Seja um “leigo consciente”, “por dentro das coisas”, “informado”! Texto do Mons. Assis Rocha

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Se vocês prestaram atenção aos meus 04 últimos Comentários devem estar lembrados que eu me referi aos vários chamados que Deus nos faz para viver uma “vocação” ou realizar uma “missão” no mundo e no ambiente em que vivemos. Falei sobre a Vocação do Padre no dia 1º, 1º Domingo de Agosto. A Vocação dos Pais, no dia 08, 2º Domingo. A Vocação dos Frades e das Freiras, no dia 15, 3º Domingo, Festa da Assunção de Nossa Senhora, Vocação à vida religiosa, dizendo que nos dias 22 e 29, falaria sobre a Vocação dos Leigos. Já o fiz no sábado passado e prometia para hoje, aprofundar a Vocação Catequética, como Missão importantíssima, a ser desenvolvida, de modo especial, pelos Leigos, como queremos aprofundar agora.

Autor do texto: MONS. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz -Ce.

Dizia também que, por serem os Leigos a Maioria da população, o tempo de reflexão para eles, também é o maior; daí, 02 domingos seguidos.

            O Documento oficial da Igreja – Apostolicam Actuositatem = Atividade Apostólica – é um Decreto sobre o Apostolado dos Leigos, estabelecendo prin-cípios básicos e dando diretrizes pastorais para seu exercício mais eficaz.

Desde 18/11/1965 que tal Decreto foi votado no Concílio e promulgado pelo Papa Paulo VI com os objetivos específicos de evangelizar, santificar e renovar a ordem temporal com obras de caridade e ajuda social, fundamentado em Colossenses 3,17: “tudo o que façais por palavra ou por obra, fazei em nome do Senhor Jesus Cristo, dando graças a Deus Pai por ele”. Já se vão quase 60 anos desse Decreto Conciliar. Será que todos os Leigos têm consciência disso? Pergunto mais: será que todos os Padres estão confiando e levando a sério o Decreto conciliar, dando ao Leigo o lugar que ele merece? Não é nenhum favor que lhe fazemos. Como eu disse no último comentário/, 2º o Concílio, “os leigos participam do ofício sacerdotal, profético e real de Cristo e, portanto têm sua própria participação na missão de todo o povo de Deus”.

Para mim, é menos ruim pecar por excesso de confiança no Leigo do que ignorar, por completo, a confiança que a Igreja, oficialmente deposita nele. Afinal, os leigos se engajam no apostolado por meio da fé, esperança e caridade que o Espírito Santo difunde no coração de todos os membros da Igreja.

De acordo com números, mais ou menos, oficiais da Igreja do Brasil, 88% das nossas Dioceses, espalhadas por 19 Regionais da CNBB têm estimu-lado e organizado este Decreto sobre a Atividade Apostólica dos Leigos, sobre-tudo com a vivencia das Comunidades Eclesiais de Base. Foram sempre muito efervescentes entre nós. Desde o início têm encontrado nos Leigos a melhor acolhida e vivência, é claro, com o apoio de muitos bispos e sacerdotes. Querer unanimidade é exigir demais, sobretudo diante das exigências sociais, políticas e eclesiais que tivemos de enfrentar. Mas, estamos conseguindo.

Basta pensar nos XIV Encontros Nacionais Intereclesiais realizados por todo o Brasil, reunindo indígenas, ribeirinhos, sem terras, sem tetos, pequenos agricultores, trabalhadores informais, operários urbanos, subempregados, todos provenientes de suas CEBs, muitos acompanhados de seus Bispos e Padres, todos conduzidos por sociólogos, estudiosos da política social, peritos das mais variadas visões para se unirem num senso comum com objetivos comuns. Não é fácil fazer isso, durante dias, enfrentando viagens demoradas, longe de casa, com despesas nem sempre fáceis de cobrir, pedindo ajuda, enfim, os leigos não contam com instituições que lhes dêem respaldo numa hora dessas e nem os liberem para faltar ao trabalho/ sobretudo pq. muitos patrões nem concordam com a motivação do Encontro de que vão participar.

Imaginem! O 15º Intereclesial já está programado para se realizar na Diocese de Rondonópolis/Guiratinga, em Mato Grosso, no Centro Oeste, a confirmar a data para 2023 (precisaremos depois). Damos estas informações neste momento em que se fala da Vocação dos Leigos e Catequistas porque o Sexagenário Decreto Conciliar sobre o Apostolado dos Leigos não ficou só no papel. Tem uma vasta e ininterrupta caminhada que honra a nossa história de compromisso cristão em nossas Comunidades Eclesiais. Tais “atividades apostólicas” nasceram um ano depois da “Constituição Dogmática sobre a Igreja” – a Lumen Gentium – que é de Novembro de 1964, abordando, detalhadamente, sobre as Ordens Sagradas e os Institutos Religiosos, embora em seu capítulo 4º já chamasse a atenção sobre a presença dos Leigos na Igreja a estudar depois. De fato, após um ano, em 1965, vem o estudo, a aprovação e promulgação do Decreto sobre o Apostolado dos Leigos de que estamos falando.

Em nosso Comentário da Semana passada dizíamos que um leigo cristão não pode dar mau exemplo, ter uma vida irregular, fazer parte das politicagens locais, defender bandeiras políticas negacionistas, ser reacionário e achar que tudo o que é aberto para o social é coisa de comunista. Os nossos 14 Encontros Intereclesiais Nacionais, já em vista do 15º, têm reunido Leigos dos mais variados matizes sociais que voltam às suas origens ou bases de atividades, mais animados e mais comprometidos com as mudanças políticas, sociais e eclesiais que possam direcionar o mundo e a sociedade para grupos e comunidades mais abertos na busca de uma felicidade maior para todos. Os egoístas e os que pensam só no seu bem-estar, já parecem felizes demais. Nem pensam na possibilidade dos pobres também, um dia serem felizes.

Não podemos resumir uma História de 60 anos a 60 linhas escritas num Comentário como este. Entre o Documento Oficial da Igreja e os altos e baixos dos caminhos que foram abertos, refeitos e seguidos, temos o acúmulo de teorias que se foram aperfeiçoando e práticas que foram experimentadas, vividas e avaliadas, sucessivamente até chegarmos ao ponto em que estamos.

Você, que é leigo na Igreja, é um leigo sem consciência crítica, por ser “beato” ou “barata de Igreja” ou ainda – como eu perguntava sábado passado – “por estar por fora” ou de que “nada entende”/ “é leigo no assunto”?

Seja um “leigo consciente”, “por dentro das coisas”, “informado”. Quando você toma posição política, defende a justiça, busca a paz, luta para que seu grupo tenha consciência, não vende seu voto, não se vende, isto é, não se prostitui, você está no caminho mais acertado. Não fique do lado do seu opressor, daquele que sempre permaneceu rico, à custa do suor que você derramou por ele, do voto que você foi obrigado a dar nele, acorde enquanto é tempo. Valorize o seu batismo que o tornou: sacerdote, profeta e rei. Dê teste-munho de sua fé, atendendo ao chamado que Deus lhe fez e que sua Igreja confirma e apóia. Sinto-me na reta final da minha vida terrena, mas muito feliz por ter aprendido a pensar e a viver com a minha consciência cristã. Aí, é só correr para o abraço, dizendo – como São Paulo – ao meu justo juiz: “combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”.

Obrigado por mais esta atenção e tenham todos um bom dia!     

EM GUARACIABA DO NORTE, na PAPELARIA EDUCATIVA – Trav. José Bezerra, 13

1 comentário em “Seja um “leigo consciente”, “por dentro das coisas”, “informado”! Texto do Mons. Assis Rocha”

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