Mês: março 2021

No Seminário, vivenciei coisas boas!

Nasci em 09/10/1949 na Fazenda Herval, Município de Santa Quitéria no estado do Ceará, sendo filho de Luís Agape Barbosa, falecido e de Tercina Borges Agape, pessoas simples do campo. Meu nascimento se deu na própria fazenda, uma vez que naquela época era costumeiro as mulheres darem a luz com o auxílio de parteiras.


Francisco Borges Ágape, na Betânia de 1963/1967 

A fazenda na qual cresci era um lugar bem modesto, distante 30 quilômetros (ou 5 léguas, que era a unidade que usávamos naquela época) de Santa Quitéria. A vida era muito difícil, o meio de transporte era bem rústico, que se resumia a animais como burros, cavalos e jumentos. Não tinha energia elétrica, sendo que dependíamos de iluminação com lamparina a querosene. No local havia duas casas, sendo que uma era habitada por nossa família composta de meu pai, mãe, e minhas irmãs Berenice e Valderice (Valda). Já a outra casa abrigava a família da irmã de meu pai, tia Maria, falecida recentemente em 26/09/2014, com seu esposo Manuel e filhos.

Minha primeira professora foi a tia Maria Barbosa Fernandes, sendo responsável por minha escolarização da alfabetização   até o 2º ano, de 1956 a 1959. A partir do terceiro ano, em 1960, estudei com a  professora Hilça de Mesquita Parente  no Grupo Escolar Júlia Catunda, em Santa Quitéria. A professora Hilça é tia do betanista Antônio de Assis Martins Parente. A quarta e quinta série do primário, juntamente com a preparação ao exame de admissão ao ginásio, cursei com a professora Maria Amélia Mourão Lobo na escola Domingo Sávio, também em Santa Quitéria. Em 1961 fiz duas séries, a quarta e a quinta, em um ano.

Sou muito grato a José Demerval de Andrade e Manoel Timbó Muniz, amigos de meus pais que, muito carinhosamente, me acolheram em suas casas, para que pudesse concluir essa etapa de estudos.

No início de 1962 grandes mudanças ocorreram em minha vida, uma vez que meus pais se mudaram para a cidade de Santa Quitéria, e fui aprovado no exame de admissão ao ginásio em 2º lugar. Cursei a 1ª série ginasial no Ginásio Fonseca Lobo em 1962. Durante  o tempo que passei a morar na cidade fui acólito do pároco padre Luís Ximenes de Aragão Freire. Sentia o desejo de ingressar ao seminário, e, com ajuda do padre Ximenes, ingressei no Seminário Diocesano São José em Sobral no estado do Ceará, de 1963 a 1966, período em que o ginásio foi concluído, curso de humanidade.

O tempo que estive no Seminário muitas coisas boas vivenciei, como disciplina, organização, bons conteúdos recebidos dos professores, convívio com os colegas, ambiente saudável. Na parte de lazer e esporte tudo foi bem-organizado. Eram oferecidas 3 modalidades de esportes, futebol de campo, futebol de salão e voleibol. Destaco uma visita que fizemos à Gruta de Ubajara, uma viagem de trem a Camocim, passando nas estações de Massapê, Martinópolis e Granja. A ida periódica ao cinema no Cine Alvorada. A rádio Itamarati com uma excelente programação musical e que me marca até hoje, quando ouço as músicas daquela época. Os dois reitores que tivemos, padre José Linhares Ponte e padre Francisco Sadoc de Araújo fizeram um bom trabalho na administração do Seminário. Cito, com gratidão, o nome de meus professores, os padres: Tupinambá, Moésio, Lira, Edson Frota, Joviniano, Manfredo e Osvaldo. Destaco ainda o professor Antonino – Matemática – funcionário do Banco do Brasil. Colegas de turma mais próximo: Lucivaldo Rodrigues Soares (amigo, cujo contato nunca perdi, mesmo após a época do Seminário), Roberto Esmeraldo Mourão, Antônio Anésio de Aguiar Moura, Antônio de Assis Martins Parente, Aloísio Ribeiro da Ponte, Davi Hélder de Vasconcelos, Francisco Edison Andrade Costa, José Lucivan Miranda, Antônio Orion Paiva e João Riberiro Paiva. Colegas de outras séries dos quais  guardo boas lembranças: Luciano Lobo, Francisco das Chagas Farias Paiva, Francisco José Aguiar de Moura, Antônio Viana Vasconcelos, José Hairton Carvalho (meu tutor particular das redações do Padre Osvaldo),  José Haroldo Tomás, Francisco Regis Frota Araújo e Francisco Sampaio Sales. A nossa alimentação e limpeza do casarão da Betânia foram cuidadas com muito amor e carinho pelas freiras franciscanas: Madre Ermenhilde (Superiora  e chefe da pequena enfermaria que prestava inestimável apoio aos internos) e as irmãs Tarcísia, Faustina, Antonieta e Aparecida, juntamente com as noviças.

Ainda no Seminário, em 1967 iniciei o curso científico no colégio Sobralense. Em julho do mesmo ano saí do Seminário e fui morar em Fortaleza. Continuei os estudos no colégio estadual Liceu do Ceará de agosto de 1967 a 1969.

Já em Fortaleza, residia no bairro Carlito Pamplona com minha família. Meu primeiro trabalho foi em um escritório de representação comercial, de janeiro de 1968 a março de 1973. Em abril de 1973 fui convocado para tomar posse em meu primeiro cargo público, como auxiliar de serviços médicos no INPS (atual INSS), cargo esse no qual permaneci até fevereiro de 1975. Em novembro de 1974 iniciei a seleção para um concurso a nível nacional para ingressar no Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. Com minha aprovação, iniciei o curso em março de 1975, com duração de 9 meses de formação para Controlador de Tráfego Aéreo no Centro de Atualização Técnica (atualmente Instituto de Controle do Espaço Aéreo/ICEA), órgão do extinto Ministério da Aeronáutica (hoje Comando da Aeronáutica), situado no campus do Centro Técnico Aeroespacial/CTA, na cidade de São José dos Campos em São Paulo. Após a conclusão do Curso fui lotado em Brasília.

Em novembro de 1975 foi o período de radicais mudanças em minha vida, marcada pela minha fixação de residência na Capital Federal. Mesmo estando em um cargo público, nunca descuidei de minha educação, continuei os estudos para formação nas áreas de Administração e Contabilidade. Tinha iniciado o ensino superior junto à Universidade Federal do Ceará/UFC, contudo, com minha mudança devido à função pública, concluí o terceiro grau na Universidade de Brasília/UnB.

Já estabelecido na cidade, conheci uma linda jovem pela qual me afeiçoei. Em outubro de 1981 tive a sorte de contrair matrimônio com essa mulher que até hoje é um porto seguro em minha vida, Erly Maria do Carmo Agape. Fomos agraciados por Deus com um maravilhoso casal de filhos Micheline Beatriz de Oliveira Agape e Hugo Leonardo de Oliveira Agape.

Em agosto de 1987, ingressei na carreira de magistério na rede de ensino público do Distrito Federal, para desempenhar a função de professor nas áreas de Administração e Contabilidade.

No início de 1987, por meio do amigo Lucivaldo Rodrigues Soares, tomei conhecimento da brilhante ideia do Betanista Francisco José Aguiar  Moura (ao qual aproveito o ensejo para demonstrar meu apreço), ao colocar em prática as sugestões recebidas de alguns colegas no sentido de fazer um memorial ao Seminário Diocesano São José. O marco inicial foi o primeiro encontro dos Betanistas realizado no dia 30 de maio de 1987 no restaurante Caravelle em Fortaleza/CE. Após o sucesso daquele evento, outras reuniões aconteceram com o passar dos anos, tendo o mais recente acontecido no ano de 2013 em Sobral/CE. Desde já, apresento minhas desculpas, pois, devido aos afazeres da vida, nunca pude comparecer a esses encontros.

Como fruto desses encontros, foi idealizada a confecção de um livro que conteria as histórias do querido e saudoso Seminário, contadas por aqueles que viveram lá naquele tempo. Nesse ponto, créditos ao idealizador, o Betanista Francisco Leunam Gomes.

Desta forma, gostaria neste momento de render homenagens à iniciativa ao esforço desses amigos e equipe, sem a qual, quem sabe, eu nunca teria o interesse de escrever essas parcas linhas sobre minha vida, e que foi de fundamental importância para que as efêmeras memórias daquela saudosa época  não desaparecessem com o tempo.

            Ao arrematar essa breve sinopse de minha vida, quero externar minha eterna gratidão aos meus pais que não mediram esforços para que eu progredisse na vida. À minha amada esposa e filhos, pelo suporte, sem o qual não teria alcançado nem metade de meus objetivos. A todos os meus professores, que transmitiram seus conhecimentos no melhor de suas habilidades.

Por derradeiro, e com toda certeza o mais importante agradecimento que tenho a fazer, quero prestar minha ADORAÇÃO àquEle  que é a razão de meu viver, ao DEUS ALTÍSSIMO – Autor de toda a criação – através dos versículos extraídos de Sua Santa Palavra, a BÍBLIA SAGRADA; Salmos 125: 1 – Todos aqueles que depositam absoluta fé no ETERNO são inabaláveis como o monte Sião.; I Samuel 7: 12 – Então Samuel mandou que uma pedra fosse erguida entre Mispá e Sem; e deu-lhe o nome de Éven-Haézer, Ebenézer, que significa “Rocha do Socorro”, querendo dizer: “Até aqui nos ajudou o SENHOR”; Romanos 16:27 – Sim, ao único e sábio DEUS seja dada Glória, por intermédio de JESUS CRISTO, para todo o sempre. Amém!; Mateus 6:13 – E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o Reino, o Poder e a Glória por todos os séculos. Amém.

Dom Helder: ditadura não é saída honrosa para o povo

Fico feliz com o retorno que tenho recebido, imediatamente, após cada apresentação deste meu Comentário Semanal, no que aumenta em muito, a minha responsabilidade. No sábado passado, discorri sobre a “viagem apostólica” do Papa Francisco, ao Iraque, numa tentativa ecumênica de entendimento com o povo Islamita, muito religioso (apesar de também, muito guerreiro), que tem a mesma origem penta-milenar de sua fé, enraizada em Abraão, como temos também os católicos e judeus. Todos somos Monoteístas: cremos no  único e mesmo Deus Verdadeiro.

MONS. DOUTOR ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

Relendo o meu texto e me aprofundando mais na grande motivação que levou o Papa Francisco até o Iraque, pensei em dividir com meus interessados e assíduos ouvintes e leitores, uma fundamentação concreta, atual, experimentada por gente nossa, D. Helder Câmara que, tendo como base a expressão “vivendo a esperança” rezada, todo dia na Missa, após o Pai Nosso, unida à fé e à prática de Abraão, instituiu aqui no Brasil e no Mundo, um movimento a que chamou de “Minorias Abraâmicas”. Por que lhe veio à cabeça esta ideia?

            Porque da segunda metade da década de 1960 em diante, o Brasil e o Mundo viviam momentos políticos conturbados. Dom Helder, que tinha vivido, intensamente, o Concílio Ecumênico, combinando com o Papa Paulo VI, iniciou uma série de Palestras pela Europa/EEUU/Canadá/A.L. e Ásia na defesa dos Direitos Humanos e na esperança de que a Humanidade formasse uma “grande família”. Era a maneira encontrada por ele de pôr em prática o Ecumenismo estudado, propagado e tão desejado de realizar-se, como um dos Documentos Conciliares. D. Helder fundamentou suas palestras na “Esperança em uma Comunidade Mundial”. Só ia a uma Diocese, em qualquer país, com a aceitação do Bispo local. Onde passava, formava grupos, envolvendo brasileiros que por lá morassem ou estudassem, e estrangeiros que tivessem morado no Brasil. A esses grupos ele dava o nome de “Minorias Abraâmicas” e os alimentava com conteúdos, com os textos de suas Palestras que eles traduziam para as diversas línguas, de tal maneira que não lhes faltava assunto e D. Helder se mantinha atualizado com o que acontecia por toda parte.

            Isso lhe rendeu 32 títulos de Doutor Honoris Causa, 54 honrarias e prêmios, 32 participações em organizações nacionais e internacionais, muitos livros em língua portuguesa ou estrangeira (alguns traduzidos), poesias e uma infinidade de cartas já publicadas e outras em via de publicação. Isto porque foi organizado no Rio, em Recife e Fortaleza e em outros subpostos pelo Brasil, o IDHeC – Instituto D. Helder Câmara – contendo um Acervo Histórico-Religioso-Cultural e Pessoal, centralizado em Recife, onde um pesquisador sério pode recorrer. Lá no início da década de 1970, (depois em 80), tive um bom contato com a Equipe das Minorias Abraâmicas de Roma (06 pessoas), onde havia uma brasileira e 05 estrangeiras que também falavam português. Quando D. Helder chegava com seu texto em português, a equipe logo traduzia em 05, 06 línguas e divulgava. Era o trabalho das “formiguinhas” que acreditavam, como Abraão, na vitória das Minorias. Este era o trabalho de D. Helder quando andava pelo mundo: tinha seu cajado de Pastor na Arquidiocese de Olinda e Recife, e tirava duas vezes por ano, parte do seu tempo e da sua ação missionária para ajudar à Igreja a conduzir seu rebanho por toda parte, pregando o Evangelho a todos. Mesmo pronunciados àquele tempo, seus discursos podem ser lidos hoje com sabor de novidade. Já naquela época ele citava como obstáculo à vivência comunitária, o fato de existir um pequeno grupo de famílias privilegiadas cuja riqueza é mantida à custa de muita miséria.

            O Ecumenismo que mostramos estar sendo vivido e praticado pelo Papa, na busca do diálogo com o Islamismo no Iraque, e na abertura da Campanha da Fraternidade Ecumênica aqui do Brasil, já foi vivido e praticado por Dom Helder. Depois do Concílio e durante a Ditadura Militar, sem nenhum medo. De tal modo que, além do Dom que o intitulava como Bispo, todos o chamavam de “Dom da Paz”, pois ele sonhava com a Humanidade, vivendo como uma “grande família”, enfrentando, com audácia, qualquer obstáculo: ‘o egoísmo é um deles’. E acrescentava: “quem não rompe a carapaça do egoísmo, quem não sai de si mesmo, quem gira sempre em volta do próprio eu… jamais contribuirá, de maneira válida, para as primeiras comunidades”.

            Dom Helder não via nas ditaduras ou nos regimes de exceção, a saída mais honrosa para o povo. Este, tinha que se unir, refletir sobre as suas dificuldades, voltar ao Tempo das Catacumbas, como no Império Romano. Tinham que ter a fé de Abraão: acreditar que aos cem anos poderia ser pai; que Sara, aos 90, poderia ser mãe; que deixar Ur, na Caldéia, para ir morar na Mesopotâmia, com todos os seus descendentes, quando ainda não gerara nenhum; o que lhe aparecera, Ismael, era filho dele com a serva, Agar; só treze anos depois, veio Isac, de Sara e este mesmo, Deus pediu para lhe ser oferecido em holocausto. Sem resmungar. Isto sim que é ter fé. E foi este exemplo ou este testemunho que D. Helder aproveitou para nominar a sua Obra Missionária que espalhou por todo o mundo – MINORIAS ABRAÂMICAS – pequenas equipes que iam fermentando e demonstrando que tinham a fé de Abraão. Este foi um dos testemunhos dado em vida por D. Helder.

            Vinte e dois anos depois de sua morte a Arquidiocese de Olinda e Recife ainda lembra Dom Helder, como o Dom da Paz, o Dom que deu vida nova à Igreja Local, aproximando-a da vida do povo. De Maio de 2015 pra cá, o atual sucessor de D. Helder, D. Fernando Saburido tem envidado todos os esforços no seguimento do esquema que o conduza à Canonização, isto é, à Santidade ou à honra dos altares. O Processo iniciado já venceu a 1ª etapa: diocesana ou local: comprovação das virtudes heroicas. Nesta fase, o candidato já é tratado como Venerável, isto é, digno de reverência e veneração. Os fiéis já podem interceder a ele para conseguir de Deus, um milagre. É a fase em que se encontra o “Venerável D. Helder”. Agora, começa a fase Romana. Reconhecido pela Igreja, ele já se torna Beato. É a 2ª etapa para a Santidade. Basta um milagre. Aí vem a 3ª e última etapa: a Canonização. Requer outro milagre, agora, não comprovado cientificamente. Tem que ser por verdadeira prova de fé. Só então a Igreja o declara, oficialmente, Santo, merece a honra dos altares e o mundo todo sabe. Nós esperamos, vivamente, que isso aconteça e logo.

            Nós o reconheceremos como o “Patrono dos Direitos Humanos”, o “Men-sageiro da Esperança”, o “defensor dos pobres” já que o povo simples, os pobres da Arquidiocese de Olinda e Recife, representando todos os pobres do Brasil e do Mundo, que ouviram D. Helder, acompanharam seu trabalho, caminharam com ele, sabem que ele é um exemplo de santidade. O Processo de Canonização vai, oficialmente, confirmar isso. Pena é que nem todos vão celebrar esta premiação, reconhecimento e alegria porque ficaram do lado dos que o apedrejaram. Santo D. Helder Câmara, juntamente com São D. Oscar Romero, de El Salvador, rogai a Deus por nós! Obrigado e tenham um bom dia!

                                                                                                                   O Comentário da Semana – também lido no Programa ‘Rádio Vivo’ na Pajeú, de Afogados da Ingazeira – Pe.

DO AGRAVAMENTO DA PANDEMIA E O NOVO TABULEIRO DA POLÍTICA.

O avanço da tragédia brasileira é inevitável, pois não há mudança de rumo do governo Federal no enfrentamento da mais grave crise sanitária de nossa história.

Os governadores, por mais que se esforcem, não conseguem frear a disseminação do vírus, quer pela indiferença de nossa gente, quer pelo difícil distanciamento social em face da necessidade de muitos em buscar o sustento de suas famílias.

Por outro lado, e no primeiro momento, o auxílio emergencial foi e é indispensável para socorrer milhões de brasileiros impactados pela pandemia, que tiveram seus empregos extintos e, consequentemente, sem renda mínima para garantir a própria sobrevivência.

Dr. Franzé Bezerra, Advogado

Ao lado da grave crise econômica, que tende a se aprofundar, com o avanço da pandemia, insiste o Presidente da República em manter a narrativa  de menosprezo à crise sanitária.  Persiste no confronto com a ciência e os entes federados (Município, Estado e Distrito Federal), praticando verdadeiro boicote diário ao esforço dos governadores, que seguem as mais elementares e necessárias orientações dos especialistas da área de saúde.

É desnecessário dizer, e assim foi registrado desde o início da pandemia, que as inoportunas e negacionistas falas do Presidente da República em nada contribuem. Pelo contrário, criam incertezas junto à população, descredibilizando as decisões oportunas dos governadores e prefeitos.

Registre-se, a bem da verdade, que os Prefeitos acabam interferindo menos, ficando a grande maioria, a reboque das medidas estabelecidas, via  decreto, pelos governadores, que se restringem ao distanciamento social, funcionamento de espaços públicos e das atividades econômicas, tudo, dentro da orientação dos representantes da comunidade científica.

Agora, é fato, também, que o desgaste do governo Federal se acentua, não só pelo comportamento de muitos de seus integrantes e fanáticos seguidores,  e mais ainda pelos erros cometidos em retardar a aquisição das vacinas, efetivamente única solução  segura contra o aterrorizante inimigo invisível, covid-19.

Nessa esteira, é indispensável que se analise as consequências geradas pela pandemia no campo político, principalmente diante da politização que foi elevada na atual crise sanitária.

É oportuno dizer que o ideal teria sido a união de todos no combate à pandemia, independentemente de preferência ideológica – menos importante nesse trágico momento vivenciado pelo país -, e que a direita, esquerda,  centro,  todos, estivessem unidos com um só objetivo, combater o mesmo inimigo, visando ajudar a população como um todo.

Não se poderia esquecer, daí se faz o registro, que partiu do governo do Estado de São Paulo, a iniciativa pioneira de buscar o imunizante, em consórcio com os laboratórios chineses. Entretanto, com o avanço da vacina do Instituto Butantã, de SP, começou a guerra de vaidades entre o governador João Dória e o Presidente Bolsonaro, tendo este afirmado que o Brasil não compraria a vacina chinesa.

Ocorre, para infelicidade política do Presidente, veio à tona informação de que o Brasil recusou a compra de 70 milhões de doses oferecidos pelo laboratório Pfizer, em agosto do ano passado, atrasando o início de vacinação no país, e, consequentemente, contribuindo para o crescimento do número de infectados.

Por outro lado, avançava a fabricação da Coronavac, do Instituto Butantã, batizada como ‘a vacina do Dória’, e nessa queda de braço o governador de São Paulo acabou saindo vitorioso,  pois o início da vacinação no país se deu com o até então hostilizado imunizante chinês.

Assim, foi se aprofundando a politização na pandemia, e com os frequentes erros e desencontros do Ministro da Saúde, General Pazuello, o desgaste do Presidente foi também se acentuando, e a perda de popularidade já se faz registrar nos últimos levantamentos feitos pelos institutos de pesquisa.

Há consenso entre os analistas, e aqui também me incorporo, de que a base sólida de apoio do governo Federal se dá pela bancada dos evangélicos, militares e policiais em geral, além dos extremistas que se dizem alinhados com o perfil de extrema-direita do Presidente, e esse é, essencialmente, o universo do eleitorado bolsonarista.

Não é exagero dizer que o campo da Direita ou do Centro, propriamente dito, nas próximas eleições, estará bastante povoado, com nomes que podem alcançar capilaridade eleitoral, enquanto a extrema-direita, representada pelo bolsonarismo raiz, ficará espremido, e poderá ter dificuldade de manter-se viável e chegar ao segundo turno.

A tragédia brasileira, repito,  é resultado da incompetência do governo Federal, principalmente com a manutenção da figura patética do Ministro da Saúde, que, dia a dia, faz papel de bobo da corte, e com flagrante desgaste da imagem do Exército Brasileiro, e que se vê bastante incomodado, com a condução do enfrentamento da pandemia, que já se aproxima da marca   desastrosa de 300 mil mortos.

Aguardemos o andar da carruagem, mas uma coisa é certa: o tabuleiro da política que se encontrava tranquilo e bem esquematizado para o Governo, passou a ser outro com a probabilidade de entrada do ex-presidente Lula no jogo político de 2022.

Se o bolsonarismo navegava em águas transparentes e sem tempestade, com a nova movimentação do denominado campo progressista, já não tem a mesma segurança de outrora, e terá que remar mais e mais para atracar em um porto seguro.

Enfim, tudo ainda está indefinido; se vai aparecer um novo nome no cenário político, não se sabe, mas especulações não faltam, ou se os já conhecidos pretendentes terão maiores chances diante do quadro trágico gerado pela pandemia.

O PAPA FRANCISCO, NA TERRA DE ABRAÃO

Divulguei, nos últimos dias, pela Rádio Genoveva em Bela Cruz, nas celebrações paroquiais e pelo telefone, com pessoas amigas, a visita pastoral que o Papa Francisco faria e, de fato a fez, ao Iraque, da sexta feira, 05 de Março, à segunda feira, dia 08, com o mais absoluto sucesso e com a admiração ou espanto de muitos. Mas, por que tanta admiração? Não é seu costume e de seus predecessores, fazer viagens internacionais?

Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz -Ce.

É verdade. Não nas circunstâncias em que esta viagem foi feita: em plena Pandemia, diante de recentes ataques com foguetes e bombas e por ser a 1ª vez que um líder da Igreja Católica se arrisca a visitar uma Nação de origem muçulmana. Ainda no avião declarou: “estou feliz por viajar novamente” e acrescentou: “estou vacinado contra o Coronavírus, bem como toda a minha comitiva”. A única coisa que pesava na sua consciência era a possibilidade de provocar aglomerações, mas os objetivos justificavam realizar essa “viagem apostólica, tão emblemática”. O ‘peso de consciência’ tinha sentido.

            Antes de Francisco, os Papas: Bento XVI e João Paulo II tentaram realizar visitas ao Iraque, mas não aconteceram devido conflitos no país e dificuldades de negociação com o governo local. Agora, para esta visita, o Papa Francisco pediu a oração de todos para que ela ocorresse da melhor maneira possível, dando os frutos desejados. Acrescentava: “o povo Iraquiano nos espera”. Mas, por que o Papa Francisco fez tanta questão da visita? O que havia por traz disso? Além da história multi milenar da Ásia, os últimos 05 mil anos da cidade de Ur, onde nasceu Abraão, Pai das religiões monoteístas que, em número de 03, devem ser conhecidas e respeitadas pelo seu significado: adoram um único e verdadeiro Deus: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo.

            Como e por que se atribui esta responsabilidade a Abraão? O que se sabe dele, é que era estéril: ele e Sara, sua mulher. Eram avançados na idade, não tinham filhos e Deus os abençoou, dizendo: “eu vos darei um filho e vós sereis pai e mãe de Nações”. Abraão começou a rir e a pensar: “por acaso um homem de cem anos pode ser pai? Será que Sara, com os seus noventa anos, poderá ter um filho? Se, ao menos, Ismael, filho da escrava, fosse abençoado”!

            Ao que Deus respondeu: “Sara, sua mulher lhe dará um filho e você o chamará de Isaque. Mas vou também atender o seu pedido sobre Ismael: eu o abençoarei e lhe darei muitos filhos e descendentes”. Quando Abraão deu a notícia a Sara sobre a promessa de Deus, a respeito de Isaque, ela disse: “como poderei engravidar agora, que eu e meu senhor estamos velhos”?

            Diante das dúvidas de ambos, Deus fez com Abraão uma aliança: “eu sou Deus, o Senhor. Eu o tirei da Babilônia, da cidade de Ur, a fim de lhe dar esta terra (Canaã) para ser sua propriedade. Esta aliança eu manterei com seus filhos. Olhe para o céu e conte as estrelas se puder. Pois bem! Será esse o número dos seus descendentes. Farei também que eles sejam tantos como o pó da terra. Assim como ninguém pode contar os grãozinhos de pó, assim também não será possível contar os seus descendentes”. (Confiram no livro do Gênesis, capítulo 12 em diante).

            Será que agora dá pra entender o porquê da viagem do Papa ao Iraque?

Antes de criticá-lo, pense bem: ele foi visitar irmãos nossos, Islamitas, descendentes de Abraão, Monoteístas, originários de Ismael, seu filho com a serva, Agar. Sua história é muito longa, cheia de guerras, derrotas e vitórias. Do lado de Sara, veio Isaque, com seus filhos Esaú e Jacó, com muitos descendentes, que formaram o Judaísmo, também Monoteísta.

Só bem depois, viemos nós, os Cristãos. Há pouco mais de 2.000 anos.

            Em tão pouco tempo, nós nos dividimos em cristãos: Católicos, desde o início; Ortodoxos, desde o século XI e Protestantes ou evangélicos, do século XVI pra cá. Somos também Monoteístas. Temos a mesma fé, ele Profeta, Cristo, a mesma Bíblia e, infelizmente, somos tão divididos. Não estão vendo agora, depois de 57 anos de Campanha da Fraternidade, o mal-estar causado, por que está sendo feita de maneira ecumênica? Com esta, são 05 vezes que preparamos, executamos e colhemos frutos de um movimento catequético, sempre feito durante a Quaresma. Mas os “negacionistas”, os que confundem “religião com política”, que “usam o nome de Deus em vão”, que usam de “fake news” como norma, que idolatram mitos, conservadores, não querem aceitar. São os mesmos que, desconhecendo a história, a vacina, a Organização Mundial da Saúde ou a Ciência, se metem a dar palpite errado, a contradizer o Papa e opinar sobre o que não entendem.

O Encontro Histórico do Papa Francisco em Celebrações com os poucos Cristãos do Iraque, unidos à espiritualidade do Pai Abraão entre os Islamitas ou muçulmanos, nos contatos com autoridades políticas, sobretudo na visita ao sítio arqueológico de Ur, onde se acredita ter nascido Abraão, o Papa disse na presença de muçulmanos e de cristãos: “este lugar sagrado nos leva de volta às nossas origens”. E acrescentou: “a hostilidade, o extremismo e a violência não nascem de um coração religioso. São a traição da religião. Nós, crentes, não podemos nos silenciar quando o terrorismo abusa da religião”.

            Faz pouco tempo, na Quarta-Feira de Cinzas – 17 de fevereiro – em sua mensagem de abertura da Quaresma e da Campanha da Fraternidade, o Papa Francisco dizia para todo o Brasil: “ao promover o diálogo como compromisso de amor, a Campanha da Fraternidade lembra que são os cristãos os primeiros a ter que dar exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico”.

            Eu entendo a viagem do Papa Francisco ao Iraque, dentro desta sua linha de raciocínio: “o cristão deve ser o primeiro a dar o exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico”. Será que o chefe de estado Islamita viria encontrar-se com o Papa, por sua própria iniciativa? Esta tem que partir do cristão para que o Ecumenismo ou a convivência aconteça. Se não fosse a iniciativa do “bom samaritano”, o coitado que caíra nas mãos de ladrões, nunca teria sido acudido. Infelizmente, muitos têm até medo, da palavra ecumenismo. Não sabem o seu significado, confundem-na com comunismo e adeus diálogo! Nem entendem, nem querem entender a palavra primitiva grega ‘koinonia’ que deu origem a todas as derivadas: comum, comunidade, comunismo, comungar, bem comum, comunhão. Ecumenismo vem também do grego – “oikos” – que quer dizer “casa”. E o que se pretende com o Ecumenismo? Que se viva unido como se morássemos na mesma casa, como se fôssemos da mesma família. É o que se espera dos cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes) ou das Religiões Monoteístas – que adoram um único e mesmo Deus (Islamitas, Judeus e Cristãos). Está difícil? Façamos como disse o Papa: “que os cristãos deem o exemplo: partam na frente”. E na despedida, disse mais: “esperei com impaciência esse momento. Vim como peregrino penitente para implorar perdão e reconciliação em busca de cura para nossas feridas. Obrigado! Desta terra, há milênios, Abraão começou sua viagem. Hoje, cabe a nós, continuá-la, com o mesmo espírito, caminhando juntos pelo caminho da paz”. E viajou.             Obrigado! Disse o Papa. Obrigado, digo eu.

HISTÓRIAS DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Celebramos nesta 2ª feira, dia 08, pela quadragésima sexta vez, o Dia Internacional da Mulher, instituído em 1975 pela Organização das Nações Unidas. Mas, porque foi escolhido o dia 08 de março?

            Porque, naquela data, no ano de 1857, na cidade americana de Nova Iorque, um grupo de operárias em Indústrias Têxteis, reagindo às péssimas condições de trabalho, resolveu entrar em greve, reivindicando igualdade salarial e redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias.

            O movimento se espalhou, organizadamente, pelas várias fábricas, de tal maneira que, a repressão policial chegou e, sob os olhos dos patrões, foram assassinadas e queimadas vivas, 129 operárias, dentro das próprias fábricas em que trabalhavam.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará

Isso aconteceu no dia 08 de março de 1857 e, por isso mesmo, o dia 08 de março ficou reconhecido como o Dia Internacional da Mulher.

            Faz 164 anos que o massacre aconteceu. Faz 46 anos que esse dia internacional foi criado, e a luta da mulher, por seus direitos, não parou mais.

            Com a Revolução Industrial, iniciada também no século XIX, começou um Movimento, chamado, Feminista, que levou a Mulher a tomar consciência da exploração de que é vítima, e a exigir mais respeito e mudanças no tratamento. A própria expressão: Movimento Feminista é bastante criticada.

            Em 1869, cria-se nos EEUU, a Associação Feminina Nacional pelo direito ao voto. Dezenove anos depois, em 1888, é fundado o Conselho Internacional de Mulheres, com o mesmo objetivo.

            No século passado, o século XX, a Mulher começou a ter direito ao voto, por ex., nos EEUU, em 1920. No Brasil, em 1931. Somente em 1946 as Mulheres da França e do Japão tiveram direito ao voto.

            E o que querem essas Mulheres com tais Movimentos Feministas?

            Antes de tudo, a sua emancipação, exigindo direitos civis, admissão à Cultura, acesso ao trabalho e outros direitos no âmbito sexual e familiar.

            Não fosse o grito delas, as Nações Unidas não as havia contemplado, em 1948, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, completando com a Declaração de 1967, denunciando a discriminação contra a Mulher.

            As Mulheres não se contentaram com essas pequenas concessões feitas pelos homens. Eram, como que, migalhas do que lhes sobravam.

            Continuaram sua luta até que, a Organização das Nações Unidas declarou o ano de 1975, como o Ano Internacional da Mulher, e de 1976 a 1985, como a Década da Mulher.

O Feminismo tomou novo impulso, em todo o mundo, fortalecido por organizações governamentais e não governamentais, dedicadas à pesquisa e ao estudo da Condição da Mulher na Sociedade. Houve um verdadeiro incentivo, um reconhecimento e uma legitimação das reivindicações do Movimento Feminista.

Se em todo o mundo, isso acontecia, porque não no Brasil? Em 1985 foi criado, pelo Presidente da República, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, com a aprovação do Congresso Nacional. Estruturava-se em Comissões de Trabalho nas áreas de saúde, educação, violência, creches, legislação, etc.

Se a mulher branca se sente tão discriminada e entra nessa luta pelo reconhecimento dos seus direitos, o que dirão as mulheres negras e indígenas? São, duplamente, discriminadas: por serem mulheres e por serem negras ou indígenas. Normalmente, estas, são também pobres; e aí, sofrem uma terceira discriminação. Daí, participarem, mais ativamente, dos Movimentos Feministas, lutando contra as 03 discriminações.

            Em dezembro de 1988, as Mulheres Negras realizaram em Valença, no Estado do Rio, um Encontro Nacional, e ali fundaram a Comissão Nacional de Mulheres Negras. Estas sentem, ao pé da letra, o problema na pele, pois sofrem o poder discriminador do homem, sob as mais variadas formas: da miséria, do analfabetismo, da prostituição, do tráfico, da desigualdade salarial e tantas outras formas de despotismo e de machismo.

            É o domínio da sociedade androcêntrica, isto é, construída a partir da dominação masculina ou a partir dos interesses do homem.

            O Movimento Feminista está lutando contra isso. Quer construir uma sociedade onde mulher e homem tenham os mesmos direitos, onde não haja discriminação e opressão, baseadas no sexo, mas onde ambos possam dar sua própria contribuição.

            A Igreja, independentemente do Movimento Feminista e bem antes dele, já ensinava a igualdade entre homem e mulher, ambos de criação divina, e tem tido suas portas abertas para o debate e para o diálogo sobre o assunto.

            Não é sem razão que a Mulher tem encontrado bastante espaço nos seus trabalhos Comunitários, Catequéticos e Pastorais, sobretudo, mais recentemente, nos Encontros de Casais, levando o homem, igualmente, a participar.

            Tanto é verdade que, nessas últimas décadas, através da Campanha da Fraternidade, a Igreja nos tem levado a refletir sobre os mais variados temas, envolvendo a Família, a Mulher, o Homem, a Ambos, como Imagem de Deus, enfim, às suas exclusões, desigualdades e dificuldades.

            E a Igreja pergunta: se homem e mulher são imagem de Deus, como admitir tensão entre eles?

            Em Deus não há tensão, apesar de serem 03 pessoas. Elas são, absolutamente, iguais. Porque não aprendermos a igualdade divina que a Trindade nos ensina? Nós não somos sua imagem e semelhança?

            O Papa Francisco, desde o início do seu pontificado em 2013, tem falado sobre o papel das mulheres na Igreja e na sociedade. Na sua 2ª audiência pública como ocupante da Cátedra de Pedro disse: “as primeiras testemunhas da ressurreição foram as mulheres. E isso é bonito. Faz parte da sua missão”. E no vôo de volta do Brasil a Roma, falando aos jornalistas, depois da JMJ, em Julho de 2013, afirmou: “uma Igreja sem mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria”… E acrescentou: “a Igreja é feminina, é esposa, é mãe”.

            Em 2015, ao participar de um Congresso sobre “As Culturas femininas – igualdade e diferença”, Francisco afirmou: “já é tempo das mulheres se sentirem não hóspedes, mas plenamente partícipes das várias esferas da vida social e eclesial. Esse é um desafio que não pode mais ser adiado”.

            Entre os vários pronunciamentos, ao longo desses 08 anos, aos 11/01/21 o Papa autorizou, oficialmente, a inclusão no CIC, de Mulheres que sirvam ao Altar, como ‘leitoras’ ou ‘acólitas’, funções, só permitidas a homens que se destinassem ao presbiterato. É claro que tal autorização não lhes dá o direito ao sacerdócio, a não ser àquele que já lhe vem pelo batismo.  

            O nosso querido D. Helder, de saudosa memória, referindo-se a esse assunto, nos ajuda a refletir, dizendo: “não é o homem superior à mulher, nem a mulher superior ao homem. Mas também não é certo dizer que ambos são iguais em tudo. A realidade é maior e mais bonita: a mulher possui qualidades, especificamente, femininas que, quando se unem às qualidades, especificamente masculinas, permitem conseguir resultados maiores, mais expressivos e mais ricos, que os que se poderiam alcançar, quando cada um dos sexos trabalha, separadamente”.

            Aqui está a nossa homenagem e a nossa gratidão, à Mulher, no seu Dia Internacional, que comemoramos nesta segunda feira, dia 08, pela 46ª vez. Não a criticamos pela sua luta feminista. Nossa crítica vai mais para homens machistas, discriminadores, mandões que se acham superiores a elas e com direito de dominá-las. Junto a eles, formam casais. Dois deles ou duas delas formam pares ou duplas.

            Era melhor não ter acontecido, mas foi preciso haver o grande massacre do dia 08 de março de 1857, em que 129 Mulheres perderam suas vidas, para que as atenções fossem voltadas para a Mulher e para o seu valor. Bem diz a sabedoria popular: “não há mal que não traga um bem”. Parabéns, mulheres, pelo dia de vocês.  Obrigado mulheres, por formarem a outra metade que falta em nós. O que seríamos sem vocês?

O DESTINO DO PAÍS E O PAPEL DA OPOSIÇÃO!

Sob o olhar curioso e preocupado deste articulista, oportuno registrar cedo o infortúnio da oposição no atual cenário político brasileiro – ainda há tempo de mudança de rumo – para enfrentamento do mais débil governo desde a redemocratização.

Dr. Franzé Bezerra, Advogado

Dia a dia, a nação assiste, passivamente, a Democracia desmoronar, como se estivesse anestesiada, impotente para reagir ao seu próprio infortúnio, deixando-se abater, à luz do dia, como se não enxergasse o cadafalso à frente.

O Povo brasileiro dá sinais de esgotamento. Já não sabe mais o que fazer. Conforma-se com a banalização generalizada. Da transformação de uma, outrora, nação que arrebatou aplausos mundo afora pelas conquistas sociais e avanços econômicos, erigida que foi no rol invejável das 10 maiores economias do planeta, encontra-se isolado, sem representatividade respeitável, em decadência manifesta.

Agora, aprisionada pelo inimigo invisível que assola o mundo, é irônico dizer, chega a ser perturbador, aquele que mais desdenhou da pandemia acaba sendo o seu maior beneficiário, como se estivesse encastelado, inatingível. A nação dorme e acorda sem identificar quem poderia lhe guiar para caminho diverso, seguro, vendo o carrasco matar o que lhe foi tão caro, em passado não muito distante.

É surpreendente o adestramento de muitos ao discurso do falso moralismo e da, já moribunda, Nova Política, enredados pela falsa pregação de exaltação da fé e de um nacionalismo inexistente.

Os atores, ainda que imbuídos de boa vontade, patinam nas próprias pernas. Não conseguem clarear o turvo caminho que lhes levaria a um porto seguro. Pelo contrário, se autoflagelam, expõem, sem nenhum pudor, suas próprias vaidades, errando o mastro que deve ser acertado, fragilizando a já cambaleante frota oposicionista.

Que a vida é um palco, não há menor dúvida, parafraseando o imortal dramaturgo inglês, Shakespeare. E, na vida política, cada um define qual o papel que quer representar, o principal ou coadjuvante. E a plateia, ao final, dirá quem realmente conseguiu melhor traduzir seus desejos e aspirações.

É a partir da apresentação, sem vencedores e vencidos, que terá de surgir o timoneiro para enfrentar e derrotar o inimigo, que se “arma” cada vez mais.

O destino da nação se encontra nas mãos desses atores. Que estejam conscientes de que, se todos não estiverem determinados pelo mesmo objetivo, – atingir o alvo certo – serão, igualmente, cúmplices do aprofundamento da tragédia brasileira, com meio século de retrocesso, e de cuja experiência ninguém tem saudades, quiçá, e com reserva, de alguns de seus próprios protagonistas.

É a tragédia brasileira que caminha a passos largos. Chegou a hora dos verdadeiros homens públicos se unirem, através da almejada FRENTE AMPLA, para paralisar o avanço, cada vez mais explícito, do autoritarismo.

SALVEM O PAÍS!