DO AGRAVAMENTO DA PANDEMIA E O NOVO TABULEIRO DA POLÍTICA.

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O avanço da tragédia brasileira é inevitável, pois não há mudança de rumo do governo Federal no enfrentamento da mais grave crise sanitária de nossa história.

Os governadores, por mais que se esforcem, não conseguem frear a disseminação do vírus, quer pela indiferença de nossa gente, quer pelo difícil distanciamento social em face da necessidade de muitos em buscar o sustento de suas famílias.

Por outro lado, e no primeiro momento, o auxílio emergencial foi e é indispensável para socorrer milhões de brasileiros impactados pela pandemia, que tiveram seus empregos extintos e, consequentemente, sem renda mínima para garantir a própria sobrevivência.

Dr. Franzé Bezerra, Advogado

Ao lado da grave crise econômica, que tende a se aprofundar, com o avanço da pandemia, insiste o Presidente da República em manter a narrativa  de menosprezo à crise sanitária.  Persiste no confronto com a ciência e os entes federados (Município, Estado e Distrito Federal), praticando verdadeiro boicote diário ao esforço dos governadores, que seguem as mais elementares e necessárias orientações dos especialistas da área de saúde.

É desnecessário dizer, e assim foi registrado desde o início da pandemia, que as inoportunas e negacionistas falas do Presidente da República em nada contribuem. Pelo contrário, criam incertezas junto à população, descredibilizando as decisões oportunas dos governadores e prefeitos.

Registre-se, a bem da verdade, que os Prefeitos acabam interferindo menos, ficando a grande maioria, a reboque das medidas estabelecidas, via  decreto, pelos governadores, que se restringem ao distanciamento social, funcionamento de espaços públicos e das atividades econômicas, tudo, dentro da orientação dos representantes da comunidade científica.

Agora, é fato, também, que o desgaste do governo Federal se acentua, não só pelo comportamento de muitos de seus integrantes e fanáticos seguidores,  e mais ainda pelos erros cometidos em retardar a aquisição das vacinas, efetivamente única solução  segura contra o aterrorizante inimigo invisível, covid-19.

Nessa esteira, é indispensável que se analise as consequências geradas pela pandemia no campo político, principalmente diante da politização que foi elevada na atual crise sanitária.

É oportuno dizer que o ideal teria sido a união de todos no combate à pandemia, independentemente de preferência ideológica – menos importante nesse trágico momento vivenciado pelo país -, e que a direita, esquerda,  centro,  todos, estivessem unidos com um só objetivo, combater o mesmo inimigo, visando ajudar a população como um todo.

Não se poderia esquecer, daí se faz o registro, que partiu do governo do Estado de São Paulo, a iniciativa pioneira de buscar o imunizante, em consórcio com os laboratórios chineses. Entretanto, com o avanço da vacina do Instituto Butantã, de SP, começou a guerra de vaidades entre o governador João Dória e o Presidente Bolsonaro, tendo este afirmado que o Brasil não compraria a vacina chinesa.

Ocorre, para infelicidade política do Presidente, veio à tona informação de que o Brasil recusou a compra de 70 milhões de doses oferecidos pelo laboratório Pfizer, em agosto do ano passado, atrasando o início de vacinação no país, e, consequentemente, contribuindo para o crescimento do número de infectados.

Por outro lado, avançava a fabricação da Coronavac, do Instituto Butantã, batizada como ‘a vacina do Dória’, e nessa queda de braço o governador de São Paulo acabou saindo vitorioso,  pois o início da vacinação no país se deu com o até então hostilizado imunizante chinês.

Assim, foi se aprofundando a politização na pandemia, e com os frequentes erros e desencontros do Ministro da Saúde, General Pazuello, o desgaste do Presidente foi também se acentuando, e a perda de popularidade já se faz registrar nos últimos levantamentos feitos pelos institutos de pesquisa.

Há consenso entre os analistas, e aqui também me incorporo, de que a base sólida de apoio do governo Federal se dá pela bancada dos evangélicos, militares e policiais em geral, além dos extremistas que se dizem alinhados com o perfil de extrema-direita do Presidente, e esse é, essencialmente, o universo do eleitorado bolsonarista.

Não é exagero dizer que o campo da Direita ou do Centro, propriamente dito, nas próximas eleições, estará bastante povoado, com nomes que podem alcançar capilaridade eleitoral, enquanto a extrema-direita, representada pelo bolsonarismo raiz, ficará espremido, e poderá ter dificuldade de manter-se viável e chegar ao segundo turno.

A tragédia brasileira, repito,  é resultado da incompetência do governo Federal, principalmente com a manutenção da figura patética do Ministro da Saúde, que, dia a dia, faz papel de bobo da corte, e com flagrante desgaste da imagem do Exército Brasileiro, e que se vê bastante incomodado, com a condução do enfrentamento da pandemia, que já se aproxima da marca   desastrosa de 300 mil mortos.

Aguardemos o andar da carruagem, mas uma coisa é certa: o tabuleiro da política que se encontrava tranquilo e bem esquematizado para o Governo, passou a ser outro com a probabilidade de entrada do ex-presidente Lula no jogo político de 2022.

Se o bolsonarismo navegava em águas transparentes e sem tempestade, com a nova movimentação do denominado campo progressista, já não tem a mesma segurança de outrora, e terá que remar mais e mais para atracar em um porto seguro.

Enfim, tudo ainda está indefinido; se vai aparecer um novo nome no cenário político, não se sabe, mas especulações não faltam, ou se os já conhecidos pretendentes terão maiores chances diante do quadro trágico gerado pela pandemia.

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