No Seminário, vivenciei coisas boas!

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Nasci em 09/10/1949 na Fazenda Herval, Município de Santa Quitéria no estado do Ceará, sendo filho de Luís Agape Barbosa, falecido e de Tercina Borges Agape, pessoas simples do campo. Meu nascimento se deu na própria fazenda, uma vez que naquela época era costumeiro as mulheres darem a luz com o auxílio de parteiras.


Francisco Borges Ágape, na Betânia de 1963/1967 

A fazenda na qual cresci era um lugar bem modesto, distante 30 quilômetros (ou 5 léguas, que era a unidade que usávamos naquela época) de Santa Quitéria. A vida era muito difícil, o meio de transporte era bem rústico, que se resumia a animais como burros, cavalos e jumentos. Não tinha energia elétrica, sendo que dependíamos de iluminação com lamparina a querosene. No local havia duas casas, sendo que uma era habitada por nossa família composta de meu pai, mãe, e minhas irmãs Berenice e Valderice (Valda). Já a outra casa abrigava a família da irmã de meu pai, tia Maria, falecida recentemente em 26/09/2014, com seu esposo Manuel e filhos.

Minha primeira professora foi a tia Maria Barbosa Fernandes, sendo responsável por minha escolarização da alfabetização   até o 2º ano, de 1956 a 1959. A partir do terceiro ano, em 1960, estudei com a  professora Hilça de Mesquita Parente  no Grupo Escolar Júlia Catunda, em Santa Quitéria. A professora Hilça é tia do betanista Antônio de Assis Martins Parente. A quarta e quinta série do primário, juntamente com a preparação ao exame de admissão ao ginásio, cursei com a professora Maria Amélia Mourão Lobo na escola Domingo Sávio, também em Santa Quitéria. Em 1961 fiz duas séries, a quarta e a quinta, em um ano.

Sou muito grato a José Demerval de Andrade e Manoel Timbó Muniz, amigos de meus pais que, muito carinhosamente, me acolheram em suas casas, para que pudesse concluir essa etapa de estudos.

No início de 1962 grandes mudanças ocorreram em minha vida, uma vez que meus pais se mudaram para a cidade de Santa Quitéria, e fui aprovado no exame de admissão ao ginásio em 2º lugar. Cursei a 1ª série ginasial no Ginásio Fonseca Lobo em 1962. Durante  o tempo que passei a morar na cidade fui acólito do pároco padre Luís Ximenes de Aragão Freire. Sentia o desejo de ingressar ao seminário, e, com ajuda do padre Ximenes, ingressei no Seminário Diocesano São José em Sobral no estado do Ceará, de 1963 a 1966, período em que o ginásio foi concluído, curso de humanidade.

O tempo que estive no Seminário muitas coisas boas vivenciei, como disciplina, organização, bons conteúdos recebidos dos professores, convívio com os colegas, ambiente saudável. Na parte de lazer e esporte tudo foi bem-organizado. Eram oferecidas 3 modalidades de esportes, futebol de campo, futebol de salão e voleibol. Destaco uma visita que fizemos à Gruta de Ubajara, uma viagem de trem a Camocim, passando nas estações de Massapê, Martinópolis e Granja. A ida periódica ao cinema no Cine Alvorada. A rádio Itamarati com uma excelente programação musical e que me marca até hoje, quando ouço as músicas daquela época. Os dois reitores que tivemos, padre José Linhares Ponte e padre Francisco Sadoc de Araújo fizeram um bom trabalho na administração do Seminário. Cito, com gratidão, o nome de meus professores, os padres: Tupinambá, Moésio, Lira, Edson Frota, Joviniano, Manfredo e Osvaldo. Destaco ainda o professor Antonino – Matemática – funcionário do Banco do Brasil. Colegas de turma mais próximo: Lucivaldo Rodrigues Soares (amigo, cujo contato nunca perdi, mesmo após a época do Seminário), Roberto Esmeraldo Mourão, Antônio Anésio de Aguiar Moura, Antônio de Assis Martins Parente, Aloísio Ribeiro da Ponte, Davi Hélder de Vasconcelos, Francisco Edison Andrade Costa, José Lucivan Miranda, Antônio Orion Paiva e João Riberiro Paiva. Colegas de outras séries dos quais  guardo boas lembranças: Luciano Lobo, Francisco das Chagas Farias Paiva, Francisco José Aguiar de Moura, Antônio Viana Vasconcelos, José Hairton Carvalho (meu tutor particular das redações do Padre Osvaldo),  José Haroldo Tomás, Francisco Regis Frota Araújo e Francisco Sampaio Sales. A nossa alimentação e limpeza do casarão da Betânia foram cuidadas com muito amor e carinho pelas freiras franciscanas: Madre Ermenhilde (Superiora  e chefe da pequena enfermaria que prestava inestimável apoio aos internos) e as irmãs Tarcísia, Faustina, Antonieta e Aparecida, juntamente com as noviças.

Ainda no Seminário, em 1967 iniciei o curso científico no colégio Sobralense. Em julho do mesmo ano saí do Seminário e fui morar em Fortaleza. Continuei os estudos no colégio estadual Liceu do Ceará de agosto de 1967 a 1969.

Já em Fortaleza, residia no bairro Carlito Pamplona com minha família. Meu primeiro trabalho foi em um escritório de representação comercial, de janeiro de 1968 a março de 1973. Em abril de 1973 fui convocado para tomar posse em meu primeiro cargo público, como auxiliar de serviços médicos no INPS (atual INSS), cargo esse no qual permaneci até fevereiro de 1975. Em novembro de 1974 iniciei a seleção para um concurso a nível nacional para ingressar no Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. Com minha aprovação, iniciei o curso em março de 1975, com duração de 9 meses de formação para Controlador de Tráfego Aéreo no Centro de Atualização Técnica (atualmente Instituto de Controle do Espaço Aéreo/ICEA), órgão do extinto Ministério da Aeronáutica (hoje Comando da Aeronáutica), situado no campus do Centro Técnico Aeroespacial/CTA, na cidade de São José dos Campos em São Paulo. Após a conclusão do Curso fui lotado em Brasília.

Em novembro de 1975 foi o período de radicais mudanças em minha vida, marcada pela minha fixação de residência na Capital Federal. Mesmo estando em um cargo público, nunca descuidei de minha educação, continuei os estudos para formação nas áreas de Administração e Contabilidade. Tinha iniciado o ensino superior junto à Universidade Federal do Ceará/UFC, contudo, com minha mudança devido à função pública, concluí o terceiro grau na Universidade de Brasília/UnB.

Já estabelecido na cidade, conheci uma linda jovem pela qual me afeiçoei. Em outubro de 1981 tive a sorte de contrair matrimônio com essa mulher que até hoje é um porto seguro em minha vida, Erly Maria do Carmo Agape. Fomos agraciados por Deus com um maravilhoso casal de filhos Micheline Beatriz de Oliveira Agape e Hugo Leonardo de Oliveira Agape.

Em agosto de 1987, ingressei na carreira de magistério na rede de ensino público do Distrito Federal, para desempenhar a função de professor nas áreas de Administração e Contabilidade.

No início de 1987, por meio do amigo Lucivaldo Rodrigues Soares, tomei conhecimento da brilhante ideia do Betanista Francisco José Aguiar  Moura (ao qual aproveito o ensejo para demonstrar meu apreço), ao colocar em prática as sugestões recebidas de alguns colegas no sentido de fazer um memorial ao Seminário Diocesano São José. O marco inicial foi o primeiro encontro dos Betanistas realizado no dia 30 de maio de 1987 no restaurante Caravelle em Fortaleza/CE. Após o sucesso daquele evento, outras reuniões aconteceram com o passar dos anos, tendo o mais recente acontecido no ano de 2013 em Sobral/CE. Desde já, apresento minhas desculpas, pois, devido aos afazeres da vida, nunca pude comparecer a esses encontros.

Como fruto desses encontros, foi idealizada a confecção de um livro que conteria as histórias do querido e saudoso Seminário, contadas por aqueles que viveram lá naquele tempo. Nesse ponto, créditos ao idealizador, o Betanista Francisco Leunam Gomes.

Desta forma, gostaria neste momento de render homenagens à iniciativa ao esforço desses amigos e equipe, sem a qual, quem sabe, eu nunca teria o interesse de escrever essas parcas linhas sobre minha vida, e que foi de fundamental importância para que as efêmeras memórias daquela saudosa época  não desaparecessem com o tempo.

            Ao arrematar essa breve sinopse de minha vida, quero externar minha eterna gratidão aos meus pais que não mediram esforços para que eu progredisse na vida. À minha amada esposa e filhos, pelo suporte, sem o qual não teria alcançado nem metade de meus objetivos. A todos os meus professores, que transmitiram seus conhecimentos no melhor de suas habilidades.

Por derradeiro, e com toda certeza o mais importante agradecimento que tenho a fazer, quero prestar minha ADORAÇÃO àquEle  que é a razão de meu viver, ao DEUS ALTÍSSIMO – Autor de toda a criação – através dos versículos extraídos de Sua Santa Palavra, a BÍBLIA SAGRADA; Salmos 125: 1 – Todos aqueles que depositam absoluta fé no ETERNO são inabaláveis como o monte Sião.; I Samuel 7: 12 – Então Samuel mandou que uma pedra fosse erguida entre Mispá e Sem; e deu-lhe o nome de Éven-Haézer, Ebenézer, que significa “Rocha do Socorro”, querendo dizer: “Até aqui nos ajudou o SENHOR”; Romanos 16:27 – Sim, ao único e sábio DEUS seja dada Glória, por intermédio de JESUS CRISTO, para todo o sempre. Amém!; Mateus 6:13 – E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o Reino, o Poder e a Glória por todos os séculos. Amém.

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