O QUE SERIA DE NÓS SE NÃO EXISTISSEM OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO?

Na quarta-feira, dia 05 de Maio, celebramos em todo o Brasil, o Dia Nacional das Comunicações Sociais, instituído numa homenagem à data de nascimento do Marechal Cândido RONDON, no Mato Grosso, aos 05 de Maio de 1865. Devido ao seu interesse e impulso dado às Comunicações, instalando linhas telegráficas, interligando os Estados mais distantes sobretudo o seu Estado Natal com parte da Bacia Amazônica, nos 120 anos do seu nascimento, em 1985, os Correios lançaram um selo comemorativo. O Governo, ainda da Ditadura, oficializou a data de 05 de Maio, como o Dia Nacional das Comunicações. Era também o aniversário da morte do Mal. Rondon no Rio: 19 de Janeiro de 1958, que os militares aproveitaram para homenagear o colega de farda, que já era Patrono do Exército Brasileiro.

Em 1966, durante a realização do Concílio Ecumênico, em Roma, a Igreja instituiu o Dia Mundial das Comunicações Sociais, na Festa da Ascensão de Jesus aos Céus, que, neste ano de 2021 se celebra, Domingo, dia 16, pela 55ª vez. Tanto no Dia Nacional – 05 de Maio – como amanhã, Dia Mundial das Comunicações – a Igreja quer que “promovamos a comunhão entre homens e mulheres e o progresso de toda a sociedade, pelo reto uso dos meios de comunicação, tendo em vista servir ao bem comum’’.

Estamos tendo um exemplo concretíssimo desta afirmativa, desde o ano passado, com o surgimento da Pandemia do CORONAVIRUS. O que seria de nós se não existissem os Meios de Comunicação? Como estaríamos passando ou recebendo tantas informações ou realizando celebrações à distancia se não existisse a Imprensa falada, escrita e televisada que orienta tudo e a todos, por toda parte? Quando surgiram os Dias: Nacional e Mundial das Comunicações, muitas Rádios já existiam. Já eram utilizada para informar, educar e formar a opinião pública sobre todos os aspectos da vida na capital e no interior. A Igreja já usava o rádio para Educação de Adultos, por meio do Movimento de Educação de Base- MEB, nas dioceses do norte e nordeste do Brasil, especialmente. Nossos Bispos já levaram para o Concílio Ecumênico Vaticano II as experiências do Brasil. Certamente contribuíram muito com a Igreja nos estudos feitos sobre o uso dos meios de comunicação, devido à experiência já vivida aqui. Eles colaboraram com as reflexões feitas no Concílio, que afirmou em um de seus documentos “terem os instrumentos da Comunicação Social rasgado caminhos novos na emissão de toda sorte de informações e de pensamentos, para atingir e movimentar indivíduos e multidões e até a sociedade inteira”. Lembramos que esse tema das Comunicações entrara no Concílio, mas não era novidade na vida da Igreja. Havia já uns 90 documentos oficiais, tratando do assunto, por ex.: em 1487 o Papa Inocêncio VIII publicou Inter Multíplices. Em 1766, Clemente XIII escreveu Christiane Reipublicae. Leão XIII, no fim do século XIX, além de mandar que a Igreja se adaptasse aos novos tempos, ainda ensinava que tínhamos de usar todos os Meios, como num campo de batalha. Pio XI, entre 1922 e 1939 criou a Organização Católica Internacional e escreveu a Encíclica Vigilanti Cura, a chamada “legião da decência”. De 1939 a 1958 o Papa Pio XII abriu as portas para o diálogo com os profissionais da comunicação e escreveu a Encíclica Miranda Prorsus, dizendo que os Meios de Comunicação, “sem dúvida, deveriam ser admirados”. E tantos outros.

            O Concílio Ecumênico Vaticano II veio só legitimar, confirmar aquilo que a Igreja já vinha fazendo e que nós temos recordado e dado continuidade em nossas reflexões nestes últimos 55 anos. Através do Decreto Inter Mirifica, sobre o qual discorremos tantas vezes, a Igreja vem assegurar sua obrigação e direito de utilizar, de modo competente, os Meios da Comunicação Social em seu trabalho missionário. Nossas Emissoras Católicas – como as Rádios Assunção, em Fortaleza, Educadora de Sobral, Crateús, Crato e Limoeiro do Norte prestaram grandes serviços. E tantas outras, da nossa mesma época, espalhadas por todo o Brasil – que o digam, através das dificuldades enfrentadas. Da falta de recursos para se manterem e do heroísmo de suas equipes de funcionários e de voluntários. Não mediram esforços para informar, educar, dar voz e vez ao povo, de ser incompreendida e mal interpretada, tantas vezes por poderosos da política e da economia, que lhe queriam calar. Nós sabemos como isto foi e é verdadeiro, no passado e agora.

            A Igreja do Brasil está tentando fazer “o reto uso de seus meios de comunicação” através de suas Redes Televisivas e de Rádios, bem como de sua imprensa escrita, instruindo, evangelizando, informando, educando e conscientizando suas comunidades eclesiais e levando a Palavra de Deus a distâncias bem maiores.

            Os Papas que se seguiram, logo após JOÃO XXIII, anualmente foram divulgando uma Mensagem para o Mundo, sobre o reto uso dos meios de comunicação: Paulo VI, de 1967 a 1977. João Paulo II, de 1978 a 2005. Bento XVI, de 2005 a 2013. A Mensagem de nº 48 em diante, já nos chegou através do Papa Francisco e em 2014 recebeu o título de “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”. Em 2015: “Comunicar a Família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. Em 2016 o Papa Francisco nos presenteou com a reflexão mais aprofundada do seu pontificado; era a de nº 50: “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”. Em 2017, no 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no dia 28 de Maio, recebemos do Papa Francisco uma bela mensagem, intitulada “Não tenhas medo; eu estou contigo”, sugerida pelo Profeta Isaias, 43,5, convidando-nos a “comunicar a esperança e a confiança, no nosso tempo”.  O Papa ainda lembrou o que sempre nos tem dito: “a comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a Sociedade”.

Em 2018, por ocasião do 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais – detalhamos a Mensagem do Papa, intitulada: “A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32) onde ele reprovava as famosas “fake news” ou “falsas noticias”, atitudes tão negativas para quem quer fazer um “jornalismo de paz”.

Em 2019, no Programa que apresentei aqui no Ceará, abordei a mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia Mundial das Comunicações, celebrado no domingo, dia 02 de Junho, Festa da Ascensão de Jesus: Somos membros uns dos outros, baseado no texto da Carta aos Efésios, 4, 25, na qual ele nos convidou a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comuni- cativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão. 

No ano de 2020 – eu ainda não dirigia este Comentário a vocês – a Mensagem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais trouxe, como tema: “para que possas contar e fixar na memória”, com base no Livro do Êxodo 10, 2.  Sua Mensagem abordou o ‘tema da narração’. Neste 55º Dia Mundial das Comunicações – oitavo do pontificado de Francisco – eu trago pra vocês sua mensagem baseada no Evangelho de São João,        1, 46: “vem e verás” que ele nos orienta “comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são”. Deste Domingo até o próximo, dia 23, temos a Semana da Unidade. Sábado, 22, falarei sobre isto. Até lá.

Monsenhor Assis Rocha, de Bela Cruz, Ceará, é Mestre e Doutor em Comunicação Social

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