DIA DO PADRE – A MESSE É GRANDE, OS OPERÁRIOS SÃO POUCOS! Texto do Mons. ASSIS ROCHA

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A partir de amanhã, dia 1º, iniciamos a primeira semana do mês de Agosto, que se celebra, todos os anos, como o MÊS VOCACIONAL.

E não se trata apenas da Vocação Sacerdotal. As outras vocações também são consideradas e refletidas, semanalmente.

Neste Domingo, dia 1º, amanhã, portanto/, refletiremos sobre a Vocação do Padre, pois celebramos em todo dia 04 de Agosto, a Festa Litúrgica de São João Maria Vianey, o Cura de Ars, na França, que é também no calendário civil, o Dia do Padre. Quando o dia 04 é também Domingo, aí se celebra, no mesmo dia, a coincidência litúrgica.

São João Maria Vianey – O Cura d´Ars

No 2º Domingo, dia 08, por ser o DIA DOS PAIS, refletiremos sobre a Vocação à Vida Matrimonial: como ser pai de família, responsável, educador dos filhos e orientador para a vida deles.

No dia 15, 3º Domingo do Mês, meditaremos sobre a Vocação Religiosa, isto é, o chamado que rapazes e moças têm, para serem Frades ou Freiras, a exemplo da Vocação de Maria, ao celebrarmos sua Assunção ao céu.

O 4º Domingo deste mês, dia 22, é dedicado à Vocação dos Leigos: aqueles que compõem a maioria da população e que atendem ao grande chamado, feito por Deus, aos Batizados, para exercerem a sua função cristã nas Comunidades, como sacerdotes, profetas e reis.

Este ano, dia 29, teremos ainda um 5º Domingo para lembrar a Vocação Catequética e celebraremos o Dia Nacional do Catequista, para mostrar aos Leigos e Catequistas, o grande “chamado” que Deus lhes faz de modo especial para realizarem a sua missão evangelizadora, tão necessária à vida da Igreja.

De hoje em diante, a cada Sábado, neste Programa, abordaremos, a Vocação correspondente à celebração de cada Domingo.

Nesta semana, por exemplo, todos os padres lembraremos amanhã, mesmo sendo Domingo, a Festa do Cura d’Ars, que se celebra nesta 4ª feira, dia 04, e vamos comemorar da melhor maneira possível, o DIA DO PADRE e sua Vocação, recordando a nós mesmos e ao povo de Deus, a grande missão que tem o sacerdote, como um dos principais responsáveis pela comunicação do Evangelho ao povo.

Também tenho uma outra motivação para refletir sobre a Vocação Sacerdotal: celebro, pessoalmente, meus 53 anos de Vida Sacerdotal.

Escolhi o dia 04 de Agosto de 1968, para a minha Ordenação Sacerdotal, por ser a data litúrgica do Cura d’Ars, um Santo Sacerdote que foi Pároco, no interior da França, por 40 anos, na primeira metade do século 19.

Sua dedicação ao Sacramento da Penitência ou Confissão, seus sermões cheios de fé e de Deus, sua imensa caridade para com os mais pobres e sua vida missionária atraíram muitas pessoas, de todas as condições sociais, para a cidadezinha de Ars, no sul da França, a fim de o escutarem e seguirem sua orientação e seus conselhos.

São João Maria Vianey foi um Pároco tão dedicado e tão comprometido com a pregação e comunicação do Evangelho, que o dia litúrgico de sua festa é também, pelo próprio calendário civil, o DIA DO PADRE.

Com tais justificativas, eu não poderia ter escolhido data melhor para a minha Ordenação Sacerdotal, do que o dia 04 de Agosto. E a minha escolha por esta data, se deu muito cedo. Em setembro de 1955 eu tinha 14 anos de idade. Faria 15 em outubro. Na ocasião, celebrávamos o Jubileu de Dom José.

Cinquenta anos de sua Ordenação Sacerdotal. Adolescente como era, impressionou-me muito uma reflexão feita no Congresso Eucarístico de Sobral, comemorativo das Bodas de Ouro do Bispo, sobre a Vocação de São João Maria Vianey, o cura d’Ars, que completava 30 anos de sua canonização. A partir dali, em me decidi: se eu chegar a ser Padre, quero me ordenar na Festa Litúrgica de São João Maria Vianey. E assim o fiz. Tornei-me sacerdote no dia 04 de Agosto de 1968, pelas mãos de meu querido amigo e saudoso Bispo, Dom Francisco Austregésilo, na Matriz de Bela Cruz, a minha terra natal.

Para completar minha alegria, entusiasmo e devoção, estudando em Roma, em 1975, fui a Ars, participar do Jubileu de Ouro da Canonização de seu famoso Cura. Senti-me plenamente realizado. Além de integrar uma imensidão de peregrinos, ainda tomei contato com toda a sua história e visitei seu corpo “incorrupto”, em perfeito estado de conservação como se vivo fosse. Impressionou-me ainda o que entendi e aprendi sobre o alcance social de sua Missão. Ele não dava apenas a assistência espiritual. A assistência social estava muito presente: os antigos prostíbulos foram transformados em hospedarias, escolas e hotéis e toda a vila passou a ser uma cidade acolhedora, progressista, moralmente saneada, com um povo muito feliz graças à ação do Cura D’Ars.

Certamente, toda aquela motivação bonita, sugerida pelo Cura d’Ars e alimentada pela graça, bondade e misericórdia de Deus me fez sustentar o “chamado” e o compromisso sacerdotal até agora.

O Sacerdote exerce uma Missão que não é sua. Ele se coloca a serviço da Igreja, para anunciar a mensagem de Jesus. Ele empresta sua voz, seus gestos, a Jesus, para que a mensagem da salvação seja conhecida por todos. Ainda é muito pequeno o número de Sacerdotes em nosso País. Neste início da primeira semana do Mês Vocacional, vamos rezar a Deus, para que aumente o número de sacerdotes santos, comprometidos com a palavra de Deus, com a pregação da verdade, espalhando a “boa nova” ou o Evangelho em toda parte. Diz-se sempre que o Padre age “in persona Christi”. Isto é, o que ele celebra, ou realiza, funcionalmente, ele o faz “na pessoa de Cristo”. É uma responsabilidade imensa, a do Padre. Ele não pode escandalizar, agir erradamente, dar mau exemplo, porque Jesus não faria assim.

Nós somos cerca de 18.000 Padres no Brasil, contando-se todos os Religiosos e os Diocesanos. São mais de dez mil brasileiros para cada Padre, enquanto são apenas mil, para cada médico. No Mundo somos uns 430.000 Sacerdotes. Bem nos ensinou Jesus: “a messe é grande, mas os operários são poucos”, o que significa dizer que há muito trabalho pastoral a ser realizado, mas há poucos Padres para desenvolverem tal tarefa.

Este mês de agosto e, especialmente, esta primeira semana, será para pedirmos a Jesus, que faça surgir novas vocações sacerdotais e religiosas, para darem continuidade à sua missão. Não podemos engrossar as fileiras dos que vivem à procura de um deslize de padres para denegrir a sua imagem e a imagem da Igreja. Somos humanos e capazes de errar. Não falemos do Padre pelos seus erros. Admiremo-lo por suas virtudes.

Rezemos pelos nossos Párocos. Cumprimentemo-los pela passagem do seu Dia. Neste Domingo e no dia 04. Eles lembram a presença e o testemunho de Deus entre nós. Obrigado pela atenção e pela vossa oração e tenham todos um bom dia!

Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz, Ceará, autor do texto, é Mestre e Doutor em Comunicação Social

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