Mês: junho 2021

NÃO PODEMOS ACEITAR O “NEGACIONISMO” DOS NAZIFASCISTAS! Texto do Mons. Assis Rocha

Sábado passado, vimos confirmar-se o já previsto e chocante número acima de 500.000 mortos, pela Covid 19, ocasionado pelo descaso relacionado à falta de uso da máscara, do álcool em gel, de água e sabão na lavagem das mãos, à desobediência ao aconselhável distanciamento, provocando aglomerações, tudo em desacordo com a Organização Mundial da Saúde e à Medicina, que autoridades brasileiras minimizaram, não orientaram corretamente e até deram maus exemplos, fazendo tudo ao contrário.

Certamente se fossem revisados, recontados ou subnotificados os números, haveria uma variação entre 30 e 50%, segundo a Rede Análise Covid que diz “serem esses dados mais simbólicos do que verdadeiros, uma vez que a realidade, provavelmente, é ainda pior”. Esta constatação não é problema só da contagem brasileira. Nos EEUU, no Peru, na Rússia, por ex. houve caso de duplicação e até triplicação. Pesquisadores da Universidade de Oxford afirmam que, no Mundo, há cerca de um milhão de mortos não contabilizados. É o próprio cientista de Dados da Rede Análise Covid, Dr. Isaac Schrarstzhaupt, quem afirma: “com certeza o número brasileiro é subdimensionado. Existe o problema de falta de testagem, da falta de janela para o teste e, é claro, a subnotificação”. Além disso, o Dr. Isaac menciona “o atraso no registro de mortes como um fator que dificulta ter um dado mais preciso sobre a crise sanitária no país. Temos mortes registradas hoje que ocorreram no ano passado… até porque a prioridade das equipes de saúde é salvar vidas e não, necessariamente, essa parte mais burocrática de lançar os dados no sistema”.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz

Estamos fazendo esta reflexão, dentre as muitas que se fizeram nesta semana, só para que a gente entenda como a situação pandêmica está sendo difícil em toda parte/mesmo em países mais avançados do que nós/A diferença está na direção seguida, na prioridade que se dá ao tratamento, na falta do compromisso com as normas da Ciência ou o desleixo dos poderes políticos que se preocupam mais com suas reeleições do que com a felicidade do povo.

            Este alto número de mortos pela Covid aparece no auge da C.P.I. da Pandemia no Senado que está desnudando os equívocos cometidos, provocando acirrados debates entre defensores das barbaridades do Planalto e os Senadores da Oposição que estão batendo forte na existência de um gabinete paralelo composto de médicos e empresários conselheiros do Presidente na luta contra a Covid 19, às margens da Ciência. Tal grupo está na mira da C.P.I. por estar discutindo com o Presidente temas ou teses sem eficiência comprovada, tais como: a imunidade de rebanho, o tratamento precoce com o uso de cloroquina ou outras drogas para outras finalidades e não para a Covid.

            Os depoimentos colhidos na C.P.I. estão escancarando o descaso do Governo em negociar ou adquirir vacinas, fazendo corpo mole desde o ano passado, não respondendo a dezenas de e-mails ou outras correspondências com ofertas de imunizantes que foram rejeitados pelo Governo ou caíram no esquecimento. A verdade é que temos somente 11% de imunizados com as duas doses da vacina, no Brasil, o que nos coloca numa estatística muito alta, negativamente, enquanto em outros países do Mundo, até mesmo aqui da América Latina, estão bem melhores em sua cotação/porque seus governantes não são tão negacionistas.

            A população brasileira está atordoada com a Pandemia. De qualquer forma, somos vítimas: com perdas na família, na saúde mental, isolados, com medo, apavorados diante da realidade da morte. Cadê nossos contatos físicos?

            Dá pra entender brasileiros sem um afetuoso abraço? Sem nossos beijos mútuos pelo reencontro, sem demonstrar nossa saudade pelos braços enlaçados? A pandemia nos está fazendo um grande mal. Como afastar os avós dos netinhos? O carinho entre familiares e amigos? Como tornar possível eu negar a meu pai, à minha mãe, a um familiar ou amigo, o último gesto de gratidão, amizade ou de reconhecimento na despedida final depois da morte?

            Escritos como este ou outros tipos de documentário com vídeos e fotos de pessoas que tiveram suas vidas afetadas pela tragédia sanitária, desde o início desta crise, estão sendo reunidos num projeto: Memorial da Pandemia em que uma equipe de professores-historiadores está colecionando para responder à pergunta: Como a história da pandemia será contada no futuro ou Como os historiadores irão entender esse momento? Ao que o Prof. Teixeira responde: “isso vai depender da memória que se guardar. Infelizmente temos muitos negacionistas, que irão negar este momento. Mas existe um registro, uma memória, as falas dos agentes históricos que viveram neste tempo. Essa voz não se apaga”.

            Esta equipe de estudos está sendo coordenada pelo Professor Ph.D. em História e Educador no Sesc São Paulo, especialista em História, Cultura e Sociedade, com Mestrado em História Social: Alexandre Francisco Silva Teixeira (Professor Teixeira). Ele ainda afirma que “à perda de vidas pela falta de vacinas e de uma política eficiente de combate à pandemia se somou o empobrecimento das famílias”.

            O professor Teixeira faz ainda um paralelo, relacionando dois “fatos históricos” dentro da sua especialidade: “assim como, em 1918 a gripe espanhola em terras brasileiras nos legou a semente do SUS, acredito que a atual pandemia deixa como legado um processo de produção de vacinas em ritmo inédito na história”. É o caso de se constatar, na prática, o que a “sabedoria popular” diz com tanta maestria: “Deus escreve certo por linhas tortas” ou “não há mal que não traga um bem”.

            A propósito, o Papa Francisco, participando, virtualmente, esta semana, da 16ª edição do Fórum Globsec Bratislava, na Eslováquia, sobre o tema: “Reconstruamos melhor o Mundo” afirmou que a crise atual nos está levando a analisar melhor o seu passado, reconhecer as carências sistêmicas, os erros cometidos, inclusive relacionados à Criação, visando desenvolver uma ideia de retomada que reconstrói e corrige o que não funcionava antes da chegada do Coronavírus, que contribuiu, tremendamente, para piorar a crise. O Papa reafirma com todas as letras: “vejo um mundo que foi enganado por uma sensação ilusória de segurança, baseada na fome de lucro. Vejo um modelo de vida econômica e social, caracterizado por tanta desigualdade e egoísmo, em que uma pequena minoria da população mundial possui a maioria dos bens, muitas vezes não hesitando em explorar pessoas e recursos”. E acrescenta Francisco: “a crise abre novas possibilidades: de fato, é um desafio aberto para enfrentar a situação atual, para transformar o tempo de provação num tempo de escolha. Uma crise obriga a escolher, para o bem ou para o mal. De uma crise não se sai igual: ou se sai melhor ou pior. Nunca o mesmo”.

            Temos muito o que pensar: ver a realidade, julgá-la à luz da Palavra de Deus e agir para transformá-la. Temos ainda muita crise pela frente. Não podemos aceitar o “negacionismo” dos nazifascistas. Eles nos vão dar muito trabalho, mas a gente vai vencer. Unamo-nos. Há muita gente boa do nosso lado. Obrigado, pela atenção e tenham todos um bom dia!

COMENTÁRIOS

Sobre o Cordel de Hairton CarvalhoFesta de São João

De Chico Ocosta também poeta cordelista da Ibiapaba que mora em São Paulo:

“Que bela e charmosa poesia do sertão do nosso nordeste que encanta quando canta o simples que sai de dentro do coração recheado de poesia que lhe molda o viver no sertão.”

De João Gomes Feitoza, de Fortaleza:  Excelente. Por um momento revivi tudo isso.

De Fred Carvalho, cantor, em Fortaleza, sobre o texto do Mons. Assis Rocha OS HERODES DE HOJE: AUTORITARIOS, NEGACIONISTAS, DANDO MAUS EXEMPLOS…

“Estamos vivendo tempos sombrios, em que pessoas são partidárias de que a terra é plana, são contra as vacina e a ciência, pregam o ódio o preconceito e a discriminação racial, enfim será que isso é o tão falado normal?”

RÁDIO EDUCADORA DO NORDESTE – 62 anos de história

De Sobral – Ceará

A Rádio Educadora do Nordeste – ZYH 593 – 950 kHz, nasceu do esforço do Mons. Sabino Guimarães Loyola, que teve como primeiros colaboradores o Sr. José Patriarca de Lima e do Mons. Aloísio Pinto. A emissora foi ao ar em caráter experimental, no 20 de maio de 1959. Sua fundação oficial data de 21 de junho de 1959, tendo como primeiro locutor Francisco Marques dos Santos (Marcos da Cruz).

                A emissora funcionou inicialmente no prédio dos Vicentinos, esquina da Av. Dom José com a Rua Domingos Olímpio, onde atualmente funciona a Academia Sobralense de Estudos e Letras. Esteve provisoriamente instalada no prédio do Museu Diocesano Dom José e por um durante o período mais longo, em frente ao Colégio Sant´Ana. Em julho de 2000, passou a funcionar na Cúria Diocesana, tendo recebido prédio e equipamentos novos, bem como teve reformulada sua programação.

                Criada com ênfase na educação, a emissora era transmissora das escolas radiofônicas (pertencentes ao MEB/Movimento de Educação de Base) em todo o interior do Estado. As escolas radiofônicas funcionavam com rádios cativos, que tinham como única programação a Educadora, dentro das salas de aula. Aonde o Padre não ia ou a Escola não chegava, penetrava as potentes ondas radiofônicas da Educadora do Nordeste.

                Sem perder de vista seu enfoque religioso, a Educadora sempre foi o principal meio de divulgação dos atos do Bispado da Diocese de Sobral, a saber: realização do programa a Voz do Pastor, transmissões da Missas direto da Catedral e diversos programas de evangelização.               

RÁDIO EDUCADORA DO NORDESTE, 1968 – Leunam Gomes (Locutor/Coordenador) Fransquinho Montenegro, (Operador de Áudio)

A Rádio Educadora ao longo de sua existência tem sido uma escola para muitos profissionais, que foram ou são destaques na imprensa local, estadual e nacional. A seguir, vejam alguns nomes que colaboraram ou colaboram com a dileta emissora: Dom Walfrido Teixeira Vieira, Mons. Francisco Sadoc de Araújo, Côn. Egberto Rodrigues de Andrade, Mons. Francisco de Assis M. Rocha, Pe. Luizito Dias Rodrigues, Pe. Marconi Montezuma, Aloísio Paiva, Carlos Gomes Carneiro, Francisco Araújo Pachelle, Alcides Santos, Carlos Torres, Ciro Ferreira Gomes, Clerton Viana, Domício Pereira, Firmino Lopes, Ferreira Aragão, Francimar Martins, Francisco Valdo Mesquita, Guajará Cialdini, Edmilson Sousa, Edson Silva, Elisabete Pinto, Fernando Solon, Francy Apoliano, Gomes Farias, Helly Elery, Irmã Holanda, Irmã Teresinha, Ítalo Costa, Ivamar Perdigão, Ivan Frota, Gilvan Aragão, José Maria Félix, Leunam Gomes, Macário Batista, Maynardo Ponte, Marcos da Cruz, Marfisa Maura, Mirtes Loiola, Moésio Loiola, Onofre Viana, Rui Silva, Sousa Lélis, Sebastião Albuquerque, Joab Aragão, Wilson Calixto, Tobias Alves,Valneide Araújo, Osvaldo Avelino, Ivan Moreira, Inácio de Brito, José Ferreira, Chico Santana, Jota Alberto, Evanildo Liberato, Artemísio da Costa, Mário Magalhães, Tarcísio Farias, Willian Vasconcelos, Osamir de Maria... a lista é grande, meus amigos. Todavia, faremos um memorial de gratidão a todos os nossos colaboradores do tempo presente e do passado. Esse memorial será inaugurado no dia em que estivermos funcionamento de forma oficial no dial FM. 

                Neste 21 de Junho de 2021, dia que celebramos os 62 anos de história de nossa querida emissora, manifestamos nossos sinceros sentimentos de gratidão a todos que contribuem com essa vasta e riquíssima existência da nossa Rádio Educadora do Nordeste – a rádio da família cristã. Parabéns!

21 de Junho de 2021

Pe. Lucas Moreira, Diretor

FESTA DE SÃO JOÃO, de Hairton Carvalho

O sertão tem muita coisa

Bunita da gente vê

Só quem nasceu sertanejo

Pode o sertão comprendê

Que esta gente da cidade

Passa a infança e a mucidade

Sem o sertão cunhecê

Quando anda no sertão

Anda todo agasaiado

Calçado de bota e meia

Cum medo de risfriado

Só toma bãin de chuvêro

Recrama do candiêro

E só come de inlatado

Num sabe drumi de rede

E num se assenta no chão

Não bebe água do pote

Num sabe cumê feijão

Cuns pobre num se mistura

É todo chei de frescura

Quando chega no sertão

Mas o sertão é bunito

Na sua simpricidade

No linguajá dos cabôco

Falando o qui tem vontade

Cum toda convicção

Eu num troco o meu sertão

Pur esta tá de cidade

Lá pode tê muita coisa

De dar adimiração

Coisas bunita, bem feita

Com a maió prefeição

Mas num tem a buniteza

Qui isiste na natureza

Das coisa aqui do sertão

Mas de tudo qui isiste

De bom no nosso sertão

Tem uma festa bunita

E de muita animação

De todas a mais faceira

É a festa da fogueira

A festa de São João

Quando chega o mês de juin

O sertão todo si infeita

O sertanejo se alegra

Com a fartura da colheita

Começa a se perparar

Qui festança de dançar

Sertanejo num injeita

Quando é vespa de São João

O povo fica animado

Os cabôco ganha os mato

De facão, foice, machado

Vão tudo busca madêra

Mode queimá nas foguêra

Nos terrêro iluminado

Derne cedo a muierada

Começa a se prepará

É umas fazendo bolo

Ôtas fazendo aluá

Grude, beiju, tapioca,

Pé de muleque, paçoca

Arroz doce e mucunzá

Os home vão pus roçado

Buscá mio e macaxêra

As muié ralando o mio

Passa a massa na penêra

Faze canjica e pamonha

Numa aligria medonha

Vão fazendo brincadêra

As môças infeita a rua

Cum bandeirinhas de cô

Varre o chão, perpara tudo

Cum aligria e amô

Tudo cum carinho e arte

Cada quá faz a sua parte

Qui tudo tem seu valô

Quando é ditardizinha

Já está tudo arrumado

As cumida já tão pronta

E os terrêro infeitado

Quanto mais no fim do dia

Mais omenta a aligria

Eita qui povo animado

Mas de noite é que cumeça

A festança verdadêra

Os home vão pros terrêro

Mode acendê as fuguêra

E os minino brincando

Já tão é anunciando

O iniço das brincadêra

Os rapaz vão pas budega

Ou se ispaia pela praça

Isperando a hora da festa

Toma uns trago de cachaça

E até mermo a muierada

Toma duas ou três bicada

Que é pa festa tê mais graça

O salão todo infeitado

Tá chei de moça bunita

Todas elas arrumada

Cum seus vistido de chita

Os rosto tudo pintado

Os cabelo pintiado

Preso cuns laço de fita

A garotada se anima

Vendo subir um balão

Soltando fogo de vista

Bomba, foguete e rojão

E o povo todo brincando

Pelos terrêro dançando

Dando viva a São João

Uns ali passa foguêra

Qui a tradição insinô

Dizendo: Meu São João disse

E São Pedro confirmô

Pra selá nossa amizade

Tua hai de sê meu cumpade

Qui Jesus Cristo mandô

E assim vão se divirtindo

Tudo em volta das fuguêra

Assando mio e batata

Gerimum e macachêra

E os home mais disposto

Vão assando os tira-gosto

Pa quem tá na bebedêra

E haja bolo e tapioca

Pamonha, grude, aluá

Bolo de mio, batata,

Arroz doce e mucunzá

Tudo quanto é gostosura

Neste dia tem cum fartura

São João num dêxa faltá

Os rapaz são mais afoito

Pás garota conquistá

Saem pulando as fuguêra

Sem medo de se queimá

Pois cun essas traquinage

Eles mostra a sua corage

Faz as môça suspirá

E as moça casamentêra

Fazendo adivinhação

Bota a bacia na fuguêra

E fica oiando o clarão

Se não inxergá ninguém

O jeito mermo qui tem

É tê a conformação

Ôtas arranja uma faca

E isquenta na fuguêra

E quando a faca tá quente

Infia na bananêra

As letra qui a faca traz

São do nome do rapaz

Essa é casamentêra

Chega a hora da quadria

Os pá vão logo foimando

Os tocadô já tão pronto

E o povo vai se ajuntando

Vem gente de todo lado

Sortêro, noivo e casado

Tudo animado e cantando

O diretô da quadria

Vai lá pa frente gritá

Os pá vão batendo palma

Cumeça então a dançá

É o sanfonêro tocando

E o gritadô avisando:

– Atenção. Vai cumeçá

– Anavan, anarriê

– Todo mundo é pá dançá

– Passeio dos namorado

– Todos segure seus pá

– Túnel, caminho da roça,

– Olha a cobra, coça-coça,

– Todo mundo em seus lugá

E a quadria continua

Na maió animação

– Olha a chuva, cavalinho,

– Cumprimentos, beija mão

– Anavan, anarriê

Chega dá gosto se vê

Toda aquela incenação

Quando termina a quadria

A fulia é uma só

Já tem uns caba melado

De cachaça e de suó

Vai cumeçá o chitão

Todo mundo no salão

Se perpara pu forró

O safonêro Zé Gome

Já insaia um dediado

O triango já tá pronto

O violão afinado

A festa vai cumeçá

O povo pega a dançá

É forró prá todo lado

O chiadin da chinela

Continua a noite intêra

Junta a quintura da festa

Com a quintura da fuguêra

E haja caba melado

De cachaça cum quinado

De suó e de puêra

No amanhicê do dia

Inda tem fogo queimando

A rua ainda infeitada

O pau inda tá truando

Quando a festa é animada

Só se dá pru terminada

Quando o sol tá isquentando

É assim que a gente faz

Nas festa aqui do sertão

Bebe, dança, come e brinca

Na maió animação

Se quisé ficá contente

Venha aqui brincá cum a gente

Numa festa de São João

E é por isso que eu digo

Cum toda cunvicção

A cidade tem suas coisa,

Suas festa, suas diversão

Mas num tem o que é mió

Uma festa de forró

Cuma as qui tem no sertão.

HAIRTON CARVALHO, de Bela Cruz, Ce. Publicitário, Compositor, Poeta e Cordelista

OS HERODES DE HOJE: AUTORITÁRIOS, NEGACIONISTAS, DANDO MAUS EXEMPLOS, RESPOSTAS GROSSEIRAS… Texto de Mons. Assis Rocha

Para iniciar os festejos do ciclo junino, sábado passado, refletimos sobre Santo Antônio, ”o insigne pregador e martelo dos hereges” que deixara de ser um “frade maior” da Ordem de Santo Agostinho para ser um “fradinho menor” da Ordem de São Francisco. Hoje queremos pensar no segundo santo, festejado no ciclo junino, cuja data litúrgica de seu nascimento será celebrada na véspera e no dia 24, desta 5ª feira da semana que se inicia.

Nossas referências à Pandemia continuam, pois não temos previsão do seu final, já que o quadro sanitário se tem agravado, cada vez mais, o número de mortes, aumentado e o recurso mais importante para o controle da infecção, que é a vacina, nos chega a conta-gotas. Daí, termos que seguir as orientações da OMS, da Medicina e do bom senso de algumas autoridades.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, grande pregador, a exemplo de João Batista

São João comunicou uma mensagem com o seu modo de ser, de falar, de vestir, de se apresentar ao público e, sobretudo de tomar posição ética e política diante do adultério do Rei Herodes.  

De sua infância, nada se sabe. Só aparece aos 30 anos, chamando muito, a atenção de todos, pela vestimenta de couro de camelo, pelo alimento de gafanhoto com mel, e por percorrer toda a região do Jordão, pregando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados.

Falava, comunicava ou transmitia uma mensagem, dizendo que depois dele viria alguém muito mais poderoso, de quem não era digno de lhe desatar a correia das sandálias. Era, realmente, a voz que clamava no deserto.

Pelas respostas que João dava a seus interlocutores, a vinda de Jesus traria também uma mensagem política, ética e justa, com fortes implicações sociais: quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer, faça o mesmo. Não exijais mais do que vos foi ordenado. Não pratiqueis a violência, nem roubeis a ninguém. Contentai-vos com o vosso salário. Raça de víboras. Fazei penitência, pois está próximo o reino de Deus. 

Nosso intuito, nestas reflexões semanais, é mostrar como nós temos uma história, desde os primórdios do cristianismo, voltada para a Pregação, a Proclamação da Palavra, a Comunicação da Verdade. João é um protótipo perfeito do comunicador que mexe com as estruturas e que apela para a transformação da sociedade. Assim como ele enfrentou o próprio Rei, reclamando de seu comportamento moral e foi levado à prisão, assim também devemos ter coragem de reclamar pelo erro de quem quer que seja, visando uma mudança na comunidade. Muitas pessoas têm medo de imitá-lo e até, metem medo em quem tem coragem de denunciar injustiças, falcatruas e outros erros. Temos que mostrar João Batista fazendo o seu papel, partindo na frente, denunciando injustiças, anunciando Jesus e sua doutrina de salvação. Por isso é que ele é chamado de “o precursor”. Diante de sua coragem, de seus ensinamentos e do poder de persuasão que ele tinha ao comunicar, todos pensavam e até lhe perguntavam se ele já não era o Cristo tão esperado. Ele respondia que não, mas tudo faria para que Cristo crescesse e ele diminuísse.

Jesus – que ainda não havia começado sua vida pública – ouviu dizer que João fora preso por causa de sua ousadia e coragem de denunciar o Rei. Saiu então da cidade de Nazaré e foi para Cafarnaum, onde começou a pregar, usando o mesmo linguajar de J. Batista: fazei penitência, pois o reino de Deus está próximo. Era o maior comunicador da humanidade, dando continuidade a seu antecessor que havia anunciado a proximidade do reino dos céus. E dizia mais: “entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que J. Batista”.

São Lucas, em seu Evangelho diz que João “ficará cheio do Espírito Santo ainda no ventre de sua mãe, Isabel, e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus”. Lembram-se da narração bíblica? No início da gravidez de Maria, ela visita sua prima Isabel, grávida de 06 meses. Ao se saudarem, as crianças se intercomunicaram e estremeceram nos ventres das próprias mães. Os primos eram tão conectados que os judeus chegavam a confundi-los, chamando João de Messias. E o que dizia ele? “Eu não sou o Cristo… Eu sou a voz que clama no deserto. Eu não sou digno nem de desatar as sandálias dele. Eu quero é que ele cresça e eu diminua”.Até que, em certa ocasião, João estava preso “por ter denunciado o concubinato do Rei Herodes com sua cunhada, a mulher de seu irmão” ao ver Jesus passar nas imediações da prisão, enquanto seus discípulos o visitavam, João exclama: “eis o cordeiro de Deus”. Então os discípulos de João acompanharam Jesus.

Jesus os havia advertido: vocês serão perseguidos, do mesmo modo que eu fui perseguido. “mas aquele que perseverar até o final, será salvo” (Mt. 24, 13). João perseverou até o fim. Serve de modelo para todos nós. É claro, contando com a graça de Deus. Sem ela, isso não é possível. Posso atestar por experiência própria. Durante a vida enfrentamos todas as tentações: do ter, do poder, da vaidade, do egoísmo e do erro sob todos os aspectos. É muito difícil renunciá-los; como eu disse, “só contando com a graça de Deus” e esta nos vem pelo batismo, não só com a água, como fazia João, “mas com o Espírito Santo e o fogo” como está em Mateus 3, 11-12.

O Papa Francisco nos tem falado em uma Igreja em saída. Não é uma novidade. João Batista foi marcado a vida toda por esse dinamismo de anúncio ou de saída, de entrega generosa pelo Reino de Deus que ele anunciava. Não agradou a todos, como nós não agradamos a todos, quando levamos a sério a nossa missão. Do jeito que Herodes se sentiu ofendido pelo posicionamento de João diante da verdade, qualquer um de nós pode ser mal-entendido pelos reis Herodes de hoje: autoritários, negacionistas, dando maus exemplos, respostas grosseiras, desrespeitando normas comuns a todos, favoráveis à morte de inocentes e desprotegidos, discriminadores da cor da pele, do sexo, da religião enfim, encontram todo tipo de motivos, os mais esdrúxulos, para extravasarem seus preconceitos. E o pior: usam o nome de Deus em vão, a toda hora para se sentirem acobertados de seus erros, sua falta de fé e enganando a todos.

Ponhamo-nos na frente de São João não para homenageá-lo com fogos e com pamonha, com danças de quadrilhas e fantasias matutas, com bebidas e fogueiras, mas como um personagem que nos ensina com sua vida e palavras, a ser fiéis discípulos e missionários de Jesus. Quanta programação errada já se fez e quanta ainda tem programada para se fazer, em nome da Festa de São João! Quanta desobediência às normas restritivas para nos preservar da Covid 19, aglomerando em festinhas nos sítios e fazendas, arriscando a vida de muitos! Quanta conivência de autoridades que aproveitam dessas ocasiões, mais para fazer politicagem do que zelar pelo bem-estar social! Se se restringe agora é tendo em vista uma liberação consciente, mais tarde sem a Pandemia. Esta, eu tenho esperança de que vai acabar; pelo menos em outros países do mundo.

Aqui no Brasil com cerca de ½ milhão de mortos a pandemia é política. Está mais longe de acabar. Se não nos conscientizarmos nada vai mudar. Será de mal a pior.

Obrigado hoje, por mais esta atenção e tenham todos um bom dia!

UMA FÁBULA PARA OS DIAS ATUAIS

NÃO DISCUTA COM BURROS. O burro disse ao tigre:- ′′ A grama é azul “.O tigre respondeu:- ′′ Não, a grama é verde “.A discussão aqueceu, e os dois decidiram submetê-lo a uma arbitragem, e para isso correram perante o leão, o Rei da Selva. Já antes de chegar à clareira da floresta, onde o leão estava sentado em seu trono, o burro começou a

gritar:- ′′ Sua Alteza, é verdade que a grama é azul?“.

O leão respondeu:- ′′ Certo, a grama é azul “.

O burro apressou-se e continuou:- ′′ O tigre discorda de mim e contradiz-me e incomoda, por favor, castigue-o “.

O rei então declarou:- ′′ O tigre será punido com 5 anos de silêncio “.

O burro pulou alegremente e seguiu o seu caminho, contente e repetindo:- ′′ A grama é azul “…

O tigre aceitou a sua punição, mas antes perguntou ao leão:- ′′ Vossa Majestade, por que me castigou?, afinal a relva é verde “.

O leão respondeu:- ′′ Na verdade, a grama é verde “.O tigre perguntou:- ′′ Então, por que você me pune?”.

O leão respondeu:- ′′ Isso não tem nada a ver com a pergunta de se a grama é azul ou verde O castigo acontece porque não é possível que uma criatura corajosa e inteligente como você perca tempo discutindo com um burro, e ainda por cima venha me incomodar com essa pergunta “.

A pior perda de tempo é discutir com um tolo e fanático que não se importa com a verdade ou realidade, mas apenas com a vitória de suas crenças e ilusões. Jamais perca tempo em discussões que não fazem sentido… Há pessoas que por muitas evidências e provas que lhes apresentamos, não estão na capacidade de compreender, e outras estão cegas pelo ego, ódio e ressentimento, e a única coisa que Desejam é ter razão mesmo que não a tenham. Quando a ignorância grita, a inteligência cala. A sua paz e tranquilidade valem mais.

Extraído do Facebook da Professora Maria José, de Poranga – Ce.

SOLIDARIEDADE AOS PROFESSORES DA UECE

A ABJD por intermédio de seu núcleo no Ceará,  vem a público solidarizar-se com os professores  Eduardo Nobre Braga, Francisco Luciano Teixeira Filho, Ilana Viana do Amaral e José Wilson da Silva do Curso da Filosofia da UECE, em razão da sanha persecutória que pretende constrangê-los no exercício de suas liberdades. A notificação para que se apresentem a PF para prestarem depoimento sobre presumidas condutas violadoras das liberdades de crenças e de manifestação ideológica de alunos do curso de filosofia da UECE,  sem nenhum arrimo em fatos e condutas objetivas, minimamente  razoáveis, deixa claro o intuito intimidatório do mesmo.


Uma simples leitura aligeirada dos autos do inquérito  instaurado pela Polícia Federal evidencia a carência de fundamentos fáticos e normativos para a continuidade dos procedimentos investigativos. O que  há  é uma profusão de construções acusatórias frágeis,  sem tipificação,  sem autoria definida, numa demonstração  inequívoca da leviandade e do uso instrumental do direito voltado para fins persecutórios.   Depreende-se da peça  “denunciante” feita por advogados  ligados a entidades notoriamente  vinculados à extrema direita, um vago assomo de ” indignação ” contra aqueles que legitimamente fazem valer seus direitos fundamentais  a livre expressão  e a defesa da democracia,  ora ameaçados pela irrupção do protofascismo e de sua razão  necrófila, anti-intelectual e adepta da barbárie em nosso país. Ademais  pressupõe-se que o ethos universitário  deve reger-se pelo salutar exercício  da razão crítica,  pelo rechaço ao autoritarismo dogmático,  assim como pelo apego aos valores consensuais em torno do sentido pluralista da vida universitária.

Caberia ao Delegado encerrar as investigações dados os veementes indícios da inconsistência  das increpações arguidas na referida  peça, bem como da extensão indevida do tempo do inquérito em desacordo com o previsto em lei .  A bem da verdade,  a conduta  do grupo ” acusador ” revela a sintonia de seus propósitos com a linha de ação estratégica de coerção  contra todos aqueles que se opuserem aos seus fins em tempos de exceção institucionalizada. Vivemos um momento de ameaça,  de barbárie,  de ataques constantes e reiterados aos direitos fundamentais e garantias materiais e processuais do Estado Democrático de Direito.  Mais grave ainda quando tais ataques descem sobre as universidades e seu corpo funcional , pois esta instituição traduz e compagina séculos de luta pela afirmação da autonomia intelectual,  firmando-se como espaço desimpedido da pensabilidade crítica,  emancipatória e plural das sociedades modernas. O fascismo em suas novas feições mantém-se fiel ao seu ódio à diversidade,  à inteligência e à cultura.  Querem que a universidade se cale para que a estupidez da força,  da prepotência imponha-se como nosso destino inexorável.  A ABJD Ceará repele esse ato arbitrário e soma-se aos valorosos professores,  alunos e funcionários da nossa querida UECE,  do seu necessário curso de filosofia,  prestando todo nosso apoio, verbo e indignação contra mais esse atentado aos seus integrantes  e a própria universidade brasileira.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE JURISTAS PELA DEMOCRACIA – NÚCLEO DO CEARÁ

Gestão Democrática, na Educação de Poranga – Ce.

Realizou-se, na manhã desta quinta feira, dia 10 de junho, o II Encontro de Formação do Mais PAIC, sob a coordenação do Professor Fernando Lima, Secretário Adjunto de Educação do município de Poranga. Participaram, on line, os Diretores de Escolas e Coordenadores Pedagógicos das Escolas do município. A conversa foi sobre a Gestão Pedagógica e Democrática da Escola. Um relato de experiências, desenvolvidas nos municípios de Croatá, Poranga e Guaraciaba do Norte. Ao final, os participantes relataram uma síntese do significado do encontro.

Diretores e Coordenadores participantes: Alexandre, Auxiliadora Oliveira, Dreivos, de Croatá, Evangivaldo, Fabiana Nunes, Fernando, Francisco Onésimo Lima Rodrigues Lima, Gisele Hipólito, Iraci Malaquias Bezerra, João Batista, Lidiana Mello

Sanya Pinho, Socorro Rodrigues, Vencerli Gomes e Zezé

Como você sai dessa formação? Expresse suas impressões.

20 respostas

Com a consciência de que ainda temos muito o que e a fazer pela nossa educação.

Maravilhada! Confesso que não conhecia o professor e me sinto bem leiga nessa condição. Mas sou muito grata por poder participar desse momento, conhecê-lo e ouvir vivências maravilhosas sobre sua vida e caminho na educação. Gratidão!

Enriquecido com as experiência do professor inspirado.

Saio muito motivada a seguir tentando o resgate e interação de todos, pois é preciso olhar o entorno total e não apenas partes e com esse momento de hoje percebi que possibilidades existem, basta não desistir.

Saiu com vasto conhecimento, como e bom ouvir e contempla a vivência de uma trajetória incrível, obrigada.

Com vontade de fazer mais pela minha escola, tudo que foi abordado nos leva a refletir que sempre podemos ser melhores na nossa gestão, expandir os horizontes.

Fortalecida e ciente que é necessário continuarmos perseverantes na luta por uma educação de qualidade.

Nosso jeito de Ser. E como fazer. E conviver faz a diferença na educação.

Com uma visão de que somos capazes de inovar de criar novas ideias, apartir de tudo isso podemos colaborar mas, com a aprendizagem dos nossos alunos.

Os relatos apresentados pelo professor Leunam nos deixa bastante fortalecidos pelas práticas vivenciadas por ele durante sua longínqua carreira na educação.

Encantado

Saio simplesmente encantada! Viajei em cada relato do professor Leunam. Gratidão a esse grande mestre!👏👏

Memória viva esse encontro de hoje.

Muito mais confiante na capacidade que cada um de nós possui.

Foi um ótimo momento, até onde pude acompanhar, percebi que compartilhamos muito das vivencias no que se refere a educação e que fortificou meu conceito: ter uma gestão escolar democrática é possibilitar uma escola mais justa, inclusiva e sobretudo participativa que atue em prol da aprendizagem de nossos estudantes estes seres de luz.

Feliz em ouvir os relatos sobre as práticas.

Pelo pouco tempo que pude participar o entusiasmo e o acredita do Professor Leunam inspira-nos na busca pelo constante aperfeiçoamento da nossa prática.

Com muito ânimo e perspectivas, depois de ouvir as experiências magníficas do grande mestre Leunam. Uma injeção de autoestima.

Com uma grande bagagem de conhecimentos adquirido pelo exemplo de um profissional de grandes experiências. É bom nos inspiramos com o trabalho de quem é muito sábio.

Deixe uma mensagem para o Professor Leunam:

20 respostas

“Foi um prazer enorme rever o professor Leunam, por quem tenho profunda admiração. Lembro do Seminário em, bem como da frase que ouvi pela primeira vez citada por ele “O prefeito faz de conta que paga, o Professor faz de conta que ensina e o aluno faz de conta que aprende” rsrs. Parabéns, Professor Leunam.”

“Professor Leunam, uma memória viva em nosso meio. Fiquei maravilhada com sua palestra, confesso que não o conhecia. Desejo conhecer um pouco mais sobre você e suas obras. Gratidão pelo momento!”

“Que o senhor continue contribuindo com a transformação da sociedade com a sua experiência por onde passar.”

“Uma citação durante o diálogo “Escola não é pra aprovar ou reprovar, mas para o aluno aprender.” Fico muito feliz em ouvir tanta experiência vivenciada e compartilhada conosco. É um prazer fazer parte desses momentos que nos enriquece como profissionais e como ser humano. Gratidão professor Leunam!”

“Obrigada, Professor Leunam, por nós proporcionar uma experiência espetacular, um momento de vivência incrível, foi um prazer participar.”

“Maravilhada com tamanha experiência, realmente não vemos o tempo passar. Professor Leunam é um patrimônio vivo da nossa Educação, ansiosa pelo momento presencial para nos deleitarmos com todo seu conhecimento.”

“Que você continue estimulando a nossa classe de professores (as) para continuar lutando por uma educação de qualidade e igualitária.”

“Precisamos ouvir experiências exitosas, e com sabedoria podemos fazer a diferença onde quer que estejamos, a leveza sua professor, transmite Esperança de lutarmos em busca do que acreditamos. Ser passivo e não lutar pelos nossos ideais , não é características de líder, você bem representou isso 👋👋👋👋”

“Foi uma formação maravilhosa.”

“Professor Leunam, gostaria de parabenizar você pela carreira brilhante na educação e pela ótima formação que nos repassou com uma linguagem bem clara. Muito obrigado e que mais pessoas possam ouvi-lo, pois sua forma de viver a educação nos motiva a continuar firmes Parabéns!”

“Parabéns pela construção histórica e lutas a favor da educação. Ele é um ícone da Educação.”

“Muito positivo o relato do professor, onde podemos viver momento bastante pertinente diariamente na vida da gestão Escola. Um luta diária a fala do nosso Professor Leunam.”

“Grata pelas suas palavras, nos acrescentará na nossa jornada, com gestores de escola.”

“Obrigado, Professor Leunam por compartilhar seus conhecimentos e vivencias conosco, sua trajetória de contribuição para educação é motivadora. Parabéns,”

“Grata por sua fala acerca das vivências ,algumas agente voa na imaginação e revive na verdade.”

“Gratidão pela partilha do seu saber.”

“Parabéns ao professor, nos deixa a refletir profundamente acerca de tamanha sabedoria. Pessoa fantástica!”

“Você é um exemplo de profissional que nos inspirou com seus relatos reais de um trabalho idealizado com a prática justa e no qual obteve bons resultados. Isso é que é uma história profissional de progresso.”

SANTO ANTÔNIO – EM CARIRÉ E MUITOS OUTROS LUGARES! por Mons. Assis Rocha

Está acontecendo, esses dias, em muitas comunidades eclesiais – aqui perto de nós, Cariré, por ex. – encerrando-se amanhã, o novenário ou trezenário em honra de Santo Antônio, viandante do Evangelho, comunicador da Palavra, “pregador insigne” – como diz a oração de sua Missa – caminhante incansável e missionário itinerante, só comparável a São Paulo e a São Francisco Xavier. É o 1º dos Santos Folclóricos Juninos que festejamos neste dia 13 – amanhã, portanto – seguindo-se lhe São João (24) e São Pedro (29).

Já comentamos em textos anteriores que estamos impedidos de ter celebrações e festejos – quer religiosos, quer folclóricos – devido o momento que estamos vivendo de pandemia, que nos está atrapalhando, de vivenciar o calendário tradicional como vivíamos anteriormente. Este CORONAVIRUS veio para arrebentar toda a sociedade, e a própria vida eclesial, nas solenidades festivas a que tínhamos direito de celebrá-las.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – CE.

Temos dito também que nos estamos adaptando a uma nova realidade mundial e que a criatividade de todos nós está levando a viver de maneira diferente: os nossos encontros sociais, os nossos cultos, as nossas relações familiares, escolares e de pessoa a pessoa. Os que estavam habituados a viajar para “as famosas capitais do forró” durante todo o mês de junho, divertindo-se e fazendo turismo em diferentes cidades (como Campina Grande, Mossoró ou Caruaru) à procura de lazer, desde o ano passado têm que permanecer em casa, assistindo às “lives” que lhes eram oferecidas pelas Redes Sociais, isto é, “shows ao vivo” com artistas “sozinhos” ou em parceria, que já perderam a graça. O povo está é fugindo de casa, se aglomerando, clandestinamente, desobedecendo às medidas restritivas e até flagrado, de vez em quando, pela polícia.  

A Igreja tem-se adaptado à situação em suas celebrações religiosas e, a começar pelo Papa, Bispos e Sacerdotes têm usado seus Meios de Comunicação e aqueles particulares que se oferecem, de boa vontade, para colaborar, e vão também transmitindo sua mensagem de catequese e de evangelização enquanto se volta à vida normal. De minha parte – Padre Velho, Aposentado, sem ‘provisão’ ou nomeação para qualquer função na Diocese – vou usando espaço que me é cedido gentilmente, como o faço agora.

Não quero “pecar por omissão” perdendo esta oportunidade de me dirigir a vocês pela Rádio Pajeú, de Afogados da Ingazeiras, pela Rádio Genoveva e por este site professorcomprazer.com  Atendo, de alguma maneira a quem gostaria de me ouvir falar sobre alguma Solenidade Litúrgica, folclórica ou nacional – como quero fazer agora – discorrendo sobre um grande Santo da Igreja, que tem uma bela história para servir-nos de exemplo.

Santo Antônio comunicava, com tanta veemência, a Palavra de Deus e se destacava tanto pela denúncia do erro e do pecado, que era chamado de “martelo dos hereges”, como cantamos na ladainha em homenagem a ele.

Nada melhor do que um santo desses, para dar fundamentação e base para quem quer fazer uma Pastoral voltada para a verdade e para a denúncia do pecado. Santo Antônio nos serve de guia e modelo para realizar também a nossa missão, sem nenhum medo de anunciar a verdade e denunciar a injustiça, como já nos mandava o Senhor Jesus.

Igreja de Santo Antônio, em Cariré – Ceará

Nasceu em Lisboa, aos 15 de agosto de 1.195 e foi registrado e batizado com o nome de Fernando Martini Bulhões. Pai rico, poderoso, chefe político – fora até governador de Lisboa – criou o filho no luxo, nas regalias e mordomias que os melhores colégios portugueses podiam oferecer aos filhinhos de papai.

Até os 15 anos estudou no Colégio São Vicente de Fora, em Lisboa, que tinha a direção dos Frades Agostinianos. Em seguida – para completar sua requintada formação – ingressou no Convento Regular de Sta. Cruz, da Ordem de Santo Agostinho, em Coimbra que, àquela época, era o que havia de melhor para quem pudesse pagar os estudos. De tais instituições, participavam os nobres, os ricos ou os maiorais de seu tempo. Lá ele se tornou sacerdote, recebendo o nome de Cônego Fernando, como são tratados até hoje, as freiras e os frades Agostinianos. Como outras ordens religiosas semelhantes, são chamados de “frades maiores”.

Contemporaneamente, na Itália, Francisco de Assis, que tinha tudo para ser um “frade maior”- porque era de família nobre e rica – funda uma ordem religiosa, voltada para os plebeus, os pobres ou os Menores, para dar testemunho de pobreza e simplicidade, no meio dos irmãos mais necessitados. Eram os “frades menores”. Viviam de esmolas e de muito sacrifício, usavam roupas surradas e velhas e se espalharam pela Europa, chegando também a Portugal. Pediam ajuda no rico Convento dos Agostinianos, em Lisboa e impressionavam o porteiro, que era o Cônego Fernando, pelo testemunho de pobreza e de fé que davam aqueles fradinhos. Cônego Fernando começou a pensar na possibilidade de abandonar seu rico convento e deixar de ser um Frade Maior, para viver o espírito de pobreza de São Francisco, tornando-se um Frade Menor. E assim o fez. Deixou tudo, em 1220, passando a ser um irmãozinho pobre franciscano, recebendo o nome de Frei Antônio de Lisboa. Apesar de querer catequizar a África, para onde foi por primeiro, adoeceu e voltou, sendo reenviado para a Europa, especialmente, à França e Itália, onde converteu inúmeros hereges e infiéis.

Frei Antônio ficou tão famoso em Pádua onde morreu, há 790 anos, aos 13 de Junho de 1231, que – além de ser chamado Santo Antônio de Lisboa – é também venerado como Santo Antônio de Pádua.

Para nós do Brasil a Festa de Santo Antônio se reveste de um sentido muito especial. O mês de Maio tinha uma grande atração para a “exploração comercial”: mês de Maria, das noivas, das flores, e das mães. Era lucrativo na certa. Por que não encontrar motivação semelhante para Junho? Por que não comemorar um “Dia aos Namorados” na véspera da Festa de Santo Antônio? Se não damos tanto valor por causa da festa religiosa, vamos criar “um clima romântico” em torno da data para ver se os jovens trocam presentes e ajudar aos casais, mesmo mais velhos, a viver certo romantismo, às vezes, já defasado! Santo Antônio, não é o Santo Casamenteiro? Com tais argumentos e pela novidade que sempre nos encanta, o Comércio, a Indústria e o jeitinho brasileiro que sempre encontramos para apoiar tudo o que é moda e o que é novo, começou-se a celebrar também, o Dia dos Namorados, agregado à Festa Religiosa de Santo Antônio, independente das festividades em outros países do mundo, no Dia de São Valentim, 14 de Fevereiro. Realmente, nada tem a ver conosco. Aí, foi feita uma publicidade tal e foi dada uma motivação tão forte que, de 1949 para cá, começou-se a comprar, a trocar presentes e a viver a Festa Folclórica da Fogueira e dos Fogos, da Quadrilha e do milho assado, da canjica e da pamonha para externar também uma maior expressão do amor, hoje, no nosso dia dos namorados. Você já trocou o seu presente? Deem-se amor mútuo. Carinho. Respeito. Amor não se compra, nem se paga! Será que Santo Antônio não nos ensinou nada, com o seu desprendimento? Obrigado!

COMENTÁRIOS RECEBIDOS

Texto: Convivência saudável e criativa, na Pandemia, por Mons. Assis Rocha

De Yedda Freire, de Fortaleza – Ce – “Um texto bem reflexivo, com uma leitura lúdica”

De Helena Alves Assunção, de Poranga – CE.  É com muita precisão que devemos ter paciência, paciência e paciência. Eu, pessoalmente, como aposentada reclusa em casa, me dedico à pesquisa de alimentos e remédios naturais para fortalecer a imunidade que é muito importante para o enfrentamento da covid 19.”

Convivência saudável e criativa, na Pandemia! Texto do Mons. Assis Rocha

Desde o início da Pandemia, no começo do ano passado – como todas as pessoas do mundo – tive que me adaptar ao “novo normal” que a realidade exigia de mim: permanecer em casa, usar máscara, lavar as mãos mais assiduamente, manter distância regulamentar entre pessoas – como se faz no trânsito, entre os carros – e preencher bem o tempo livre para não morrer de tédio, se escapasse do Corona vírus. Por estar aposentado, pelo avançar da idade, a permanência em casa me fez engordar mais, e a atividade que eu resolvi fazer, foi sentar-me diante de um computador para ler, ouvir e escrever, o que me deixa mais imobilizado do que eu já era.

Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz, Mestre e Doutor em Comunicação Social, autor de livros sobre FÉ E POLITICA

Não fossem os pontos positivos de me manter atualizado, transmitir um recado através da imprensa falada e escrita – como faço neste Comentário -dedicar mais tempo à criação e educação do meu sobrinho bisneto JM que tem 13 anos, mora comigo desde pequenino e ainda me chama de vovô/, eu não imagino como eu estaria, de fato, enfrentando esta pandemia. Com mais de 80 anos, não tenho mais “obrigações paroquiais” ou de dar aulas, que eu nem sei mais como é, e se forem virtuais, pior ainda. Enfim, estou como dizia o apóstolo Paulo na 2ª Carta a Timóteo: combatendo – com as ideias – o bom combate, terminando a minha carreira e – o mais importante – guardando a fé. Aí, é só correr para o abraço, o grande momento do reencontro. E o ciclo se fecha.

            Nas minhas pesquisas, encontro companheiros de outrora, que me dizem estar fazendo a mesma coisa: leem, escrevem, usam as redes sociais – (eu não as tenho; telefonar é melhor). – Renovam-se as alegrias do reencontro.

            Tenho um exemplo de quem faz isso com competência, sabedoria, fé, esbanjando felicidade, aproveitando mais este tempo da pandemia, escrevendo e comunicando mensagens de esperança: é o Frei Carlos Alberto Libânio XTO.

O famoso antropólogo, filósofo, teólogo, jornalista, escritor religioso dominicano Frei Betto. Entre os cerca de 70 livros escritos, em várias línguas, originalmente e traduzidos, há um recente, intitulado: Diário de Quarentena – 90 dias de fragmentos evocativos, que ele disse tê-lo escrito sem preocupações com o confinamento, porque já escrevera outros livros na prisão e teve a vida toda, recluso em Conventos da Ordem de São Domingos. Tem 76 anos, lúcido, sábio e muito piedoso frade que engrandece a sua Igreja. Conhecemo-nos em Roma.

Como Frei Betto, há outros exemplos de quem está aproveitando bem o momento para passar uma mensagem, dar um recado mais otimista, mais solidário com os que estão sofrendo na dor e na morte de entes queridos, como é o caso do Teólogo Leonardo Boff, José Geraldo Souza, jurista, professor e ex- reitor da UnB, Padres Ernane Pinheiro e Manoel Godoy da CNBB, professor Leunam Gomes, em Fortaleza, e tantos outros que acompanho, à distância e que produzem muito, intelectualmente, animando a muitos nestas horas tão desesperadoras.  O jurista José Geraldo Souza em um artigo seu publicado por “Brasil Popular”, domingo passado, 30 de maio, afirmou com todas as letras: “tem gente morrendo de Covid, tem gente morrendo por bala, tem gente morrendo de solidão, tem gente morrendo de fome; mas morre-se mesmo é de desgoverno”.E acrescenta: “é preciso reconhecer que os efeitos letais do Coronavírus são, infelizmente, não apenas as mortes, mas também a imposição da distância com tudo o que traz consigo: tristeza, raiva, sensação de desamparo, frustração, solidão, insônia, angústia e depressão”.

A verdade é que não estamos preocupados com a situação política do Brasil, só agora, motivados pelo aparecimento da pandemia.

Iniciei a participação no Rádio Vivo, do meu amigo Anchieta Santos, no dia 19 de setembro de 2020; mas logo, no 1º Sábado de dezembro, dia 05, eu já estava mostrando que nos últimos 30 anos da nossa história político/religiosa quando eu encerrava meus 05 anos em Serra Talhada, estava sendo convidado a participar de um Seminário ampliado em Petrópolis, com a finalidade de pensar na possibilidade de lançar uma ideia, estudá-la e aprofundá-la e que se espalhasse por todo o Brasil com o compromisso de estudar em grupos, ‘a Fé e a Política’. Seria “um movimento ecumênico, não confessional e não partidário aberto para todas as pessoas que considerassem a política como campo preferencial de vivência de sua fé e que a tivessem como fundamento último de sua utopia”.

Valeu-me muito aquela catequese, começando a pô-la em prática, por onde eu passasse, formando equipes, participando de seminários, debates e estudos, aprofundando, vivenciando os conhecimentos e espalhando-os. Nem sempre fui ou sou entendido, mas sei que estou no caminho certo. Nunca tive medo de ser criticado por isso. Quem me conhece, sabe. O que eu fazia aí, na Rádio Pajeú, repeti aqui durante 12 anos, com muito mais experiência. Escrevi cerca de 600 artigos no Centenário Jornal Diocesano, Correio da Semana, e me pronunciei, diariamente, na sexagenária Rádio Educadora em Programas como: “o evangelho do dia”, “quem pergunta quer saber”, “pergunte e responderemos” e “a voz do pastor”, este, alternando com o Bispo Diocesano.

Também, em coautoria com outro colega, escrevemos 02 livros: “Política e Religião” e “Diálogos – Política e Cidadania” que foram elogiados por Dra. Mª Helena, ex MEC de Portugal: devem ser lidos como uma Cartilha de Cidadania.   

 Quando se tratava de conscientizar, dizer a verdade e abrir a mente do povo, nunca pequei por omissão, embora tenha fraquejado em outros pecados.

A verdade é que, a sementezinha lançada em 1989, lá em Petrópolis, ainda está viva em mim, mas sei com muita alegria do seu desenvolvimento por todo o Brasil no Centro Nacional de Fé e Política – D. Helder Câmara, nas Escolas de Fé e Política – Padre Humberto Plummen, D. Pedro Casaldáliga, D. Adriano Hipólito, D. Manoel Pereira, Areópago da Diocese de Nova Iguaçu e a grande experiência da Escola Regional Nordeste II, da CNBB, que serviu de inspiração para outras Escolas de Fé e Política do Maranhão, do Ceará, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, e outras, todas ligadas a seus respectivos regionais da CNBB. Todos juntos formamos um grupo bastante expressivo de pessoas que não nos conformamos com imposições fascistas, autoritárias, ditatoriais, na maioria das vezes, determinadas por governantes eleitos pelo povo que agem de modo mais nazista do que Hitler ou Mussolini.

Estamos aí com uma CPI, convocada para se realizar em 90 dias. Mais de um mês já se passou, têm aparecido fake-news, contradições, imposições de negacionistas, defensores de mentiras e de governantes ditadores, enfim as esperanças de que possa mudar o quadro são de poucos prenúncios. Eles usam tanto o nome de Deus e até sua palavra “em vão”. Vou usá-la também, mas como usou São Mateus 9,36: “tenho pena deste povo”.

Como o fiz em dezembro, quero saudar de novo o Pe. Luizinho, que está dando continuidade a essa bela história com mais de 30 anos de luta e de coragem, sonhando com a democracia. Ditadura, nunca mais!

Obrigado por mais esta atenção e tenham todos um bom dia!

Do livro BORDANDO IDEIAS, da Professora NAZARÉ ANTERO, do Coletivo Feminista Mulheres do Ceará com Dilma