Série: Pensadores que sonharam com um Brasil melhor  (III)

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Dom AUSTREGÉSILO DE MESQUITA – (parte I)                                                               Texto de Mons. Assis Rocha

Depois de falar sobre Celso Furtado (I) e Dom Edmilson Cruz (II), chegou a vez de Dom Francisco Austregésilo (III), com uma vontade enorme de apresentá-los e a outros na sequência, para o conhecimento de meus possíveis leitores, ou para lembrá-los do que eles sonharam e agiram para que tivéssemos um Brasil melhor, cada um na sua área de pensamento e atividade

Nesse último 07 de outubro, próximo passado, fez 15 anos da morte de D. Francisco Austregésilo, sepultado no dia 09, na Catedral da Diocese de Afogados da Ingazeira, onde viveu 46 anos. Segundo estimativas, estiveram presentes aos seus funerais, cerca de 17.000 pessoas, juntamente com autoridades eclesiásticas, civis e militares de todo o Estado de Pernambuco.

Dom AUSTREGÉSILO DE MESQUITA

            Pessoalmente, sempre tive por ele, um carinho muito grande, muito respeito e gratidão, não só por ter sido o meu Bispo, mas também pelo conhecimento que tivemos um do outro, desde longa data, e pela herança intelectual, pastoral, social, humana e pessoal, que ele me deu, onde a ferrugem e a traça jamais chegam.

            Conheci-o, desde 1952, quando eu tinha apenas 11 anos de idade. (Por isso mesmo, não compareci aos seus funerais para continuar tendo dele as lembranças mais vivas que lhes faço recordar agora).

            Ele era Padre, recentemente ordenado, e começava a dar aulas no Seminário de Sobral – CE., sendo admirado e comentado por todos, pela sua sabedoria e eloquência, pelos seus recursos de oratória, pela segurança no que pregava e ensinava e, até, pelo porte físico e elegante com que se apresentava, mantendo-se sempre em forma, dado que andava de bicicleta, por toda a cidade de Sobral e arredores, em suas missões apostólicas.

            Tinha seus 27 anos de idade.

            Nascera na cidade de Reriutaba, antiga Santa Cruz, aos 03 de abril de 1924. Filho de família bem católica, como era, foi batizado aos 14 de agosto, e crismado aos 13 de dezembro do mesmo ano. Naquela época não havia a exigência pastoral que se tem hoje, e ele a adotava em sua Diocese, de só se crismar alguém, dos 15 ou 16 anos em diante.

            Em novembro de 1931, com pouco mais de 07 anos, também fez a sua 1ª Eucaristia. Tudo dentro das normas e do costume da Igreja da época, que Seu Francisco Austregésilo e Dona Clausídia, seus pais, seguiam ao pé da letra.

            Dona Clausídia teve 16 partos, mas sobreviveram 08 filhos, dos quais, nenhum mais está vivo. Todos tiveram a escolaridade que Reriutaba oferecia, até que o filho, FRANCISCO AUSTREGÉSILO, demonstrando vocação para o Sacerdócio, foi encaminhado para o Seminário São José, de Sobral, pouco antes de completar os 16 anos, no início de 1940.

            Em Sobral fez o 1º e 2º Graus, sempre com grande brilhantismo, sobretudo em Literatura e Língua Portuguesas, e nas ciências matemáticas.

            No início do ano de 1946, foi para o Seminário Provincial de Fortaleza, onde cursou, com mais brilhantismo ainda, a Filosofia e a Teologia, sendo esta, fundamentalmente bem alicerçada, por excelente curso de Sagrada Escritura e de Direito Canônico.

            No dia 08 de dezembro de 1951, recebeu das mãos de seu Bispo Diocesano, de Sobral, D. José Tupinambá, a Ordenação Sacerdotal e, com 28 anos incompletos, iniciava, em fevereiro de 1952, suas atividades no Seminário de Sobral, como Professor e, mais tarde, também como Reitor. Foi quando nos conhecemos e comecei a admirá-lo.

            O Pe. Austregésilo, como o chamávamos, era, sem dúvida, o mais bem preparado do Clero Sobralense. Todos o admirávamos, boquiabertos, pelas aulas bem ministradas, pelos sermões cheios de sabedoria, pelas palestras convincentes, pelos retiros convertedores de pessoas, e pela segurança, destemor e energia que passava em tudo o que fazia.

            Seus pronunciamentos iam chamando a atenção dos meios estudantis e intelectuais sobralenses, bem como suas aulas e sermões, pelas inúmeras figuras de linguagem que usava, pela elipse de verbos em prolongados discursos, e pelos circunlóquios e outros recursos de oratória, que somente ele sabia usar.

Não era sem razão, que ele era tido como o maior e melhor orador sacro do Ceará.

Também os seus conhecimentos de linguística e literatura eram aproveitados, nacionalmente, nos inúmeros Cursos de CADES, ou de reciclagem de Professores, promovidos pelo MEC.

O Pe. Austregésilo passou um pouco mais de 09 anos, exercendo essas atividades: pastorais e intelectuais, embora, basicamente, ele tenha sido mais, formador de seminaristas e Reitor do Seminário, como suas funções principais, desempenhadas com a mais alta competência e com a mais paternal dedicação.

Certamente esses seus dotes o credenciaram a ser apresentado para a missão episcopal, cuja nomeação de Roma, aconteceu aos 25 de maio de 1961, logo após completar seus 37 anos de idade.

Texto do Mons. Assis Rocha, de Bela Cruz, que trabalhou ao lado de Dom Francisco por 35 anos, em Afogados da Ingazeira.

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