Mês: outubro 2021

Série: Pensadores que sonharam com um Brasil Melhor

DOM AUSTREGÉSILO DE MESQUITA (Parte III)Texto do Mons. Assis Rocha

Políticos que passavam pelo sertão, enganando o povo, prometendo o que nunca iriam cumprir, querendo comprar-lhe a consciência e o voto, encontraram em D. Francisco, um opositor fortíssimo, sempre na defesa dos mais fracos.

O Vale do Pajeú inteiro sabe que, quando Presidente da CODEVAP, (Comissão de Desenvolvimento Econômico do Vale do Pajeú) ele conseguiu a instalação das redes elétricas de Paulo Afonso para toda a região.

Afogados da Ingazeira tem certeza de que, se não fosse D. Francisco, somando-se à força política do Deputado Federal, Mons. Arruda Câmara, não existia uma Agência do Banco do Brasil na sede Diocesana Afogadense.

Também, ninguém duvida, que bem antes de aparecerem a EMBRATEL, a TELPE e a Internet pelo Sertão Pernambucano, ele fundava em Afogados da Ingazeira, a COTELAI – Cia. Telefônica de Afogados da Ingazeira – com uma central de atendimento e de distribuição de linhas para todos os seus usuários, via telefonista. Foi essa mentalidade progressista de D. Francisco, que fez dele uma presença viva, de Igreja, no Vale do Pajeú.

Sempre foi uma pessoa incômoda, junto aos ricos, aos políticos e poderosos da região, pois diante do menor deslize da parte deles, ele estava pronto para denunciar e ficar do lado indefeso.

Durante todos esses anos, mesmo depois de Emérito, marcava presença constante, em todos os recantos da Diocese, onde ele residiu até a morte.

Cuidou das Vocações Sacerdotais, quando á frente da Diocese, criando novas Paróquias, arranjando Padres, fora do Brasil e estimulando as Vocações nativas. Ele nunca media esforços quando se tratava de motivar, acompanhar e sustentar uma vocação para o Sacerdócio. Ele dizia sempre que dinheiro não era o problema. Era um dos problemas, para o qual se encontrava solução.

Dom Austregésilo, ouvindo Dom Helder

A Diocese de Afogados da Ingazeira conta com um bom número de sacerdotes nativos, em plena atividade pastoral, e tinha, àquele tempo, outro tanto de estudantes de filosofia e teologia no Seminário Provincial da Paraíba, como fruto do seu operoso e comprometido trabalho. Hoje isto existe na diocese mesmo.

D. Francisco deixou na Diocese, o que muitos bispos têm medo de criar: o Diaconato Permanente.

Depois de uma preparação de 03 anos, ele impunha as mãos em homens casados, ordenando-os de Diáconos Permanentes, que estão prestando excelente serviço às Paróquias onde vivem. Aliás, o retorno à ordenação de homens casados para exercerem a função de diácono permanente, se deve a ele, quando durante o Concílio Ecumênico, levantou sua voz firme e contundente, pedindo a volta dessa prática, lá dos Atos dos Apóstolos, quando os primeiros diáconos apareceram. Conseguiu reunir assinaturas de padres conciliares e apresentou o projeto no Concílio Ecumênico para todos os bispos do mundo. Obteve êxito.

Igualmente, com 03 anos de estudos, formava sucessivos grupos de agentes pastorais leigos, provenientes de todas as Paróquias, para atuarem nas várias pastorais pela Diocese afora. Junto a isso, apoiou e deixou uma bem estruturada Pastoral da Família, com grupos de ECC em todas as Par

Era o compromisso com a Formação Permanente de Padres – inclusive no exterior – de Diáconos e de Leigos, que fez de D. Francisco, um Bispo, mesmo depois de aposentado, atualizadíssimo e de acordo com as necessidades da Igreja hoje. São poucos os Bispos desse quilate. Todos deviam imitá-lo.

Se era pelo bem de Afogados da Ingazeira, D. Francisco envidava todos os esforços, até mesmo cedendo a estrutura física e material da Diocese, para atender em uma necessidade.

Assim foi, por ex., com relação à saúde, cedendo o Hospital; à educação, cedendo o Seminário e a Escola Normal; às organizações sindicais e associativas, cedendo espaços na programação da Rádio Pajeú; à implantação de órgãos de utilidade pública, cedendo terrenos para suas instalações.

E se era pela criança, nem se fala. A Pastoral da Criança foi até o fim, ¨a menina dos seus olhos¨. Sempre teve nele, além de excelente assessor jurídico, um defensor e propagador ardoroso, reconhecido até pela UNICEF, pelos bons serviços que lhe foram prestados.

D. Francisco morreu com mais de 82 anos de idade. Afastei-me dele, geograficamente, mas não fiquei distante dele afetivamente. Continuei admirando-o e respeitando-o, como um dos homens mais sérios da minha Igreja. Mesmo com a idade avançada, ele continuava com voz firme, decidida, corajosa e forte, sempre na defesa da verdade e dos humildes.

Continuava bem-informado. Lia muito e lia tudo. Era capaz de dar uma aula sobre qualquer tema, com a mesma disposição, segurança e poder de persuasão, que tinha quando era Padre Jovem, em Sobral.

Era impossível ouvi-lo falar, e continuar como se estava antes. Ele mexia com a cabeça da gente. Valia à pena escutá-lo, para admirar sua capacidade de comunicação e o conteúdo do que ele transmitia.

Há alguns anos, D. Francisco recebeu o título de cidadão pernambucano. Não foi uma unanimidade na votação da Assembleia Legislativa, e nem podia ser. Com um “curriculum” desse, não há como Deputados conservadores, inimigos do povo, agraciarem a quem nunca traiu o povo.

Quase que o título não saía. Mesmo com mais da metade de sua vida dedicada ao Estado, ao Sertão e à Igreja daquela diocese, houve quem o chamasse de forasteiro como demérito para a concessão do título.

Faz tempo que escrevo sobre ele. Meus escritos têm sido usados por outros que querem falar sobre ele. Não me incomodo, mesmo sem citarem a fonte de informação. Cheguei a questionar pela imprensa, àquela época: será que, todos os pernambucanos, tinham uma folha de serviços, prestados ao seu Estado, como a dele?

E me dirigia a ele, dizendo assim: se os homens são tardios em reconhecer o seu valor, Deus o reconhece em dobro, Senhor Bispo, pelo muito que V. Excia.  nos tem dado, pelo compromisso contínuo com a verdade e a justiça, e pelos riscos que o Sr. sempre correu na defesa dos excluídos de nossa sociedade.

Mesmo depois de morto, parabenizo D. Francisco, por esses seus 82 anos, bem vividos, cheios de tantas lutas, de tantos ensinamentos e de tantas vitórias.

Parabenizo Reriutaba, Seu Francisco Austregésilo e Dona Clausídia, por nos terem dado tão ilustre filho e que tantos bons serviços nos prestou.

Parabenizo Afogados da Ingazeira, por ter a felicidade de possuí-lo por tão longo tempo, por permanecer com ele, no ventre daquele chão e por ter aprendido com ele tantas lições.

Parabenizo também a D. Egídio Bisol, seu 2º sucessor, que conviveu com ele em seu presbitério, com quem, certamente, aprendeu muito para desempenhar a missão que agora faz, pelo documentário – Memórias Fecundas – preparado sobre ele e que foi divulgado por ocasião de seu cinquentenário de nomeação, ordenação episcopal e posse no ano de 2011.

Isto sim que é a verdadeira união de teoria e prática. De oração e ação. De fé e obra. Isto sim que são Memórias Fecundas, narradas pelo Documentário da Diocese de Afogados da Ingazeira, que o Pe. Luizinho – Cura da Paróquia de São Francisco – resume numa bela canção:

Dom Francisco, quanta saudade o senhor deixou entre nós.

Hoje, vivo em nossa luta, dá mais força a nossa voz.

Patriarca do Pajeú e profeta do sertão,

Deste abrigo aos viajantes, deste pão aos teus irmãos.

Defendeste o pobre sem voz, foste a voz de todo o sertão,

Somos gratos ao teu amor pelo povo do nosso torrão.

O Pajeú chorando saudoso se curva em silencio de oração.

Obrigado, velho querido, Pai aguerrido de bom coração.

Dom Francisco, quanta saudade o senhor deixou entre nós.

Autor: Mons. Assis Rocha

COMENTÁRIOS RECEBIDOS

Sobre Ipueiras 138 anos

Nison Gomes:  Parabéns Ipueiras pelos seus 138 anos de emancipação política e a todos os munícipes!!

Felipe Lima Moreira – Parabéns ao município de Ipueiras e parabéns ao vereador e autor desse texto que da visibilidade as questões indígenas de nosso município, do resgate de sua história e busca por identidade

Sobre Pensadores que sonharam um Brasil Melhor

Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro – Além das qualidades do bispo, a gratidão do Mons. Assis, que representa a grande virtude do ser humano. Parabéns.

DOM AUSTREGÉSILO DE MESQUITA (Parte II) Texto de Mons. Mons. Assis Rocha

No dia 24 de agosto de 1961, recebeu a ordenação episcopal, em sua Diocese de origem, Sobral; e aos 17 de setembro, do mesmo ano, tomou posse como Bispo de Afogados da Ingazeira, substituindo seu 1º Pastor, D. Mota, que havia sido transferido para Sobral. Em maio, agosto e setembro de 2011 foram celebradas em Afogados, suas bodas de ouro episcopais. D. Egídio comemorou.

Rarissimamente, um sacerdote é nomeado Bispo, com tão pouca idade; a não ser um superdotado de inteligência, de atividades pastorais e intelectuais, e de dedicação à Igreja, como era o Pe. Austregésilo no início de seu sacerdócio.

Dom Austregésilo e a Catedral de Afogados da Ingazeira

No dia 24 de agosto de 1961, recebeu a ordenação episcopal, em sua Diocese de origem, Sobral; e aos 17 de setembro, do mesmo ano, tomou posse como Bispo de Afogados da Ingazeira, substituindo seu 1º Pastor, D. Mota, que havia sido transferido para Sobral. Em maio, agosto e setembro de 2011 foram celebradas em Afogados, suas bodas de ouro episcopais. D. Egídio comemorou.

Rarissimamente, um sacerdote é nomeado Bispo, com tão pouca idade; a não ser um superdotado de inteligência, de atividades pastorais e intelectuais, e de dedicação à Igreja, como era o Pe. Austregésilo no início de seu sacerdócio.

Mons. Assis Rocha, autor do texto

Ipueiras, 138 anos. Será?

O município de Ipueiras, completa neste dia 25 de outubro, 138 anos de emancipação política. Parabéns ao querido município de Ipueiras! Este pedaço de chão que se estende do sertão a sertão da Serra dos Cocos, tem uma história que vai além das que são contadas nos livros. Ao que tudo indica, a ocupação deste território, vai além destes 138 anos.

Vereador AILTON SAMPAIO, autor deste texto.

Nosso município, que tem o nome de origem indígena do Tupi-guarani, que significar numa tradução para o português, “lugar onde se acumula água”. Vendo que o nome remete a uma origem indígena, eu com meus botões, venho a me perguntar, onde estão os indígenas de Ipueiras?! Se o Brasil é terra de indígenas, Ipueiras também é…

Olhando para os trabalhos de arqueologia que foram desenvolvidos aqui no município, percebo, através dos registros arqueológicos, que a nossa história começa bem antes, desta que estamos comemorando neste dia. Talvez se os artistas rupestres que deixaram seus testemunhos através das artes que percebemos nos sítios arqueológicos do Bacupari, Jacaré e Lontras, estivessem vivos, nos dariam esse aval de que estamos certos, em pensar que a história aqui é ancestral. Vai além destes quase 140 anos. As populações que pintaram estas rochas, dentro da literatura arqueológica, são associadas a grupos caçadores e coletores, e que se supõem, por meio desses indícios terem sidos os primeiros habitantes daqui.

Em vários locais do Brasil, tais pinturas chegam a ter mais de 10.000 mil anos. Não seria nenhum exagero pensar então que nossa região é ocupada há milênios. Estes grupos caçadores-coletores são ancestrais das populações indígenas que conhecemos por meio da etno-história e das populações contemporâneas.

Hoje, que o município faz aniversário, gostaria de fazer uma menção às populações indígenas que estão buscando se organizar no nosso município: os Tabajaras, os Tupinambás, os Capuchus e os Potiguaras, e dizer que sim, Ipueiras como em toda região do Ceará e do Brasil é terra de indígena.

O nosso mandato popular tem compromisso com a luta destas populações e a história de nosso povo, que vai desde o passado remoto, demonstrado através das artes rupestre, passando pelos assentamentos indígenas demonstrados nos sítios Nova Fátima e do Engenho Velho, até os dias atuais, com busca de uma identidade indígena pela população local.

Sabemos  que nossa região passou por um processo colonização assim como nos demais territórios brasileiros, foi bastante ofensiva às populações indígenas. Tentaram, a todo custo, dizimar sua cultura. Mas o movimento indígena aqui está de pé e resistindo! Temos grupos se organizando e tentando contar uma outra história. Eu, estando vereador neste município e entusiasta da cultura local, me somo à esta luta. Digo que, se a gente ler um pouco de arqueologia e história local, e mais do que isso escutar o que nosso povo tem pra contar, vamos ver que a história vai, além disto.

No mais, gostaria de, novamente, parabenizar aos ipueirenses, nesta data marcante e significativa para nossa gente. Parabéns, em especial, para todos os que lutam, todos os dias, por melhores condições de vida neste território. Parabéns à nossa terra e dizer que a nossa história é a gente que escreve, é a gente que faz!

AMOR DE MÃE! Texto de Aninha Salvino

Mamãe só tem a agradecer a Deus por sua vida meu amor. Agradecer por suas conquistas, por sua evolução enquanto ser humano. E como você cresceu nesse último ano!

Sabe o que mais amo em você? a forma como defende e apoia suas irmãs, seus amigos, seu senso de justiça, a forma que você luta para defender seu ponto de vista e seu desprendimento ao mudar sua opinião, ao perceber que está errada. Ah minha filha o tempo passa rápido demais para nós mães. E se eu pudesse estaria o tempo todo grudada a você e suas irmãs.

Desde que você e suas irmãs nasceram meu olhar para o mundo não é mais o mesmo. Gostaria de poder torná-lo melhor, mas já percebi que não é o mundo que quero deixar para minhas filhas, mas as filhas que deixo para o mundo… e ao pensar um pouco melhor, fico feliz por minha contribuição a ele.

Deus abençoe, proteja e ilumine seus caminhos e que ele me dê a oportunidade de te acompanhar sempre, até mesmo quando eu não estiver mais fisicamente com você.

Feliz 14 anos, minha eterna Dudinha.

Aninha Salvino é Professora Especialista em Matemática, em Acaraú- Ce. Graduada pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.

MENSAGENS RECEBIDAS, NO DIA DO PROFESSOR!

                                                                                                                       

De Germano Oliveira, de Guaraciaba do Norte

“Que majestosa seria nossa nação se, ao invés de privilégios disfrutados pela classe política mesquinha, o professor fosse valorizado como deve.

Se tivessem a mesma pompa do alto escalão dos poderes, a mesma condição de magníficos salários, ajuda disto e daquilo, quanto os que fazem as mesmas leis que ao invés de fomentar a valorização do magistério, acabam defenestrado a mais indispensável das profissões.

Que magnífico seria um país cujo símbolo maior fosse a figura daquele que, aos trancos e barrancos, retira sonhos das mentes mais desesperançosas lhes abrindo um mundo de oportunidades inimagináveis.

Que glorioso seria o dia em que um professor pudesse chegar ao final de sua jornada educacional e sentisse que seu esforço, anos a fio, será recompensado com destaque, uma aposentadoria graúda e um final de vida com a sensação verdadeira de ter feito seu melhor e aproveitar daí então sua volta para casa.

O professor é o elo entre o saber e o ensinar; é a síntese máxima do processo educacional e, portanto, a mais valorosa das missões.

Obrigado professor! Mesmo não tendo o que lhes deveria ser conferido por direito, amanhã, na escola, sei que estarão presentes.

DE VANESSA NOBRE, de Forquilha – Ce.

                                                                                                                                                                                                                        “Parabéns meu amigo!  Impossível começar o dia e não lembrar de você, do seu carisma, dinamismo e maestria como conduz a educação. Obrigada por partilhar seus conhecimentos.

VÂNIA PONTES

    De Vânia Pontes, Letras, Psicologia, Doutoranda, Escritora,  de Ipueiras, Coordenadora Pedagógica da FAL, em Sobral.                                                                                                                                                            “Meu grande mestre de inspiração eterna, Feliz Dia do Professor!           Gratidão por todos os seus ensinamentos.” 

ANA LÚCIA SALVINO, Professora Especialista em Matemática, em Acaraú – Ce.

Parabéns, para aqueles e aquelas que são responsáveis por todas as profissões. Parabéns, para aqueles/as que mesmo com todas as dificuldades, são responsáveis pelo desenvolvimento destes pais..                                                                                                             “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” “O educador se eterniza em cada ser que educa.” “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. (Paulo Freire)                                                                   

De CHICO OCOSTA, de Taboca, Tianguá, residente em São Paulo

Dedico e parabenizo a todos os professores do Brasil e do mundo. Especialmente a quem me ensinou, desde a Carta de ABC, “Professor Assis”, no sítio Taboca, município de Tianguá, e ”Professora Elba Furtado” no colégio de Ubajara, ambas cidades, encravadas no planalto Ibiapabano, no Estado do Ceará.

DIA DO PROFESSOR – QUINZE DE OUTUBRO 

E viaja o MESTRE no tempo 

Se vai além da pré-história

É nessas distantes eras

Que ele busca a memória

Que o novo saiu do nada

E a vida seguiu a toada

Na escalada somatória

A vida era precária

Ficavam sempre ao relento

Buscou-se ter um abrigo

Primeiro o aldeamento

Pra alguém poder viver

Foi necessário prover

O precioso alimento

Deixou o homem de ser

Um tal coletor de fruto

Caçava os animais

Por isso um tanto bruto

Dos frutos o coletor

Dos bichos o caçador

Rude criança e adulto

Na água algo boiava

Barco singrou o oceano

Pra se ir longe e rápido

A roda veio ao plano

E tudo tomava prumo

Sempre seguindo o rumo

Com acerto e engano

Sumérios e egípcios

Cada qual com sua escrita

Hieróglifo e cuneiforme

À poucos era restrita

Algarismos são indianos

Quiçá junto a iranianos

O antigo até conflita

Mesopotâmia viu o céu

Com o encanto dos astros

Surgiu a astronomia

Para que estudasse os rastros

Hoje a tecnologia

Busca o antigo e copia

A ciência e seu lastro

A Grécia dos pensadores

De cultura harmoniosa

Onde aflorou a poesia

Gente,  e mente gloriosa

Sempre o professor de cá

Que ensina o bê-á-bá

Merece menção honrosa

Pois se debruça ao estudo

Pra construir uma missão

De ensinar e ser um grande

Professor de profissão

No apuro ficam sábios

Voz que articula os lábios

É tudo apego e doação

Toda arte aqui relatada

Quem criou ensinou alguém

De mão em mão foi assim

Pois, feito que se retém

Tolhe a capacidade

De fazer a humanidade

Todo o bem que lhe convém

Chico Ocosta – São Paulo, 15/10/2021

Professor Torres, da Secretaria de Educação de Guaraciaba do Norte

Boa noite!; Parabéns para você amigo , feliz Dia do Professor, você é exemplo de educador.   

   

MARCOS CASTRO, Professor, Ator, Apresentador, de Guaraciaba do Norte:   “Boa noite. Parabéns a você pelo dia tão especial. Uma pessoa tão maravilhosa que nos inspira a cada dia.”  

                                  
GABRIELA CUSTÓDIO, jornalista do Jornal O POVO, de Fortaleza

Feliz Dia dos Professores, prof. Leunam!

De LEILA, Professora e Coordenadora Pedagógica em Guaraciaba do Norte

“Belíssimos textos. No que diz referência à nossa profissão, não existe maior honra do que ser reconhecido por ex-alunos, lembrando o tempo que trocamos conhecimento.

Hoje digo, com orgulho que não cabe no peito:

SOU PROFESSORA, GRAÇAS A DEUS E AS MARCAS POSITIVAS QUE DEIXEI EM CADA SER HUMANO QUE TIVE O PRAZER DE ORIENTAR, NINGUÉM TIRA.”

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

                                                                              

Série: Pensadores que sonharam com um Brasil melhor  (III)

Dom AUSTREGÉSILO DE MESQUITA – (parte I)                                                               Texto de Mons. Assis Rocha

Depois de falar sobre Celso Furtado (I) e Dom Edmilson Cruz (II), chegou a vez de Dom Francisco Austregésilo (III), com uma vontade enorme de apresentá-los e a outros na sequência, para o conhecimento de meus possíveis leitores, ou para lembrá-los do que eles sonharam e agiram para que tivéssemos um Brasil melhor, cada um na sua área de pensamento e atividade

Nesse último 07 de outubro, próximo passado, fez 15 anos da morte de D. Francisco Austregésilo, sepultado no dia 09, na Catedral da Diocese de Afogados da Ingazeira, onde viveu 46 anos. Segundo estimativas, estiveram presentes aos seus funerais, cerca de 17.000 pessoas, juntamente com autoridades eclesiásticas, civis e militares de todo o Estado de Pernambuco.

Dom AUSTREGÉSILO DE MESQUITA

            Pessoalmente, sempre tive por ele, um carinho muito grande, muito respeito e gratidão, não só por ter sido o meu Bispo, mas também pelo conhecimento que tivemos um do outro, desde longa data, e pela herança intelectual, pastoral, social, humana e pessoal, que ele me deu, onde a ferrugem e a traça jamais chegam.

            Conheci-o, desde 1952, quando eu tinha apenas 11 anos de idade. (Por isso mesmo, não compareci aos seus funerais para continuar tendo dele as lembranças mais vivas que lhes faço recordar agora).

            Ele era Padre, recentemente ordenado, e começava a dar aulas no Seminário de Sobral – CE., sendo admirado e comentado por todos, pela sua sabedoria e eloquência, pelos seus recursos de oratória, pela segurança no que pregava e ensinava e, até, pelo porte físico e elegante com que se apresentava, mantendo-se sempre em forma, dado que andava de bicicleta, por toda a cidade de Sobral e arredores, em suas missões apostólicas.

            Tinha seus 27 anos de idade.

            Nascera na cidade de Reriutaba, antiga Santa Cruz, aos 03 de abril de 1924. Filho de família bem católica, como era, foi batizado aos 14 de agosto, e crismado aos 13 de dezembro do mesmo ano. Naquela época não havia a exigência pastoral que se tem hoje, e ele a adotava em sua Diocese, de só se crismar alguém, dos 15 ou 16 anos em diante.

            Em novembro de 1931, com pouco mais de 07 anos, também fez a sua 1ª Eucaristia. Tudo dentro das normas e do costume da Igreja da época, que Seu Francisco Austregésilo e Dona Clausídia, seus pais, seguiam ao pé da letra.

            Dona Clausídia teve 16 partos, mas sobreviveram 08 filhos, dos quais, nenhum mais está vivo. Todos tiveram a escolaridade que Reriutaba oferecia, até que o filho, FRANCISCO AUSTREGÉSILO, demonstrando vocação para o Sacerdócio, foi encaminhado para o Seminário São José, de Sobral, pouco antes de completar os 16 anos, no início de 1940.

            Em Sobral fez o 1º e 2º Graus, sempre com grande brilhantismo, sobretudo em Literatura e Língua Portuguesas, e nas ciências matemáticas.

            No início do ano de 1946, foi para o Seminário Provincial de Fortaleza, onde cursou, com mais brilhantismo ainda, a Filosofia e a Teologia, sendo esta, fundamentalmente bem alicerçada, por excelente curso de Sagrada Escritura e de Direito Canônico.

            No dia 08 de dezembro de 1951, recebeu das mãos de seu Bispo Diocesano, de Sobral, D. José Tupinambá, a Ordenação Sacerdotal e, com 28 anos incompletos, iniciava, em fevereiro de 1952, suas atividades no Seminário de Sobral, como Professor e, mais tarde, também como Reitor. Foi quando nos conhecemos e comecei a admirá-lo.

            O Pe. Austregésilo, como o chamávamos, era, sem dúvida, o mais bem preparado do Clero Sobralense. Todos o admirávamos, boquiabertos, pelas aulas bem ministradas, pelos sermões cheios de sabedoria, pelas palestras convincentes, pelos retiros convertedores de pessoas, e pela segurança, destemor e energia que passava em tudo o que fazia.

            Seus pronunciamentos iam chamando a atenção dos meios estudantis e intelectuais sobralenses, bem como suas aulas e sermões, pelas inúmeras figuras de linguagem que usava, pela elipse de verbos em prolongados discursos, e pelos circunlóquios e outros recursos de oratória, que somente ele sabia usar.

Não era sem razão, que ele era tido como o maior e melhor orador sacro do Ceará.

Também os seus conhecimentos de linguística e literatura eram aproveitados, nacionalmente, nos inúmeros Cursos de CADES, ou de reciclagem de Professores, promovidos pelo MEC.

O Pe. Austregésilo passou um pouco mais de 09 anos, exercendo essas atividades: pastorais e intelectuais, embora, basicamente, ele tenha sido mais, formador de seminaristas e Reitor do Seminário, como suas funções principais, desempenhadas com a mais alta competência e com a mais paternal dedicação.

Certamente esses seus dotes o credenciaram a ser apresentado para a missão episcopal, cuja nomeação de Roma, aconteceu aos 25 de maio de 1961, logo após completar seus 37 anos de idade.

Texto do Mons. Assis Rocha, de Bela Cruz, que trabalhou ao lado de Dom Francisco por 35 anos, em Afogados da Ingazeira.

DOM EDMILSON CRUZ – UM BISPO CORAJOSO E COERENTE! Texto do Mons. ASSIS ROCHA

Em nome do clero sobralense, fui convidado, a saudar D. Manoel Edmilson, em duas oportunidades: em 2016, na concelebração com o clero, quando completou 50 anos de episcopado e em Aranaú, sua terra natal, ao saudá-lo, presencialmente, na inauguração do Memorial, construído em sua homenagem, diante de parentes, familiares e conterrâneos no dia 16 de novembro de 2019. Em ambas as ocasiões eu o saudei com muito prazer.

            Agora me surge mais uma oportunidade de me unir mais a D. Edmilson. Ele é Betanista como eu. Em 2015, 65 de nós, ex-alunos do Seminário da Betânia, nos unimos para escrever “Ad vitam – 65 declarações de amor” nos 90 anos do Seminário da Betânia. Ele nos presenteou a todos, escrevendo uma bela e comovente “Apresentação” para a nossa 1ª edição.

Dom Manoel Edmilson da Cruz

Os autores, ficamos tão empolgados com os bons resultados da 1ª edição, que já estamos com a 2ª edição pronta, acrescida de outros autores – desta vez para mostrar a nossa prática – daí, a expressão: Ad laborem – em qualquer que seja a nossa situação – padres ou não – para falarmos do nosso trabalho ou da nossa prática. Dom Edmilson – no alto dos seus 97 anos – estará conosco, na sua sensatez e na sua sabedoria. Eu continuo admirando-o muito. Também, pudera! Nós temos Naturalidade Acarauense. Apenas 16 anos nos separam: ele de 03 de outubro de 1924 e eu de 11 de outubro de 1940. Encontramo-nos no Seminário São José, em Sobral, no início da década de 1950: ele, meu professor, com 28 anos, e eu, seu aluno, com 12 anos. E que Professor era ele! Competente, preparado, seguro, em qualquer das matérias que lecionava, sobretudo as línguas: inglês, latim, francês, português ou outras disciplinas, como: física, química, ciências ou história. Era bom em tudo.

            Naquele tempo não havia o computador, é claro. Mal utilizávamos a máquina datilográfica. Nem sequer tínhamos o mimeógrafo a álcool para multiplicar as provas ou os exercícios escolares. Isso não era problema para o autodidata professor Padre Edmilson. Ele diferenciava cada questão da prova que copiava no quadro de giz com os mais variados caracteres e aliviava as dificuldades dos alunos que não confundiam nenhuma questão entre si. Hoje nós temos uma infinidade de “fontes” no computador que podemos alterá-las e diferenciá-las à vontade em cada quesito ou assunto que queiramos sublinhar.

            Além de exímio professor, serviu ao Seminário de Sobral como Prefeito de Disciplina, Vice-reitor e Diretor Espiritual, além de funções pastorais também fora do Seminário: Capelão da Igreja do Coração de Jesus, da Cadeia Pública e de algumas Comunidades Religiosas de quem era também Confessor, como: das Irmãzinhas da Imaculada, do Ginásio Santana, do Patronato Maria Imaculada e da Santa Casa de Misericórdia. Foi Diretor Diocesano da Catequese e da Obra das Vocações Sacerdotais, enquanto ia praticando o seu trabalho catequético nos bairros do Sagrado Coração de Jesus e do Alto da Expectativa. Com um Curriculum desses estava a um salto do Episcopado. Passou por uma fase intermediária na Arquidiocese de Fortaleza em 1964, integrando a Equipe de Direção no Seminário Provincial como Prefeito e Professor de Lógica, Ascética e Mística, Catequese e Diretor Espiritual, até que, em Agosto de 1966, o Papa Paulo VI o escolheu para Bispo Auxiliar em São Luís do Maranhão, recebendo a Ordenação Episcopal, aos 06 de novembro de 1966, das mãos do Sr. Arcebispo de São Luís, Dom João José da Mota e Albuquerque, que fora Bispo de Sobral até 1964. D. Edmilson assumiu a sua função em São Luís, no dia 28 de dezembro de 1966.

            Entre a Ordenação Episcopal e a posse em São Luís, o novo Bispo, Dom Edmilson da Cruz, celebrou com sua Comunidade de origem, em Acaraú e convidou para fazer o Panegírico, seu colega, amigo e também Bispo, Dom Francisco Austregésilo de Mesquita, que já se destacava na Diocese de Afogados da Ingazeira, em Pernambuco, como um Bispo valente, corajoso, excelente orador, comprometido com o Concílio Ecumênico Vaticano II que, de pronto, atendeu o convite e deu uma grande mensagem a todos que ali se encontravam, sobre a Missão de um Bispo e a responsabilidade que ele tem na condução de um povo.

            (Estou fazendo referência a esse fato, porque eu vim com D. Francisco, como seu motorista, e naquela ocasião, eu era estagiário na sua Diocese, em preparação para o Sacerdócio, com apenas 26 anos de idade. Nem imaginava eu ser um dia Vigário Paroquial de Cruz, cuidando, pastoralmente, de Aranaú, por quase 03 anos, na terra de Dom Edmilson).

            Dom Mota, conhecedor das opções pastorais de seu novo Auxiliar e confiando no bem que ele poderia fazer aos mais necessitados de sua Arquidiocese, confiou-lhe logo, em 1967, a Vigararia Episcopal do Brejo, distante 318 km. de São Luís, uma região desafiadora, que estava requerendo do novo bispo, todo o empenho possível, a fim de mais tarde, poder criar ali também, uma sede diocesana. Isto se deu aos 14 de setembro de 1971.

            Dom Edmilson não temeu os desafios. Em 04 anos deu total apoio às Comunidades Eclesiais de Base, fundou a Associação Brejense da Caridade e desenvolveu uma ação básica de pastoral voltada para os mais necessitados, de tal modo que, em 1971, Brejo estava amadurecida para receber o seu 1º Bispo titular: Dom Afonso de Oliveira Lima, que ficou na Diocese até 1991. Fazia 100 anos que Brejo era Sede Municipal (11.07.1870) e, pouco mais de 100 anos depois (14.09.1971) se tornava também Sede Episcopal. Dom Edmilson permaneceu por mais 03 anos como Auxiliar de São Luís, ao lado do seu Arcebispo, Dom Mota, que ficou até 1984.

            Em 1974 D. Manuel Edmilson foi nomeado Bispo Auxiliar de Fortaleza, tomando posse aos 07 de Agosto, ocupando algumas funções de destaque no Novo Regional Nordeste I: Membro da Comissão Episcopal Pastoral do Regional, da Comissão Regional da Seca; Responsável pela Pastoral Urbana e pela Pastoral da Comunicação e chegou a ser Vice Presidente do Regional NE I e Coordenador das várias Foranias da Arquidiocese, sempre em comunhão com o Cardial Lorscheider, Arcebispo de Fortaleza, onde ficou até 1995.

            Sem deixar de ser Bispo Auxiliar de Fortaleza, em Maio de 1992 foi nomeado pelo Papa João Paulo II, Administrador Apostólico “sede plena” da Diocese de Limoeiro do Norte, acumulando as duas funções, até 1994, quando foi eleito, em Maio, Bispo Diocesano daquela porção da Igreja do Ceará, onde permaneceu até 06 de Maio de 1998, data em que o Vaticano aceitou sua renuncia por motivo de saúde. Como Bispo Titular (até agora fora sempre Auxiliar) em apenas 04 anos, foi o mesmo Pastor: zeloso e incansável, humilde e paciente, obediente e compreensivo, homem de oração e de ação, muito consciente de sua vocação, externada no seu lema episcopal: “verbum caro factum” que ele bem traduziu na máxima: “se eu nascesse 50 mil vezes, eu queria ser padre 50 mil vezes”.

            Dizia eu, anteriormente que, Dom Edmilson, “com o seu Curriculum, estava a um passo, do Episcopado”. Com essas pinceladas de sua bela História, cheia de oração e de ação, ele se enquadrava entre os Bispos que honram a História de nossa Igreja, no Brasil e no Mundo, como declarou São João XXIII ao conclamar o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 a 1965), expressando seu desejo de que a Igreja fosse “principalmente uma Igreja dos pobres”. O Papa Francisco, mostrando seu elo com a mesma mensagem de seu predecessor – que já era a mensagem do próprio Jesus – acrescenta em uma de suas homilias: “a pobreza é o centro do Evangelho. Se tirarmos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus”.            

Dom Edmilson entendeu bem essa máxima, vivenciando-a em todo o seu ministério. Foi na defesa dos mais pobres que ele se insurgiu contra os poderosos, num episódio, com repercussão, dentro e fora do Brasil, ao se pronunciar no Senado Federal, aos 21 de Dezembro de 2010, rejeitando a “Comenda de Direitos Humanos – Dom Helder Câmara” que lhe era oferecida e nem passou pela cabeça “daquelas excelências” que ele iria recusá-la, afirmando muito bem, em alto e bom som, que aquela comenda não honrava a história de Dom Helder. Não a representava. Pelo contrário, até a desfigurava. E acrescentou com o seu jeito simples, afável, educado, mas incisivo de falar, que “não tinha ressentimentos e agia por amor a todos os Senhores e Senhoras Senadores, por quem rezava todos os dias, mas só lhe restava uma atitude: recusar a Comenda”. E arrematava: “quem aumenta 61,8% nos seus salários não é parlamentar; é pra lamentar”… e disparou mais um cartucho: “votar em corruto é votar na morte”. É claro que “suas excelências” não gostaram, achando seu pronunciamento “inoportuno”. É este tão querido Bispo que apresentou “ad vitam” e vai-nos mostrar na prática “ad laborem”.

Monsenhor Doutor ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ceará
O livro PROFESSOR COM PRAZER está na Papelaria Educativa, em Guaraciaba do NorteCeará

Pensadores, quase contemporâneos, que sonharam com um Brasil melhor.

Texto do Mons. ASSIS ROCHA

Depois de tecer comentários sobre Paulo Freire, Dom Helder, Zé Dantas, Dom Paulo Evaristo, e de elencar outros, mais ou menos contemporâneos, cada um na sua área de abrangência, como: Clarice Lispector, Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda, Dom Tomás Balduíno, Gilberto Freire… está-me chegando à mente, Celso Furtado, um dos maiores Economistas brasileiros que dedicou sua vida a produzir projetos de transformação nacional.

            No passado 20 de Julho de 2020, fez 100 anos do seu nascimento em Pombal, na Paraíba, depois de ter sido indicado, como único brasileiro, ao Prêmio Nobel de Economia em 2013, pela vasta bibliografia de mais de 30 livros de investigação à mecânica do subdesenvolvimento do país. Seu nível ou patamar, em nada é inferior aos seus coetâneos, lembrados acima ou a outros a quem não nominamos. Sua fama e capacidade são reconhecidas desde a década de 1940 por sua originalidade técnica e atuação prática. Ele ultrapassou os limites da academia e se tornou um gestor público, ocupando cargos políticos e técnicos centrais para o desenvolvimento do país.

Economista CELSO FURTADO

Celso Furtado levou um de seus projetos técnicos à prática, pela criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), uma das metas do Governo Juscelino Kubitschek. Integrou também o governo de João Goulart, como seu Ministro do Planejamento. Ainda teve tempo para lecionar em universidades estrangeiras e participar da transição democrática e estruturação do Ministério da Cultura.

            Para incentivar com os estudos, a reflexão e instalação da Sudene, Celso Furtado se assessorou da CNBB – Região Nordeste que, a convite do Presidente Juscelino, ex-aluno dos Padres Lazaristas, no Seminário do Caraça, em Minas, recebeu todo o respaldo, o conhecimento da Região e o interesse no seu desenvolvimento, expressos pelos Senhores bispos que, de boa vontade, colaboraram.

            Como já disse acima, Celso Furtado sempre lutou pela união da teoria, à prática. Formado em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro, serviu na FEB – Força Expedicionária Brasileira – durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e doutorou-se em Economia na França. Em 1949, mudou-se para Santiago, no Chile, integrando a recém-criada Comissão Econômica para a América Latina- (CEPAL), órgão da ONU, voltado para o desenvolvimento regional. A CEPAL era tão importante que se tornou um Centro de debates sobre os aspectos teóricos e históricos do desenvolvimento da época. Oito anos foram suficientes para que Celso Furtado pusesse as bases de novas concepções sobre o desenvolvimento econômico e subdesenvolvimento latino-americano, compreendendo a economia com uma visão interdisciplinar e humana.

            Tantos estudos, reflexões e práticas, envolvidos em toda a sua vida, o levaram a denunciar que o subdesenvolvimento não era uma etapa de desenvolvimento, como se dizia na época, mas uma condição estrutural. Não era um problema apenas de planejamento econômico ou de técnica econômica, mas um problema, fundamentalmente, político. Enfrentá-lo, requereria uma postura, uma vontade política nacional de empreender transformações estruturais na realidade brasileira. Será que nós estamos vendo alguma coisa parecida em tempos atuais, quando os homens sobre os quais estamos falando e especificamente, Celso Furtado, são rechaçados pelo governo atual?

            Celso Furtado deu sua grande contribuição, mostrando a necessidade de transformação estrutural da base de oferta de mercadoria. Era preciso uma indústria forte para deixarmos de ser refém de trocas desiguais de mercado.

            Suas várias obras foram aparecendo, desde 1959, a partir de um de seus livros mais conhecidos: “Formação Econômica do Brasil” em que ele descreveu a evolução da economia brasileira, inserida no paradigma latino-americano, por meio da análise da estrutura produtiva de cada período histórico. Esta obra foi complementada com a publicação de “Desenvolvimento e Subdesenvolvimento” em 1961, que apontava caminhos e possibilidades de intervenção racional do Estado no processo de desenvolvimento econômico, sobretudo no tocante a reformas estruturais.

Logo em 1962, como Diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, no Governo de Juscelino e Ministro do Planejamento no Governo de João Goulart formulou o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, estabelecendo as reformas de base, agrária, tributária e social como uma condição fundamental para superar o subdesenvolvimento. É claro que as elites não gostaram desse plano e o levaram à motivação do Golpe civil-militar de 1964. Celso Furtado, que não era socialista, entrou logo na lista dos cem primeiros cidadãos, perseguidos, após o golpe no Brasil. A própria ditadura militar identificava suas ideias como perigosas, diante dos sistemas econômicos. O que ele evidenciava mesmo era ser um pensador nacionalista e estruturalista, fundamentado em sua obra “A pré-revolução brasileira” onde ele continuava se adaptando e perseguindo “a missão de acabar com o subdesenvolvimento do país e interferir no processo de construção da nação”.

Sua teimosia o levou ao exílio, até a Anistia, em 1979, empregando bem seu tempo, em atividades de ensino, estudando, pesquisando em Universidades como de Yale, Harvard e Columbia nos EEUU, de Cambridge, na Inglaterra, e em Sorbonne, na França, sempre pesquisando sobre o subdesenvolvimento de nosso país. O que eu chamo de teimosia, estudiosos e pesquisadores falam dos seus segredos. Ele está sempre formulando categorias, interpretando processos para interferir em condições mais definidas a serviço do bem comum.

Com o seu amadurecimento e à base de tanta reflexão e de tantas idas e vindas, ele entendeu que o Estado não pode tudo. Que certos acordos de classe podem não ser favoráveis ao desenvolvimento nacional que ele propunha.  Faz-nos entender isto, em sua “Dialética do Desenvolvimento” e, mais tarde, em “O Mito do Desenvolvimento Econômico”, em 1974, quando ele constata que ‘a industrialização na periferia não leva à formação de sistemas econômicos nacionais’ como ele havia imaginado antes.

Voltou ao Brasil nos últimos anos da Ditadura, filiou-se a um partido político, participou da Comissão do Plano de Ação do Governo Tancredo Neves, foi nomeado Embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Europeia, mudando-se para Bruxelas. De 1986 a 1988 foi Ministro da Cultura do Governo Sarney, quando criou a 1ª Legislação de incentivos fiscais à Cultura.

Em 1997 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, permanecendo relevante também na política e no debate político. Até depois de sua morte/2004, o Presidente Lula inaugurou um Centro Internacional, Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento que abriga 7.542 livros que pertenceram ao autor e se encarregou da publicação semestral de “Cadernos do Desenvolvimento”.

Concluindo, podemos dizer que Celso Furtado nunca poderá ser visto como um autor do passado, mas como um intelectual sempre presente nas nossas tentativas de encontrar um projeto de Brasil.

Autor: Mons. ASSIS ROCHA, de Bela Cruz – Ce.

COMENTÁRIOS RECEBIDOS

De Benedito Herculano Costa, do Sítio São Francisco, em Meruoca – Ce:   sobre ESTA VOCE NÃO SABIA: Acho que o dr. João de Paula Monteiro era filho do sr. Ferreirinha de Crateús. Foi preso político na época da ditadura militar.

Edson Sousa Martins sobre ALMOÇO BIOCÊNTRICO – Não sou Professor mas como bom aluno sempre admirei essa arte. Muito interessante essa explanação fundamentada na BIO. Se entendi somos seres humano com valores e pensamos diferente mas que vive em comunidade. Sendo assim fica mais prazeroso aprender junto com o próximo e não só com o professor e orientador

Rosa Amelia Duarte Lopes, de Aracatiaçu – Sobral – Esse professo Leunam é sempre um exemplo de professor junto com esse seus companheiros. Parabéns,

Francisco José Rodrigues Bezerra de Menezes, de Fortaleza sobre VELHOS MENINOS, de Leunam Gomes: Excelente texto. É gostoso lê-lo, fica-se aguardando uma surpresa à frente. Esses registros são importantes, ficam eternizados.

ANTONIO MAURILIO VASCONCELOS, de Fortaleza – Ce.  – Caro Prof. Leunam parabéns. Que beleza de texto. Nunca vi uma pessoa retratar tão bem aquilo que acontece em uma reunião/encontro.

Lourenço Araújo Lima, do Rio de Janeiro:  Belo texto professor Leunam, retrata com muita propriedade os nossos encontros. Esperamos que o nosso próximo encontro esteja próximo.
Parabéns, grande abraço.

Lourenço Araújo Lima, Veterinário, no Rio de Janeiro – Como sempre belo texto, professor Leunam. Muito bem retratado os nossos encontros. Que a pandemia passe logo para que possamos nos reencontrar.
Grande fraternal abraço Betanista.