OS HERODES DE HOJE: AUTORITÁRIOS, NEGACIONISTAS, DANDO MAUS EXEMPLOS, RESPOSTAS GROSSEIRAS… Texto de Mons. Assis Rocha

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Para iniciar os festejos do ciclo junino, sábado passado, refletimos sobre Santo Antônio, ”o insigne pregador e martelo dos hereges” que deixara de ser um “frade maior” da Ordem de Santo Agostinho para ser um “fradinho menor” da Ordem de São Francisco. Hoje queremos pensar no segundo santo, festejado no ciclo junino, cuja data litúrgica de seu nascimento será celebrada na véspera e no dia 24, desta 5ª feira da semana que se inicia.

Nossas referências à Pandemia continuam, pois não temos previsão do seu final, já que o quadro sanitário se tem agravado, cada vez mais, o número de mortes, aumentado e o recurso mais importante para o controle da infecção, que é a vacina, nos chega a conta-gotas. Daí, termos que seguir as orientações da OMS, da Medicina e do bom senso de algumas autoridades.

Mons. Doutor ASSIS ROCHA, grande pregador, a exemplo de João Batista

São João comunicou uma mensagem com o seu modo de ser, de falar, de vestir, de se apresentar ao público e, sobretudo de tomar posição ética e política diante do adultério do Rei Herodes.  

De sua infância, nada se sabe. Só aparece aos 30 anos, chamando muito, a atenção de todos, pela vestimenta de couro de camelo, pelo alimento de gafanhoto com mel, e por percorrer toda a região do Jordão, pregando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados.

Falava, comunicava ou transmitia uma mensagem, dizendo que depois dele viria alguém muito mais poderoso, de quem não era digno de lhe desatar a correia das sandálias. Era, realmente, a voz que clamava no deserto.

Pelas respostas que João dava a seus interlocutores, a vinda de Jesus traria também uma mensagem política, ética e justa, com fortes implicações sociais: quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer, faça o mesmo. Não exijais mais do que vos foi ordenado. Não pratiqueis a violência, nem roubeis a ninguém. Contentai-vos com o vosso salário. Raça de víboras. Fazei penitência, pois está próximo o reino de Deus. 

Nosso intuito, nestas reflexões semanais, é mostrar como nós temos uma história, desde os primórdios do cristianismo, voltada para a Pregação, a Proclamação da Palavra, a Comunicação da Verdade. João é um protótipo perfeito do comunicador que mexe com as estruturas e que apela para a transformação da sociedade. Assim como ele enfrentou o próprio Rei, reclamando de seu comportamento moral e foi levado à prisão, assim também devemos ter coragem de reclamar pelo erro de quem quer que seja, visando uma mudança na comunidade. Muitas pessoas têm medo de imitá-lo e até, metem medo em quem tem coragem de denunciar injustiças, falcatruas e outros erros. Temos que mostrar João Batista fazendo o seu papel, partindo na frente, denunciando injustiças, anunciando Jesus e sua doutrina de salvação. Por isso é que ele é chamado de “o precursor”. Diante de sua coragem, de seus ensinamentos e do poder de persuasão que ele tinha ao comunicar, todos pensavam e até lhe perguntavam se ele já não era o Cristo tão esperado. Ele respondia que não, mas tudo faria para que Cristo crescesse e ele diminuísse.

Jesus – que ainda não havia começado sua vida pública – ouviu dizer que João fora preso por causa de sua ousadia e coragem de denunciar o Rei. Saiu então da cidade de Nazaré e foi para Cafarnaum, onde começou a pregar, usando o mesmo linguajar de J. Batista: fazei penitência, pois o reino de Deus está próximo. Era o maior comunicador da humanidade, dando continuidade a seu antecessor que havia anunciado a proximidade do reino dos céus. E dizia mais: “entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que J. Batista”.

São Lucas, em seu Evangelho diz que João “ficará cheio do Espírito Santo ainda no ventre de sua mãe, Isabel, e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus”. Lembram-se da narração bíblica? No início da gravidez de Maria, ela visita sua prima Isabel, grávida de 06 meses. Ao se saudarem, as crianças se intercomunicaram e estremeceram nos ventres das próprias mães. Os primos eram tão conectados que os judeus chegavam a confundi-los, chamando João de Messias. E o que dizia ele? “Eu não sou o Cristo… Eu sou a voz que clama no deserto. Eu não sou digno nem de desatar as sandálias dele. Eu quero é que ele cresça e eu diminua”.Até que, em certa ocasião, João estava preso “por ter denunciado o concubinato do Rei Herodes com sua cunhada, a mulher de seu irmão” ao ver Jesus passar nas imediações da prisão, enquanto seus discípulos o visitavam, João exclama: “eis o cordeiro de Deus”. Então os discípulos de João acompanharam Jesus.

Jesus os havia advertido: vocês serão perseguidos, do mesmo modo que eu fui perseguido. “mas aquele que perseverar até o final, será salvo” (Mt. 24, 13). João perseverou até o fim. Serve de modelo para todos nós. É claro, contando com a graça de Deus. Sem ela, isso não é possível. Posso atestar por experiência própria. Durante a vida enfrentamos todas as tentações: do ter, do poder, da vaidade, do egoísmo e do erro sob todos os aspectos. É muito difícil renunciá-los; como eu disse, “só contando com a graça de Deus” e esta nos vem pelo batismo, não só com a água, como fazia João, “mas com o Espírito Santo e o fogo” como está em Mateus 3, 11-12.

O Papa Francisco nos tem falado em uma Igreja em saída. Não é uma novidade. João Batista foi marcado a vida toda por esse dinamismo de anúncio ou de saída, de entrega generosa pelo Reino de Deus que ele anunciava. Não agradou a todos, como nós não agradamos a todos, quando levamos a sério a nossa missão. Do jeito que Herodes se sentiu ofendido pelo posicionamento de João diante da verdade, qualquer um de nós pode ser mal-entendido pelos reis Herodes de hoje: autoritários, negacionistas, dando maus exemplos, respostas grosseiras, desrespeitando normas comuns a todos, favoráveis à morte de inocentes e desprotegidos, discriminadores da cor da pele, do sexo, da religião enfim, encontram todo tipo de motivos, os mais esdrúxulos, para extravasarem seus preconceitos. E o pior: usam o nome de Deus em vão, a toda hora para se sentirem acobertados de seus erros, sua falta de fé e enganando a todos.

Ponhamo-nos na frente de São João não para homenageá-lo com fogos e com pamonha, com danças de quadrilhas e fantasias matutas, com bebidas e fogueiras, mas como um personagem que nos ensina com sua vida e palavras, a ser fiéis discípulos e missionários de Jesus. Quanta programação errada já se fez e quanta ainda tem programada para se fazer, em nome da Festa de São João! Quanta desobediência às normas restritivas para nos preservar da Covid 19, aglomerando em festinhas nos sítios e fazendas, arriscando a vida de muitos! Quanta conivência de autoridades que aproveitam dessas ocasiões, mais para fazer politicagem do que zelar pelo bem-estar social! Se se restringe agora é tendo em vista uma liberação consciente, mais tarde sem a Pandemia. Esta, eu tenho esperança de que vai acabar; pelo menos em outros países do mundo.

Aqui no Brasil com cerca de ½ milhão de mortos a pandemia é política. Está mais longe de acabar. Se não nos conscientizarmos nada vai mudar. Será de mal a pior.

Obrigado hoje, por mais esta atenção e tenham todos um bom dia!

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