A missão é enorme, e o número de comunicadores ou de pregadores é muito pequeno! Texto do Mons. Assis Rocha

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O mês de agosto se está caracterizando pela comunicação ou convocação, que a Igreja faz todos os anos, aos seus fiéis, para refletirem sobre suas vocações: os chamados que Deus vai fazendo a cada um de nós, para bem exercer a nossa missão no mundo.

Autor do texto: MONS. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz

Já pensamos na vocação do padre (no 1º domingo), na dos pais (dia 8), e agora, neste 3º Domingo (amanhã, dia 15), sobre a vocação à vida religiosa, ou o chamado feito aos frades e às freiras para melhor servirem a Deus, por uma missão especial, à semelhança de Maria na Festa da Assunção.

Por que à semelhança de Maria? Porque ela deu seu sim ao Anjo que lhe anunciou que ela seria a Mãe de Deus. Resistiu um pouco, mas aceitou: faça-se em mim, segundo a tua palavra. Os religiosos, homens ou mulheres, dão seu sim a Deus todos os dias na realização de suas funções: nos hospitais, nas creches, nas escolas, nas pastorais, na vida comunitária, em qualquer parte; o frade – ordenado ou não – e a freira devem estar sempre dispostos a fazer a vontade de Deus, a dizer sim, como Maria: eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.

    Há pessoas que não veem muito sentido na vida religiosa. Como é que alguém se tranca num convento, às vezes, sem ter mais nenhum contato com o mundo? Será que foi por algum desengano amoroso que pr’ali foram?

Santa Terezinha do Menino Jesus explicava muito bem o significado de sua vida no Carmelo. A Igreja tem dois grandes grupos de missionários: os que vivem no mundo, se arriscando, enfrentando toda sorte de barreiras ou dificuldades e os que vivem nos conventos. E comparava-os com uma árvore. Aqueles são o tronco, as folhas, os frutos, os galhos que ficam sujeitos à depredação de vândalos ou ao alcance de pessoas que os estragam, maltratam ou destroem. Os que vivem nas casas religiosas ou nos conventos são as raízes, que ficam escondidas, sem serem alcançadas pela destruição, pela maldade humana ou por estragos causados pela própria natureza. No entanto, dizia ela: uma parte não vive sem a outra. Será que a copa da árvore pode viver sem as raízes? Será que nasceriam flores e frutos, sem a seiva que entra pelas raízes ou a força que vem do solo? E pra que essas raízes escondidas, subterrâneas, se não houvesse a copa ou as partes externas da árvore? Perfeita a comparação.

A Igreja tem seus missionários externos, pregando a palavra de Deus, distribuindo os sacramentos, presidindo celebrações, usando de todos os recursos para chegarem mais perto do povo, por exemplo, o rádio, o jornal, a televisão; presentes na escola, na creche, nas comunidades eclesiais, dentro e fora das cidades, na zona rural e na urbana. É a parte externa, arriscada de que fala Santa Terezinha. Tem que haver a outra parte: a da oração, da contemplação, da intercessão a Deus; os que se escondem ou se anulam para darem força aos que se arriscam, aos que levam pedradas, incompreensão ou sofrem calúnias por causa do reino de Deus ou do trabalho duro que fazem. Que bela, a comparação de Santa Terezinha! Não é sem razão que ela é padroeira dos missionários. Como disse Jesus – e já citamos na reflexão do dia do padre – A Messe é grande, mas os operários são poucos. Vamos continuar insistindo ao Senhor para que envie novos operários pra sua Colheita.

Neste momento em que ainda estamos enfrentando a Pandemia, sem muitas perspectivas de chegar ao seu final, a Igreja nos tem feito pensar nesta realidade: o mundo está ultrapassando a casa dos sete bilhões e meio de habitantes. Os poucos milhões a mais que isto, infelizmente se estão indo pela Pandemia, quase sem controle. Desta população, 36% são cristãos; cerca de dois bilhões e meio. Seríamos um bilhão e trezentos milhões de católicos.

Outro bilhão e duzentos milhões estão divididos entre cristãos ortodoxos e protestantes. Os 64% restantes da população mundial não são cristãos. Se contarmos somente os cristãos católicos – cerca de 18% – o número de não católicos é muito maior: são 82% da população mundial.

Por estes dados assim, meio aleatórios, constatamos que a nossa missão é enorme, e o número de comunicadores ou de pregadores é muito pequeno. A frase de Jesus está cada vez mais defasada e atual: “a messe é grande, mas os operários são poucos”.

Vocês se lembram do meu comentário do dia 13 de Março deste ano? – ontem fez 05 meses – em que eu falei da ida do Papa Francisco ao Iraque? Ele ia em busca de um diálogo com irmãos Islamitas, “monoteístas” como nós – cristãos e judeus – todos originados de Abraão, a quem Deus garantira que ele teria uma descendência tão grande quanto o número das estrelas ou quanto aos grãos de areia do mar? Lembram-se disto? Pois bem! É a esta unidade que estamos buscando. É muito difícil, mas não será impossível. Temos que dar início, acreditar e querer, senão Jesus não teria dito: “para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti” (Jo.17,21) ou “eis que estou convosco todos os dias até o fim dos séculos” (Mt.28,20) ou “ide pelo mundo e anunciai o evangelho a toda criatura’ (Mc.16,15).

Neste Domingo, o 3º do Mês Vocacional, voltamos nossas atenções para um grande grupo de escolhidos para uma missão especial: aqueles que, como Maria se colocam à disposição, dizem “eis-me aqui… faça-se em mim segundo a tua palavra” e assumem um chamado especial como vontade de Deus. Há muita gente no mundo esperando pelo testemunho desses vocacionados. Dissemos, anteriormente, que 82% da população mundial não é de católicos. Temos muito o que fazer. Apesar de respeitarmos a opção religiosa de todos, não podemos cruzar os braços e ficar calados. Temos que nos unir a todos, dialogar com os mais afastados. O Papa Francisco tem dito que “o cristão deve ser o primeiro a dar o exemplo, começando pelo diálogo ecumênico”.

Muitos nem sabem o que significa “ecumenismo”. Confundem com a visão ideológica de “comunismo”, e ficam atrapalhando muitíssimo a quem está lutando pela união de todos. Nossos irmãos missionários, frades e freiras estão espalhados pelo mundo, atendendo a este chamado para a Missão.

Obrigado por hoje. No próximo sábado falarei sobre a vocação do leigo.

Tenham todos um bom dia!

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