Mês: abril 2021

DIA DO TRABALHO: Mais de 14% de desempregados, cerca de 14,5 milhões.

De vez em quando, a generosidade e o carinho de alguns de vocês me deixam muito feliz e agradecido pelas palavras elogiosas depois de meu Comentário Semanal. Tenho feito qualquer esforço para preparar bem minha mensagem no desejo de que todos a entendam e tirem algum proveito.

Para hoje, eu gostaria de trazer uma reflexão sobre o Dia do Trabalho, tantas vezes comemorado por aí, quando tive a alegria de conviver no Pajeú. Era sempre uma oportunidade de colocar o povo na rua, fazer um abrangente pronunciamento sobre a realidade do trabalhador, conclamá-lo à participação e alegrá-lo com algumas músicas conscientizadoras de sua responsabilidade junto à classe social a que pertencesse. Éramos embalados pela M. P. B. de Protesto, pela presença de compositores e cantores que abordavam a nossa realidade social e nos transmitiam uma mensagem de esperança. Todos os males seriam evitados e corrigidos se nos uníssemos em nosso sindicato de classe, em nossas C.E.Bs, em nossas Equipes de Fé e Política ou em nossos partidos políticos, fundamentalmente representativos da classe trabalhadora. Àquela época, já dizíamos que o Dia do Trabalho ainda não era um Dia de Festa. Iríamos chegar a isto. Dependia de grande evolução em nossa mente e no nosso modo de fazer política, escolhendo nossos melhores representantes, isto é, cuidando muito para que a escolha destes, coincidisse com o que entendíamos sobre o que fosse bem comum.

            Hoje, ao procurar luzes ou sugestões que justificassem meu Comentário, o Googel me sugere o que eu já rejeitava quando morava aí: ‘é um dia de festa’ ‘entrega de brindes’ ‘sorteio de viagens’ ‘sorteio de eletrônicos’ ‘concurso cultural’ ‘promoção de festa e passeios’ ‘campeonatos esportivos’ ‘gincanas’ ‘café da manhã’ ‘almoço’ ‘jantar’ ou outras maneiras de enganar trabalhadores que em nada iriam melhorar seu salário, garantir-lhe uma aposentadoria digna ou mudar sua vida para bem melhor. Aí eu fiquei pensando: se há 20/40 anos  a gente esperava uma mudança de mentalidade, a escolha de representantes políticos que quisessem mais o bem comum do que a promoção pessoal o que dizer agora diante da situação nacional tão caótica, em que governantes em todos os níveis nos enganam, descaradamente, colocando-nos socialmente, muito aquém do que poderíamos imaginar?

            Será que nossa “cegueira política” não está tirando de nós a “conscienti-zação” de que falávamos outrora, impregnando-nos agora de um moralismo devastador que nos leva a esquecer o desemprego, a saúde, a desigualdade social, a educação e outras necessidades básicas?

            Que dizer da apropriação indébita do nome de cristão, de predestinado ou de ungido, usando o nome de Deus em vão, com discursos desprovidos de fundamentação científica, defendendo que a terra é plana ou distorcendo o conceito de liberdade, autorizando a dirigir sem habilitação, sem o uso de ‘cadeirinhas’ para bebê ou de radares para o controle de velocidade? Será que tais irresponsabilidades ou afrouxamento de leis nos vão dar a sensação de que “agora sou mais livre”? Não seria isso, “populismo puro”?

            Como são falsas as orientações de uma democracia disfarçada! Imagine a privatização do sistema de segurança pública! Dizem: “pelo menos diminuem gastos com forças policiais ou com a ampliação de cadeias”. É só possibilitar aposse e porte de arma a cada cidadão de bem e o direito de atirar em qualquer suspeito para diminuir a população de mais de 800 mil presos. Está certo isso?

            Se antes não podíamos festejar o Dia do Trabalho, como poder agora?

            Um governo que facilita a possibilidade de maiores lucros para os grupos econômicos que lhe dão apoio, por exemplo: No agronegócio, isentando-o de impostos, de multas, de submissão ao IBAMA, permitindo o “trabalho análogo à escravidão”, o desmatamento e invasão de terras indígenas, as queimadas que destroem toda a flora nativa composta de imensas árvores, apoderam-se das riquezas ali contidas, destroem todo o pantanal com sua fauna, como comemorar o Dia do Trabalho com tanta fumaça e com tantas vidas perdidas?

            O mundo todo tem suas atenções voltadas para o Brasil – antes e depois da Cúpula dos líderes sobre o Clima – em que nosso país participou, deixando uma impressão de muito descrédito na Comunidade Internacional. É claro, o mundo já conhece a postura do Governo Brasileiro e com relação ao meio ambiente e a tudo que tem feito (ou não tem feito) desde o início da gestão. A distância entre o discurso na Cúpula e a prática de nosso (des)governante ficou clara logo no outro dia. Depois da promessa de duplicar os recursos para a Fiscalização Ambiental e para a Erradicação do Desmatamento Ilegal no Brasil, até 2030, no outro dia o Presidente cortou, do orçamento de 2021, cerca de R$240.000.000 que iriam para o Ministério do Meio Ambiente. Isto é só um exemplo concreto e atual, que todo mundo viu, de que festa pelo Dia do Trabalho não está em nossos planos por enquanto. E com essa Pandemia fatal, pior ainda.

É tão fatal que o Mundo tem cerca 148 milhões de infectados. Três milhões e 120 mil mortos. No Brasil são 14 milhões e ½ de infectados. 392.300 mortos. Mais de 14% de desempregados, cerca de 14,5 milhões. Tem ainda 34 milhões na informalidade: fazendo bico e 06 milhões de desalentados. É mole?

            Infelizmente, não temos dados atualizados e a pesquisa feita a cada 10 anos pelo IBGE não foi realizada em 2020 e nem vai ser em 2021 por falta de verba. O Governo não tem dinheiro para pagar o trabalho de levantamento.

Será que se pode festejar o Dia do Trabalho numa situação tão caótica como esta? – Para tentar responder a esta indagação, está me chegando uma luz, vinda dos EEUU, nesses dias do mês de abril, em que o Policial Americano – Derek Chauvin foi julgado pelo Tribunal de Justiça por ter matado, por asfixia, o negro George Floyd, que implorava: “não posso respirar”. Mesmo assim, sufocado, o policial não aliviou. Deixou-o deitado no chão, joelho no pescoço e o matou. Será que dá pra gente respirar no sufoco em que estamos? Eu dizia no sábado passado, comentando a mensagem da CNBB que “não querem superar a desigualdade social do país: os privilegiados, que têm muitos bens, riqueza sobrando e não se vão preocupar com o bem-estar dos mais pobres”. A essa elite, o governo atual dá privilégios, isenta de impostos, de multas e facilita a destruição da fauna pantaneira e da flora amazônica. Como os mais pobres vão poder fazer festa no Dia do Trabalho se está tão difícil trabalhar? Se não têm uma carteira assinada e não terão uma aposentadoria? Será que dá pra respirar? Vão morrer ‘sufocados’ como morreu George Floyd.

O Rei do Baião, Luís Gonzaga em parceria com Agnaldo Batista, em 1989 compuseram o Xote Ecológico e, antevendo George Floyd cantavam: “não posso respirar, não posso mais nadar/ a terra está morrendo, não dá mais pra plantar/ e se plantar não nasce, se nascer não dá/ até pinga da boa é difícil de encontrar”. Sou apartidário, mas não sou apolítico. Posso até não ver, mas confio no que sempre esperei: um dia nos libertaremos de tudo o que nos oprime. O sol da esperança brilhará e o Dia do Trabalho será celebrado. Viva o Dia do Trabalhador, livre e independente! Organizem-se. Acreditem na união. A Pandemia Política também passará. Obrigado e tenham todos um bom dia!

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará

COMENTÁRIOS SOBRE O ARTIGO ANTERIOR 

Como sempre, fico encantada, embevecida mesmo, com o texto de Mons. Assis Rocha! Tomara que tenha o alcance dos ventos, a fim de muitos o vejam, o leiam e o reflitam. Pois é verdadeiro, singular e tocante… Essa pandemia agregada à política do ódio está minando o povo brasileiro, com a indiferença pelas pessoas desamparadas e com a violência extremista dos que pensam diferente! É verdade, a ação tem que estar alinhada à oração, porque é urgente, é necessário o retorno à dignidade do povo brasileiro.

Obrigada Mons. Assis!

Lúcia Feitoza, Tianguá/Ce

Parabéns, Mons Assis Rocha, como dizia nosso mestre Pe. Osvaldo, belo texto realista com começo meio e fim. Grande abraço.

Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro

“São inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”.

Na sexta-feira passada, dia 16, a CNBB encerrou sua 58ª Assembleia Geral que deveria ter acontecido no ano passado, de maneira presencial, como aconteceu em todos os anos anteriores, desde sua fundação.

A chegada inesperada da Pandemia, no último ano, nos pegou de surpresa e não estávamos preparados para realizá-la de maneira virtual. Foram marcadas outras datas prorrogativas, ainda em 2020, pensando que a Pandemia se ia; e nada. Ela piorou se espalhando mais, terrivelmente, por toda parte. Tivemos que adotar o “novo normal” como tudo que começou a ser feito pelo mundo: de modo virtual. Os senhores Bispos se prepararam, montaram uma estrutura de trabalho excelente e realizaram, com grande sucesso, a 58ª Assembleia Geral, na metade do tempo que gastavam nos anos anteriores: de 12 a 16 de abril.

Monsenhor ASSIS ROCHA, Mestre e Doutor em Comunicação Social, de Bela Cruz – Ce.

De minha parte, vou comentar com meus ouvintes e leitores a mensagem que  os Bispos do Brasil endereçaram a todos os seus diocesanos. Quero, logo no início, chamar a atenção de todos os que, a despeito das críticas que surgem diante das diferentes mentalidades entre bispos, sob o ponto de vista político e social, no entanto quando eles falam em nome da CNBB, as divergências desaparecem. Sempre foi assim. Os mais fechados ou conservadores se adaptam à maneira de pensar da maioria e o documento que sai interpreta o pensamento de todos.

Eles começam afirmando a gravidade do momento em que vivemos. Não é possível que qualquer pessoa de bom senso, também não o veja assim. Falam da sua oração e solidariedade para com os enfermos, famílias que perderam seus entes queridos ou que sofreram consequências advindas pela Covid 19. Manifestam sua profunda gratidão aos profissionais da saúde e a todas as pessoas que têm doado a sua vida em favor dos doentes, prestado serviços essenciais e contribuído para enfrentar a pandemia.

Constatam o que todo mundo que tem juízo também o faz: “o Brasil está experimentando uma grave crise sanitária, econômica, ética, social e política, intensificada pela Pandemia, especialmente devastadora na vida dos pobres e fragilizados”. Se qualquer pessoa que tem um mínimo de consciência vê isto, como um bispo não o veria? Como não concordar e assinar uma mensagem como esta? Será que isto não diz respeito à missão de um cristão ou de um discípulo de Cristo? Não será uma exigência do Evangelho? Daí porque os senhores bispos, independentemente de serem idosos ou jovens, conservadores ou atualizados, “não podem ficar calados quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”.

Pena é que os nossos conceitos para rotular as pessoas são conceitos ideológicos da política, da moralidade, da corrupção, da mentira e até do não entendimento do que seja religião para criar tanta confusão na cabeça do povo. Ouvimos líderes políticos sem nenhuma vivência religiosa, sem respeito algum pelo sagrado, invocando o nome de Deus em vão, enquanto pessoas tão boas, movidas pelo autêntico espírito cristão expõem suas vidas no socorro aos mais vulneráveis. Isto é que é unir oração e ação no dizer do Papa Francisco: “são inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”.

Do Papa, lá em Roma, aos Bispos em suas Catedrais e dos Párocos em suas Paróquias às Comunidades Eclesiais lá nos interiores, todos têm que levar a sério a Missão de Cuidar. Todos estão usando as Redes Sociais, os Meios de Comunicação, as Equipes de Pascom para aliviar os seus corações.

Todos estão sofrendo com a ausência do povo nas Igrejas e com as restrições necessárias, que lhes são impostas pela Pandemia. É o jeito. “Mais importante é a sacralidade da vida humana que está exigindo de nós sensatez e responsabilidade”, dizem os senhores bispos. Não é possível que algum bispo discorde de uma coisa dessas. Faz parte do bom senso de qualquer um.

Reconhecem, como a Constituição Federal, que a saúde é um direito de todos e um dever do estado, por isso mesmo, não se pode negar a ciência, o uso de máscara, o distanciamento social, a garantia de vacinação para todos e um auxílio emergencial digno – não uma esmola humilhante – pelo tempo que for necessário para salvar vidas e dinamizar a economia, sobretudo para os pobres e desempregados. Se a saúde vai mal, a educação está muito doente, sem um projeto nacional e com sérias consequências para o futuro do país. E o que dizer da violência? Está fora de controle, favorecida pelo fácil acesso às armas, pelo discurso do ódio e pela agressividade sem limites. E o pior: usa-se a religião como instrumento de disputa política, gerando confusão entre os fiéis.

Parece-me que qualquer pessoa desapaixonada e sensata não pode discordar da lógica apresentada pelos senhores bispos em sua mensagem ao povo brasileiro no final da 58ª Assembleia Geral. Eles, mesmo com idades e mentalidades diferentes, não poderiam discordar deste texto, pois é pra ser lido, analisado e conhecido por todos.

Quem não quer superar a desigualdade social no país faz parte da classe privilegiada de pessoas que tem uma boa vida, muitos bens, riqueza sobrando e não se vão preocupar com o bem-estar dos mais vulneráveis. Perder privilégios, jamais! Promover uma política que se não submeta aos interesses econômicos e que seja pautada pela fraternidade e pela amizade social, nem pensar! Querer aproximação entre grupos sociais distantes, tendo em vista um renovado encontro com setores mais pobres, nunca! Buscar caminhos econômicos que considerem a todos como capazes de produzir, participar dos lucros e ter uma vida humana digna com casa, lazer e alimentação sadia? Isso é comunismo. É a resposta que está na ponta da língua dos que nos querem impor um sistema injusto de fazer política.

Como é uma mensagem da Igreja do Brasil, ela encerra, convidando-nos à união da sociedade civil, Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade em favor do Pacto pela Vida e pelo Brasil. Pede-nos assumir, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. Reconhece que a travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como disse o Papa Francisco na abertura desta 58ª Assembleia: “o anúncio pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos”.

            Os interessados em conhecer esta mensagem, procurem o Bispo diocesano, ou a seus Párocos ou pesquisem na Internet em Documentos da CNBB. Leiam e repassem. Obrigado!

Comentários  Recebidos

Freddy Carvalho – [email protected] – de Fortaleza – Ce.

Quando menino em Guaraciaba do Norte, a semana Santa era momento de oração, de confissão, comunhão, os ritos das celebrações, além de doações para o jejum e muito respeito as atividades religiosas. Boas lembranças e saudades. –

Francisco José Rodrigues Bezerra de Menezes –[email protected]  – de Fortaleza
A Semana Santa sempre foi o feriado planejado, o reencontro com nossas raízes, a visita aos sertões. Neste ano, infelizmente, pela tragédia pandêmica, esse compromisso foi rompido. Que no amanhã retornemos.

Helena Alves Assunção-[email protected]  – de Poranga – Ce.                                                                                                         É verdade, era um período de muita oração e respeito nas famílias. O PLANETA era mais tranquilo com menos catástrofe e menos violência.

Francisco Ramiro Pereira-[email protected] – de Fortaleza – Ce

Interessantíssimo este texto do João Ribeiro

ANTONIO ACELINO MESQUITA REGO – [email protected]  de Guaraciaba do Norte

Sem se falar da tradicional esmola pra Mamãe jejuar !! Bons tempos !! Hoje em dia já não se tem respeito e crença por nada !

Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro – Parabéns, Mons Assis Rocha, como dizia nosso mestre Pe. Osvaldo, belo texto realista com começo meio e fim. Grande abraço

Este país vai voltar a ser a Terra de Santa Cruz – Mons. Assis Rocha

No dia 21, quarta feira da 3ª Semana da Páscoa, é também feriado nacional pela passagem do Ducentésimo Vigésimo Nono Ano da Inconfidência Mineira, comandada por JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER, mesmo sem tê-la idealizado. Filho do português, Domingos da Silva Santos e da brasileira, Maria Antônia da Encarnação Xavier. Nasceu aos 12 de Novembro de 1746 na Fazenda Pombal, em Minas Gerais e morreu – enforcado e esquartejado – aos 21 de Abril de 1792, com 46 anos de idade, no Rio de Janeiro. Ficou órfão de mãe com apenas 09 anos, e de pai, com 11. Entre os 07 irmãos, era o quarto e foi cuidado pelo seu padrinho médico, na cidade de Vila Rica, hoje, Ouro Preto.

TIRADENTES – O MARTIR DA INDEPENDÊNCIA

Devido à formação recebida da Família Adotiva, teve encaminhamento para a vida, com diferentes opções: desde a formação militar, ocupando o posto de Alferes, às funções de tropeiro, comerciante, minerador e até as práticas farmacêuticas, exercendo a profissão de Dentista. Daí o “apelido” de TIRADENTES, que o celebrizou até hoje.

No ambiente “familiar”, na sala de aula, no contato com os profissionais de seu meio, foi exercendo papel importantíssimo na propagação de ideias revolucionárias junto ao povo, a quem ele arregimentava como adeptos. Era um verdadeiro líder não só pela maneira de trabalhar, como pelo poder de influenciar as pessoas, convocando-as a se enfileirar num movimento pioneiro de tentativa de libertação colonial do Brasil. A Rainha Dona Maria I, certamente não bem intencionada, impressionou-se com sua liderança e o nomeou como “Comandante da Patrulha” na rota de escoamento da produção mineradora que levava toda a fabricação mineira para o Porto do Rio de Janeiro e dali, para Portugal. Era o chamado Caminho Novo, descoberto pelo Reino, que proibia o estabelecimento de engenhos na região de Minas e punia o contrabando de ouro e de pedras preciosas. Não só os mineiros, mas toda a população era obrigada a pagar elevados impostos, o que promovia o descontentamento geral. Tiradentes não se encantou com o cargo. Não ficou do lado do Reino, é claro, ficou do lado do povo.

Já se começavam a organizar tentativas de libertação colonial do Brasil com a participação de grandes proprietários de terra, mineradores e até de integrantes do Clero. Tiradentes entendeu que deveria ficar do lado dos “conspiradores” e começou a fazer seus contatos revolucionários, procurando, por exemplo, o Visconde de Barbacena, Governador de Minas Gerais, que já se preparava para decretar “a derrama”, ou seja, a cobrança de todos os impostos atrasados. Aqui e ali ia conquistando apoio, embora, às vezes, isso não acontecesse. Foi o caso do Coronel Joaquim Silvério dos Reis, que devia grandes somas à Coroa e, com medo, não aceitou a proposta. Já existia a “delação premiada”: denunciou-o e Tiradentes se escondeu na casa de um amigo no Rio de Janeiro, sendo preso no dia 10 de Maio de 1789.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

Foram presas mais 34 pessoas, das quais, 05 eram Padres. Todos passaram por processo de investigação, julgamento, acusação e sentença, onde Tiradentes foi indiciado como cabeça do movimento e foi condenado no dia 21 de Abril de 1792, enforcado e esquartejado e sua cabeça foi exposta em Vila Rica e seus membros espalhados em postes, no caminho, entre Minas e o Rio de Janeiro, para servir de exemplo e amedrontar todos os que passassem pelas imediações. O que acontecera com ele, aconteceria com todos os que se metessem a ser revolucionários. De fato, os demais companheiros ou “conspiradores” receberam penas semelhantes: onze foram condenados à morte, cinco a degredo perpétuo e várias condenações à prisão. Todos perderam seus bens.

A luta não parou por aí. Trinta anos depois, em 1822, veio o grito de Independência ou Morte. Era o brado de Dom Pedro às margens do Rio Ipiranga, atualizando os movimentos revolucionários, protagonizados pelo proto mártir Tiradentes. Com mais 67 anos, em 1889, houve a Proclamação da República. Nem sabíamos o que era democracia. Não elegíamos ninguém, pois para a função de Imperador, não se vota. Durante 389 anos fomos manobrados pelo Rei, o todo poderoso “manda chuva”. E o que é pior: até o governo da Igreja era feito pelo Imperador que, pelo direito de padroado, casava e batizava: nomeava bispo, criava diocese e decidia sem que Roma tomasse conhecimento.

Proclamada a República, adquiriu-se o direito de votar, de escolher nossos governantes e de viver, plenamente a Democracia. Pena é que, nos últimos 132 anos, o povo entendeu tão pouco a mudança do Império para a República, que assistiu de braços cruzados, a três Golpes de Estado, promovidos pelas mesmas elites que, desde Tiradentes, diziam querer a Democracia, que não era outra coisa senão, a busca dos próprios interesses.

 Nos 03 Movimentos Golpistas – no de Getúlio, no dos Militares e no último Impeachment – mantiveram-se no poder as elites, os compradores de votos, os enganadores e fabricantes de falsas promessas, os lavadores de dinheiro, os formadores de organizações criminosas, os milicianos, os corruptores ativos e passivos, os ‘negacionistas’, os promotores do tráfico transnacional de drogas, de crianças, de jovens e de mulheres, da ocultação de patrimônio e enfim, uma “legítima” volta à Ditadura. Não é incrível? Aonde vamos chegar?

O “Caminho Novo”, meu caro Tiradentes, palmilhado por você, ajudando o Império invasor Português, a carregar o que era nosso, tem que ser refeito de volta, repatriando tudo o que a pirataria europeia levou de nós. Infelizmente maus brasileiros aprenderam a fazer esse tal “caminho” e abarrotaram Bancos, no exterior, com o dinheiro de nossa saúde, de nossa educação e de nossa segurança em geral. Essa riqueza tem que ser “repatriada”, retornada aos nossos cofres para servir a todos. Os portugueses não nos “descobriram” como se ensina nas escolas. Eles nos invadiram e se apropriaram de várias nações indígenas, como se não fossem gente ou povos organizados. Eram cerca de 05 milhões de pessoas a quem os invasores chamaram de “selvagens” e desconfiavam até de terem almas. Há espertalhões brasileiros que ainda pensam e agem com nosso povo, como massa de manobra. Será que mudará?

Do jeito que as coisas estão caminhando, você acredita em mudança? Com o governo que estamos tendo, você vê possibilidade para isto? Não estamos à deriva, desorientados, sem esperança? Que situação triste, a nossa: perdermos a esperança. Quando a gente recorda um herói de nossa historia, como Tiradentes, que se insurgiu contra a Coroa Portuguesa, há, exatamente, 229 anos, ao tempo em que tudo era mais difícil/ e continuamos, tendo-o como referencia nacional/, porque não nos esforçarmos para vermos nele, um exemplo a ser imitado? O tempo vai passando e, em vez de nos “organizarmos e progredirmos” – como lembra a nossa Bandeira Nacional – estamos “indo para trás”, muito aquém de todos os países do mundo. Não é o que estamos vendo diante da Pandemia do CORONAVIRUS? O mundo todo se resguardando, fazendo quarentena, obedecendo à Ciência, à OMS, à ordem de “ficarmos em casa”, enquanto o nosso Governante Maior, sai às ruas, estimulando à desordem, inventa inaugurações do que ele nem construiu, indo, totalmente na contramão de todos os que têm bom senso e seguem uma orientação mundial! Não é um contrassenso? Aonde iremos parar? Até quando viveremos assim?

Apelamos para o significado da “Páscoa”, da renovação, da conversão, da mudança de vida: do pecado, para a graça divina; do erro para o acerto; da morte para a ressurreição. É o grande momento que estamos vivenciando agora na Igreja até o dia 23 de Maio. Esperamos que, ao terminar o Tempo Pascal, no Dia de Pentecostes, a mudança se tenha realizado. Que todos tenhamos vencido a tribulação maior. Que nossas esperanças sejam avivadas.

No Domingo passado, 2º da Páscoa, – chamado “Domingo da Divina Misericórdia” – Jesus, diante do “incrédulo Tomé”, mandou que ele metesse o dedo nos furos de suas mãos e do seu lado para acreditar que era Ele mesmo, e que estava ressuscitado, vivo de novo, e deu a todos nós, um grande elogio: “acreditaste, Tomé, porque me viste; bem aventurados os que creram sem terem visto”. Todos somos convidados a acreditar – mesmo sem ter visto – que estas duas Pandemias: a do coronavírus e a do desgoverno vão passar. Tenhamos fé na misericórdia divina. Este país vai voltar a ser a Terra de Santa Cruz. Sem ser historiador e sem ser mais professor me arrisquei a falar sobre este tema, embora, antecipadamente, pois o feriado será ainda na quarta feira. Como diz Bil Bebes da Escolinha do Prof. Raimundo, pelo menos, esta é a minha versão. Eu quis apenas lembrar a data, sem muitas pretensões.

Texto de Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

“Como a democracia transformou o mundo”.

Durante muitos anos ter uma educação de qualidade no Brasil era e infelizmente ainda é privilégio de poucos, e quando falamos de educação não estamos nos referindo apenas ao sistema tradicional de ensino…

É muito mais do que isso…

PROFESSORES RENATO ZANINE e EDUARDO MOREIRA

Estamos falando de um amplo conhecimento que envolve cultura, economia, espiritualidade, política, filosofia, artes e muito mais…

Não é de hoje que a ineficiência do Estado em promover acesso a um conhecimento de qualidade provoca uma espécie de segregação e alienação na população.

Essa alienação causa um maior despreparo profissional na maior parte da população, o que promove uma desigualdade extrema na distribuição de renda, e como resultado vemos uma grande concentração de recursos em um pequeno grupo de indivíduos.

E o reflexo natural disso é uma grande parte da população vivendo das migalhas deixadas pelos poderosos e pelo próprio Estado.

Ainda que o discurso adotado seja em direção à democratização, isso dificilmente irá acontecer tão cedo, pois é de interesse deles que as pessoas não tenham acesso a uma educação de qualidade.

Isso porque essa alienação é parte integrante do jogo do poder.

Imagine um país onde a grande maioria da população sabe pensar por conta própria e se mobilizar quando algo errado está acontecendo.

Neste caso, os poderosos não seriam tão poderosos assim.

Não haveria massa de manobra para que eles pudessem manipular e obter seus desejos imorais.

Nós viveríamos em um país livre e verdadeiramente justo.

Isso é o que os donos do poder não querem que aconteça.

Entretanto, contra a vontade deles, existe nossa força! E essa é uma realidade que nós vamos mudar…

O conhecimento elitista que antes era privilégio de poucos agora estará ao alcance de qualquer pessoa, através de aulas gratuitas como esta que faremos aqui nos próximos dias.

Deixo aqui o convite para você assistir no dia 22/Abril (quinta-feira), às 20h (horário de Brasília), a nossa próxima aula ao vivo e gratuita: “Como a democracia transformou o mundo”.

Nosso convidado especial é Renato Janine, ex-ministro da Educação.

Vamos fazer uma viagem desde a Grécia antiga até as revoluções modernas.

Você vai conhecer a história da democracia e saber porque defendê-la deve ser uma de suas prioridades de vida.

Vamos revelar também uma novidade muito legal para quem vai se preparar para o Enem este ano…

Procure INSTITUTO CONHECIMENTO LIBERTA                                                             e mail: [email protected]

Aguarde.

PANDEMIA: A RESPOSTA PARA TUDO ISSO ESTÁ EM NOSSAS MÃOS!

No início da Pandemia, eu dizia e ouvia outras pessoas dizerem, que ela iria passar e, logo-logo, voltaríamos ao ‘normal’. Com o passar do tempo, começamos a dizer que já estávamos entrando num “novo normal”, já que não nos podíamos aglomerar ou participar de qualquer reunião coletiva, como na escola, na Igreja, no clube recreativo, nas competições esportivas, no aniversário de alguém ou em família, e que tínhamos que aceitar a existência de um “novo normal” em nossas vidas. Nada presencial. Tínhamos que partir para o “virtual”: usar a internet, fazer “lives”, ficar em casa, não sair nem pra rezar na comunidade religiosa a que pertencíamos. Tínhamos que nos contentar com o uso das “redes sociais”, “não sair de casa” e a nos adaptar a um novo sistema de vida que, nem de longe, nos faria retornar ao que era.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

Eu tenho a alegria de conviver com um sobrinho-neto meu, João Murilo, que está com 13 anos. Desde pequenino me faz companhia, chama-me Vovô, tem sido excelente aluno na Escola, tem 44 medalhas de Karatê e, por causa da Pandemia, desde o ano passado, tem suas aulas virtuais. Preparamos-lhe uma suíte confortável, com ar-condicionado, computador, fones de ouvido, câmera e microfone para a conexão com a sala de aula na escola, e ele vive no seu “laboratório” de estudos. Eu digo pra ele, que este é o seu “normal agora”. Não tem como voltar ao presencial. Isto era no meu tempo.

A Pandemia foi um divisor de águas. Foi um mal que trouxe um grande bem. João está felicíssimo e aproveitando todo o tempo disponível. Diz-me sempre que está aprendendo mais do que quando as aulas eram presenciais e o resultado aparece nos boletins mensais. Com esta experiência que tenho dentro de casa e com o que ouço, vejo e me fala haver com outros/, sinto-me à vontade pra dizer como Boff: “querer voltar à antiga normalidade é autocondenar-se”, sobretudo nesta época das comunicações virtuais: internet, telefonia celular e outros recursos.

Tenho dito para o meu neto que os tempos mudaram. Enquanto à minha época “queimávamos as pestanas” para ler nos livros e ter na ponta da língua, as respostas, hoje temos todas as respostas na ponta dos dedos ao usar o teclado de um computador. Que ele aproveite bem tudo isso. Terá total apoio.

Porque eu digo que o “normal” agora é deste jeito? – Por que o número de infectados e de mortos está crescendo, vertiginosamente. Não podemos desprezar as centenas de milhares que já morreram, sufocados pelo vírus e até por suas vertentes, sem sermos solidários com o luto dos parentes e amigos. Voltar à conformação anterior do mundo ou à sua “normalidade” é prolongar uma situação que poderá significar a nossa própria destruição. Afinal de contas temos que deixar de lado a era da “competição”, para ingressar num tempo de “cooperação”.

Não dá mais para continuar a politicagem polarizada, do salve-se quem puder, do ‘ganha quem tem dinheiro’, de quem compra a consciência, dos negacionistas, dos que não têm respeito pela vida, dos que acham ser a morte pela pandemia, uma coisa muito natural; e daí? “Eu não sou coveiro” e enchem as redes sociais de ‘fake-news’. Já estamos cansados desse tipo de comportamento e sentimos a necessidade de buscar uma mudança. Por certo, não sairemos da pandemia do Corona vírus, como entramos, embora não achemos que as transformações se darão de um dia para o outro, sobretudo porque o comércio, as indústrias e suas cadeias produtivas vão querer retomar a lógica anterior. Isto não será mais aceitável. ‘Temos que buscar energias alternativas se quisermos cuidar melhor de nossa Casa Comum: a Terra’, diz o Papa Francisco. ‘Com o Corona vírus, ela nos voltou a atacar’. Por que voltou?

Porque a Terra já nos castigou, anteriormente, com a Peste Negra, ou Peste Bubônica, na Eurásia, vitimando entre os dois continentes, de 75 a 200 milhões de pessoas. Só na Europa, entre 1346 e 1353, a Peste desfalcou de 475 para 350 milhões. Para se recompor desse desfalque foram necessários mais de 200 anos. Foi a mais devastadora já conhecida na história.

Depois, veio a Gripe Espanhola, oriunda, possivelmente dos EEUU, entre 1918 e 1920, infectando 500 milhões de pessoas e levando 50 milhões à morte. O Presidente Rodrigues Alves, do Brasil, foi uma dessas vítimas.

Agora, pela 1ª vez, uma epidemia se apresenta generalizada. Está em cerca de 200 países. Por isso mesmo é uma Pandemia. É o atual Covid 19, impossível de deter sua propagação. E o pior: está se reproduzindo em cepas ou vertentes variadas, atrapalhando as vacinas já testadas e aplicadas, ao ponto de deixar a Organização Mundial da Saúde e a Medicina em polvorosa porque os Hospitais estão saturados, sem vaga para os infectados, faltando lugares em UTIs e a contaminação se generalizando por toda parte.

A Terra já perdeu o seu equilíbrio e está buscando um novo. O novo poderá significar a devastação da espécie humana. Dizem os cientistas que estamos dando um salto no escuro. Tudo é imprevisível. Entre as novas vertentes, fala-se na temível NBO (the Next Big One) que, segundo notáveis biólogos, seria o próximo e devastador vírus capaz de levar à morte, cerca de 02 bilhões de pessoas. Textualmente, dizem os estudiosos técnicos:

“os diferentes centros científicos que, sistematicamente, acompanham o estado da Terra, atestam que, de ano para ano, os principais itens que perpetuam a vida (água, solos, ar puro, sementes, fertilidade e climas) estão se deteriorando dia a dia. Quando isso vai parar?”

Há muitas especulações, embora os peritos e estudiosos adiantem que “desde o dia 29 de julho de 2019 tenhamos atingido a sobrecarga da Terra” isto é, até aquela data tinham sido consumidos todos os recursos naturais disponí-veis e renováveis. E agora, como frear essa exaustão? Se teimarmos em manter o consumo atual, sobretudo de supérfluos, temos que aplicar mais violência contra a Terra, forçando-a a nos dar o que já não tem ou não pode mais repor. Todos somos testemunhas das ventanias extremas, dos ataques dos mais variados vírus (zika, chicungunya, ebola, sars-cov, mers-cov e o atual Covid 19). Para quem se assustou com a sigla estrangeira (NBO), as 2 também citadas: Sars-cov(2002) e Mers-cov(2012) foram epidemias precursoras da Cov (2019) que nos mata agora, acrescentando-nos a violência social, já que Terra e Humanidade andam em estreita relação de dependência.

A resposta para tudo isso está em nossas mãos: ou mudamos nossa relação para com a Terra e para com a Natureza, ou poderemos contar com novos e mais potentes vírus que poderão dizimar milhões de vidas humanas.

Está difícil? É claro que está. Pela nossa teimosia, à procura de aglomeração, não mantendo o distanciamento regulamentar entre nós, não higienizando as mãos, como é recomendado, não usando a máscara salvadora, desobedecendo a qualquer norma porque não vai sujeitar-se a ninguém tá na cara que não tem jeito: é infectar-se e empestar os outros. A pandemia não nos deixará sem que tenha dizimado milhões de vidas humanas. Nunca o nosso amor à vida, a sabedoria humana dos povos e a necessidade de cuidados foram tão urgentes.

Não pensemos que já está na hora de “liberar geral”.

A Covid 19 não nos chegou de brincadeira. Alastrou-se por mais de 200 países, obrigando a afastar-nos uns dos outros, a permanecermos em casa, a não viajar, a usar máscara/ contra tudo o que havíamos aprendido, divulgado e praticado, na busca de uma vida comunitária, socializada e participativa, como sempre nos pregou o Cristianismo.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

Começamos a viver uma situação de Epidemia generalizada – daí o nome de PANDEMIA – que, segundo diziam governantes negacionistas e inescrupulosos, não passava de um resfriadinho ou uma gripezinha qualquer. Não era para nos amedrontar. O mundo todo, a ciência, a OMS, o Ministério e as Secretarias de Saúde, todos estavam errados ao nos obrigarem à “quarentena”. Acrescentava-se a isto, maus exemplos de aglomerações, inaugurações em qualquer ponto do país, sem máscara, saudando todo mundo, cumprimentando e fazendo o maior populismo que se possa imaginar, e o pior, tendo em vista a reeleição. O que foi que esse pessoal fez para merecer ser reeleito? Tínhamos que trabalhar, produzir muito, sem emprego pra ninguém. O número de desempregados aumentando, os que ficavam sem trabalho, fazendo biscate ou entregando mercadorias, superlotando transporte coletivo e arriscando a vida sem nenhuma segurança.

Como exemplo maior para a humanidade, o Papa Francisco determinou que toda a Igreja Católica, a partir das Basílicas de São Pedro e São João, a Catedral Metropolitana de Roma e, como consequência, todas as Catedrais, Matrizes e Capelas, Comunidades Eclesiais espalhadas por todos os recantos do Mundo, suspendessem as Celebrações com a presença de fiéis e que tudo fosse feito, através dos Meios de Comunicações: Rádio, Televisão ou outras redes sociais e que todo mundo assistisse de suas casas. Era o grande sacrifício que a Quaresma estava a exigir de todos nós. E o Papa foi-nos dando o seu testemunho: celebrava, sozinho, na Basílica e na Praça de São Pedro, na Capela de Santa Marta, criando aquele clima de muita oração, dando uma mensagem de esperança para todos, na certeza de que, o CORONA-VIRUS não nos iria causar mais estragos, danos e mortes como ele se propunha.

Foi neste ambiente de penitencia – atípico, como chamamos – que vivemos mais esta semana santa. Foi a melhor preparação para celebrarmos a Festa da Páscoa, mesmo sem enchermos nossas Igrejas como gostávamos.

De hoje pra amanhã, festejamos o maior acontecimento da humanidade: a Ressurreição de Jesus. Queiram ou não os reincarnacionistas, os ateus ou os adeptos de pensamentos filosóficos, contrários ao cristianismo, o fato é que Jesus, o Filho de Deus, nasceu, viveu entre nós por 33 anos, foi torturado, assassinado, enterrado e, ao terceiro dia, ressuscitou.

Depois da Celebração da Vigília Pascal, hoje à noite, nas primeiras horas deste domingo, a Igreja celebra, festivamente, a Ressurreição de Jesus. É tão importante tal celebração, que nós passaremos ainda, uma semana inteira – a semana da oitava da Páscoa – que vai até o Domingo, 11/04, (outrora chamado domingo da pascoela) como se fosse “um dia só”, “um domingão” em que recordaremos as aparições de Jesus, quase sempre “no primeiro dia da semana”, como nossos ouvintes poderão conferir: lendo na Liturgia Diária ou ouvindo nas Santas Missas no “Evangelho do Dia”. E não fica só nesta semana da oitava; ainda vamos continuar, com o tempo pascal, no calendário da Igreja, até celebrarmos o Dia de Pentecostes – lá pro dia 23 de Maio – depois do qual, vamos retomar o Tempo Comum, em sua 10ª semana.

O mundo está precisando voltar-se mais para Deus. Quem sabe! Uma Pandemia como esta, do CORONAVIRUS, que nos levou a celebrar uma Semana Santa tão diferente, também nos leve a pensar. Há um afastamento do sobrenatural e cada dia as pessoas desconfiam de que seja necessário retornar. Quando falamos do “preceito pascal” – “confessar-se, ao menos, uma vez por ano” e “comungar pela páscoa da ressurreição” – parece estarmos falando de algo do passado, sem valor nenhum agora, porque o mundo está afastado do sentido de pecado e de reconciliação. Não são muitos os que buscam o sacramento da Confissão e, infelizmente, não são muitos os Padres que dão tempo, em seu ministério, para exercerem a função de confessor.

Muitos reclamam a falta das “Confissões Comunitárias” e até já se estavam acostumando com elas, sobretudo após o Concílio Vaticano II. Os Papas pós-conciliares começaram a pôr os pontos nos “is” e a exigirem como forma de reconciliação com Deus, a confissão e absolvição individuais, embora tenham deixado uma brecha na norma, para serem levados em consideração: “os iminentes – perigos de morte” ou, o que é mais comum, “a falta de sacerdotes, suficientes para atenderem a grande massa de população”.

Em todos os recantos do mundo, o tempo para realizar o “preceito pascal” de que falamos acima, é durante “esta semana da oitava da páscoa”. Aqui no Brasil, essa prática se prolonga até a Festa de Pentecostes, exatamente por que nós temos poucos padres, nossas extensões territoriais são muito grandes e o nosso povo deixa tudo pra depois ou para a última hora. Daí, o nosso “tempo pascal” também ser maior: este ano vai até 23 de Maio.

Vamos aproveitá-lo bem. Vamos organizar as páscoas coletivas de pequenos grupos para melhor satisfazer aos fiéis nesse momento vivido pela Igreja. A nossa Pastoral da Comunicação vai-se interessar para que o Tempo da Páscoa seja mais bem vivido por todos. Aliás, neste Tempo de Pandemia, a PASCOM funcionou muito bem, antes e durante a Semana Santa, levando a todos, o recado, a mensagem e a catequese de nossa Igreja. Este site professorcomprazer.com está à disposição para veicular notícias, convites e oportunizar aos seus usuários, momentos de graça, reconciliação e de verdadeira ressurreição, como o fez Jesus: morrendo e ressuscitando para servir de exemplo para todos nós. Que a alegria pascal nos chegue a todos e que permaneçamos com ela, ressuscitados com Jesus.

A guerra ao CORONAVIRUS vai continuar. Nós também vamos perma-necer na oração virtual e em casa. Não nos deixemos levar pelo afrouxamento das normas. Não pensemos que já está na hora de “liberar geral”. Tenhamos paciência. A “quarentena” vai continuar. Quando se pensava que tudo estava chegando ao fim, o número de infectados e de mortos tem aumentado. Ouçamos as orientações dadas pela Imprensa. Não nos apressemos, nem tomemos medidas precipitadas. Nós, os mais velhos, deixemos de lado nossa teimosia. Seremos prejudicados por causa dela. Certamente, os mais novos, precisam ainda de nós e dos nossos ensinamentos e bons exemplos. Que a nossa Páscoa seja mais feliz e mais santa, se seguirmos essas normas.

COMENTÁRIOS RECEBIDOS

Sobre COMO ERA A SEMANA SANTA NO SERTÃO, de João Ribeiro Paiva

DE – Francisco José Rodrigues Bezerra de Menezes –[email protected]

“A Semana Santa sempre foi o feriado planejado, o reencontro com nossas raízes, a visita aos sertões. Neste ano, infelizmente, pela tragédia pandêmica, esse compromisso foi rompido. Que no amanhã retornemos as boas práticas.”

De – Dona Helena, de Poranga [email protected]

É verdade, era um período de muita oração e respeito nas famílias. O PLANETA era mais tranquilo com menos catástrofe e menos violência.

De – Francisco Ramiro Pereira, de Fortaleza – [email protected]

Interessantíssimo este texto do João Ribeiro.

DE ANTONIO ACELINO MESQUITA REGO, de Guaraciaba do Norte –[email protected]

“Sem se falar da tradicional esmola pra Mamãe jejuar !! Bons tempos !! Hoje em dia já não se tem respeito e crença por nada!

De Sergina Pontes[email protected]

“A minha amiga Jossicleide Feitoza Farias e uma grande e maravilhosa cantora a adoro. adoro as músicas dela são todas lindas ela canta muito bem tem uma voz lindíssima. Boa noite”,

DE José Medeiros de Vasconcelos – [email protected]  sobre: No Seminário, muitas coisas boas vivenciei, de Francisco Borges Ágape,

Parabéns, Borges pela sua brilhante narrativa de suas origens e desenvolvimento profissional.

Graças a Deus fazemos parte de uma geração de idealistas, que apesar de todas as dificuldades que enfrentamos, conseguimos vencê-las com distinção e louvor.

Da mesma forma que você, também de origem interiorana, graças à ajuda recebida do pároco de minha cidade, do esforço de meus pais e professores consegui ir à Sobral fazer o exame de admissão e aprovado.

Fiz parte de sua turma de 1963 a 1964. Foram apenas dois anos, mas dos ensinamentos de lá adquiridos usufruo até os dias atuais..

Também ao chegar em Fortaleza frequentei os bancos escolares do velho Liceu do Ceará nos idos de 67/68. Em 1969, fui fazer o pré-vestibular no colégio Farias Brito, ao lado da Praça do Carmo.

No vestibular, fui aprovado para a Faculdade de Direito, iniciado em 1970 e concluído em 1983, na Faculdade de Direito de Colatina/ÉS., Estado onde me encontrava na função de bancário da Caixa Econômica Federal.

Me casei em 1973 com Verônica Leitão Vasconcelos, de cujo matrimônio fui agraciado com uma filha e dois filhos dos quais já tenho hoje sete netos, inclusive um bisneto. Além destes, em 1986 adotei mais um filho. Fiquei muito feliz em ler a sua história..

DE Lourenço Araújo Lima – [email protected]

Muito bom, as nossas histórias, principalmente nós do interior tem sempre algo semelhante.

Um grande fraternal abraço Betanista.

De Luiz Mesquita – [email protected]

Sou filho de um Betanista, José Helder de Mesquita

ANTONIO ACELINO MESQUITA REGO – [email protected]  sobre Dom Helder: ditadura não é saída honrosa para o povo

“Na verdade era um ser humano que viveu para ajudar e evangelizar ! Que o venerável D.Helder interceda por nos nestes momentos em que vivemos!”

Como era a Semana Santa no sertão, nos meus tempos de criança.

         Não se judiava com os animais.  Apenas se estalava a macaca perto dos mais lerdos, sem os atingir. Judiar era coisa de judeu, e falava-se muito mal dessa gente lá em casa. Os passarinhos estavam livres da minha baladeira. Podiam vir cantar nas árvores que circundavam a casa. Na Quinta-Feira Santa tirava-se leite apenas de algumas vacas e era para doar. Na Sexta-Feira Santa não se tirava leite. Era a festa dos bezerros, que mamavam em peitos fartos, deixando cair flocos brancos de espuma.

Igreja Matriz de Groaíras – Ceará

      Os trabalhadores eram liberados nestes dois dias. Na quarta-feira à tarde recebiam para jejum dos dias grandes uma boa porção de feijão, farinha, queijo e toucinho de porco. Toucinho não é carne, podia-se comer. Peixe? Os rios ofereciam com fartura. Bastava botar um jequi, um engodo, usar a tarrafa ou linhas nas águas represadas. Não era época de se pescar com anzol. A não ser à boca da noite quando se pegavam muitos cangatis.

      Nos dias grandes não se varria a casa, nem se tomava banho. Mas como morávamos ao lado de dois rios e era época de grandes cheias, às vazes havia necessidade de atravessá-los a nado. Era um banho sem cometer pecado.

      Minha mãe e minhas irmãs mudavam-se para a nossa casa na cidade – casa que só era usada na Semana Santa, na Festa da Padroeira, em outubro, e no Natal. Nós homens ficávamos no sertão. Íamos apenas participar das cerimônias litúrgicas, prenunciadas três vezes pelo toque das matracas. Morávamos perto da cidade, apenas três quilômetros a distância. Todos tinham que fazer a Páscoa: confessar-se e comungar sob vigilância atenta da mamãe. 

     Na pequena cidade não se ouviam aquelas gargalhadas gostosas, mensageiras da felicidade, vindas de vários pontos. Mesmo um sorriso mais estridente era logo censurado. As pessoas se portavam circunspetas. As conversas, os gestos respeitavam a Paixão de Cristo.

     Tudo mudou. A casa do sertão caiu; a da cidade foi vendida e transformada em ponto comercial; a cidade invadiu o meu sertão; até a Semana Santa hoje é diferente.

JOÃO RIBEIRO PAIVA, de Groaíras, Ce. Betanista Bancário, Professor, Revisor de Textos, residente em Sobral -Ce.