Como ter uma única palavra de Deus, um único salvador, Jesus Cristo, e sermos tão divididos entre nós?

Encerrei meu Comentário do Sábado passado, ao falar do 55º Dia Mundial das Comunicações Sociais, dizendo que ia voltar ao assunto abordado pelo Papa Francisco, baseado no Evangelho de João, 1,46: “vem e verás” onde ele nos orientava a “comunicar, encontrando as pessoas, onde estão e como são”, tendo em vista “levá-las a unidade” durante a semana entre o Domingo passado e o Domingo de amanhã, chamada Semana da Unidade dos Cristãos. Do retorno de Jesus ao céu – dia 16 – no Domingo da Ascensão do Senhor/, ao dia 23, amanhã, Solenidade de Pentecostes, faz anos celebramos a Semana da Unidade Cristã.

Mons. Dr. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

Sábado passado, dia 15 de Maio falamos sobre a Festa da Ascensão do Senhor ao Céu, que celebraríamos no Domingo, dia 16, enfatizando a sua promessa de que iria, a fim de nos mandar o Esp. Santo, no Domingo seguinte – dia 23 – amanhã, portanto, e nos convidava a unir-nos com Ele, como Ele e o Pai são unidos. Era o convite à participação na Semana da Unidade. 

            Foi o desejo de Jesus pela nossa União, que nos fez celebrar, desde o Domingo, 16, Ascensão do Senhor, até Domingo 23, amanhã, Festa de Pentecostes, a semana da unidade sob o tema: “Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (Jo. 15,5-9).

No dia da Ascensão, Jesus prometeu voltar para o Pai, senão o Espírito Santo não viria a nós. Era uma consequência: “se eu não for, não virá a vós o Espírito Consolador”. A este intervalo – entre o Domingo da ida de Jesus e o Domingo da vinda do Espírito Santo – chamamos de Semana da Unidade. Foi a semana do dom da Comunicação, que a Igreja tem por excelência, devido a presença do Divino Espírito Santo nela. Daí, a justificativa maior para a instituição do Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado Domingo passado, fundamentado no Decreto – Inter Mirifica – do Concílio Ecumênico Vaticano II, que manda “promover a comunhão entre homens e mulheres e o progresso de toda a sociedade, através do reto uso dos Meios de Comunicação, tendo em vista servir ao bem comum”.

A Igreja do Brasil está tentando fazer o reto uso dos Meios de Comunicação que ela tem nas mãos, através de suas redes de rádio e televisão, como também de seus meios escritos, sobretudo nos últimos 55 anos, instruindo, evangelizando, educando e conscientizando suas comunidades eclesiais, chegando a lugares, antes nunca visitados, transmitindo sua mensagem libertadora e salvadora.

            A Igreja busca uma unidade, cada vez maior, com todas as pessoas de boa vontade, levando-as a refletir sobre a sua realidade social, religiosa, econômica, cultural, política, que é a realidade de todas as pessoas, independentemente, de sua cor partidária, da pele, religiosa ou financeira.  Não se trata, portanto, de uma realidade somente dos católicos. É uma realidade humana e, por isso mesmo, interessa à Igreja. Também por isso, ela estudou, em profundidade, o possível bom relacionamento entre todas as pessoas, tendo em vista uma unidade. Como é que nós somos cristãos e somos desunidos? Como é que nós pregamos uma mesma mensagem e não nos entendemos? Como é que Jesus pede “para que sejamos um, como Ele e o Pai o são” e nós nos posicionamos em lados opostos?

            Foi a partir dessas interrogações e da constatação de que somos tão fragmentados – em cristãos católicos, ortodoxos e evangélicos – que o Concílio estudou o Ecumenismo, buscando unir-nos mais e nos respeitarmos uns aos outros, como se habitássemos debaixo do mesmo teto, ou numa mesma casa.

            Esse desejo está colocado na própria etimologia da palavra, de raiz grega: ecumenismo. Vem de oikos, que significa casa, num desejo expresso de que vivamos unidos, como se estivéssemos dentro de um mesmo prédio, numa mesma casa, numa mesma família, sem intrigas, sem separações, sem agressões, sem nos atirarmos pedras, mutuamente.

            Será isso impossível? É o que deseja a Semana da Unidade que temos celebrado, sobretudo após o Concílio Ecumênico Vaticano II. É o que propõe a Pastoral da Comunicação, de que estamos falando há anos e que vamos continuar abordando, por muito tempo, visando unir todos os eventos, dentro e fora da comunidade, tendo em vista a Unidade na única Igreja de Jesus. É o desejo das Campanhas da Fraternidade Ecumênicas que o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (o CONIC) estuda, coordena, realiza e avalia como um exemplo concreto de que o Ecumenismo é possível. Faz 504 anos, vivemos separados dos Irmãos Protestantes. Foi em 1517 a nossa separação. Faz 967 que nos separamos dos Irmãos Ortodoxos. Foi em 1.054. Até quando vamos continuar assim, divididos? A Festa da vinda do Espírito Santo exige de nós a União.

Amanhã, dia 23 de Maio, celebramos a solenidade do Pentecostes, isto é, 50 dias após a Festa da Páscoa. Desde o Antigo Testamento, tais datas já eram comemoradas pelos judeus, o que significa dizer que Páscoa e Pentecostes não são invenções ou criações do Cristianismo.

            Todos os anos os judeus tinham por costume – sete semanas depois da Páscoa – celebrar a Festa da Messe ou a Festa da Colheita, exatamente, no Pentecostes: quinquagésimo dia depois da Páscoa.

            Após 40 dias da Ressurreição de Jesus Ele voltou para junto do Pai. Foi a Festa da Ascensão que celebramos Domingo passado. No entanto, condicionou essa sua ida, ao envio do Espírito Santo. Não poderia haver ocasião melhor. Aproveitou o grande momento da Festa Judaica do Pentecostes com a afluência de gente que vinha de todos os recantos, a Jerusalém, para fundar a sua Igreja, enviando nesse dia, o Comunicador: o Espírito Santo.

            E por que aparecia tanta gente nesse dia? Porque era o dia da grande feira, ou da grande troca de produtos, de mercadorias, de artesanatos, de frutos da terra, enfim, era um dia de juntar pessoas de toda parte: feirantes de toda espécie, agricultores, comerciantes, vendedores e compradores. Portanto, era um dia muito apropriado para a vinda do Espírito Santo, para que muita gente entendesse que, a partir daquele dia, alguma coisa nova, diferente, iria mexer com a cabeça, com a mente e a maneira de pensar e agir no mundo. Era a instalação da Igreja Católica.

            E como isso aconteceu? Conta-nos o Livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos de 1 a 12 que, naquele dia se achavam todos em Jerusalém… Quando, de repente, veio do céu, um ruído, como se soprasse um vento impetuoso e apareceram-lhes uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o espírito lhes concedia que falassem… Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar em sua própria língua proclamando as maravilhas de Deus.

            Será que dá para esquecer um acontecimento fantástico como esse? Por isso eu dizia que o mundo iria mudar a partir da instituição da Igreja ou a partir da vinda do Espírito Santo. Muitos que se tornaram cristãos e adeptos da doutrina de Cristo – do ano 33 em diante – nesses 1988 anos, abandonaram a Igreja inicial. Em 1.054, houve um cisma ou um racha entre os cristãos; no século XI, portanto, e há 966 anos apareceram as Igrejas Ortodoxas. Houve um protesto muito forte ou um 2o racha, em 1517, século XVI, e surgiram as várias Igrejas Protestantes. Faz, exatamente, 504 anos. Juntos, somos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo: a metade católica e a outra metade, dividida em cristãos ortodoxos e cristãos evangélicos ou protestantes. Com a semana da unidade, que termina amanhã, nosso desejo é de que possamos, ao menos, dialogar sobre os temas que ainda nos unem; possamo-nos comunicar, viver em comunhão. Como ter uma única palavra de Deus, um único salvador, Jesus Cristo, e sermos tão divididos entre nós? Amanhã – Pentecostes de 2021 – a Igreja Católica, que teve início com Jesus e recebeu o Espírito Santo no ano 33, completa 1988 anos de fundada. Quem “cismou” conosco no século onze e “protestou” contra nós no século dezessete não pensa, ao menos, em agradecer à Igreja Católica por ter preservado a Palavra de Deus ou tê-la conservado, ensinando-a e colocando-a nas mãos do povo, até o aparecimento de “cismáticos” e “protestantes” bem depois? O que estavam fazendo eles em todo o tempo anterior às suas aparições? Quem estava rodando pelo mundo, enfrentando perseguições, sendo martirizados e dando a própria vida para espalhar a “boa nova” por toda parte? Certamente foi muito bom pegar o “prato feito” para saboreá-lo ou o “bonde andando” para conduzi-lo. Por isso é que desejamos tanto espalhar o “ecumenismo” para nos unirmos na mesma “missão” que o único Jesus nos mandou realizar. Daí o sentido verdadeiro da “semana da unidade” que estamos celebrando desde 1968, todos os anos entre o Domingo da Ascenção e o Domingo de Pentecostes.

                        Como as Semanas da Unidade são celebrações vivenciadas em todo o Mundo, todas foram estudadas, aprofundadas em diferentes países do mundo e espalhadas pelos demais países. Assim se deu, por ex., com a Semana da Unidade do ano passado: Foi preparada no país de Malta: uma Ilha principal (junto a outras chamadas Ilhas Maltesas) que somam 246 Kms2, cuja Capital é Valeta, situada a 93 km do sul da Itália e a 290 km da África, no mar Mediterrâneo. A deste ano de 2021 foi preparada pela Comunidade de Grandchamp, na Suíça. São cerca de 50 Irmãs de diferentes gerações, tradições eclesiais e de países e continentes diferentes. Existem desde 1930, fiéis a uma vida de oração, em comunidade e acolhimento aos visitantes, oferecendo-lhes um tempo de retiro, silêncio, cura e em busca de sentido para a vida..

                     A título de informação, Semanas da Unidade anteriores foram preparadas na Itália, Alemanha, Suíça, Espanha, Inglaterra, Iugoslávia, França, Irlanda, Portugal, Suécia, Oriente Médio, Romênia, Eslováquia, EEUU, Escócia, Polônia, Síria, tendo-se repetido em várias cidades de muitos desses países.

                     Aqui no Brasil, além de recebermos a orientação, o esquema de trabalho e o compromisso de realizá-lo, buscando união com todos, ainda temos várias dessas Semanas, vividas, ecumenicamente, isto é, com a participação de irmãos judeus, católicos, ortodoxos, evangélicos, e até, indiferentes, que se solidarizam na busca da unidade, tão desejada por Jesus. Ser unido, não é uma propriedade só de cristãos; deve ser um desejo de toda a sociedade: civil, cultural, humana, política ou religiosa. Qualquer que seja nossa aspiração deve ser uma exigência de todos.

COMENTÁRIOS RECEBIDOS

para  Mons. Assis Rocha: O QUE SERIA DE NÓS SE NÃO EXISTISSEM OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO?

De Regina Rocha, de Sobral

Muito bom!
Usamos os meios de comunicação para celebrações, para divulgar palavra de Deus, hj muitos estão sofrendo com a pandemia precisam ouvir boas notícias ,enfim ,podemos usar para vários assuntos.
Um abraço
De .Regina Rocha

De Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro

Como sempre muito bom. Grande abraço monsenhor Assis Rocha

Para Franzé Bezerra: “O COLAPSO DO SISTEMA DE SAÚDE RESTOU INEVITÁVEL”   

De Wagner Turbay – [email protected] – Mestre, disse tudo, mais não tenho a dizer. Grande abraço!

De Sergio Augusto Borges de Melo –[email protected] – Parabéns concordo com tudo só nos resta mostrar aos nossos amigos o descaso desde desgoverno o pior governo que este país já teve.

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