“São inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”.

Na sexta-feira passada, dia 16, a CNBB encerrou sua 58ª Assembleia Geral que deveria ter acontecido no ano passado, de maneira presencial, como aconteceu em todos os anos anteriores, desde sua fundação.

A chegada inesperada da Pandemia, no último ano, nos pegou de surpresa e não estávamos preparados para realizá-la de maneira virtual. Foram marcadas outras datas prorrogativas, ainda em 2020, pensando que a Pandemia se ia; e nada. Ela piorou se espalhando mais, terrivelmente, por toda parte. Tivemos que adotar o “novo normal” como tudo que começou a ser feito pelo mundo: de modo virtual. Os senhores Bispos se prepararam, montaram uma estrutura de trabalho excelente e realizaram, com grande sucesso, a 58ª Assembleia Geral, na metade do tempo que gastavam nos anos anteriores: de 12 a 16 de abril.

Monsenhor ASSIS ROCHA, Mestre e Doutor em Comunicação Social, de Bela Cruz – Ce.

De minha parte, vou comentar com meus ouvintes e leitores a mensagem que  os Bispos do Brasil endereçaram a todos os seus diocesanos. Quero, logo no início, chamar a atenção de todos os que, a despeito das críticas que surgem diante das diferentes mentalidades entre bispos, sob o ponto de vista político e social, no entanto quando eles falam em nome da CNBB, as divergências desaparecem. Sempre foi assim. Os mais fechados ou conservadores se adaptam à maneira de pensar da maioria e o documento que sai interpreta o pensamento de todos.

Eles começam afirmando a gravidade do momento em que vivemos. Não é possível que qualquer pessoa de bom senso, também não o veja assim. Falam da sua oração e solidariedade para com os enfermos, famílias que perderam seus entes queridos ou que sofreram consequências advindas pela Covid 19. Manifestam sua profunda gratidão aos profissionais da saúde e a todas as pessoas que têm doado a sua vida em favor dos doentes, prestado serviços essenciais e contribuído para enfrentar a pandemia.

Constatam o que todo mundo que tem juízo também o faz: “o Brasil está experimentando uma grave crise sanitária, econômica, ética, social e política, intensificada pela Pandemia, especialmente devastadora na vida dos pobres e fragilizados”. Se qualquer pessoa que tem um mínimo de consciência vê isto, como um bispo não o veria? Como não concordar e assinar uma mensagem como esta? Será que isto não diz respeito à missão de um cristão ou de um discípulo de Cristo? Não será uma exigência do Evangelho? Daí porque os senhores bispos, independentemente de serem idosos ou jovens, conservadores ou atualizados, “não podem ficar calados quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”.

Pena é que os nossos conceitos para rotular as pessoas são conceitos ideológicos da política, da moralidade, da corrupção, da mentira e até do não entendimento do que seja religião para criar tanta confusão na cabeça do povo. Ouvimos líderes políticos sem nenhuma vivência religiosa, sem respeito algum pelo sagrado, invocando o nome de Deus em vão, enquanto pessoas tão boas, movidas pelo autêntico espírito cristão expõem suas vidas no socorro aos mais vulneráveis. Isto é que é unir oração e ação no dizer do Papa Francisco: “são inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”.

Do Papa, lá em Roma, aos Bispos em suas Catedrais e dos Párocos em suas Paróquias às Comunidades Eclesiais lá nos interiores, todos têm que levar a sério a Missão de Cuidar. Todos estão usando as Redes Sociais, os Meios de Comunicação, as Equipes de Pascom para aliviar os seus corações.

Todos estão sofrendo com a ausência do povo nas Igrejas e com as restrições necessárias, que lhes são impostas pela Pandemia. É o jeito. “Mais importante é a sacralidade da vida humana que está exigindo de nós sensatez e responsabilidade”, dizem os senhores bispos. Não é possível que algum bispo discorde de uma coisa dessas. Faz parte do bom senso de qualquer um.

Reconhecem, como a Constituição Federal, que a saúde é um direito de todos e um dever do estado, por isso mesmo, não se pode negar a ciência, o uso de máscara, o distanciamento social, a garantia de vacinação para todos e um auxílio emergencial digno – não uma esmola humilhante – pelo tempo que for necessário para salvar vidas e dinamizar a economia, sobretudo para os pobres e desempregados. Se a saúde vai mal, a educação está muito doente, sem um projeto nacional e com sérias consequências para o futuro do país. E o que dizer da violência? Está fora de controle, favorecida pelo fácil acesso às armas, pelo discurso do ódio e pela agressividade sem limites. E o pior: usa-se a religião como instrumento de disputa política, gerando confusão entre os fiéis.

Parece-me que qualquer pessoa desapaixonada e sensata não pode discordar da lógica apresentada pelos senhores bispos em sua mensagem ao povo brasileiro no final da 58ª Assembleia Geral. Eles, mesmo com idades e mentalidades diferentes, não poderiam discordar deste texto, pois é pra ser lido, analisado e conhecido por todos.

Quem não quer superar a desigualdade social no país faz parte da classe privilegiada de pessoas que tem uma boa vida, muitos bens, riqueza sobrando e não se vão preocupar com o bem-estar dos mais vulneráveis. Perder privilégios, jamais! Promover uma política que se não submeta aos interesses econômicos e que seja pautada pela fraternidade e pela amizade social, nem pensar! Querer aproximação entre grupos sociais distantes, tendo em vista um renovado encontro com setores mais pobres, nunca! Buscar caminhos econômicos que considerem a todos como capazes de produzir, participar dos lucros e ter uma vida humana digna com casa, lazer e alimentação sadia? Isso é comunismo. É a resposta que está na ponta da língua dos que nos querem impor um sistema injusto de fazer política.

Como é uma mensagem da Igreja do Brasil, ela encerra, convidando-nos à união da sociedade civil, Igrejas, entidades, movimentos sociais e todas as pessoas de boa vontade em favor do Pacto pela Vida e pelo Brasil. Pede-nos assumir, com renovado compromisso, iniciativas concretas para a promoção da solidariedade e da partilha. Reconhece que a travessia rumo a um novo tempo é desafiadora, contudo, temos a oportunidade privilegiada de reconstrução da sociedade brasileira sobre os alicerces da justiça e da paz, trilhando o caminho da fraternidade e do diálogo. Como disse o Papa Francisco na abertura desta 58ª Assembleia: “o anúncio pascal é um anúncio que renova a esperança nos nossos corações: não podemos dar-nos por vencidos”.

            Os interessados em conhecer esta mensagem, procurem o Bispo diocesano, ou a seus Párocos ou pesquisem na Internet em Documentos da CNBB. Leiam e repassem. Obrigado!

Comentários  Recebidos

Freddy Carvalho – [email protected] – de Fortaleza – Ce.

Quando menino em Guaraciaba do Norte, a semana Santa era momento de oração, de confissão, comunhão, os ritos das celebrações, além de doações para o jejum e muito respeito as atividades religiosas. Boas lembranças e saudades. –

Francisco José Rodrigues Bezerra de Menezes –[email protected]  – de Fortaleza
A Semana Santa sempre foi o feriado planejado, o reencontro com nossas raízes, a visita aos sertões. Neste ano, infelizmente, pela tragédia pandêmica, esse compromisso foi rompido. Que no amanhã retornemos.

Helena Alves Assunção-[email protected]  – de Poranga – Ce.                                                                                                         É verdade, era um período de muita oração e respeito nas famílias. O PLANETA era mais tranquilo com menos catástrofe e menos violência.

Francisco Ramiro Pereira-[email protected] – de Fortaleza – Ce

Interessantíssimo este texto do João Ribeiro

ANTONIO ACELINO MESQUITA REGO – [email protected]  de Guaraciaba do Norte

Sem se falar da tradicional esmola pra Mamãe jejuar !! Bons tempos !! Hoje em dia já não se tem respeito e crença por nada !

Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro – Parabéns, Mons Assis Rocha, como dizia nosso mestre Pe. Osvaldo, belo texto realista com começo meio e fim. Grande abraço

1 comentário em ““São inseparáveis a oração a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos”.”

  1. Lucia Feitoza Freire

    Como sempre fico encantada, embevecida mesmo, com o texto de Mons. Assis Rocha! Tomara que tenha o alcance dos ventos, a fim de ir muitos o veja, o leia e o reflita pois é verdadeiro, singular e tocante… Essa pandemia agregada à política do ódio estão minando o povo brasileiro com a indiferença pelas pessoas desamparadas e com a violência extremista dos que pensam diferente! É verdade, a ação tem que está alinhada à oração, porque é urgente, é necessário o retorno à dignidade do povo brasileiro.
    Obrigada Mons. Assis!
    Lúcia Feitoza
    Tianguá/Ce

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