HISTÓRIAS DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Celebramos nesta 2ª feira, dia 08, pela quadragésima sexta vez, o Dia Internacional da Mulher, instituído em 1975 pela Organização das Nações Unidas. Mas, porque foi escolhido o dia 08 de março?

            Porque, naquela data, no ano de 1857, na cidade americana de Nova Iorque, um grupo de operárias em Indústrias Têxteis, reagindo às péssimas condições de trabalho, resolveu entrar em greve, reivindicando igualdade salarial e redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias.

            O movimento se espalhou, organizadamente, pelas várias fábricas, de tal maneira que, a repressão policial chegou e, sob os olhos dos patrões, foram assassinadas e queimadas vivas, 129 operárias, dentro das próprias fábricas em que trabalhavam.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará

Isso aconteceu no dia 08 de março de 1857 e, por isso mesmo, o dia 08 de março ficou reconhecido como o Dia Internacional da Mulher.

            Faz 164 anos que o massacre aconteceu. Faz 46 anos que esse dia internacional foi criado, e a luta da mulher, por seus direitos, não parou mais.

            Com a Revolução Industrial, iniciada também no século XIX, começou um Movimento, chamado, Feminista, que levou a Mulher a tomar consciência da exploração de que é vítima, e a exigir mais respeito e mudanças no tratamento. A própria expressão: Movimento Feminista é bastante criticada.

            Em 1869, cria-se nos EEUU, a Associação Feminina Nacional pelo direito ao voto. Dezenove anos depois, em 1888, é fundado o Conselho Internacional de Mulheres, com o mesmo objetivo.

            No século passado, o século XX, a Mulher começou a ter direito ao voto, por ex., nos EEUU, em 1920. No Brasil, em 1931. Somente em 1946 as Mulheres da França e do Japão tiveram direito ao voto.

            E o que querem essas Mulheres com tais Movimentos Feministas?

            Antes de tudo, a sua emancipação, exigindo direitos civis, admissão à Cultura, acesso ao trabalho e outros direitos no âmbito sexual e familiar.

            Não fosse o grito delas, as Nações Unidas não as havia contemplado, em 1948, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, completando com a Declaração de 1967, denunciando a discriminação contra a Mulher.

            As Mulheres não se contentaram com essas pequenas concessões feitas pelos homens. Eram, como que, migalhas do que lhes sobravam.

            Continuaram sua luta até que, a Organização das Nações Unidas declarou o ano de 1975, como o Ano Internacional da Mulher, e de 1976 a 1985, como a Década da Mulher.

O Feminismo tomou novo impulso, em todo o mundo, fortalecido por organizações governamentais e não governamentais, dedicadas à pesquisa e ao estudo da Condição da Mulher na Sociedade. Houve um verdadeiro incentivo, um reconhecimento e uma legitimação das reivindicações do Movimento Feminista.

Se em todo o mundo, isso acontecia, porque não no Brasil? Em 1985 foi criado, pelo Presidente da República, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, com a aprovação do Congresso Nacional. Estruturava-se em Comissões de Trabalho nas áreas de saúde, educação, violência, creches, legislação, etc.

Se a mulher branca se sente tão discriminada e entra nessa luta pelo reconhecimento dos seus direitos, o que dirão as mulheres negras e indígenas? São, duplamente, discriminadas: por serem mulheres e por serem negras ou indígenas. Normalmente, estas, são também pobres; e aí, sofrem uma terceira discriminação. Daí, participarem, mais ativamente, dos Movimentos Feministas, lutando contra as 03 discriminações.

            Em dezembro de 1988, as Mulheres Negras realizaram em Valença, no Estado do Rio, um Encontro Nacional, e ali fundaram a Comissão Nacional de Mulheres Negras. Estas sentem, ao pé da letra, o problema na pele, pois sofrem o poder discriminador do homem, sob as mais variadas formas: da miséria, do analfabetismo, da prostituição, do tráfico, da desigualdade salarial e tantas outras formas de despotismo e de machismo.

            É o domínio da sociedade androcêntrica, isto é, construída a partir da dominação masculina ou a partir dos interesses do homem.

            O Movimento Feminista está lutando contra isso. Quer construir uma sociedade onde mulher e homem tenham os mesmos direitos, onde não haja discriminação e opressão, baseadas no sexo, mas onde ambos possam dar sua própria contribuição.

            A Igreja, independentemente do Movimento Feminista e bem antes dele, já ensinava a igualdade entre homem e mulher, ambos de criação divina, e tem tido suas portas abertas para o debate e para o diálogo sobre o assunto.

            Não é sem razão que a Mulher tem encontrado bastante espaço nos seus trabalhos Comunitários, Catequéticos e Pastorais, sobretudo, mais recentemente, nos Encontros de Casais, levando o homem, igualmente, a participar.

            Tanto é verdade que, nessas últimas décadas, através da Campanha da Fraternidade, a Igreja nos tem levado a refletir sobre os mais variados temas, envolvendo a Família, a Mulher, o Homem, a Ambos, como Imagem de Deus, enfim, às suas exclusões, desigualdades e dificuldades.

            E a Igreja pergunta: se homem e mulher são imagem de Deus, como admitir tensão entre eles?

            Em Deus não há tensão, apesar de serem 03 pessoas. Elas são, absolutamente, iguais. Porque não aprendermos a igualdade divina que a Trindade nos ensina? Nós não somos sua imagem e semelhança?

            O Papa Francisco, desde o início do seu pontificado em 2013, tem falado sobre o papel das mulheres na Igreja e na sociedade. Na sua 2ª audiência pública como ocupante da Cátedra de Pedro disse: “as primeiras testemunhas da ressurreição foram as mulheres. E isso é bonito. Faz parte da sua missão”. E no vôo de volta do Brasil a Roma, falando aos jornalistas, depois da JMJ, em Julho de 2013, afirmou: “uma Igreja sem mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria”… E acrescentou: “a Igreja é feminina, é esposa, é mãe”.

            Em 2015, ao participar de um Congresso sobre “As Culturas femininas – igualdade e diferença”, Francisco afirmou: “já é tempo das mulheres se sentirem não hóspedes, mas plenamente partícipes das várias esferas da vida social e eclesial. Esse é um desafio que não pode mais ser adiado”.

            Entre os vários pronunciamentos, ao longo desses 08 anos, aos 11/01/21 o Papa autorizou, oficialmente, a inclusão no CIC, de Mulheres que sirvam ao Altar, como ‘leitoras’ ou ‘acólitas’, funções, só permitidas a homens que se destinassem ao presbiterato. É claro que tal autorização não lhes dá o direito ao sacerdócio, a não ser àquele que já lhe vem pelo batismo.  

            O nosso querido D. Helder, de saudosa memória, referindo-se a esse assunto, nos ajuda a refletir, dizendo: “não é o homem superior à mulher, nem a mulher superior ao homem. Mas também não é certo dizer que ambos são iguais em tudo. A realidade é maior e mais bonita: a mulher possui qualidades, especificamente, femininas que, quando se unem às qualidades, especificamente masculinas, permitem conseguir resultados maiores, mais expressivos e mais ricos, que os que se poderiam alcançar, quando cada um dos sexos trabalha, separadamente”.

            Aqui está a nossa homenagem e a nossa gratidão, à Mulher, no seu Dia Internacional, que comemoramos nesta segunda feira, dia 08, pela 46ª vez. Não a criticamos pela sua luta feminista. Nossa crítica vai mais para homens machistas, discriminadores, mandões que se acham superiores a elas e com direito de dominá-las. Junto a eles, formam casais. Dois deles ou duas delas formam pares ou duplas.

            Era melhor não ter acontecido, mas foi preciso haver o grande massacre do dia 08 de março de 1857, em que 129 Mulheres perderam suas vidas, para que as atenções fossem voltadas para a Mulher e para o seu valor. Bem diz a sabedoria popular: “não há mal que não traga um bem”. Parabéns, mulheres, pelo dia de vocês.  Obrigado mulheres, por formarem a outra metade que falta em nós. O que seríamos sem vocês?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *