Celebração do centenário da Dra. Wanda Sidou, “in memoriam”

As integrantes do Movimento Feminino pela  Anistia,  a União  das Mulheres Cearenses,  familiares e [email protected] de ex presos políticos e  da Dra. Wanda, com apoio da Comissão Especial da Anistia Wanda Sidou, promoveram, sábado, dia 22 de maio, uma homenagem à  nossa guerreira da liberdade: Dra. Wanda Rita Othon Sidou.

Dra. WANDA RITA OTHON SIDOU

A homenagem foi transmitida  através  das redes sociais – live pelo Google Meet, Facebook e YouTube- e realizada no  dia 22  de maio/ 2021, às 16 hs.

Além da iniciativa transmitida pelas redes sociais,  foram envolvidas outras instituições como a Comissão Especial de Anistia Wanda Rita Othon Sidou que participou da homenagem com as presenças de seu Presidente, Leunam Gomes, da Vice-Presidente: Helena Monteiro, do Conselheiro Kennedy Reial Linhares e  do Secretário Executivo Célio Miranda Albuquerque. Também presente o Conselheiro Suplente Médico Dr. Ricardo Sidou, sobrinho da homenageada.

Participaram do evento, on line:

Ângela Uchoa, Ari Sidou, Benedito Bezerril, Cristina Fonseca, Dedé Jerônimo e o filho Dr. Vitor, Erinaldo Dantas Filho, Gondim, Hélio Leitão, Inácio  Arruda, Inocêncio Uchoa, José Carlos Vasconcelos, José Genoíno, Juarez Leitão, Lucia Rodrigues, Manoel Domingos Neto, Maria Luiza Fontenele, Neidja Albuquerque, Nildes Alencar, Rosa Fonseca, Socorro Saldanha e Teresinha Braga.

Pronunciamento do Presidente da Comissão Especial de Anistia Wanda Rita Othon Sidou

Não tive o privilégio de conhecer pessoalmente, a Dra. Wanda Sidou. Acostumei-me a ouvir elogios à sua luta em defesa dos presos políticos, por intermédio de um companheiro de trabalho e ex preso politico: Jornalista Messias Pontes. Fomos colegas de trabalho no Movimento de Educação de Base- MEB, em Fortaleza. Como Coordenador do MEB, tornei-me assíduo frequentador da Policia Federal para onde era intimado a explicar textos escritos no Programa do MEB, à Censura Federal. Demitido, não pude mais ficar no Ceará. Fui pra o Maranhão, estado que sempre acolhe os cearenses em tempo ruim.

Messias Pontes, depois de uma passagem por Cametá, no interior do Pará, foi trabalhar em 1976, comigo em São Luís. Em 1985 retornou ao Ceará onde teve grande projeção como radialista e jornalista. Como ele, participei, semanalmente, do Programa Espaço Aberto. Nos seus Programas, Messias sempre relembrava a luta da Dra. Wanda pela liberdade.

Hoje, na Presidencia da Comissão Especial de Anistia Wanda Sidou, a grande homenagem que nos cabe fazer será, seguindo seu exemplo, cuidar, com muita seriedade, da nossa missão de apoiar aqueles que foram perseguidos pela ditadura. Será o nosso jeito de preservar a sua memória, dando continuidade à sua luta. Todos os  nossos Conselheiros são pessoas de muita competencia e compromisso. Daí vem a nossa crença de que poderemos desempenhar bem a nossa tarefa, sob a constante inspiração da Dra. Wanda Sidou.  Será a nossa homenagem.

OPINIÃO

Tributo à Dra. Wanda Sidou

Publicação do jornal O ESTADO, na sexta-feira, 29 de agosto 2008

Quem vivenciou, no Ceará, a época de repressão imposta pelo Regime Militar de 1964, sabe a importância da existência, no contexto, da inesquecível dra. Wanda Rita Othon Sidou.

Ela era uma mulher destemida, uma advogada denotada, e ao mesmo tempo, caridosa na sua maneira de encarar a dureza dos tribunais militares, na defesa intransigente de presos políticos. Fazia isto por idealismo e destemor, numa missão quase divina, sem visar retorno pecuniário. Era a voluntária da esperança, desapegada a dinheiro, e que abraçava a causa de presos considerados in defensáveis – pois não era qualquer advogado de então que tivesse a sua coragem cívica de se expor. Preferiam não se comprometer para não ficar visado pela Ditadura.

Com a dra. Wanda Sidou não era assim. Ela ia ao enfrentamento com desassombro. Aqui faço meu o que disse sobre ela a prefeita Luizianne Lins: “Wanda Sidou não se intimidava com as tentativas de calar a sua voz”, ou o que afirmou o seu igualmente incansável companheiro na defesa dos presos da Ditadura, dr. Pádua Barroso: “ela dizia na cara, enfrentava”… Ou ainda o notável causídico, político, jornalista e professor dr. Cid Sabóia de Carvalho: “Os novos advogados devem conhecer a trajetória de pessoas assim, a fim de que a difícil arte, que é a nossa, nunca se deixe manipular pela fraqueza ou pela covardia”.

Sem dúvida, a grande arte do advogado é defender o indefensável, aquele cliente que alguns causídicos , por medo, recusam abraçar-lhe a causa. Não era o caso da dra. Wanda Sidou, que por sua destemida maneira de agir, marcou época na história da OAB do Ceará, que tinha na Presidência o dr. Luiz Cruz de Vasconcelos. Sua fama foi além-fronteira, tendo seu nome citado pelo Brasil a fora, inclusive na Anistia Internacional.

Aliás, quando o Núcleo do Movimento Feminino pela Anistia foi criado no Ceará, em 1975, teve de pronto a dra. Wanda Sidou como uma das suas principais baluartes, pois já era advogada em Fortaleza, de vários presos políticos, os chamados subversivos, e que estavam na clandestinidade. Conforme testemunhou em matéria no jornal “O Povo” (10/7/2005) a ex-prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenelle: “Do ponto de vista da atuação jurídica, ela foi exponencial. Dedicou-se totalmente, sem cobrar nada. Era muito danada, coerente, uma mulher extraordinária, exemplar para todas nós. Seguíamos à risca o que ela dizia porque era de uma coerência e justeza de princípios impressionantes”.

Wanda Sidou foi uma mulher que estava além do seu tempo. Seus pronunciamentos na época da luta pela anistia aos presos políticos, defendendo, conforme seus ideais, uma Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, arrastava corações ementes. Só uma luta cívica desta dimensão poderia, como o fez, juntar num mesmo itinerário, guerrilheiros, comunistas, presos é até um expoente liberal como o saudoso senador Teotônio Vilela – presidente da Comissão de Anistia e que palmilhou o Brasil todo, ficando imortalizado na música como “O Menestrel das Alagoas”. Para registro histórico, cabe lembrar que nesta luta, aqui em terras alencarinas, além de Wanda Sidou, também atuaram nomes exponenciais, dentre outros os advogados Luiz Cruz e Antônio Carlos. Na Assembleia Legislativa do Ceará os Anais registram inflamados e memoráveis discursos dos deputados Fausto Aguiar Arruda, Alfredo Marques e Maria Luiza Fontenelle. No plano federal, destaque especial para os deputados Iranildo Pereira e Paes de Andrade do grupo “autênticos do MDB”. Também não se pode esquecer a Igreja Católica, através de dom Aloísio Lorscheider, dom Edmilson Cruz e dom Antônio Fragoso.

À guisa de conclusão, o professor Ari Othon Sidou, foi de uma felicidade colossal com o título do seu livro “Wanda Sidou – Guerreira da Liberdade”, lançado à noite passada no Náutico Atlético Cearense, com prefácio da prefeita Luizianne Lins e apresentação do professor e jornalista Auto Filho – secretário de Cultura do Estado. Parabéns, dr. Ary, pois o livro em homenagem à sua irmã não poderia ter um título mais adequado. No plano em que ela estiver, com certeza, estará muito feliz!

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