Pela 1ª vez: “O DIA MUNDIAL DOS AVÓS” – Texto do Mons. Assis Rocha

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Todos sabemos que a prioridade litúrgica do “Dia de Domingo” é celebrar a Missa de preceito pelo Dia do Senhor. É como vamos celebrar amanhã: dia 25 de Julho, o 17º Domingo do Tempo Comum. No entanto, a pedido do Papa Francisco, vamos juntar à celebração deste Domingo, a Festa de São Joaquim e Santana que, liturgicamente, celebraremos 2ª feira, dia 26. Sem mudar de data, a antecipação se dá devido à celebração, pela 1ª vez, do dia mundial dos Avós.

Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará

Desde o século VI, a tradição Católica cultuava, separadamente, a Joaquim e a Ana, por toda parte, como Pai e Mãe de Nossa Senhora, até que no século XIV o Papa Urbano IV oficializou o Culto aos dois e em 1584 se escolheram datas para homenageá-los. Mais recentemente, o Papa Paulo VI os uniu numa única celebração a acontecer, todos os anos, no dia 26 de Julho, Dia Litúrgico de São Joaquim e Santana, os Avós de Jesus, que passou a ser conhecido como o dia dos Avós. Este ano, de 2021, o Papa Francisco presta uma homenagem bem maior: o dia 26 de Julho passou a ser o Dia Mundial dos Avós, a ser sempre lembrado de agora em diante/ e oficializou a data com a bela mensagem que lhes comento agora.

            Não podemos deixar de lembrar que São Joaquim e Sant’Ana foram pais de família numa situação de quase impossibilidade: ambos tinham idade avançada e eram estéreis. Isso causava um grande sofrimento para os dois, já que para os judeus, “não ter filhos” era um sinal de maldição de Deus. Eles, porém, nunca desistiram de sua fé e após muitas orações, Ana engravidou. Foi um grande milagre para o casal, pois tinha uma vida de santidade.

Maria, ao nascer, não só tirou dos ombros dos pais, o peso de uma vida de medo de uma maldição, mas ainda os compensou pela fé, ao ser escolhida, mais tarde, para ser a Mãe do Filho de Deus.

O próprio nome de “Ana” já era abençoado: significa, em hebraico, “graça”. O nome de Joaquim, outro belo significado: “Javé prepara” ou “Javé fortalece”.

Não temos informações bíblicas sobre o casal: sua vida, seu testemunho, mas temos informações “apócrifas”, isto é, “escritos a respeito deles” na literatura da época, narrada pelos Santos Padres e pela Tradição. Todos testemunham terem sido eles, os pais de Nossa Senhora. Sant’Ana teria nascido em Belém e São Joaquim na Galileia. Maria recebeu no lar deste casal bem fundamentado na fé, todo o tesouro das tradições da Casa de Davi, que ia passando de geração em geração. Foi no lar que aprendeu a dirigir-se a Deus com imensa piedade. Foi em seu lar que Maria conheceu as profecias relativas à chegada do Messias.

S. Joaquim e Sant’Ana não somente foram pais responsáveis e carinhosos para com sua filha, mas são para todos nós, avós exemplares, como deve ser todo avô: duas vezes pai, duas vezes mãe, merecedores de todo o respeito por parte dos netos. Eu, que tenho o privilégio de ser “avô” sem ter tido um filho, e pelo bem que quero ao meu sobrinho-bisneto, João Murilo – que há 12 anos mora comigo, desde um ano de idade e me chama de vovô – posso imaginar o tanto que são felizes os avós por terem uma data tão importante e bem fundamentada em história tão linda.

Francisco inicia sua Mensagem, citando Mateus 28,20: “eu estou contigo todos os dias”. É a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao céu; e hoje Ele a repete também a ti, querido avô e querida avó. Sim, a ti! “Eu estou contigo todos os dias”. São também as palavras que eu, Bispo de Roma e idoso com tu, gostaria de te dirigir por ocasião deste Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, conosco – preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado.

Bem sei que esta mensagem te chega num tempo difícil: a Pandemia foi uma tempestade inesperada e furiosa, uma dura provação que se abateu sobre a vida de cada um, mas, a nós idosos, reservou-nos um tratamento especial, um tratamento mais duro. Muitíssimos de nós adoeceram – e muitos partiram – viram apagar-se a vida de seu cônjuge ou dos próprios entes queridos, e tantos – demasiados – viram-se forçados à solidão por um tempo muito longo, isolados.

Segundo uma tradição, também Joaquim, o avô de Jesus, foi afastado de sua comunidade, porque não tinha filhos; a sua vida, como a de Ana, sua esposa, era considerada inútil. Mas o Senhor enviou-lhe um anjo para consolá-lo. Ele estava triste, fora das portas da cidade, quando lhe apareceu um Anjo do Senhor e lhe disse: “Joaquim, Joaquim! O Senhor atendeu à tua insistente oração”.

Ora, mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de Pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão, repetindo-nos: “eu estou contigo”. Está aqui o sentido deste Dia Mundial dos Avós que eu quis fosse celebrado pela 1ª vez, precisamente, neste ano, depois de um longo isolamento e com uma retomada ainda lenta da vida social: oxalá, cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo: os nossos netos, outros familiares, amigos de longas datas, conhecidos, vizinhos tão queridos, todos são benvindos, mesmo que mantenhamos as recomendações e precauções das autoridades sanitárias.

Como já tenho afirmado tantas vezes, “da crise que o mundo atravessa, não sairemos iguais: sairemos melhores ou piores”. Conclamo a todos a sairmos melhores desta tempestade, com filhos e netos. Todos devemos ser “parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas”. O mundo confia na experiência dos Avós e dos Idosos, sobretudo dos pilares em que eles construíram as bases do futuro: os sonhos, a memória e a oração.

Enfim o Papa pede para que cada um de nós alargue o próprio coração e o torne sensível aos sofrimentos dos últimos/ e capaz de interceder por eles. Que repitamos a todos, principalmente aos mais jovens, estas palavras de consolação que fundamentaram toda a nossa reflexão; eu estou contigo todos os dias.

Avante! Coragem! Que o Senhor vos abençoe!

O que posso eu acrescentar? Obrigado a todos, pela atenção. Feliz dia para os atuais Avós. Que os futuros Avós, aprendam com os atuais, o que disse o Papa: sonhem, guardem os ensinamentos e rezem. Tenham todos um bom dia!

COMENTÁRIO RECEBIDO

De Lourenço Lima, do Rio de Janeiro: sobre “DE FÉRIAS! O QUE FAZER? Texto do Mons. ASSIS ROCHA”:   “Parabéns, como sempre nos trazendo uma bela reflexão . Além dr uma aula de história. Grande abraço.”

1 comentário em “Pela 1ª vez: “O DIA MUNDIAL DOS AVÓS” – Texto do Mons. Assis Rocha”

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