DIA DO TRABALHO: Mais de 14% de desempregados, cerca de 14,5 milhões.

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De vez em quando, a generosidade e o carinho de alguns de vocês me deixam muito feliz e agradecido pelas palavras elogiosas depois de meu Comentário Semanal. Tenho feito qualquer esforço para preparar bem minha mensagem no desejo de que todos a entendam e tirem algum proveito.

Para hoje, eu gostaria de trazer uma reflexão sobre o Dia do Trabalho, tantas vezes comemorado por aí, quando tive a alegria de conviver no Pajeú. Era sempre uma oportunidade de colocar o povo na rua, fazer um abrangente pronunciamento sobre a realidade do trabalhador, conclamá-lo à participação e alegrá-lo com algumas músicas conscientizadoras de sua responsabilidade junto à classe social a que pertencesse. Éramos embalados pela M. P. B. de Protesto, pela presença de compositores e cantores que abordavam a nossa realidade social e nos transmitiam uma mensagem de esperança. Todos os males seriam evitados e corrigidos se nos uníssemos em nosso sindicato de classe, em nossas C.E.Bs, em nossas Equipes de Fé e Política ou em nossos partidos políticos, fundamentalmente representativos da classe trabalhadora. Àquela época, já dizíamos que o Dia do Trabalho ainda não era um Dia de Festa. Iríamos chegar a isto. Dependia de grande evolução em nossa mente e no nosso modo de fazer política, escolhendo nossos melhores representantes, isto é, cuidando muito para que a escolha destes, coincidisse com o que entendíamos sobre o que fosse bem comum.

            Hoje, ao procurar luzes ou sugestões que justificassem meu Comentário, o Googel me sugere o que eu já rejeitava quando morava aí: ‘é um dia de festa’ ‘entrega de brindes’ ‘sorteio de viagens’ ‘sorteio de eletrônicos’ ‘concurso cultural’ ‘promoção de festa e passeios’ ‘campeonatos esportivos’ ‘gincanas’ ‘café da manhã’ ‘almoço’ ‘jantar’ ou outras maneiras de enganar trabalhadores que em nada iriam melhorar seu salário, garantir-lhe uma aposentadoria digna ou mudar sua vida para bem melhor. Aí eu fiquei pensando: se há 20/40 anos  a gente esperava uma mudança de mentalidade, a escolha de representantes políticos que quisessem mais o bem comum do que a promoção pessoal o que dizer agora diante da situação nacional tão caótica, em que governantes em todos os níveis nos enganam, descaradamente, colocando-nos socialmente, muito aquém do que poderíamos imaginar?

            Será que nossa “cegueira política” não está tirando de nós a “conscienti-zação” de que falávamos outrora, impregnando-nos agora de um moralismo devastador que nos leva a esquecer o desemprego, a saúde, a desigualdade social, a educação e outras necessidades básicas?

            Que dizer da apropriação indébita do nome de cristão, de predestinado ou de ungido, usando o nome de Deus em vão, com discursos desprovidos de fundamentação científica, defendendo que a terra é plana ou distorcendo o conceito de liberdade, autorizando a dirigir sem habilitação, sem o uso de ‘cadeirinhas’ para bebê ou de radares para o controle de velocidade? Será que tais irresponsabilidades ou afrouxamento de leis nos vão dar a sensação de que “agora sou mais livre”? Não seria isso, “populismo puro”?

            Como são falsas as orientações de uma democracia disfarçada! Imagine a privatização do sistema de segurança pública! Dizem: “pelo menos diminuem gastos com forças policiais ou com a ampliação de cadeias”. É só possibilitar aposse e porte de arma a cada cidadão de bem e o direito de atirar em qualquer suspeito para diminuir a população de mais de 800 mil presos. Está certo isso?

            Se antes não podíamos festejar o Dia do Trabalho, como poder agora?

            Um governo que facilita a possibilidade de maiores lucros para os grupos econômicos que lhe dão apoio, por exemplo: No agronegócio, isentando-o de impostos, de multas, de submissão ao IBAMA, permitindo o “trabalho análogo à escravidão”, o desmatamento e invasão de terras indígenas, as queimadas que destroem toda a flora nativa composta de imensas árvores, apoderam-se das riquezas ali contidas, destroem todo o pantanal com sua fauna, como comemorar o Dia do Trabalho com tanta fumaça e com tantas vidas perdidas?

            O mundo todo tem suas atenções voltadas para o Brasil – antes e depois da Cúpula dos líderes sobre o Clima – em que nosso país participou, deixando uma impressão de muito descrédito na Comunidade Internacional. É claro, o mundo já conhece a postura do Governo Brasileiro e com relação ao meio ambiente e a tudo que tem feito (ou não tem feito) desde o início da gestão. A distância entre o discurso na Cúpula e a prática de nosso (des)governante ficou clara logo no outro dia. Depois da promessa de duplicar os recursos para a Fiscalização Ambiental e para a Erradicação do Desmatamento Ilegal no Brasil, até 2030, no outro dia o Presidente cortou, do orçamento de 2021, cerca de R$240.000.000 que iriam para o Ministério do Meio Ambiente. Isto é só um exemplo concreto e atual, que todo mundo viu, de que festa pelo Dia do Trabalho não está em nossos planos por enquanto. E com essa Pandemia fatal, pior ainda.

É tão fatal que o Mundo tem cerca 148 milhões de infectados. Três milhões e 120 mil mortos. No Brasil são 14 milhões e ½ de infectados. 392.300 mortos. Mais de 14% de desempregados, cerca de 14,5 milhões. Tem ainda 34 milhões na informalidade: fazendo bico e 06 milhões de desalentados. É mole?

            Infelizmente, não temos dados atualizados e a pesquisa feita a cada 10 anos pelo IBGE não foi realizada em 2020 e nem vai ser em 2021 por falta de verba. O Governo não tem dinheiro para pagar o trabalho de levantamento.

Será que se pode festejar o Dia do Trabalho numa situação tão caótica como esta? – Para tentar responder a esta indagação, está me chegando uma luz, vinda dos EEUU, nesses dias do mês de abril, em que o Policial Americano – Derek Chauvin foi julgado pelo Tribunal de Justiça por ter matado, por asfixia, o negro George Floyd, que implorava: “não posso respirar”. Mesmo assim, sufocado, o policial não aliviou. Deixou-o deitado no chão, joelho no pescoço e o matou. Será que dá pra gente respirar no sufoco em que estamos? Eu dizia no sábado passado, comentando a mensagem da CNBB que “não querem superar a desigualdade social do país: os privilegiados, que têm muitos bens, riqueza sobrando e não se vão preocupar com o bem-estar dos mais pobres”. A essa elite, o governo atual dá privilégios, isenta de impostos, de multas e facilita a destruição da fauna pantaneira e da flora amazônica. Como os mais pobres vão poder fazer festa no Dia do Trabalho se está tão difícil trabalhar? Se não têm uma carteira assinada e não terão uma aposentadoria? Será que dá pra respirar? Vão morrer ‘sufocados’ como morreu George Floyd.

O Rei do Baião, Luís Gonzaga em parceria com Agnaldo Batista, em 1989 compuseram o Xote Ecológico e, antevendo George Floyd cantavam: “não posso respirar, não posso mais nadar/ a terra está morrendo, não dá mais pra plantar/ e se plantar não nasce, se nascer não dá/ até pinga da boa é difícil de encontrar”. Sou apartidário, mas não sou apolítico. Posso até não ver, mas confio no que sempre esperei: um dia nos libertaremos de tudo o que nos oprime. O sol da esperança brilhará e o Dia do Trabalho será celebrado. Viva o Dia do Trabalhador, livre e independente! Organizem-se. Acreditem na união. A Pandemia Política também passará. Obrigado e tenham todos um bom dia!

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará

COMENTÁRIOS SOBRE O ARTIGO ANTERIOR 

Como sempre, fico encantada, embevecida mesmo, com o texto de Mons. Assis Rocha! Tomara que tenha o alcance dos ventos, a fim de muitos o vejam, o leiam e o reflitam. Pois é verdadeiro, singular e tocante… Essa pandemia agregada à política do ódio está minando o povo brasileiro, com a indiferença pelas pessoas desamparadas e com a violência extremista dos que pensam diferente! É verdade, a ação tem que estar alinhada à oração, porque é urgente, é necessário o retorno à dignidade do povo brasileiro.

Obrigada Mons. Assis!

Lúcia Feitoza, Tianguá/Ce

Parabéns, Mons Assis Rocha, como dizia nosso mestre Pe. Osvaldo, belo texto realista com começo meio e fim. Grande abraço.

Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro

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