BOLSONARO: BRAVATEIRO DAS AMÉRICAS! Franzé Bezerra de Menezes (*)

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Para quem acompanhou a política nacional nos últimos 30 (trinta) anos, não há como se surpreender diante do desastre governamental em que se encontra o país. O atual presidente da República mantém, sem cerimônia, o mesmo perfil de insignificância que o marcou na Câmara dos Deputados, sendo, ao longo de todo o tempo, um deputado sem qualquer expressão, do fundo do Parlamento, desprovido de atuação que se possa qualificar com o mínimo de competência e razoabilidade.

  1. Francisco José Rodrigues Bezerra de Menezes                                       Advogado. Pós-graduado em Direito Processual Civil e Direito e Processo Eleitoral. Especialista em Direito Civil. Sócio fundador da Bezerra de Menezes Advogados Associados. (Email: [email protected]).

A título de informação, e para aqueles que por um motivo ou outro possam não se lembrar – o que é perfeitamente compreensível –, foi autor de duas ignóbeis proposições: a aplicação da pena de morte e o retorno do país ao regime da ditadura militar (ambas vedadas expressamente pela Constituição Federal, ressalvada a única hipótese admitida de pena capital, nos termos do seu art. 5º, XLVII c/c art. 84, XIX da mesma Carta da República, em caso de guerra declarada).

Como é de conhecimento geral, o golpe de 2016, que afastou a Presidenta Dilma Rousseff, foi uma manipulação engendrada por diversos setores reacionários da sociedade civil com efetiva e ardilosa atuação do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Depois, como estivesse sendo investigado por inúmeros crimes (entre estes de corrupção ativa e passiva), acabou sendo cassado e preso.

Aprovado o impeachment, ascendeu o vice-presidente Michel Temer, o qual passou, igualmente, a ser fustigado pela então chamada operação Lava-Jato cujo bunker de operacionalidade residia na outrora ‘republiqueta de Curitiba’, sob o comando do então juiz Sergio Moro. Mais tarde, em face da invasão dos celulares de partícipes da citada operação pelo hacker de Araraquara, veio à tona o conluio que envolvia o Juiz, Procuradores e Delegados.

O The Intercept Brasil, passo a passo, foi dissecando o maior escândalo de Lawfare do mundo, onde restou demonstrado que integrantes da chamada Força Tarefa manipulavam informações, agendavam operações, soltavam notas etc., tudo a fim de afastar o Partido dos Trabalhadores do Poder, o que, de fato, se consumou com o impedimento da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até então líder isolado das pesquisas de opinião pública à Presidência da República, nas Eleições de 2018.

É oportuno salientar, outrossim, que a supradita operação Lava-Jato teve como norte, atingir, frontalmente a classe política, demonizando os seus atores como se a raiz de todos os problemas nacionais estivesse alocada na representatividade do Parlamento. Isso foi orquestrado, diuturnamente, com a participação dos grandes meios de comunicação, em especial da Rede Globo, Jornais Folha de São Paulo e Estadão.

Nessa esteira de denúncias de corrupção, surgiu, no cenário nacional, a figura do deputado Jair Bolsonaro, ele mesmo, e que estava há 3 (três) décadas na vida pública com atuação pífia, mas, aos olhos de muitos, sem qualquer nódoa quanto a atos de improbidade, verdadeiro Robespierre da política brasileira, paladino da moral e dos bons costumes.

No decorrer da sombria campanha de 2018, com forte influência das redes sociais, trazendo novo formato à propaganda eleitoral, surgiram as chamadas FAKE NEWS que se traduzem numa enxurrada de notícias falsas, criações sibilinas com o objetivo de destruir reputações, aniquilar adversários; enfim, o propulsor da mais odienta máquina de propaganda de que se tem notícia na história política brasileira, assimilando-se aos métodos empregados pelos nazifascistas.

Com o passar do tempo, começaram a ser identificados ‘falsos jornalistas’ que alimentavam páginas e páginas na internet, e mais: criação de robôs que replicavam notícias sem qualquer procedência, invencionices rasteiras, descabidas, e que atingiam os mais importantes atores da política nacional, notadamente, aqueles que se posicionavam contrários ao projeto da extrema direita. O resultado é o que aí está: um governante inapto, incapaz de gerenciar os grandes temas de interesse da nação, restringindo-se a soltar palavras ao vento, desprovidas de senso lógico, daí a razão do título do presente artigo.

Bravatas e mais bravatas passaram a ser a palavra de ordem como alimento energizante do novel grupo bolsonarista, teoricamente, composto por militares, extremistas, pensionistas e grupos que se dizem decepcionados com a política tradicional. Entretanto, com o passar do tempo, os supostos valores defendidos pelos devotos do atual presidente foram abandonados, a demonstrar que o discurso moralista e de mudança da prática política não passou de bravata, de engabelação, verdadeiro estelionato eleitoral.

Ademais, a até então postura moralista do candidato, igualmente defendida por seus filhos (que mantêm forte influência nas decisões do pai) desapareceu como passe de mágica: “bandido bom é bandido morto”; “foro privilegiado é uma aberração, coisa de bandido” etc.; além da forte pregação contra o CENTRÃO, conjunto de partidos fisiológicos que se apropriam de fatias do Governo na contrapartida de apoio.

Nesse contexto, corroborando a natureza das bravatas propagadas pelo bolsonarismo, inclui-se a manifesta oposição ao Bolsa Família, programa assistencial aos mais vulneráveis, criado no governo do ex-presidente Lula como instrumento de distribuição de renda, e cuja iniciativa chamou atenção dos organismos internacionais. Frise-se, ainda, o brado de que, na Nova Política, não haveria mais espaço para benefícios pessoais: as chamadas MAMATAS, privilégios que sugam, impiedosamente, os cofres públicos.

Sinteticamente, essas e outras bravatas foram as mais presentes; contudo, abandonadas com rapidez relâmpago, mormente diante dos fatos que vieram a lume quando das investigações no Estado do Rio de Janeiro, lodo depois do covarde assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, e cujo caso ainda se encontra sem solução.

A bem da verdade, a farsa em defesa da família, da pátria e de valores cristãos não passou de enredos, adrede forjados, para alavancar popularidade, notadamente, no estrito seguimento da sociedade alinhada com o discurso, utopicamente, conservador. É como disse o inglês Samuel Huntington, na sua festejada obra “O Choque de Civilizações”: o patriotismo é o último refúgio dos canalhas.

Enfim, o que se vê e assiste é tudo às avessas do que foi protagonizado na última campanha eleitoral. Tudo não passou de meras palavras ao vento e que se perderam como lágrimas na chuva; tudo não passou de retórica sutil e “goebbelsianamente” arquitetada para, tão só, se apoderar e perpetuar no Poder.

O país enfrenta gravíssima crise social, e como já tivemos oportunidade de enfrentar n’outros artigos, a inaptidão do presidente não surpreende; todavia, o mais chocante é verificar a indiferença da classe dominante, do capital financeiro que se assenhora cada vez mais de recursos, em detrimento da esmagadora maioria de trabalhadores que veem seus direitos retirados, e, também, constatar os miseráveis que se acumulam nas vias públicas a cada dia, praga que julgávamos já ter sido vencida e enterrada, só que não. O Brasil voltou ao Mapa da Fome, e o respeito como NAÇÃO é o mais deprimente de sua história aos olhos do mundo.

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