ACADEMIA SOBRALENSE DE ESTUDOS E LETRAS DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO ALARICO ANTÔNIO FROTA MONT’ALVERNE 12 DE NOVEMBRO DE 2021

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Apraz-me e enobrece-me aqui estar, na presença de tão preclaros acadêmicos que compõem este colendo Sodalício, como escolhido, pela quase totalidade dos acadêmicos votantes, para assumir a Cadeira 28, cujo patrono, Domingos Olímpio, um dos luminares da vasta galeria da intelectualidade sobralense.

Nasci nesta querida Sobral, a 4 de abril de 1943, à beira do Rio Acaraú e nos contrafortes da aprazível Serra da Meruoca, região causticada pela inclemência do calor abrasador do nordeste brasileiro, cujas altas temperaturas são mitigadas pela aragem confortante da brisa noturna, o “Aracati”. O calor parece que nos purifica da indolência e da preguiça, tornando-nos fortes e destemidos na luta do dia a dia por melhores condições de vida, em busca do progresso em todos os campos de atividade humana. Este contexto tem-nos levado à evolução no campo educacional, médico, industrial e comercial. Somos a capital do norte cearense.

Venho de uma família de onze irmãos. Fui educado com o rigor do sertanejo que acorda cedo e não pode desperdiçar tempo e esforço, valorizando cada raiar do sol. Em nossa mesa aprendemos a compartilhar e a dividir, tornando-nos cada vez mais fraternos.

Meus pais, Antônio Edward Mendes Mont’Alverne, representante comercial, e Maria Yêdda Frota Mont’Alverne, renomada educadora, foram os luminares, farol a clarear os nossos caminhos na senda do saber e da dignidade.

Nos seminários da Betânia (Sobral-CE), da Prainha (Fortaleza-CE), Regional do Nordeste em Olinda (PE) conseguimos, através do silêncio, da meditação e da rígida, porém racional e objetiva disciplina, evoluir interiormente, o que permitiu, então, uma visão cósmica do mundo, disponibilizando-nos ferramentas indispensáveis à evolução do conhecimento técnico-científico e humanista. Honras e méritos à plêiade de valorosos e competentes mestres, responsáveis pela metamorfose que ocorreu em minha pessoa. Minha eterna e imorredoura gratidão.

Este somatório de várias oportunidades me concedeu uma ambiência propícia ao forjamento de minha personalidade, firme e determinada, oferecendo-me excelentes oportunidades para o enfrentamento das etapas posteriores. Após a conclusão do curso de Filosofia no Seminário de Olinda – PE, graduei-me em Geologia (1966) e conclui Mestrado em Geociências (1981) pela UFPE – Universidade Federal de Pernambuco, e ultimamente, em 16 de dezembro de 2001, o Curso de Pedagogia pela Faculdade FACESE , em Curitiba – PR.

Centrei minha vida profissional na cidade do Recife, com ligeiras incursões em vários estados da federação, conseguindo, através da dedicação ao trabalho e do estudo continuado, vencer as barreiras e realizar os objetivos planejados. Como prêmio a todo o esforço desprendido, fui agraciado, como reconhecimento, com o título de Cidadão de Pernambuco (2011), concedido pela Assembleia Legislativa do mesmo estado.

A minha formação filosófica e o hábito de leitor contumaz, que trago desde a adolescência no Seminário da Betânia, levou-me a uma admiração inigualável pelo pensamento “Iluminista” dos séculos XVII e XVIII, representado pelos grandes filósofos Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Diderot, 2 D’Alambert, responsáveis pelo desencadeamento da Revolução Francesa na luta pela “LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE” e pelo espirito de “bem-servir”.

Este ideário levou-me ao campo educacional, com a participação efetiva na fundação (1979) e na manutenção do Colégio Equipe, no Recife, hoje com 42 anos de existência. Trata-se de uma instituição de ensino básico tendo como ideário a educação integral do indivíduo. Esperamos continuar contribuindo por mais tempo nesta casa de educação de crianças e jovens, formando pessoas dignas para a construção de um mundo melhor, mais justo e sem tantas e tamanhas desigualdades sociais.

Em solo pernambucano contraí núpcias com a competente e dedicada pedagoga Florence Mary Ferreira Mont’Alverne, co-fundadora do Colégio Equipe, falecida em 2007, com quem tive duas queridas filhas, Germana Cristina médica, e Suzana Cristina pedagoga.

Nunca esqueci a terra amada que me viu nascer e onde permaneci até os 16 anos, plena adolescência, quando parti para Fortaleza e em seguida para Olinda – PE. Anualmente, sempre, aqui estava para manter vivo os laços familiares e o convívio amável com os queridos conterrâneos, permanecendo atento e atualizado sobre os fatos e acontecimentos sobralenses. Nunca estive completamente ausente, pois, espiritualmente era presença constante.

Porém, a partir de 2008, após o convívio mais próximo com a professora emérita, historiadora, escritora e acadêmica Glória Giovana Saboya Mont’Alverne, e nosso casamento em 2012, voltei a aqui estar mais assiduamente, participando dos eventos familiares e sociais, e como visitante em reuniões da ASEL. E, como nada acontece por acaso, o sonhado momento para ingresso neste Sodalício aconteceu.

 Hoje considero-me extremamente feliz em assumir a Cadeira 28 neste Silogeu, fonte fecunda do saber, através do convívio fraterno e amigável com estrelas de primeira grandeza da intelectualidade sobralense, muitos dos quais são familiares (Giovana, Gerardo Cristino, Alexandre Pinto e Francisco Santamaria), contemporâneos do Seminário da Betânia (Valdeci, João Edison, Aloísio Ponte, Abdias e Davi Helder), professor (Padre José Linhares) e amigos de infância (Arnaud, Almino Rocha, Tereza Ramos…).

Sou imensamente grato aos nobres acadêmicos João Edison Andrade e José Luís Lira pela amabilidade com que se prontificaram em apadrinhar a minha proposta de ingresso, assim como à Diretoria da ASEL, na pessoa de sua presidente Profa. Chrislene Carvalho dos Santos Pereira Cavalcante e à dedicação e lisura da Comissão Eleitoral presidida pelo acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante, na condução do pleito. Aos prezados confrades e confreiras, que, através do voto, depositaram confiança em minha pessoa, a perene gratidão ao me concederam a oportunidade de realização de um sonho. Comprometo-me, então, a participar e colaborar, de maneira efetiva, para com as atividades de nossa academia, e não medir esforços para a consecução deste intento.

Por iniciativa de um grupo seleto de intelectuais foi fundada, em 03 de maio de 1922 a Academia Sobralense de Letras, sob a Presidência de Pe. Leopoldo Fernandes, e Diretoria composta por Dr. Clodoveu de Arruda Coelho, Craveiro Filho, Paulo Aragão, dentre outros.

Após alguns anos a Academia sofreu uma paralização, sendo reativada em 05 de setembro de 1943, com reformulação de seus objetivos, estatutos, e nova denominação, Academia Sobralense de Estudos e Letras, tendo como Presidente Mons. Vicente Martins e compondo a Diretoria, Mons. José Gerardo Ferreira Gomes, Dr. João Ribeiro Ramos, Prof. Maurício Mamede 3 Moreira, Armando Ferreira Baltar e Dr. José Maria Mont’Alverne. A nobre Galeria de Presidentes está composta, em ordem cronológica, pelos intelectuais: Mons. Vicente Martins, Dr. José Saboia de Albuquerque, Mons. José Gerardo Ferreira Gomes, Dr. João Ribeiro Ramos, Prof. José Ferreira Portela Neto, Prof. Evaristo Linhares Lima, Dr. João Edison Andrade, Dr. José Luís Lira, e Profa. Chrislene Carvalho dos Santos Pereira Cavalcante, até a presente data.

A Cadeira 28 foi ocupada pelo acadêmico Prof. Maurício Mamede Moreira, nascido em Ipueiras. Lecionou por mais de trinta anos nos Colégios Sant’Ana, Sobralense e Escola Profissional Dom José, transferindo-se, posteriormente, para Fortaleza, onde faleceu em 22 de março de 1999, e cujo vacância foi ocupada, em 28 de março de 2004, pelo também professor e escritor Dr. João Barbosa de Paula Pessoa Cavalcante, até o dia 24 de junho de 2020, quando veio a óbito.

Para mim, é uma honra incomensurável substituir este querido conterrâneo amigo, vizinho de praças (Praça do Figueira e Praça João Pessoa, à época), um ser humano competente, amável, bondoso, cordial e sempre pronto a servir como tônica de vida, Metódico, perfeccionista, sempre à frente de seu tempo.

Concomitante à carreira bancária manteve o conceituado “Curso Cambosa”, formando gerações de jovens para concursos os mais diversos e para acesso à Universidade através de vestibulares, sempre com excelentes resultados. Foi imensa a sua colaboração, como professor de português e de contabilidade, para o crescimento do nível cultural de jovens que lutavam pela ascensão profissional e acadêmica.

Quando jovem, na década de 50, inicia a atuação no Teatro Escola Sobralense, sob o comando dos renomados atores Clotário Aguiar e Hugo Vinãs, destacando-se como comediante, participando das seguintes peças: “Os 25 Sargentos”, “Almas do Outro Mundo” e “Luzia Homem”.

Também teve notória atuação no atletismo, destacando-se no futebol de salão (futsal) onde conquistou inúmeros títulos de campeão. No futebol de campo compôs as equipes do Ferroviário e do Guarany de Sobral, com reconhecida participação.

Menção especial para a sua atuação na sociedade local, como fundador da AABB (em 1956) participando de várias Diretorias, e, também, fundador do Lions Club Sobral Caiçara. Sempre presente às festividades promovidas pelos clubes da cidade, destacando-se como exímio dançarino. É de se frisar e enaltecer a sua disposição de, após os 50 anos de idade, concluir o Bacharelado em Direito, exercendo esta nova profissão nas cidades de Fortaleza e Sobral, com desvelo e competência.

Destacou-se como cronista do “Diário do Nordeste” e articulista dos jornais “Correio da Semana” e “Noroeste”, com inúmeros artigos publicados.

Como escritor e jornalista o confrade e amigo João Barbosa, contribuiu eficazmente para com a intelectualidade sobralense, brindando-nos com as seguintes obras: “Sobral em Reminiscência – Humor e Saudade”, “Órfão do Agreste”, “Deslizes Linguísticos do Cotidiano”, “Eles Deram a Sobral a Liderança do Norte”, o que muito enriquece a biblioteca da terra que tanto amou e se dedicou até os últimos instantes de sua fecunda existência, chegando a falecer, aos 88 anos, a 20 de junho de 2020.

Resta-me honrar a Cadeira 28, ocupada anteriormente pelo confrade e amigo acadêmico João Barbosa, cujo patrono é a figura insigne de Domingos Olímpio. Este é o compromisso que assumo perante este preclaro Sodalício – Deus me ajude! 4 Domingos Olímpio Braga Cavalcanti, romancista, dramaturgo e jornalista, era filho de Antônio Raimundo Cavalcanti e Rita Braga Cavalcanti. Nasceu em Sobral – CE a 18 de setembro de 1850. Era neto do Capitão José de Holanda Cavalcanti e de Anna Francisca do Carmo, e, pelo lado materno de Rita de Cássia Pinto Braga Cavalcanti, filha de Domingos José Pinto Braga e Maria Antonieta Ferreira Braga. Era o primogênito dos quatro irmãos.

Domingos Olímpio casou-se duas vezes. Em 1875 com Da. Adelaide Ribeiro Braga Cavalcanti, que veio a falecer em 1878, deixando duas filhas, Albertina e Guiomar. Em 1892, casou-se pela segunda vez, no Rio de Janeiro, com Da. Anna Augusta Braga Torres, neta do Governador Francisco Xavier Torres e filha do Brigadeiro Francisco Xavier Torres Júnior e de Maria Pinto Braga Torres, com quem teve cinco filhos: Domingos Olímpio, Martha, Alberto, Ana Violeta e Laura. Os sete filhos lhe deram 34 netos, 50 bisnetos e 5 trinetos.

Estudou as primeiras letras em sua terra natal e após concluir os estudos preparativos em Fortaleza (1866) segue para o Recife, onde se bacharelou em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1872, época em que foi contemporâneo de Castro Alves, na célebre Faculdade de Direito do Recife. Ainda estudante compôs várias peças teatrais e entre elas “A Perdição”, encenada pelos colegas de faculdade.

Ao concluir o bacharelado em Direito, volta a sua terra natal, exercendo as funções de Promotor de Justiça, quando teve contato direto com os problemas gerados pelas desigualdades sociais, fruto do contexto político-econômico reinante àquela época no sertão cearense, assim como pela inclemência das secas, de periodicidade cíclica e efeitos devastadores para os menos favorecidos. Em sua volta a Sobral teve oportunidade de incentivar as atividades artísticas do Teatro Apolo e, como membro da Sociedade União Cultural Sobralense, colaborou eficazmente na construção do Teatro São João, de inspiração italiana, em estilo neoclássico, um dos ícones da cultura sobralense. Com a morte de sua consorte Adelaide (1878), além de decepções e incompreensões nas atividades políticas, por divergências com a família Accyole, resolveu transferir-se para o estado do Pará, voltando, então, a advogar, onde obteve notáveis conquistas nos tribunais. Concomitantemente, foi eleito pelo Partido Conservador, em Belém do Pará, Parlamentar Provincial. Caracterizou-se como aguerrido abolicionista, republicano sincero e ardente, ideais que defendia com todo fervor na Assembleia Legislativa e como redator dos periódicos “Grão Pará” e “A Província”.

Em 1891, segue para o Rio de Janeiro onde continuou advogando e a exercer as atividades jornalísticas como redator dos jornais “O Paiz”, “Correio do Povo”, “O Comércio”, “Cidade do Rio”, e “Gazeta de Notícias”.

Fundou a Revista “Os Annaes”, colaborando de maneira intensa com a imprensa carioca usando os pseudônimos “Pojucan” e “Jaibara”. A sua intensa atividade jornalística iniciou desde os tempos de acadêmico, no Recife, quando teve convivência estreita com grandes luminares de Direito, literatos de renome e artistas de primeira linha.

Um ano após a sua chegada ao Rio de Janeiro, foi nomeado Secretário da Comissão Diplomática, encarregada de resolver, em Washington, as questões de limites fronteiriços do Brasil com a Argentina (Questão das Missões) e com a Bolívia (Missão Rio Branco).

Ao regressar ao Rio de janeiro prossegue nas atividades advocatícias, no jornalismo e como escritor, quando então, em 1903, publica a sua obra-prima “Luzia-Homem”, o romance “Almirante” (1904 – 1906), uma crítica dos costumes, e “Uirapuru” retratando a vida do extremo 5 norte do país. Deixando inéditas as seguintes peças teatrais, “Rochedos que Choram”, “Túnica Nessus”, “Tântalo”, “Um Par de Galhetas”, “Domitila”, “Os Maçons e o Bispo”, assim como “A História da Missão Especial em Washington”, “A Loucura na Política”, “O Negro”, “A Questão do Acre”, além de inúmeros artigos, contos e crônicas publicadas em vários jornais e revistas de Fortaleza, Belém e Rio de Janeiro.

É de se frisar que quase todas as peças de sua lavra foram apresentadas no Teatro de Santa Isabel, no Recife – Pe, no Teatro São João, em Sobral – Ce, no Teatro José de Alencar, em Fortaleza e no Teatro São Pedro Alcântara, atual Teatro João Caetano no Rio de janeiro.

Relativo à sua obra-prima “Luzia Homem” é de bom alvitre rememorarmos alguns comentários emitidos por escritores e intelectuais notáveis (in História da Literatura em Sobral, Tomo I. Pe. Francisco Sodoc de Araújo, Imprensa Universitária, UVA, Sobral 2011 pág. 92 a 96) sobre o nosso eminente escritor Domingos Olímpio:

 “Domingos Olímpio, romancista, contista e polemista, foi um dos mais interessantes e notáveis prosadores brasileiros. Nele se uniram de maneira curiosa, produzindo uma série de contrastes característicos da sua personalidade, o amor do regionalismo sertanejo, entranhado bairrista mesmo, e o prazer de estudar a vida das cidades, tumultuária e apaixonada, nas suas melhores particularidades. Desde suas primeiras obras se sente que sua alma se deixa arrastar pelas duas correntes opostas, das quais uma teve, por fim, de superar a outra, dominando todo o seu grande espírito e impelindo-o a escrever um dos nossos mais belos romances nacionais. E, essa, felizmente para Domingos Olímpio, e felizmente para nós, foi a do sertanismo, que ele soube compreender sem exageros e realizar com naturalidade”. (Gustavo Barroso, no prefácio da segunda edição do romance “Luzia Homem”).

Olavo Bilac em “História Literária do Ceará” de Mário Linhares, Rio, 1948, pg. 97, afirma: “A publicação de “Luzia Homem” foi tão belo e ruidoso triunfo que esse livro forte, humano e profundamente nacional deu ao autor, em todo o Brasil, uma celebridade que perdurará enquanto formos um povo e enquanto tivermos uma literatura”.

 “O romance ‘Luzia Homem’ é um dos mais importantes elos da cadeia do regionalismo nordestino. O sertanismo tem nele um pintor de paisagens e um caracterizador de personagens de que a ficção brasileira se deve orgulhar.” (Afrânio Coutinho, em Nota Preliminar à edição de “Luzia Homem” da Editora Ática, São Paulo).

“’Luiza Homem’ é um desses livros que servem de colunas ao edifício literário nacional (…). Nenhum livro dá uma ideia fiel da terra cearense do que esse quadro em que se nos mostra sob seus múltiplos aspectos de tragédia, de comédia e de poesia. O que está nessas páginas é flagrante, é verídico, é vivido.” (Antônio Sales, em “Retratos e lembranças”, Fortaleza, 1938, p. 210)

 “É difícil classificar este livro. (…) Como, porém, a seca, o drama secular da gente cearense, constitui o elemento central do romance, influindo nos hábitos e até no feitio das criaturas, o seu lugar há se ser na literatura regionalista de que é, sem dúvida, umas das melhores manifestações 6 entre nós”. (Lúcia Miguel Pereira, em “História da Literatura Brasileira”, vol. XII, Rio, Liv. José Olímpio, 1950, p. 204).

“”Luzia Homem” de Domingos Olímpio foi o grande romance inspirado na seca. Outros versaram o assunto. Ele era obrigatório para as vocações de romancistas no Ceará. (…) Mas, “Luzia Homem”, pelo seu realismo, parece-me ter sido o maior de todos os romances da literatura ligada à terra e à gente cearense.” (Austregésilo de Ataíde, “A Glória de Domingos Olímpio”, em “Diário da Noite”, Rio, Ed. de 18.9.1950.)

 “Há, no ano de 1903, uma alto acontecimento literário que o marca inconfundivelmente: a publicação de ‘Luzia Homem’ de Domingos Olímpio. (…) o enternecimento de Domingos Olímpio pela terra de seu berço era tal, que a primeira página dos originais de ‘Luiza Homem’ encimam-na estas palavras amoráveis e acariciantes: ‘Quadros de Minha Terra Querida’. (Dolor Barreira “História da Literatura Cearense”, 1º. Tomo, Fortaleza. 1948, p. 15 e 2º. Tomo, 1951, p. 132).

Por duas vezes, Domingos Olímpio candidatou-se a uma cadeira para a Academia Brasileira de Letras – ABL. A primeira para a cadeira 02, vaga que ficou para Euclides da Cunha autor de “Os Sertões”; na segunda, concorreu à vaga da cadeira 21, com a morte de José do Patrocínio, novamente saiu vitorioso o poeta Mário de Alencar, filho de José de Alencar.

Após esta curta trajetória luminosa de vida como cidadão digno, profissional exemplar, político honesto e dedicado às causas republicanas, o abolicionista escritor e intelectual de escol, falece, na cidade do Rio de janeiro, de mau súbito, em 7 de outubro de 1906, aos 55 anos, muito jovem, o inesquecível luminar Domingos Olímpio, deixando-nos um rastro de luz e de esperança, o que dignifica cada vez mais a nossa querida Sobral.

Domingos Olímpio, apesar dos percalços políticos por que passou, na luta em defesa da justiça e da verdade, amou tanto a sua terra natal, que a ela se referiu de maneira carinhosa e recorrente:

 “Sobral não precisava de meu preito para afirmar a sua fulgente auréola de cidade intelectual, berço de brasileiros notáveis em todos os ramos de atividade humana” (in Sobral História e Vida – Glória Giovana Saboya Mont’Alverne e Norma Soares, Editora UVA – Sobral, 1997, pg. 98.

Encerrando, trago à baila, para os que já passaram dos sessenta anos, um sábio e profundo pensamento, essencialmente realista e confortante:

“Na maturidade estamos voltados mais para o interior e encanta-nos o que é próprio dela. Do tempo não podemos fugir e nem devemos. Com o inexorável só há uma saída que não será fugir, é vivenciá-lo da melhor maneira possível, colhendo os frutos das sementes germinadas nas primeiras fases da vida.

Muito obrigado a todos.

Sobral, 12 de novembro de 2021

ALARICO ANTÔNIO FROTA MONT’ALVERNE

Cadeira 28

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