“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo”!

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Texto do Mons. Assis Rocha

Desde a última Campanha Política para Presidente deste País, que ouvimos falar de “polarização” para nos fazer entender que estamos divididos em dois extremos: ou se fica com a direita, o lado mental conservador ou reacionário/, ou se fica com a esquerda, o lado mais voltado para o social ou para as mudanças exigidas para se viver em sociedade. Isto significa dizer que não há “meio termo” em política, que não tem lugar no centro e quem busca esta posição, fica agradando os dois lados, sem tomar partido, para vender-se a qualquer momento ou negociar o seu voto quando houver necessidade de se tomar uma decisão.

Aliás, há uma Palavra de Deus que se refere bem àqueles que não têm ideologia e que ficam em cima do muro. Está no Apocalipse 3, 15-20: “eu sei o que vocês têm feito. Sei que não são nem frios nem quentes…Mas porque são apenas mornos – nem frios nem quentes – vou logo vomitá-los da minha boca. Um dos extremos diz: somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos. Nem querem reconhecer a sua própria pequenez que eles só veem na outra extremidade: os miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos”…Para todos, Deus diz: “eu corrijo e castigo os que amo. Portanto levem as coisas a sério e se arrependam. Escutem! Eu estou à porta e bato”.

Monsenhor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz, Mestre e Doutor em Comunicação Social

Como o texto é do Livro do Apocalipse, nem sempre lido, conhecido, pregado e ensinado – até porque é de difícil interpretação – a gente como que deixa de lado o que Jesus já havia dito em Mateus 5, 37: “que o vosso sim seja sim e que o vosso não seja não”. Ou ainda no mesmo Mateus 6, 24: “não podeis servir a dois senhores ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro”. E conclui Jesus: vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo”.

            Este uso que estou fazendo aqui, da Palavra de Deus, em nada está diminuindo o seu significado ou reduzindo o seu valor na fundamentação da mensagem que eu quero passar. Temos ouvido tanta citação da Bíblia na defesa de pontos de vista errados ou para justificar comportamentos contrários à vontade de Deus que podemos até ser levados a pensar que eu esteja também querendo “tomar o santo nome de Deus em vão”. Não é o que quero.

            Passaram-se as eleições há dois anos e meio. Daqui a mais um ano e meio teremos novas eleições e novos governantes. Estes dois anos e meio não foram suficientes para que o governo empreendesse qualquer reforma que nos garantisse a sua linha de conduta e a sua abertura para um futuro promissor. A preocupação está sendo, muito mais com a sucessão do que com a condução positiva, esperançosa e de melhoria para todos. Para completar o desalento do povo, estamos às voltas com uma pandemia avassaladora da Covid 19, sem um posicionamento equilibrado, responsável e correto das autoridades que dê confiança em todos para os encaminhamentos que estão sendo dados.

            Infelizmente, as autoridades reinantes, em vez de adquirirem confiança, credibilidade e empatia com a população, dão-lhe maus exemplos, provocando aglomerações, contatos físicos, sem usarem máscaras, sem o aconselhável distanciamento, apoiando negacionismos, movimentos contra a democracia, o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional, inaugurando obras que não construíram, aglomerando gente, sem segurança, reunindo desportistas, os mais variados sem nenhuma obediência às normas da Organização Mundial da Saúde ou da Ciência e o pior: querendo impedir qualquer tipo de manifestação feita por quem pensa e age, diferentemente, mesmo que o queiram fazer, seguindo os protocolos de segurança, recomendados pela vigilância sanitária.

            A imposição dos partidos extremistas da situação, promovendo várias aglomerações por todo o País, opondo-se fortemente à participação da outra extremidade polarizadora, fez com que esta também, ultimamente se organizasse e começasse a participar de maneira diferente, sem incorrer nos erros praticados pela situação, mas obedecendo às normas da OMS, à Ciência, aos protocolos de segurança, ao distanciamento regulamentar, ao uso de máscara, à maneira pacífica de se comportar nas vias públicas, num protesto contra governantes e o seu mau comportamento diante da pandemia.

            Suportaram – por mais de um ano – a chacota de governantes, o silencio que lhes era imposto e a ilegal propaganda política que faziam, tendo em vista a reeleição. E pensaram: se um “polo” tem direito, porque não, o outro “polo”? De maio para cá, o outro “extremo” tem caído em campo, com uma diferença enorme de comportamento, pelo menos querendo seguir a orientação certa.

            O número de manifestações tem crescido, bem como os locais onde elas se realizam. Além disso, o uso das redes sociais tem colaborado imensamente, como já vinha acontecendo com os partidários do outro lado. É uma prática comum, em nossos dias, que ajudou muito nas eleições passadas e vai-se repetir e aperfeiçoar nas próximas daqui pra frente. Temos que cuidar muito para que não aconteçam “fake news” que tanto atrapalharam a uns e ajudaram a outros, como faca de dois gumes a ser utilizada.

             O importante é que ninguém faça campanha antes do tempo. É ter paciência e esperar. No momento, o eleitorado está tomando pé na situação, está vendo e ouvindo os passos que estão sendo dados, o que está havendo de negativo ou de positivo no governo atual que, a essas alturas, já se revelou, já mostrou a que veio, deixando o povo fazer suas comparações e avaliações para uma nova escolha.

  • Será que os assalariados estão contentes com o que recebem, mensalmente?
  • As entradas estão cobrindo as saídas a cada mês?
  • E o grande contingente de desempregados, trabalhadores informais, biscateiros, entregadores?
  • Esta gente está satisfeita e aguardando uma boa aposentadoria?
  • Ainda existe uma classe média entre nós?
  • Terá ela, subido para a classe alta, ou descido para uma inferior?
  • Onde está a nossa juventude – estudantil, ociosa, trabalhadora, universitária ou informal – está-se compondo, socialmente, ou perseguindo objetivos que lhe abram a mente e o coração para uma profissão futura?
  • Meu Deus, que futuro tem uma juventude dessas?    Apesar de tudo, é nela que devemos confiar. Os jovens são a nossa esperança.
  • Como confiar em políticos ultrapassados, reacionários, mentirosos, enganadores da boa fé do povo, se eles só pensaram em si mesmos, nos seus familiares e afilhados, sem nunca ter cuidado do bem comum?

Convoco os jovens a estudarem, dedicarem-se à política por um certo tempo, acreditarem na democracia, não envelhecerem no cargo, fazerem questão de se renovarem e renovarem os quadros políticos. Muitos querem ocupar funções, indefinidamente, até a morte. Não dá mais para agirmos assim em qualquer ideologia que abracemos. A democracia exige de nós uma alter-nância no poder, uma renovação de idéias e um crescimento igual pra todos.

Pensem nisto! Voltaremos a este assunto. Obrigado pela atenção e que todos tenham ótima semana. Compartilhem.

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