JOSÉ PINTO: MISSÃO CUMPRIDA!

Logo que ele foi internado, Dona Raimundinha encontrou o número de meu telefone e me ligou. Sabia que, vez por outra, conversávamos e eram momentos de muitas alegrias e recordações, por isto cuidou de me avisar. Desde aquela informação, formamos um grupo dos Betanistas para acompanhar o dia a dia do colega José Pinto. Recebíamos, todos os dias um informativo que nos era enviado pelo seu filho Emerson. Esperamos, torcemos, fizemos corrente de orações pelo Zé Pinto, pelo outro colega Zé Carlos Saboia, em situação semelhante, e sua mulher Lúcia, ainda hospitalizada no Rio de Janeiro.  Zecarlos, deixou o hospital e retornou para casa. Deus chamou o Zé Pinto.

JOSÉ PINTO E DONA RAIMUNDINHA

         Sou José Pinto de Albuquerque, nascido em 23 de maio de 1942 na cidade de Coreaú, filho de Alexandre Pinto de Albuquerque, agropecuarista e Maria Zilmar de Menezes Albuquerque, professora primária.

         Durante minha infância, estudei no Grupo Escolar de Coreaú onde fiz o primário até me dedicar à preparação para ingressar no seminário. A grande influência para decidir-me pelo Seminário foi o então Padre Benedito Albuquerque, hoje bispo emérito de Itapipoca. Quando menino, espelhava-me naquele padre exemplar.

         Como colegas de infância, tinha principalmente meus primos que residiam em Coreaú e eram mais ou menos da minha idade, os filhos do Domingos Pinto e de Wanda, do Deusdedit Gomes e de Yolanda e outros contemporâneos, ainda havendo os primos que residiam em Sobral principalmente os filhos de Edward Mont´Alverne e da Yedda Frota.

          Desde cedo participava dos sacramentos da Igreja Católica e percebia o desejo inquestionável de meus pais de ter um filho sacerdote, o que me influenciou sobremaneira para que tentasse ingressar no seminário e posteriormente me tornasse padre.

          Ingressei no seminário da Betânia sem ter completado ainda 14 (quatorze) anos, pois iniciei meus estudos lá em janeiro de 1956, tendo concluído essa importante fase de minha vida em dezembro de 1959, quando entendi que não possuía vocação para assumir o sacerdócio.

          Não posso deixar de dizer que o aprendizado foi extremamente marcante durante minha estada na Betânia, no entanto, não poderia deixar de citar as importantes e sinceras amizades iniciadas e que ainda perduram até hoje.

Para todos nós, oriundos de pequenas cidades do interior, o Seminário era a tábua de salvação, em matéria de oportunidade de estudo. Em nossas cidades, quando muito, podíamos concluir a quarta série do primário. No Seminário, podíamos ir em frente.

          Na realidade, ali tudo era diferente. Convivíamos com uma centena de jovens chegados de diversos pontos da região norte. Todos diferentes, mas com muitas semelhanças. Aos poucos, descobríamos as nossas afinidades nos estudos, nos esportes, nas brincadeiras, nas tendências artísticas e culturais.

          Havia colegas extremamente dedicados aos estudos. Verdadeiros exemplos. Viviam para estudar. Até nas grandes filas formadas para a capela ou para o refeitório, estavam estudando. Nas leituras de notas mensais, eram destaques. Havia até quem tirasse nota dez em todos os itens: Regulamento, Aplicação, Urbanidade, Asseio, Capela, português, Matemática, Latim e assim por diante, até Música que era a última matéria citada.

            Enquanto as notas eram lidas, o aluno ficava de pé sob os olhares dos demais. Ruim mesmo era quando as notas não eram boas. Pior ainda era quando o Reitor interrompia a leitura para fazer alguma recomendação. Mas havia sempre quem se destacava em algumas disciplinas.

Foto de nossa turma, aos pés da estátua de Dom José, na Betânia: Da esquerda para a direita, à frente: Mourão, João Osmar, Albecy, Chico Pierre, João Batista, José Pinto e Marcelo. Na segunda fila: Zé Américo, Luís Francisco, Luciano Paiva. Os últimos: Catunda, Leunam, Gustavo e Martins

Outros aproveitavam as filas para rezar. Não eram poucos os que, de braços cruzados, deixavam transparecer o terço que conduziam. Mas havia também alguns gaiatos que surpreendiam a todos, no silêncio e na concentração das filas. De repente alguém dava um pulo para o centro das duas filas, simulando que se havia deparado com um rato ou com uma cobra. Num segundo, toda a fila se desfazia. Era uma confusão total. E, na realidade, não era nada. Era apenas para surpreender colegas que, medrosos, se assustavam com tudo. Em pouco tempo, tudo voltava ao normal e a fila prosseguia no grande corredor a caminho da capela, do refeitório ou do salão de atos. Eu não queria entregar, mas apenas uma pista para quem quiser descobrir o causador da desordem. Era um companheiro que, na fila, ficava antes do Catunda, Raimundo Catunda Lopes, de Santa Quitéria, colega de turma, que se assustava com tudo, era, aqui pra nós, um dos organizadores deste livro.

Muitos se destacavam no esporte. Formávamos times de futebol e disputávamos torneios a exemplo dos grandes times nacionais pelos quais torcíamos: Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo etc.

           O Seminário sempre dava oportunidade para quem quisesse se destacar nos estudos, na música, no esporte. O Grêmio São Tomaz de Aquino e a PASI – Pequena Academia Seminarística do Improviso – abriam possibilidades para os futuros grandes oradores e para aqueles que se esmeravam em recitar poesias.

          Após a saída do Seminário, fui morar em Fortaleza, na residência de um tio, para concluir meus estudos e iniciar minha vida profissional. Trabalhei na Brasil-Oiticica, depois na Sousa Cruz até que fui contratado pela COHEBE, Companhia Hidrelétrica de Boa Esperança, onde trabalhei até o início da década de setenta no Piauí e no Maranhão. De lá voltei ao Estado do Ceará e houve a mudança de COHEBE para CHESF, Companhia Hidroelétrica do São Francisco, empresa para a qual trabalhei até me aposentar em 1992.

          Após me aposentar, pude dedicar-me às atividades de que sempre gostei em toda a minha vida, seguindo os passos de meu pai, tornei-me um agropecuarista. Em pouco tempo, tornei-me presidente do Sindicato Rural de Coreaú, onde passei a exercer importante função patronal que me permitiu ser representante da Federação da Agricultura do Estado do Ceará, na Zona Norte do Estado e ainda fui escolhido para presidir a Associação dos Criadores da Zona Norte do Estado do Ceará.

         No que tange à família, contraí núpcias com a minha atual esposa RAIMUNDA MOREIRA PINTO, em 13 de dezembro de 1969 e desta bem aventurada união, tivemos três filhos: ALEXANDRE PINTO MOREIRA, nascido em 14 de outubro de 1970, atualmente Promotor de Justiça e Professor Universitário, que teve uma filha, Rachel Pinto Moreira e depois casou com Cláudia Moraes Pinto Moreira com quem tem dois filhos, José Cláudio Pinto Martins e Alexia Pinto Martins; EMERSON PINTO MOREIRA, Médico Veterinário e Professor Universitário, nascido em 9 de outubro de 1973, que teve dois filhos Isaac Taumaturgo Pinto e Gabriel Taumaturgo Pinto e casado com Thamar Paiva Camerino com quem tem a filha Isa Pinto; e IARA PINTO MOREIRA, Assistente Social e bacharel em Direito, casada com Sérgio Luís Correia com quem tem os filhos Maria Clara Pinto e José Ian Pinto.

Falecido em 15 de fevereiro de 2021

NOSSAS MANIFESTAÇÕES:

Nossa saudade e solidariedade!!! 🙏🙏🙏

Aguiar Moura

Que seja bem acolhido e orientado pela espiritualidade amiga em sua nova morada. Aos amigos e familiares muita paz e compreensão. Deus em sua infinita misericórdia nos faça melhores e mais compreensivos de nossa finitude.

Lourenço

🙌🙌Nosso colega e amigo  Zé Pinto lutou até onde pôde mesmo assim Deus o chamou para sua Gloria. Que céu o receba na sua morada eterna. Nossa solidariedade a toda família.

 Ant. VIANA

Deus acolha de braços abertos o nosso amigo Zé Pinto.

Flávio Machado

Uma notícia que nos abala profundamente. A situação do Zé Pinto era grave, como sabíamos, mas alimentávamos concretas esperanças de sua recuperação. Que ele descanse ao lado de Deus, e sua família conte com nossa solidariedade.

ZÉ GENTIL

Nossa solidariedade a todos os familiares do Zé Pinto,  neste momento de dor. Que Deus o receba no Céu.

ELISIÁRIO

Bom dia, amigos!

Lamento profundamente o falecimento do Pinto (era assim que o chamava).

Não tive a oportunidade de com ele conviver no Seminário, pois ali ingressei apenas em 1962.

Porém, anos mais tarde, ao assumir o emprego no BB, em Ubajara, passamos a ter uma convivência constante por uns 2 anos, pois nos hospedávamos no Hotel Gruta onde, sempre à noite, comandados por ele, tínhamos uma boa rodada de gargalhadas, já que possuía um jeito especial de envolver-nos em seus excelentes relatos cômicos.

Depois, já morando em Sobral, nos encontrávamos raramente, porém, sempre lembrávamos os bons tempos na Serra Grande, com direito a mais e mais gargalhadas.

Estou muito triste!

Que Deus o acolha!

🙏 FJCARNEIRO LINHARES

ZE PINTO: CHAMADO POR DEUS.

Era da minha turma.

LEUNAM

Pêsames a toda a família do Zé Pinto pela perda do seu ente querido. Porém, glória a Deus por receber na mansão celestial uma alma santa.

ERASMO RIBEIRO

Lamento o falecimento do colega Zé Pinto. Nossos sentimentos á sua família junto às preces ao Altíssimo para que o acolha em sua casa

VALDECI VASCONCELOS

Lamento o falecimento do José Pinto. Meus sentimentos pelo triste e dolorido (para todos nós) acontecimento. Deus já o acolheu a este momento.

ZE HENRIQUE LEAL

Primo muito querido. Vá em paz.

LEOPOLDO

Alexandre, a dor que você está sentindo invadiu o meu próprio eu. Há alguns meses, meu irmão médico Paulo Matos de Castro de Natal, percorreu caminho igual e também não resistiu. Trata-se de uma patologia horizontal que continua amedrontando. Continuo rezando pelo descanso do meu contemporâneo.

CÍCERO MATOS CASTRO

ZÉ PINTO, ADEUS!

ZECARLOS SABOIA

Com essa  ” canção da amizade ” postada pelo Viana, não me contive. Chorei,  com as boas lembranças que guardei do Zé Pinto, meu colega de turma na, igualmente, saudosa Betânia.

ZÉ AMÉRICO

A família do Zé Pinto nossos sentimentos e orações.

Nosso fraterno abraço a todos familiares e amigos.

MARCELO LIBERATO

Quase diariamente nos foi partilhado por seu filho os relatos ora aflitos ou em alguns momentos esperançosos!

Somente com o olhar de fé podemos compreender; Deus o levou! Zé Pinto cumpriu sua missão e nós testemunhamos sua atitude sempre cordial, alegre e acolhedora!

Nossos sentimentos e solidariedade à família.

ZEARMANDO DIAS

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