VELHOS MENINOS – Texto de Leunam Gomes

Spread the love

                                        Um encontro de ex-alunos do Seminário de Sobral é sempre algo muito agradável. Eles vão chegando com aquele ar de gente muito séria. Senhores de cabelos brancos. Sisudos uns. Outros, nem tanto. De longe, alguns logo são reconhecidos. São aqueles que mais frequentam os encontros. Os de primeira vez nunca são reconhecidos pelos outros. Mas também são cinquenta anos de distância.

   Hoje, são respeitados senhores Professores, Empresários, Escritores, Poetas, Jornalistas, Políticos, Padres casados, Padres em pleno exercício do sacerdócio, Juristas, Médicos, Engenheiros, Cientistas. Exercem as mais variadas profissões. Nenhum se perdeu na caminhada. Todos, invariavelmente, saindo-se bem nas atividades que desenvolvem.

Os primeiros momentos dos reencontros são de dúvidas. Quem é este? Não se lembra? Uma dica aqui, outra ali. E então vem aquele abraço. Grandes abraços. Às vezes algumas lágrimas.

ENCONTRO DE EX ALUNOS DO SEMINÁRIO MENOR DE SOBRAL

Após a descoberta é como se fosse retirado um véu. Ou como se desembaçasse um espelho. E logo ressurgem os meninos. Passam a ver-se vestindo a velha batina preta, circulando pelo Seminário da Betânia, rezando em latim, caminhando de braços cruzados nas extensas filas para a capela ou para o refeitório. Relembram-se os apelidos. Tudo acompanhado de muitos sorrisos e gargalhadas. Histórias, encobertas por cinquenta anos, vêm à tona. Parecem meninos velhos insultando-se. Somente coisas boas são relembradas. Muitas saudades. Nenhuma mágoa.  O Seminário de Sobral só fez bem a todos que por lá passaram.

Todos os professores, grandes professores são lembrados. Como era possível que homens tão jovens fossem capazes de tanta sabedoria. Cada um tem uma história a contar de seus bons professores.

Os mais velhos contam histórias da convivência com Dom José. Relembram, com graça, até alguns carões, ou pitos, como eram chamadas as admoestações. Feriados inesperados eram concedidos através de duas pancadas rápidas na sineta. Dom José fazia aquilo para ver a alegria da meninada correndo para a rouparia para vestir calções e correr para o campo de futebol. A Semana da Pátria na Meruoca sempre vem á tona. Eram dias inesquecíveis para todos. Tudo é repassado nos encontros.

E mais: todos se alegram com os êxitos alcançados pelos companheiros. É como se o sucesso de um pertencesse a todos. Afinal de contas eram nove meses de convivência por ano. Muito mais tempo do que com as próprias famílias. E muitos laços se criaram. Uma irmandade. O reencontros são cheios de alegria.

E aqueles, que se  parecem meninos velhos, não passam de velhos meninos que se amam.

(*) Texto publicado no livro SEMINÁRIO DA BETÂNIA – AD VITAM – 65 DECLARAÇÕES DE AMOR, de Leunam Gomes e Aguiar Moura – Edições UVA -2015

2 comentários em “VELHOS MENINOS – Texto de Leunam Gomes”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *