abraão. Seu sobrinho Ló era o único homem decente que lá habitava. Aconselhado a sair, só ele e a esposa, sem olharem para traz, ela olhou e foi transformada numa estátua de sal.

            Só mais um exemplo do A.T. Está no cap. 3º do Livro do Profeta Jonas. Deus o enviou a Nínive, uma grande cidade, convocando-a à conversão, pois ia destruí-la. Ele se vestiu de saco, pôs cinza na cabeça e passava 03 dias para atravessá-la, de uma ponta à outra. Convidou-a 40 dias à penitência. Todos aderiram ao convite do Profeta e Deus não incendiou a cidade.

            Quem de nós, pode esquecer aquele 27 de Março de 2020, em que o Papa Francisco, sozinho na Praça de São Pedro, noite fria, em Roma, fez um apelo ao Pai, do íntimo de sua alma, pelo fim da Pandemia? Fisicamente o Papa estava só, mas virtualmente, conectado com cerca de 03 bilhões de pessoas, na maioria, não cristãs, ligando-as todas ao Crucifixo Milagroso de São Marcelo, que em 1522 debelou a Peste Negra, semelhante à Covid 19.

Desculpai-me, direção da Emissora, produção e apresentação do Rádio Vivo e ouvintes, por abusar um pouco mais da vossa paciência! É que este tema não trata do ‘normal’ em que vivíamos. Tenho dito e ouvido dizer que após esta Pandemia, o Mundo não seria mais o mesmo. Apareceria uma nova maneira de se viver. Já estamos experimentando um novo normal em tudo: na escola, na Igreja, nas saudações, no distanciamento, no uso de álcool em gel, de máscara e na nossa convivência em geral. As 03 citações, anteriormente feitas, do A.T./ com a intervenção de Deus/, podem também ser encontradas agora, no N.T./ sempre com a participação d’Ele. Mudaram-se os tempos, os problemas, mas o Deus é o mesmo. Com Ele, será mais fácil a gente descobrir como sair desta pandemia, do que ter resolvida a endemia política em que nos encontramos/ que depende mais de nós. Porque pedir a Deus pra resolver problemas políticos do Brasil, se fomos nós que os criamos? Não foi com o nosso voto que eles foram eleitos? Porque Deus é quem vai resolver? Estamos iguais aos homens escolhidos, tomando o nome de Deus em vão? Com a boca cheia de Deus e os corações, os procedimentos longe d’Ele? Será que as aglomerações feitas no Natal e na passagem de ano, que tanto aumentaram o número de infectados e de mortos, não nos farão pensar nos possíveis e maiores amotinamentos que poderiam acontecer no Carnaval?

            Pensem nisto.

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