Convivência saudável e criativa, na Pandemia! Texto do Mons. Assis Rocha

Desde o início da Pandemia, no começo do ano passado – como todas as pessoas do mundo – tive que me adaptar ao “novo normal” que a realidade exigia de mim: permanecer em casa, usar máscara, lavar as mãos mais assiduamente, manter distância regulamentar entre pessoas – como se faz no trânsito, entre os carros – e preencher bem o tempo livre para não morrer de tédio, se escapasse do Corona vírus. Por estar aposentado, pelo avançar da idade, a permanência em casa me fez engordar mais, e a atividade que eu resolvi fazer, foi sentar-me diante de um computador para ler, ouvir e escrever, o que me deixa mais imobilizado do que eu já era.

Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz, Mestre e Doutor em Comunicação Social, autor de livros sobre FÉ E POLITICA

Não fossem os pontos positivos de me manter atualizado, transmitir um recado através da imprensa falada e escrita – como faço neste Comentário -dedicar mais tempo à criação e educação do meu sobrinho bisneto JM que tem 13 anos, mora comigo desde pequenino e ainda me chama de vovô/, eu não imagino como eu estaria, de fato, enfrentando esta pandemia. Com mais de 80 anos, não tenho mais “obrigações paroquiais” ou de dar aulas, que eu nem sei mais como é, e se forem virtuais, pior ainda. Enfim, estou como dizia o apóstolo Paulo na 2ª Carta a Timóteo: combatendo – com as ideias – o bom combate, terminando a minha carreira e – o mais importante – guardando a fé. Aí, é só correr para o abraço, o grande momento do reencontro. E o ciclo se fecha.

            Nas minhas pesquisas, encontro companheiros de outrora, que me dizem estar fazendo a mesma coisa: leem, escrevem, usam as redes sociais – (eu não as tenho; telefonar é melhor). – Renovam-se as alegrias do reencontro.

            Tenho um exemplo de quem faz isso com competência, sabedoria, fé, esbanjando felicidade, aproveitando mais este tempo da pandemia, escrevendo e comunicando mensagens de esperança: é o Frei Carlos Alberto Libânio XTO.

O famoso antropólogo, filósofo, teólogo, jornalista, escritor religioso dominicano Frei Betto. Entre os cerca de 70 livros escritos, em várias línguas, originalmente e traduzidos, há um recente, intitulado: Diário de Quarentena – 90 dias de fragmentos evocativos, que ele disse tê-lo escrito sem preocupações com o confinamento, porque já escrevera outros livros na prisão e teve a vida toda, recluso em Conventos da Ordem de São Domingos. Tem 76 anos, lúcido, sábio e muito piedoso frade que engrandece a sua Igreja. Conhecemo-nos em Roma.

Como Frei Betto, há outros exemplos de quem está aproveitando bem o momento para passar uma mensagem, dar um recado mais otimista, mais solidário com os que estão sofrendo na dor e na morte de entes queridos, como é o caso do Teólogo Leonardo Boff, José Geraldo Souza, jurista, professor e ex- reitor da UnB, Padres Ernane Pinheiro e Manoel Godoy da CNBB, professor Leunam Gomes, em Fortaleza, e tantos outros que acompanho, à distância e que produzem muito, intelectualmente, animando a muitos nestas horas tão desesperadoras.  O jurista José Geraldo Souza em um artigo seu publicado por “Brasil Popular”, domingo passado, 30 de maio, afirmou com todas as letras: “tem gente morrendo de Covid, tem gente morrendo por bala, tem gente morrendo de solidão, tem gente morrendo de fome; mas morre-se mesmo é de desgoverno”.E acrescenta: “é preciso reconhecer que os efeitos letais do Coronavírus são, infelizmente, não apenas as mortes, mas também a imposição da distância com tudo o que traz consigo: tristeza, raiva, sensação de desamparo, frustração, solidão, insônia, angústia e depressão”.

A verdade é que não estamos preocupados com a situação política do Brasil, só agora, motivados pelo aparecimento da pandemia.

Iniciei a participação no Rádio Vivo, do meu amigo Anchieta Santos, no dia 19 de setembro de 2020; mas logo, no 1º Sábado de dezembro, dia 05, eu já estava mostrando que nos últimos 30 anos da nossa história político/religiosa quando eu encerrava meus 05 anos em Serra Talhada, estava sendo convidado a participar de um Seminário ampliado em Petrópolis, com a finalidade de pensar na possibilidade de lançar uma ideia, estudá-la e aprofundá-la e que se espalhasse por todo o Brasil com o compromisso de estudar em grupos, ‘a Fé e a Política’. Seria “um movimento ecumênico, não confessional e não partidário aberto para todas as pessoas que considerassem a política como campo preferencial de vivência de sua fé e que a tivessem como fundamento último de sua utopia”.

Valeu-me muito aquela catequese, começando a pô-la em prática, por onde eu passasse, formando equipes, participando de seminários, debates e estudos, aprofundando, vivenciando os conhecimentos e espalhando-os. Nem sempre fui ou sou entendido, mas sei que estou no caminho certo. Nunca tive medo de ser criticado por isso. Quem me conhece, sabe. O que eu fazia aí, na Rádio Pajeú, repeti aqui durante 12 anos, com muito mais experiência. Escrevi cerca de 600 artigos no Centenário Jornal Diocesano, Correio da Semana, e me pronunciei, diariamente, na sexagenária Rádio Educadora em Programas como: “o evangelho do dia”, “quem pergunta quer saber”, “pergunte e responderemos” e “a voz do pastor”, este, alternando com o Bispo Diocesano.

Também, em coautoria com outro colega, escrevemos 02 livros: “Política e Religião” e “Diálogos – Política e Cidadania” que foram elogiados por Dra. Mª Helena, ex MEC de Portugal: devem ser lidos como uma Cartilha de Cidadania.   

 Quando se tratava de conscientizar, dizer a verdade e abrir a mente do povo, nunca pequei por omissão, embora tenha fraquejado em outros pecados.

A verdade é que, a sementezinha lançada em 1989, lá em Petrópolis, ainda está viva em mim, mas sei com muita alegria do seu desenvolvimento por todo o Brasil no Centro Nacional de Fé e Política – D. Helder Câmara, nas Escolas de Fé e Política – Padre Humberto Plummen, D. Pedro Casaldáliga, D. Adriano Hipólito, D. Manoel Pereira, Areópago da Diocese de Nova Iguaçu e a grande experiência da Escola Regional Nordeste II, da CNBB, que serviu de inspiração para outras Escolas de Fé e Política do Maranhão, do Ceará, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, e outras, todas ligadas a seus respectivos regionais da CNBB. Todos juntos formamos um grupo bastante expressivo de pessoas que não nos conformamos com imposições fascistas, autoritárias, ditatoriais, na maioria das vezes, determinadas por governantes eleitos pelo povo que agem de modo mais nazista do que Hitler ou Mussolini.

Estamos aí com uma CPI, convocada para se realizar em 90 dias. Mais de um mês já se passou, têm aparecido fake-news, contradições, imposições de negacionistas, defensores de mentiras e de governantes ditadores, enfim as esperanças de que possa mudar o quadro são de poucos prenúncios. Eles usam tanto o nome de Deus e até sua palavra “em vão”. Vou usá-la também, mas como usou São Mateus 9,36: “tenho pena deste povo”.

Como o fiz em dezembro, quero saudar de novo o Pe. Luizinho, que está dando continuidade a essa bela história com mais de 30 anos de luta e de coragem, sonhando com a democracia. Ditadura, nunca mais!

Obrigado por mais esta atenção e tenham todos um bom dia!

Do livro BORDANDO IDEIAS, da Professora NAZARÉ ANTERO, do Coletivo Feminista Mulheres do Ceará com Dilma

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