PANDEMIA: A RESPOSTA PARA TUDO ISSO ESTÁ EM NOSSAS MÃOS!

No início da Pandemia, eu dizia e ouvia outras pessoas dizerem, que ela iria passar e, logo-logo, voltaríamos ao ‘normal’. Com o passar do tempo, começamos a dizer que já estávamos entrando num “novo normal”, já que não nos podíamos aglomerar ou participar de qualquer reunião coletiva, como na escola, na Igreja, no clube recreativo, nas competições esportivas, no aniversário de alguém ou em família, e que tínhamos que aceitar a existência de um “novo normal” em nossas vidas. Nada presencial. Tínhamos que partir para o “virtual”: usar a internet, fazer “lives”, ficar em casa, não sair nem pra rezar na comunidade religiosa a que pertencíamos. Tínhamos que nos contentar com o uso das “redes sociais”, “não sair de casa” e a nos adaptar a um novo sistema de vida que, nem de longe, nos faria retornar ao que era.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

Eu tenho a alegria de conviver com um sobrinho-neto meu, João Murilo, que está com 13 anos. Desde pequenino me faz companhia, chama-me Vovô, tem sido excelente aluno na Escola, tem 44 medalhas de Karatê e, por causa da Pandemia, desde o ano passado, tem suas aulas virtuais. Preparamos-lhe uma suíte confortável, com ar-condicionado, computador, fones de ouvido, câmera e microfone para a conexão com a sala de aula na escola, e ele vive no seu “laboratório” de estudos. Eu digo pra ele, que este é o seu “normal agora”. Não tem como voltar ao presencial. Isto era no meu tempo.

A Pandemia foi um divisor de águas. Foi um mal que trouxe um grande bem. João está felicíssimo e aproveitando todo o tempo disponível. Diz-me sempre que está aprendendo mais do que quando as aulas eram presenciais e o resultado aparece nos boletins mensais. Com esta experiência que tenho dentro de casa e com o que ouço, vejo e me fala haver com outros/, sinto-me à vontade pra dizer como Boff: “querer voltar à antiga normalidade é autocondenar-se”, sobretudo nesta época das comunicações virtuais: internet, telefonia celular e outros recursos.

Tenho dito para o meu neto que os tempos mudaram. Enquanto à minha época “queimávamos as pestanas” para ler nos livros e ter na ponta da língua, as respostas, hoje temos todas as respostas na ponta dos dedos ao usar o teclado de um computador. Que ele aproveite bem tudo isso. Terá total apoio.

Porque eu digo que o “normal” agora é deste jeito? – Por que o número de infectados e de mortos está crescendo, vertiginosamente. Não podemos desprezar as centenas de milhares que já morreram, sufocados pelo vírus e até por suas vertentes, sem sermos solidários com o luto dos parentes e amigos. Voltar à conformação anterior do mundo ou à sua “normalidade” é prolongar uma situação que poderá significar a nossa própria destruição. Afinal de contas temos que deixar de lado a era da “competição”, para ingressar num tempo de “cooperação”.

Não dá mais para continuar a politicagem polarizada, do salve-se quem puder, do ‘ganha quem tem dinheiro’, de quem compra a consciência, dos negacionistas, dos que não têm respeito pela vida, dos que acham ser a morte pela pandemia, uma coisa muito natural; e daí? “Eu não sou coveiro” e enchem as redes sociais de ‘fake-news’. Já estamos cansados desse tipo de comportamento e sentimos a necessidade de buscar uma mudança. Por certo, não sairemos da pandemia do Corona vírus, como entramos, embora não achemos que as transformações se darão de um dia para o outro, sobretudo porque o comércio, as indústrias e suas cadeias produtivas vão querer retomar a lógica anterior. Isto não será mais aceitável. ‘Temos que buscar energias alternativas se quisermos cuidar melhor de nossa Casa Comum: a Terra’, diz o Papa Francisco. ‘Com o Corona vírus, ela nos voltou a atacar’. Por que voltou?

Porque a Terra já nos castigou, anteriormente, com a Peste Negra, ou Peste Bubônica, na Eurásia, vitimando entre os dois continentes, de 75 a 200 milhões de pessoas. Só na Europa, entre 1346 e 1353, a Peste desfalcou de 475 para 350 milhões. Para se recompor desse desfalque foram necessários mais de 200 anos. Foi a mais devastadora já conhecida na história.

Depois, veio a Gripe Espanhola, oriunda, possivelmente dos EEUU, entre 1918 e 1920, infectando 500 milhões de pessoas e levando 50 milhões à morte. O Presidente Rodrigues Alves, do Brasil, foi uma dessas vítimas.

Agora, pela 1ª vez, uma epidemia se apresenta generalizada. Está em cerca de 200 países. Por isso mesmo é uma Pandemia. É o atual Covid 19, impossível de deter sua propagação. E o pior: está se reproduzindo em cepas ou vertentes variadas, atrapalhando as vacinas já testadas e aplicadas, ao ponto de deixar a Organização Mundial da Saúde e a Medicina em polvorosa porque os Hospitais estão saturados, sem vaga para os infectados, faltando lugares em UTIs e a contaminação se generalizando por toda parte.

A Terra já perdeu o seu equilíbrio e está buscando um novo. O novo poderá significar a devastação da espécie humana. Dizem os cientistas que estamos dando um salto no escuro. Tudo é imprevisível. Entre as novas vertentes, fala-se na temível NBO (the Next Big One) que, segundo notáveis biólogos, seria o próximo e devastador vírus capaz de levar à morte, cerca de 02 bilhões de pessoas. Textualmente, dizem os estudiosos técnicos:

“os diferentes centros científicos que, sistematicamente, acompanham o estado da Terra, atestam que, de ano para ano, os principais itens que perpetuam a vida (água, solos, ar puro, sementes, fertilidade e climas) estão se deteriorando dia a dia. Quando isso vai parar?”

Há muitas especulações, embora os peritos e estudiosos adiantem que “desde o dia 29 de julho de 2019 tenhamos atingido a sobrecarga da Terra” isto é, até aquela data tinham sido consumidos todos os recursos naturais disponí-veis e renováveis. E agora, como frear essa exaustão? Se teimarmos em manter o consumo atual, sobretudo de supérfluos, temos que aplicar mais violência contra a Terra, forçando-a a nos dar o que já não tem ou não pode mais repor. Todos somos testemunhas das ventanias extremas, dos ataques dos mais variados vírus (zika, chicungunya, ebola, sars-cov, mers-cov e o atual Covid 19). Para quem se assustou com a sigla estrangeira (NBO), as 2 também citadas: Sars-cov(2002) e Mers-cov(2012) foram epidemias precursoras da Cov (2019) que nos mata agora, acrescentando-nos a violência social, já que Terra e Humanidade andam em estreita relação de dependência.

A resposta para tudo isso está em nossas mãos: ou mudamos nossa relação para com a Terra e para com a Natureza, ou poderemos contar com novos e mais potentes vírus que poderão dizimar milhões de vidas humanas.

Está difícil? É claro que está. Pela nossa teimosia, à procura de aglomeração, não mantendo o distanciamento regulamentar entre nós, não higienizando as mãos, como é recomendado, não usando a máscara salvadora, desobedecendo a qualquer norma porque não vai sujeitar-se a ninguém tá na cara que não tem jeito: é infectar-se e empestar os outros. A pandemia não nos deixará sem que tenha dizimado milhões de vidas humanas. Nunca o nosso amor à vida, a sabedoria humana dos povos e a necessidade de cuidados foram tão urgentes.

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