Este país vai voltar a ser a Terra de Santa Cruz – Mons. Assis Rocha

No dia 21, quarta feira da 3ª Semana da Páscoa, é também feriado nacional pela passagem do Ducentésimo Vigésimo Nono Ano da Inconfidência Mineira, comandada por JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER, mesmo sem tê-la idealizado. Filho do português, Domingos da Silva Santos e da brasileira, Maria Antônia da Encarnação Xavier. Nasceu aos 12 de Novembro de 1746 na Fazenda Pombal, em Minas Gerais e morreu – enforcado e esquartejado – aos 21 de Abril de 1792, com 46 anos de idade, no Rio de Janeiro. Ficou órfão de mãe com apenas 09 anos, e de pai, com 11. Entre os 07 irmãos, era o quarto e foi cuidado pelo seu padrinho médico, na cidade de Vila Rica, hoje, Ouro Preto.

TIRADENTES – O MARTIR DA INDEPENDÊNCIA

Devido à formação recebida da Família Adotiva, teve encaminhamento para a vida, com diferentes opções: desde a formação militar, ocupando o posto de Alferes, às funções de tropeiro, comerciante, minerador e até as práticas farmacêuticas, exercendo a profissão de Dentista. Daí o “apelido” de TIRADENTES, que o celebrizou até hoje.

No ambiente “familiar”, na sala de aula, no contato com os profissionais de seu meio, foi exercendo papel importantíssimo na propagação de ideias revolucionárias junto ao povo, a quem ele arregimentava como adeptos. Era um verdadeiro líder não só pela maneira de trabalhar, como pelo poder de influenciar as pessoas, convocando-as a se enfileirar num movimento pioneiro de tentativa de libertação colonial do Brasil. A Rainha Dona Maria I, certamente não bem intencionada, impressionou-se com sua liderança e o nomeou como “Comandante da Patrulha” na rota de escoamento da produção mineradora que levava toda a fabricação mineira para o Porto do Rio de Janeiro e dali, para Portugal. Era o chamado Caminho Novo, descoberto pelo Reino, que proibia o estabelecimento de engenhos na região de Minas e punia o contrabando de ouro e de pedras preciosas. Não só os mineiros, mas toda a população era obrigada a pagar elevados impostos, o que promovia o descontentamento geral. Tiradentes não se encantou com o cargo. Não ficou do lado do Reino, é claro, ficou do lado do povo.

Já se começavam a organizar tentativas de libertação colonial do Brasil com a participação de grandes proprietários de terra, mineradores e até de integrantes do Clero. Tiradentes entendeu que deveria ficar do lado dos “conspiradores” e começou a fazer seus contatos revolucionários, procurando, por exemplo, o Visconde de Barbacena, Governador de Minas Gerais, que já se preparava para decretar “a derrama”, ou seja, a cobrança de todos os impostos atrasados. Aqui e ali ia conquistando apoio, embora, às vezes, isso não acontecesse. Foi o caso do Coronel Joaquim Silvério dos Reis, que devia grandes somas à Coroa e, com medo, não aceitou a proposta. Já existia a “delação premiada”: denunciou-o e Tiradentes se escondeu na casa de um amigo no Rio de Janeiro, sendo preso no dia 10 de Maio de 1789.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

Foram presas mais 34 pessoas, das quais, 05 eram Padres. Todos passaram por processo de investigação, julgamento, acusação e sentença, onde Tiradentes foi indiciado como cabeça do movimento e foi condenado no dia 21 de Abril de 1792, enforcado e esquartejado e sua cabeça foi exposta em Vila Rica e seus membros espalhados em postes, no caminho, entre Minas e o Rio de Janeiro, para servir de exemplo e amedrontar todos os que passassem pelas imediações. O que acontecera com ele, aconteceria com todos os que se metessem a ser revolucionários. De fato, os demais companheiros ou “conspiradores” receberam penas semelhantes: onze foram condenados à morte, cinco a degredo perpétuo e várias condenações à prisão. Todos perderam seus bens.

A luta não parou por aí. Trinta anos depois, em 1822, veio o grito de Independência ou Morte. Era o brado de Dom Pedro às margens do Rio Ipiranga, atualizando os movimentos revolucionários, protagonizados pelo proto mártir Tiradentes. Com mais 67 anos, em 1889, houve a Proclamação da República. Nem sabíamos o que era democracia. Não elegíamos ninguém, pois para a função de Imperador, não se vota. Durante 389 anos fomos manobrados pelo Rei, o todo poderoso “manda chuva”. E o que é pior: até o governo da Igreja era feito pelo Imperador que, pelo direito de padroado, casava e batizava: nomeava bispo, criava diocese e decidia sem que Roma tomasse conhecimento.

Proclamada a República, adquiriu-se o direito de votar, de escolher nossos governantes e de viver, plenamente a Democracia. Pena é que, nos últimos 132 anos, o povo entendeu tão pouco a mudança do Império para a República, que assistiu de braços cruzados, a três Golpes de Estado, promovidos pelas mesmas elites que, desde Tiradentes, diziam querer a Democracia, que não era outra coisa senão, a busca dos próprios interesses.

 Nos 03 Movimentos Golpistas – no de Getúlio, no dos Militares e no último Impeachment – mantiveram-se no poder as elites, os compradores de votos, os enganadores e fabricantes de falsas promessas, os lavadores de dinheiro, os formadores de organizações criminosas, os milicianos, os corruptores ativos e passivos, os ‘negacionistas’, os promotores do tráfico transnacional de drogas, de crianças, de jovens e de mulheres, da ocultação de patrimônio e enfim, uma “legítima” volta à Ditadura. Não é incrível? Aonde vamos chegar?

O “Caminho Novo”, meu caro Tiradentes, palmilhado por você, ajudando o Império invasor Português, a carregar o que era nosso, tem que ser refeito de volta, repatriando tudo o que a pirataria europeia levou de nós. Infelizmente maus brasileiros aprenderam a fazer esse tal “caminho” e abarrotaram Bancos, no exterior, com o dinheiro de nossa saúde, de nossa educação e de nossa segurança em geral. Essa riqueza tem que ser “repatriada”, retornada aos nossos cofres para servir a todos. Os portugueses não nos “descobriram” como se ensina nas escolas. Eles nos invadiram e se apropriaram de várias nações indígenas, como se não fossem gente ou povos organizados. Eram cerca de 05 milhões de pessoas a quem os invasores chamaram de “selvagens” e desconfiavam até de terem almas. Há espertalhões brasileiros que ainda pensam e agem com nosso povo, como massa de manobra. Será que mudará?

Do jeito que as coisas estão caminhando, você acredita em mudança? Com o governo que estamos tendo, você vê possibilidade para isto? Não estamos à deriva, desorientados, sem esperança? Que situação triste, a nossa: perdermos a esperança. Quando a gente recorda um herói de nossa historia, como Tiradentes, que se insurgiu contra a Coroa Portuguesa, há, exatamente, 229 anos, ao tempo em que tudo era mais difícil/ e continuamos, tendo-o como referencia nacional/, porque não nos esforçarmos para vermos nele, um exemplo a ser imitado? O tempo vai passando e, em vez de nos “organizarmos e progredirmos” – como lembra a nossa Bandeira Nacional – estamos “indo para trás”, muito aquém de todos os países do mundo. Não é o que estamos vendo diante da Pandemia do CORONAVIRUS? O mundo todo se resguardando, fazendo quarentena, obedecendo à Ciência, à OMS, à ordem de “ficarmos em casa”, enquanto o nosso Governante Maior, sai às ruas, estimulando à desordem, inventa inaugurações do que ele nem construiu, indo, totalmente na contramão de todos os que têm bom senso e seguem uma orientação mundial! Não é um contrassenso? Aonde iremos parar? Até quando viveremos assim?

Apelamos para o significado da “Páscoa”, da renovação, da conversão, da mudança de vida: do pecado, para a graça divina; do erro para o acerto; da morte para a ressurreição. É o grande momento que estamos vivenciando agora na Igreja até o dia 23 de Maio. Esperamos que, ao terminar o Tempo Pascal, no Dia de Pentecostes, a mudança se tenha realizado. Que todos tenhamos vencido a tribulação maior. Que nossas esperanças sejam avivadas.

No Domingo passado, 2º da Páscoa, – chamado “Domingo da Divina Misericórdia” – Jesus, diante do “incrédulo Tomé”, mandou que ele metesse o dedo nos furos de suas mãos e do seu lado para acreditar que era Ele mesmo, e que estava ressuscitado, vivo de novo, e deu a todos nós, um grande elogio: “acreditaste, Tomé, porque me viste; bem aventurados os que creram sem terem visto”. Todos somos convidados a acreditar – mesmo sem ter visto – que estas duas Pandemias: a do coronavírus e a do desgoverno vão passar. Tenhamos fé na misericórdia divina. Este país vai voltar a ser a Terra de Santa Cruz. Sem ser historiador e sem ser mais professor me arrisquei a falar sobre este tema, embora, antecipadamente, pois o feriado será ainda na quarta feira. Como diz Bil Bebes da Escolinha do Prof. Raimundo, pelo menos, esta é a minha versão. Eu quis apenas lembrar a data, sem muitas pretensões.

Texto de Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

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